
Helen Lopes
Estudantes, pais e professores, além de integrantes de movimentos sociais, realizaram manifestação pelas principais ruas do centro de Porto Alegre na manhã de quarta-feira (22). Mais de quatro mil pessoas participaram do ato, que integra a Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública. Os manifestantes reivindicavam mais investimento na educação pública e protestavam contra o processo de enturmação, implantado pelo Governo do Estado.
“Somos contra a forma como está sendo feita a enturmação. Não há critérios, estão misturando, por exemplo, turmas de 5ª e 8ª série”, denuncia a presidente do CPERS/Sindicato, Simone Goldschmidt. “Ao invés de investir em educação, o Governo está inchando as salas com 45 a 50 alunos. Isso é muito prejudicial para o aprendizado”, diz a professora.
A constatação é rebatida pela diretora de Recursos Humanos da Secretaria Estadual da Educação, Carmen Figueiró, que argumenta: “As estatísticas nunca mostraram prejuízo com a enturmação. O que existe é mais interação pedagógica”, entende Carmen, que admite a ocorrência de turmas multiseriadas. “Mas respeitando a proximidade. Não vamos juntar duas séries distantes”.
Enturmação já é realidade em 26% das escolas gaúchas
A Secretaria Estadual da Educação divulgou ontem levantamento feito junto às Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) sobre a reorganização das turmas da rede pública de ensino, a enturmação. Conforme os dados, das 2.856 escolas que compõem a rede, 745 reorganizaram suas turmas entre julho e agosto, o que representa 26% do total de estabelecimentos de ensino estadual.
Com o reordenamento as turmas ficaram assim: no Ensino Fundamental, 344 turmas com 21 a 30 alunos, 339 turmas com 31 a 35 alunos, e 78 com 36 a 40 alunos; no Ensino Médio, são 180 turmas com 21 a 30 alunos, 731 turmas com 31 a 40 alunos, e 49 turmas com 41 a 45 alunos. Ao todo, foram reduzidas 1.590 turmas (3%) da rede estadual, que passa a ter 51.455 turmas.

Deixe um comentário