
Evento teve apresentação de projetos de redução da emissão de gases poluentes
(Foto: Divulgação/JÁ)
Ana Luiza Leal Vieira
A apresentação de projetos de geração de eletricidade a partir de biomassa e aproveitamento de gás metano de aterros sanitários marcaram o seminário “Desenvolvimento Sustentável e as Oportunidades para Crédito de Carbono no Brasil”. O evento, promovido pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), atraiu cerca de 60 pessoas para a PUCRS, na quinta-feira 10 de agosto, na PUCRS.
O biólogo e mestre em Planejamento Enérgetico e Ambiental, Pablo Fernandez, da empresa EcoSecurites Brasil, falou sobre a usina de cogeração de energia elétrica que a gaúcha Celulose Irani S/A inaugurou em 2005 no município de Vargem Bonita, em Santa Catarina. A Irani produz 120 mil toneladas de resíduos orgânicos – biomassa proveniente da fabricação de celulose e das serrarias – por ano.
Através da queima desta biomassa, que até então era depositada na natureza, a usina gera energia (9.43 MW de potência) e reduz a emissão de gás metano na atmosfera. “Em um ano e meio de projeto, acumulamos 179 mil em créditos de carbono, que serão obtidos nos próximos dias”, comemora.
Segundo dados divulgados pelo site da empresa, a cogeração é um sistema altamente eficaz de geração de calor e energia elétrica a partir de uma única fonte de combustão. Com a queima dos resíduos, gera-se vapor para a produção de celulose e papel e, ao mesmo tempo, faz-se o abastecimento de energia elétrica da indústria.
Outro exemplo apresentado é o aterro da Lara, situado no município de Mauá, zona metropolitana de São Paulo, que opera desde 1987. Recebeu, até hoje, mais de 6 milhões de toneladas de resíduos. Estão previstas outras 4,8 milhões de toneladas até a desativação total do depósito, prevista para o ano de 2014.
Desde 2004, a Arquipélago Engenharia Ambiental vem implementando um projeto para captação, queima e aproveitamento de gás metano do aterro. Por enquanto não há produção de energia, apenas o combate da emissão do gás. O gás de aterro contém aproximadamente 50% de metano (CH4).
Ralf Lattouf, diretor da empresa, falou sobre o case no seminário. “O projeto está implementado. Estamos agora iniciando o monitoramento. Somente depois deste período vem a conversão em créditos. Nos próximos 20 anos, prevemos a redução de 593 mil toneladas de emissão de metano”, relata.
Mariângela Souto, gerente da filial estadual da Britcham, disse que a vontade de promover um debate sobre a questão dos créditos de carbono é antiga. “A idéia de discutir créditos de carbono veio dos nossos sócios, que queriam trocar informações e esclarecer o tema para comunidade trazendo profissionais renomados para palestras”, comenta. A entidade deve seguir as discussões sobre o assunto.

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