Seminário discute mídia e racismo e prepara Semana da Consciência Negra

O que os meios de comunicação têm a ver com a garantia dos direitos da população negra? Este é o foco do seminário preparativo para a Semana Consciência Negra que acontece nesta quinta-feira, 15, no auditório dos Correios e Telégrafos, no centro Histórico de Porto Alegre. O evento é uma parceria entre a Secretaria Adjunta do Povo Negro, o Conselho Municipal dos Direitos do Povo Negro e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais RS.
O tema é “O papel do serviço público na garantia dos direitos da população negra: o que a comunicação tem a ver com isso?” O objetivo é discutir a comunicação como ferramenta de desconstrução do racismo institucional e instrumental e das relações público-privadas.
Estarão presentes as jornalistas Isabel Clavelin, doutoranda em Comunicação e assessora de imprensa da ONU Mulheres, e Ana Flávia Magalhães, doutora em História e autora do livro Imprensa negra no Brasil do século XIX. A realização de um seminário na primeira quinzena de outubro está prevista na Lei Municipal 6986, de 1991.
“Nós queremos sensibilizar profissionais e pessoas da sociedade civil de que o racismo institucional existe e não somente de forma velada, muitas vezes ele é escancarado”, salienta a Secretária Adjunta do Povo Negro, Elisete Moretto. “É importante salientar que não é um evento somente para negros, este é um debate que tem que ser feito por toda a sociedade”, completa.
O credenciamento será aberto às 8h30, a participação é gratuita e a inscrição pode ser feita diretamente no local. Ás 10h abrem-se os trabalhos com Isabel Clavelin e, à tarde, é a vez de Ana Flávia Magalhães. Além das palestras, haverá espaço para debates e dinâmicas. O auditório dos Correios e Telégrafos fica na rua Siqueira Campos, 1100, e deve durar até as 17h30. Mais informações pelo email: seminariomidiaracismo@gmail.com
Principal problema é a representação
“O principal problema em relação à comunicação é a questão da representação. No Brasil, os negros são 52% da população, mas isso não significa que a população negra ocupe um espaço de equidade”, afirma a jornalista Isabel Clavelin.
Ela considera que atualmente se tem algumas iniciativas importantes, principalmente na área da publicidade, mas o papel do negro ainda é secundário. “A publicidade vem absorvendo mais homens e mulheres negras, mas eles ainda não ocupam um papel central, são coadjuvantes, estão à sombra de homens e mulheres brancos.”
Em seu trabalho de mestrado, Isabel analisou as matérias sobre a temática racial publicadas pelo jornal Folha de São Paulo entre 2000 e 2010. Ela constatou que as entidades do movimento negro geralmente são a terceira fonte consultada, depois de fontes institucionais e especialistas. Isabel reitera a importância história do Rio Grande do Sul para os movimentos negros. “Foi aqui que surgiu, na década de 70, o Grupo Palmares, com o poeta Oliveira Silveira. Foram eles que resgataram a figura de Zumbi dos Palmares e a data do 20 de novembro.”
O papel da imprensa negra na luta contra o racismo
A jornalista Ana Flávia Magalhães ressalta que, no Brasil, existe uma forte negação do racismo e uma tentativa de se manter o mito da democracia racial. “Com isso, há um processo de silenciamento das experiências de denúncia do racismo. Uma delas é a existência da imprensa negra no brasil.”
Ana vai apresentar um panorama da imprensa negra no país desde o século XIX até a atualidade. “O que eles colocam desde 1833, e tem sido reforçado, é essa defesa da cidadania negra. E isto é algo que passa pelo serviço publico e pela comunicação, que tem uma responsabilidade nessa modificação contemporânea.”
Ela cita a importância desses veículos em protagonizar as transformações na forma de se fazer comunicação no Brasil. “No inicio da década de 1990, quando havia poucos jornais e revistas eletrônicos no país, surgiu a Revista Afirma, fundada por jovens negros e que abordava temas do interesse da população negra, como o combate ao racismo e afirmação da identidade.
Hoje, o que se tem são principalmente portais colaborativos, funcionando com a dinâmica de redes, contando com colaborações externas. Ana Flávia destaca portais da internet como o Portal Geledés, o Jornal Áfricas, o Correio Nagô e o Blogueiras Negras. “Mas estes não são os únicos, há uma série de blogs que tem dinamizado muito a comunicação negra no cenário contemporâneo”, comemora.

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