Senador da Rede tenta atrair Simon e Paim

Nesta sexta-feira, 6,  o senador Randolfe Rodrigues, eleito pelo PSOL do Amapá, formaliza em seu Estado o lançamento da Rede Sustentabilidade, o partido recém-criado sob a liderança de Marina Silva. Ele será o primeiro senador da Rede, que tem também cinco deputados federais.
Desde  que anunciou a troca de partido, em outubro passado, Randolfe Rodrigues mantém  conversações com o ex-senador Pedro Simon, dissidente do PMDB e o senador Paulo Paim, em conflito no PT. Ele garante que os dois consideram a possibilidade  de ir para a Rede. “Paim me diz que tomará uma decisão até o fim do ano. Simon prometeu ir ao nosso Congresso Nacional… Quem sabe?”.
Segundo informação da assessoria do Senador, Paulo Paim estará no Amapá no evento de hoje.
Nesta entrevista ao JÁ, Rodolfo Rodrigues explica porque considera a Rede uma saída para a esquerda que se frustrou com o PT:
Por que o sr.  deixou o PSOL?
A relação no PSOL já estava deteriorada há algum tempo, desde minha renúncia à candidatura presidencial… perdi um bom relacionamento com a  direção partidária e comecei a ser visto com um tanto de desconfiança. Não estava em paz. A gota d’água foi este ano, quando tentei ser presidente do diretório estadual do Amapá e houve um veto.Segundo uns o veto era da direção estadual, segundo outros era da direção nacional. Pensei: nenhum dos dois me quer. Mas não tinha para onde ir… até que surgiu a Rede.
A Rede apoiou Aécio na eleição de 2014. Qual é sua expectativa, agora?
A Rede, embora eu entenda que a decisão da Marina, de apoiar o Aécio no segundo turno da eleição passada, foi errada, a Rede é um projeto em formação. E foi esse fator que alimentou as conversas de um grupo de militantes de esquerda, Heloisa Helena, já antes disso, Alessandro Molon e um grupo deslocados no PSOL… pensamos que se tivesse um contingente do pólo progressista, desse perfil, que se deslocasse para a Rede, poderia contribuir para aglutinar essas forças da esquerda democrática hoje dispersas.
Um abrigo para a esquerda desamparada?
Acho que estamos vivendo um dos períodos de maior defensiva para as forças progressistas do país. A derrota do PT enquanto projeto político não é uma derrota qualquer, leva boa parte da esquerda para o naufrágio… e há um espaço a ser ocupado. São milhares e milhares de militantes que não veem mais o PT como alternativa, “o maior partido de esquerda do ocidente”… esse espaço poderia ter sido ocupado pelo PSOL, mas o partido tem perdido oportunidade de ocupar. A Rede se concretizando como campo democrático popular progressista, amplo… pode ser legatária desse patrimônio.
O que houve com o PSOL, a seu ver?
O PSOL é uma experiênciua de dez anos. Já era para ter ocupado esse espaço. A deterioração do PT vem desde 2005, com o escândalo do “mensalão”. De lá para  cá já se sucederam duas eleições presidenciais. O PSOL tinha um espaço enorme para galvanizar o campo progressista, só que o PSOL resolveu… Fico desconfortável ao falar isso, é igual ex-marido falando da mulher, mas essa análise é inevitável… Se o PSOL tivese se aberto mais à conjuntura… Marina, por exemplo, já em  2010 poderia ter se filiado ao partido. Heloisa Helena, que teve um desempenho formidável, teve 7% do eleitorado em 2006, não poderia ter sido alijada das instâncias de decisões partidárias, como foi. O PSOL teve dois pecados:  um pouco de autofagia sobre de suas principais lideranças, Heloisa é o caso mais clássico… e não entendeu que estava em curso uma ofensiva conservadora, que o partido tinha que ser mais amplo no sentido de abrigar no seu conjunto não só aqueles que se  reinvindicassem socialistas, mas também setores democráticos. Faltou amadurecimento para isso.
Para se abrir?
Qualquer experiência de esquerda democrática progressista no Brasil fracassará se for uma alternativa política, um guarda-chuva, um abrigo, só para aqueles que se declararam comunistas e socialistas. Estes são poucos na sociedade brasileira. Uma experiência de esquerda democrática progressista, tem que se abrir também para outros campos democráticos.
Tem que ser uma frente, necessariamente?
Tem que ser necessariamente mais amplo, como foi o PT. Só que o PT como alternativa fracassou. Tem que ser mais amplo. Qual a novidade da Rede? Ela incorpora ao conceito de esquerda democrática um ingrediante a mais, que é a sustentabilidade. Um ingrediente indispensável, a ser incorporado pela esquerda do século 21.
A esquerda tende a se fragmentar?
A queda do PT ocasiona dois fenômenos: uma ofensiva conservadora, em parte alimentada por aqueles que nos anos de crédito fácil de governos do PT ascenderam à classe média e hoje se sentem traídos. E de outro lado uma esquerda mais estreita e mais  sectária. Na verdade, 14 anos após a subida do PT, temos o fechamento de um ciclo. Momento ideal para o surgimento de uma alternativa entre os dois extremo, ampla…
Sobre Paim e Simon:     
“São dos poucos com quem tenho insistido. Paim, não vejo pelo PT em 2018.  Para onde ele vai? Alternativa nenhuma reúne melhores condições do que a Rede para abrigá-lo. Ele me disse que tomará a decisão até o fim do ano. Simon, estive com ele e o convidei para o lançamento da Rede, disse que estaria lá comigo. Simon já é membro do Conselho de Notáveis”.
 

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