Resposta da Redação à nota da Secretaria da Segurança

A Secretaria de Segurança do Estado emitiu, nesta  quinta,16  uma “nota com “esclarecimentos”  sobre a prisão do repórter  do jornal JA, Matheus Chaparini, “ocorrida em virtude da invasão do prédio da Secretaria da Fazenda, na última quarta-feira.
Diz a nota:
“A prisão em flagrante foi efetuada porque, durante todo o tempo, ele estava dentro do prédio invadido, agindo como integrante do grupo militante que praticou a invasão”.
Nota da Redação: Os vídeos e as fotos feitos pelo repórter não deixam dúvida: ele estava fora da cena, registrando os fatos. O fato de estar dentro do prédio é mérito dele, como repórter:  foi o único jornalista a registrar o que ocorreu no interior da Secretaria depois da entrada da BM.  
Diz a nota:
“Ele se identificou como jornalista quando já estava consumada a prisão pelo ato de invasão”.
Nota da Redação: O repórter não tinha porque se identificar, mesmo assim falou que era jornalista antes de sua prisão. Sua atividade era ostensiva: ele filmava e tomava notas. No momento necessário ele se identificou devidamente, reiteradamente.  Os vídeos mostram isso.
Diz a nota:
“Na Delegacia de Polícia, quando da lavratura do auto de prisão em flagrante, negou-se a falar, permanecendo em silêncio e optando por falar somente em juízo”.
O repórter contesta essa afirmação. Diz que identificou-se para a delegada Andréa Nicotti, da 3ª.DPPA.      
Diz a nota:
Portanto, a prisão se deu em virtude do ato individual de invasão, do qual ele foi parte ativa, e não do exercício da atividade profissional de jornalista…”
Nota da Redação: O repórter não tomou parte na invasão. Quando ele chegou, os estudantes estavam invadindo o prédio, ele entrou junto. Que repórter não entraria?  O exercício da atividade jornalística exige muitas vezes, que o profissional de imprensa esteja numa posição inconveniente do ponto de vista da autoridade, mas absolutamente necessária do ponto de vista do interesse público. Era esse o caso.   
Diz a nota:
“Os profissionais de imprensa presentes na ocorrência em questão, respeitando o trabalho da polícia, tiveram garantido o exercício de sua atividade profissional”.
Pode ser louvável essa obediência, mas se ela fosse seguida por todos, o público provavelmente não tomaria conhecimento dos fatos que ocorreram no interior da Secretaria da Fazenda, num dia fadado a ficar na história.   
Diz a nota:
A Brigada Militar e a Polícia Civil cumpriram suas obrigações funcionais, resguardadas no princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei. Eventuais equívocos serão apurados nos termos da legislação em vigor.
Ao Poder Judiciário, no momento oportuno, caberá decidir sobre a responsabilidade penal dos adultos presos e indiciados no ato, garantido o contraditório e a ampla defesa.
Nota da Redação: Nossa obrigação é registrar os fatos.
 

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Comentários

2 respostas para “Resposta da Redação à nota da Secretaria da Segurança”

  1. Avatar de Marcelo Nähr
    Marcelo Nähr

    Contestação perfeita, ponto por ponto.

  2. Avatar de marcelo
    marcelo

    nao vejo nada de louvavel na obediencia dos reporteres que aceitaram todos os mandos e desmandos da brigada e sua atuação porca. louvavel foi a atitude do matheus, que foi onde estava a noticia e se posicionou de modo a poder relatar todo o acontecido, como verdadeira testemunha e jornalista que é.

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