RS registra 114 ataques a bancos e caixas eletrônicos até agosto

De janeiro a junho de 2017, foram 99 ataques a bancos e caixas eletrônicos no Rio Grande do Sul, segundo a estatística da Secretária de Segurança.
Já em julho e agosto, um levantamento do Sindibancários mostra que ocorreram mais 15 casos de assaltos a bancos e arrombamentos de caixas eletrônicos.
Os ataques que mais preocupam são aqueles com uso de explosivos e da modalidade intitulada como “Novo Cangaço”.
Somente este ano já foram 34 ataques com explosivos e 16 de quadrilhas com táticas “cangaceiras”.
O delegado Joel Wagner, da Delegacia de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) diz que a polícia está trabalhando de maneira incessante no combate a esses crimes. “Já fizemos ao menos três operações grandes neste ano visando investigar esses crimes”, diz.
O novo cangaço ataca no interior
As ações criminosas estão cada vez mais violentas e mostram a ousadia e a organização das quadrilhas especializadas.
O principal alvo são cidades do interior. Cidades com menos de 30 mil habitantes e que tem um ou dois PMs por turno.
Motorizados, armados de fuzis e pistolas, os “cangaceiros” modernos sitiam esses municípios. A ação acontece quase sempre da mesma forma. Um grupo segue até o destacamento da Polícia Militar e criva de balas as paredes do prédio e as viaturas no local. Enquanto isso, outra parte da quadrilha explode a agência bancária.
São necessários menos de 30 minutos. Apenas o tempo suficiente para estourar (geralmente com dinamite) os caixas eletrônicos e cofres do banco e partir mata adentro.
A ação parece ser planejada com semanas de antecedência. Caminhos de fuga, horários da polícia e da movimentação do dinheiro nos bancos também são estudados.
Nos ataques acontecem arrombamentos, explosões, extorsões e sequestros.
Uma das ações mais ousadas ocorreu no natal passado. Em São Sepé, região central do Estado, na madrugada do dia 24, uma quadrilha arrombou duas agências, uma do Sicredi e outra do Banco do Brasil.
O bando, armados com fuzis, explodiu terminais, fez reféns, usados como escudos humanos, e trocou tiros com a polícia, levando duas mulheres, soltas horas depois.
O modus operandi dos “novos cangaceiros” tem semelhança com o velho cangaço nordestino. Este, não raro, fazia uso de reféns; o bando também era grande, de 10 a 15 membros; e preferia atacar pequenas cidades. Mas, no caso de Lampião, o mais famoso dos cangaceiros, o objetivo era invadir as cidades e fazer justiça a seu modo.
O ‘Novo Cangaço’ já faz parte de outra conotação. São grupos criminosos que buscam com grande violência o lucro e buscam e deixam o temor nas vítimas.
Ainda, por motivos estratégicos, os “novos cangaceiros” não assaltam a Caixa Econômica Federal (CEF), pois nesses casos a investigação fica a cargo da Polícia Federal (PF), por jurisdição.
Outras quadrilhas

São em média cinco explosões por mês no Estado. Foto Arquivo PC/RS

Há ainda outros tipo de quadrilha, que usa maçaricos para cortar os equipamentos e levar o dinheiro, tem como chefes criminosos da cidade de Joinvile, em Santa Catarina. São os “caixeiros”. Essas quadrilhas circulam por todo o País, praticando roubos em vários Estados.
Já os “Toupeiras” ingressam em agências furando paredes ou pelos telhados, priorizam ações noturnas e em cidades com pouco efetivo policial e evitam o confronto violento. Seriam principalmente de Porto Alegre e na Região metropolitana. E ainda existem grupos especializados em ataques a carros-fortes, que bem armados costumam agir com violência.
Para a polícia, outro fator que acaba colaborando para o aumento desse tipo de crime é a legislação “fraca”. O arrombamento a caixas eletrônicos é crime de furto qualificado, cuja pena é de um a oito anos de detenção. Nesse caso, se o criminoso for réu primário, mesmo se condenado, ele pode até ficar em liberdade.
Para tentar aumentar a punição aos envolvidos, a polícia pode enquadrá-los por associação criminosa (de um a três anos de prisão). Em ações mais violentas, o bandido pode ser acusado por mais um crime, como porte ilegal de arma de uso restrito.
Somente os cangaceiros e os ataques a carro-forte cometem crimes “mais graves”, roubos com uso de arma de fogo e sequestro.
“Esses números são preocupantes. Temos seis casos de Novo Cangaço em que os assaltantes praticamente sitiam uma cidade inteira. Tivemos um caso desses no ano passado. O problema é que a violência direta aumentou e vemos o governo do Estado repetir um discurso de crise para vender estatais e desmontar o Estado. Os assaltantes escolhem cidades pequenas para sitiarem porque elas são ainda mais vulneráveis. Muitas dispõem de um ou dois policiais apenas para enfrentar criminosos fortemente armados”, avalia o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

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