Senegaleses descobrem o Bom Fim

Nos últimos anos, tem sido comum a migração de Senegaleses para o Brasil, em busca de oportunidades de trabalho. No estado, Caxias do Sul é a cidade que mais recebe imigrantes do país africano, que são absorvidos como mão de obra principalmente pela indústria. Cheikh Fall era um destes, até perder o emprego e migrar para Porto Alegre. O homem de 30 anos viveu na serra durante um ano e dois meses, desde que chegou do Senegal, passando por Espanha e Equador. Em Caxias, trabalhava na empresa de alimentos Seara.
Em Porto Alegre há cerca de um mês, Cheikh trabalha como faxineiro em um restaurante à noite e de dia vende meias, luvas e gorros na esquina da Ramiro Barcelos com a Osvaldo Aranha. Ele conta que deixou a terra natal pela falta de oportunidades de emprego. Saiu do Senegal com mais dois amigos que também estão em Porto Alegre. Embora tenha pouca esperança de voltar a viver em seu país, Cheikh preferia ter ficado. “Senegal não tem muito problema, não tem guerra… Só que também não tem trabalho”, explica.
Assim que conseguir juntar dinheiro, pretende visitar a família e passar alguns meses no país. Depois, voltar ao Brasil para trabalhar. Cheikh fica constrangido em dar entrevista, pois ainda não fala muito bem o português, mas se vira com a comunicação para as vendas. Ele é falante de wolof, umas das línguas locais do Senegal.
Na esquina da Osvaldo com a Felipe Camarão, outro imigrante senegalês vende relógios, bijuterias e fones de ouvido. Mamouth Baye tem 26 anos e está na cidade há um ano. Saiu do Senegal sozinho, passou pela Espanha, São Paulo e chegou a Porto Alegre. A maior parte da família ficou no país, mas ele conta que tem um irmão vivendo no Canadá e outro na Itália. O motivo da migração é quase sempre o mesmo: no Senegal não tem trabalho. Mamouth achava que no Brasil a coisa seria um pouco mais fácil, mas reconhece: “em todo lugar tem crise.”

Baye vende relógios, pulseiras e outros produtos
Baye vende relógios, pulseiras e outros produtos

Até o mês passado, trabalhava em uma empresa de eletrônica em Glorinha. Baye vive com outro senegalês, na avenida Farrapos. Ele diz que não tem nenhum amigo em Porto Alegre, apenas em Glorinha. Ao contrário de Cheikh, Mamouth fala português fluentemente. “Quem fala francês tem mais facilidade de aprender o português”, explica. (Matheus Chaparini)
 

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