Geraldo Hasse
A prática do “meu pirão primeiro” contamina o espírito dos cidadãos
Nos últimos tempos o Judiciário deu péssimos exemplos à cidadania ao conceder-se aumentos salariais acima da inflação e outorgar-se benesses exclusivas como o auxilio-moradia e o auxilio-alimentação.
É ruim não apenas pelo desfrute do privilégio, mas pelo efeito deletério que “o meu pirão primeiro” exerce sobre a cadeia do serviço público.
A autoconcessão de privilégios se torna um paradigma odioso que contamina todo o funcionalismo federal, dos estados e dos municípios.
O mal é ainda pior porque estamos num país desigual em que só se dão bem, historicamente, os ricos e as castas empoleiradas no serviço público, entre elas deputados, ministros, magistrados e suas respectivas cortes.
Antigamente eram os diplomatas, os fiscais aduaneiros e os funcionários do Banco do Brasil. Depois do congelamento salarial nos oito anos do governo FHC, as mordomias se generalizaram e, no Judiciário, parece que “liberou geral”.
A administração pública nos três poderes está coalhada de marajás, palavra identificada com a maciota, pouco trabalho e muita lengalenga. E não é só na União. Nos Estados também. E até em municípios. Não é à toa que as filas dos concursos públicos batem recordes. Os cidadãos comuns querem um lugar ao sol.
Certo, o pessoal do Judiciário (e o dos outros poderes) precisa ganhar bem para ficar livre do risco de suborno e quetais, mas não precisa abusar. Nunca é demais lembrar que o objetivo do serviço público é servir à população.
Ser funcionário público não pode ser um fim em si. Enquanto isso não for assimilado pela maioria que trabalha em gabinetes e repartições publicas, vamos continuar assistindo ao triste espetáculo do empreguismo, do nepotismo, do compadrismo e do clientelismo no serviço público.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“Restaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos.”
Rui Barbosa
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