Tiago Jucá
Quando uma banda faz um show pra comemorar duas décadas de um disco, é impossível não lembrar como era 1996.
A internet recém engatinhava em baixíssima velocidade, portanto, consumíamos música em formato Compact Disc. O velho Long Play já era tratado como obsoleto.
A falecida Ipanema FM era a única emissora de rádio que tocava algumas músicas do Da Lama Ao Caos, primeiro álbum da Nação Zumbi e antecessor do Afrociberdelia. A curiosidade a respeito de uma banda que não tinha bateria já despertava nossa atenção pelos pátios da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Ufrgs). E por causa disso comprei os dois discos de uma só vez.
Mas Afrociberdelia veio pra arrebentar e tornar-se o melhor álbum musical da história deste país. Duas mudanças contribuíram para isso: a produção saiu do preto e branco Liminha e passou pro colorido BiD; e a banda passou a ter bateria, com a entrada de Pupilo.
A Nação Zumbi subiu ao palco do Bar Opinião, em Porto Alegre, na noite de quinta-feira (7) com o que restou da formação original: Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue, Toca Ogan, e, claro, Pupilo e mais dois percussionistas nos tambores de maracatu.
Tocaram o álbum na íntegra e na ordem. A lamentar, apenas que o Bar Opinião permitiu a entrada de mias gente do que cabia. Estava excessivamente lotado, e pra fugir do empurra-empurra, cotoveladas e banhos de cerveja (que custava entre 14 e 16 reais!), a alternativa era ficar no mezanino, onde era possível se mexer, apesar de não ser possível ver o show.
Uma pena, pois mirar de perto Lúcio Maia tocar fogo na guitarra é uma das sete maravilhas da música brasileira atual.
Mas valeu pelos reencontros com vários amigos dos anos 90 que vivenciaram aquele boom sonoro que eclodia no país com Nação, Mundo Livre S/A, O Rappa, Planet Hemp, Cidade Negra, Skank, Jota Quest, Raimundos, Mestre Ambrósio e outros. Assim como eles, eu também…
“Eu vim com a Nação Zumbi
Ao seu ouvido falar
Quero ver a poeira subir
E muita fumaça no ar
Cheguei com meu universo
e aterrisso no seu pensamento
Trago as luzes dos postes nos olhos
Rios e pontes no coração”.

Resenha: Uma noite nos anos 90 com a Nação Zumbi
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