O chefe da Casa Civil, Marcio Biolchi, garantiu na tarde desta quinta-feira que o projeto de extinção da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul não vai ser retirado da Assembleia Legislativa. A declaração foi feita logo após apresentação do governador José Ivo Sartori, da fase 4 do Ajuste Fiscal Gaúcho.
“Estamos abertos ao diálogo, ele vai ser revisado e pode sofrer alterações, mas não vai ser retirado do regime de urgência”, afirmou Biolchi.
No final da manhã, pela primeira vez desde que foi proposta a extinção da FZB, o governo do Estado recebeu uma comissão de apoio à entidade, logo depois de encerrada a audiência pública que lotou às galerias do Auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa.
O grupo formado por 20 pessoas entre representes da entidade ambiental, deputados, professores de universidades públicas e privadas, e pesquisadores da Embrapa, Fepagro e Emater, entregou ao secretário adjunto da Casa Civil, José Kliemann, e à secretária adjunta do Meio Ambiente, Maria Patrícia Mollmann, um documento em que pedem a imediata retirada do PL 300/15 e uma reunião com o governador José Ivo Sartori.
O secretário Kliemann disse que esperava se reunir com o titular da pasta Márcio Biolchi e o governador para repassar as solicitações. Maria Patrícia lembrou que a secretária Ana Pellini estava viajando e que o projeto era uma tentativa de reestruturar a Fundação Zoobotânica. “Vamos continuar discutindo a melhor forma de reorganizá-la, modernizar a instituição que foi fundada na década de 70”, reiterou a secretária adjunta.
O professor Ludwig Buckup, 85 anos, 60 dedicados à Universidade, pesquisador conhecido internacionalmente, falou em nome da comissão e cobrou uma conversa com o governador, dizendo não acreditar que Sartori estivesse totalmente a par do texto do projeto.
“Não acredito que ele conheça profundamente as atividades da Fundação, muito menos que ele permita que se feche e simplesmente mande para suas casas profissionais tão qualificados como estes”, afirmou.
Mais cedo, no Legislativo, Buckup foi aplaudido em pé quando olhou para uma câmera de tevê e dirigindo-se a Sartori brincou que seu ex-aluno deve ter matado as aulas de Ecologia.

Cerca de 800 pessoas compareceram à audiência pública, organizada pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, presidida pelo deputado Adolfo Brito (PP). Lá estiveram parlamentares, servidores da FZB, inclusive seu atual presidente, Juliano Fakredin, analistas da Fepam e outros órgãos estaduais e federais, o promotor de Justiça José Mendes Júnior, o comandante do Batalhão Ambiental da BM, major Rodrigo Santos, e representantes de dezenas de ONGs ambientais. Todos demostram apoio à Fundação Zoobotânica e preocupação com a proposta do governo.
Alguns servidores da FZB se revezaram no microfone para apresentar dados do Jardim Botânico, do Museu de Ciências Naturais e do Zoológico.
O biólogo Marco Azeredo apresentou uma série de atividades e serviços prestados pela FZB. E mostrou o orçamento da entidade, que representa 0,045% do orçamento do Estado. E advertiu para a especulação imobiliária nas áreas da Fundação, como o Zoológico em Sapucaia e a Reserva Florestal Padre Balduíno Rambo, que juntos somam 780 hectares, entre São Leopoldo e Sapucaia do Sul.

Ao final da audiência, foi entregue aos membros da comissão um calhamaço com dois abaixo-assinados contendo 39 mil assinaturas e correspondências com demonstrações de apoio à FZB de 800 instituições, sendo 18 de outros países. E a estudante Clara Aguzzoli, que emocionou a todos ao afirmar que sabia muito bem a importância do meio ambiente para a sociedade.
O Jornal JÁ tentou durante toda tarde contato por telefone com a secretária Ana Pellini, através de sua assessoria, que não atendeu às ligações.


"Projeto que extingue FZB não será retirado", diz secretário
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