Reforma no GNU: Smam não tem previsão de parecer

Helen Lopes

A Secretaria do Meio Ambiente (Smam) ainda não tem previsão para avaliar o projeto de remodelação da sede Moinhos do Grêmio Náutico União (GNU). Há dois meses, a proposta está nas mãos dos técnicos do órgão, que recentemente tiveram que repassá-la ao Conselho Municipal do Meio Ambiente, por solicitação da ONG União pela Vida.
O ponto polêmico é o corte de cinco falsas-seringueiras para a construção de um estacionamento de três pavimentos, dois subterrâneos e um térreo. A reforma também prevê duas piscinas, uma para recreação e outra de 25m para competições.
A direção do clube afirma que as raízes das árvores de grande porte estão comprometendo a estrutura das piscinas, bem como de um prédio onde funcionava a escola União Criança. “Precisaremos cortá-las de qualquer forma”, entende o presidente do clube, Evaldo Rodrigues de Oliveira.
Integrantes do Moinhos Vive garantem que existem formas de conter as raízes. “Muros especiais podem ser construídos”, sugere o presidente da entidade, Raul Agostini. O movimento também reivindica que a área destinada ao estacionamento diminua. Mas o presidente do clube explica que a obra visa a resolver dois problemas: falta de vagas para os associados e segurança.
Hoje, o clube aluga um estacionamento com 120 vagas (o novo terá 300) em frente à sede, na rua Quintino Bocaiúva. “Nossos sócios estão sujeitos a assaltos. Pela lei poderíamos erguer 17 andares, mas não queremos isso.”


Compensação ambiental pode ser ampliada

No final de janeiro mais de 100 pessoas participaram de uma audiência pública quando a empresa contratada pelo clube apresentou o projeto paisagístico da obra. Das 168 árvores do terreno, 117 serão preservadas, 18 transferidas e 34, removidas.

Na remodelação, a empresa pretende usar palmeiras ao redor das piscinas, intercaladas com árvores frutíferas nativas. Segundo o estudo, 20% do terreno será preservado como área permeável e vegetada. “Vamos manter o cinturão verde na parte próxima à rua 24 de outubro”, garante Oliveira.

O secretário de Meio Ambiente, Beto Moesch, adiantou que, apesar da compensação ambiental apresentada, alterações podem ocorrer. A diretoria do clube se diz disposta a cumprir as exigências da Smam. “Desde que sejam razoáveis, porque não somos uma indústria poluidora”, adverte o presidente.

Caso a Smam amplie a compensação ambiental, o Moinhos Vive reivindica que as mudas sejam plantadas na região. “Não adianta cortar aqui e arborizar outros bairros”, entende Agostini.

União Criança funciona em casa alugada

Outra controvérsia que ronda a obra é o destino do União Criança, escola pioneira em Porto Alegre que une esporte e educação. O colégio funcionava na área onde será construído
o estacionamento e em 2008 foi transferido para uma casa alugada por dois anos na rua Marquês do Herval. Um acesso interno para o clube está sendo construído.

A diretoria garante que não há possibilidade de suspender o União Criança como temiam os pais. No ano passado, eles se mobilizaram para manter a iniciativa vinculada ao GNU, já que o projeto de reestruturação não prevê a construção de um novo prédio para abrigar o colégio.

Mãe de uma menina de três anos, Leila Costa explica que uma solução definitiva está sendo estudada pela diretoria. “Por enquanto, estamos otimistas porque o projeto vai continuar”, comemora.

Novos horários

Na reunião, os vizinhos também reclamaram da poluição sonora gerada pelas atividades noturnas na sede Moinhos, que funciona 24 horas. Para diminuir o ruído, a diretoria decidiu fechar algumas áreas. A partir de 1º de março, deixam de funcionar das 22h às 7h:

– Piscinas externas;
– Ginásio Bolha e Ginasinho;
– Quadra de futebol/basquete externa;
– Salas de fitness, judô e ginástica artística;
– Estacionamento da Coronel Bordini.

Entidade propõe o tombamento do Moinhos

A associação de moradores do Moinhos de Vento – o Moinhos Vive – está fazendo um abaixo-assinado para solicitar à Prefeitura o tombamento de todas as árvores do bairro. “É um escudo legal para proteger o que resta de vegetação”, avalia o presidente da entidade, Raul Agostini. A entidade já ganhou batalhas importantes na preservação do verde do bairro, como o reconhecimento do Túnel da Marquês do Pombal, em setembro de 2007.
Se aprovado o projeto, a Smam terá que conceder licença específica para cada corte ou poda. Os integrantes do movimento pretendem entregar o documento até o final de março para que seja analisado antes do período eleitoral.

Esse é um dos destaques da primeira edição de março do Jornal JÁ Bom Fim/Moinhos, que circula gratuitamente nos bairros Bom Fim, Moinhos de Vento, Floresta, Independência, Centro, Rio Branco, Farroupilha, Santana, Cidade Baixa, e Santa Cecília.

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Comentários

  1. Avatar de cintia moscovich
    cintia moscovich

    Amigos,
    Só para refrescar a memória: o Grêmio Náutico União conseguiu a licença ambiental, ainda que provisória. E as reformas já começaram. Cortar as árvores é uma questão de tempo.

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