FELIPE UHR
Quase 14 horas depois de terem sido levados pela Brigada Militar, os 42 detidos durante a ocupação da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), na manhã do dia 15, foram soltos. Os 32 menores foram liberados do Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca) pouco depois das 18 horas, e os 10 adultos já na madrugada desta quinta-feira (16).

Entre os maiores de idade, estavam dois profissionais da imprensa: o repórter Matheus Chaparini, do jornal JÁ, e o cinegrafista Kevin Darc, que gravava cenas para um documentário. Mesmo se identificando aos policiais, os dois foram presos e encaminhados como manifestantes para a 3ª DPPA.
Na delegacia, até os advogados tinham dificuldade para entrar. A reportagem do JÁ foi expulsa duas vezes do local antes de conseguir falar com a delegada. No início da noite, todos os detidos foram encaminhados ao Presídio Central de Porto Alegre.
Os dois confirmam que a todo momento, tanto na hora em que a BM entrou no prédio para retirar os estudantes quanto depois, já na delegacia, disseram que eram profissionais da imprensa e que estavam trabalhando, contrariando afirmação da delegada Andréa Nicotti. Nicotti disse à reportagem que soube da prisão de um jornalista por contato telefônico do Jornal JÁ.

A delegada relatou que a BM apresentou todos detidos na condição de manifestantes. Disse ainda que Matheus e Kevin não questionaram em nenhum momento a versão da Brigada Militar. Segundo Andréa, todos se mantiveram calados por orientação da advogada do Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (Saju), da Ufrgs. Indagada se em algum momento foi perguntado ao repórter se era jornalista, a delegada disse que Matheus se manifestaria apenas em juízo.
“Quando a delegada perguntou qual era a minha profissão, disse à ela que era a que estava exercendo na ocupação, cobrindo a pauta, jornalista”, desmente Chaparini. Nos vídeos do repórter do JÁ gravados pelo telefone, pode-se ver sua veemente identificação verbal junto ao Capitão Trajano, do BOE: “Pra mim tu tá junto” e “Lá embaixo tu te identifica”, respondia o oficial.

Kevin também afirma que se identificou. “Nós nos identificamos para a Brigada e na delegacia, o Matheus como jornalista e eu como cinegrafista”. Os dois, como os demais manifestantes maiores de idade, responderão a cinco acusações: prejuízo a trabalho coletivo, corrupção de menores, organização criminosa, esbulho possessório, resistência à prisão e dano ao patrimônio qualificado. Matheus relata ter assinado apenas um documento declarando ciência dessas acusações.
Por volta das 18 horas, todos foram transferidos ao presídio: as mulheres para o Madre Pelletier e homens para o Central. Dentro do furgão da Susepe, os homens seguiram algemados. Às 23 horas, já na prisão, ganharam pão, café e banana. Duas horas depois foram liberados por alvará de soltura concedido pelo juiz Felipe Keunecke de Oliveira.

Repórter do JÁ e demais presos na ocupação da Sefaz são liberados
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