Servidores denunciam cotidiano de violência nos postos de saúde de Porto Alegre

Representantes dos servidores municipais da saúde relataram hoje à Comissão de Saúde e Meio Ambiente, da Câmara Municipal, a violência diária a que estão submetidos nos postos de saúde de Porto Alegre. Além dos vereadores, acompanharam a audiência integrantes da Prefeitura.
Foram relatados alguns casos para ilustrar a falta de segurança. O último episódio ocorreu há dois dias, quando a unidade de saúde da Vila dos Sargentos, em Porto Alegre, fechou suas portas, após um corpo esquartejado ter sido encontrado na região. O governo municipal afirmou que só reabriria quando fosse garantida segurança, pelas autoridades responsáveis.
Em janeiro, uma ambulância do Samu foi parada por três veículos com sete pessoas armadas. Os criminosos colocaram o corpo de um adolescente de 15 anos na ambulância e ordenaram que a equipe o levasse ao hospital.  Diversos são os relatos, poucos registrados formalmente.
Desde o incio do ano, ocorrências como essas aconteceram pelo menos nove vezes, segundo dados do SIMERS (Sindicato Médico do Rio Grande do Sul), em Porto Alegre. Muitos outros não foram nem registrados. Há medo e insegurança por conta de possíveis represálias dos criminosos.
A longa espera na fila de atendimento também aumenta o clima tenso, causando mal estar até mesmo entre pacientes e os profissionais da saúde. A falta da presença física de guardas também foi relatada.
“Até os porteiros foram retirados aumentando a sensação de insegurança”, criticou Mirtha da Rosa, coordenadora do Conselho Municipal da saúde. Mirtha se refere aos contratos que a Prefeitura tinha com empresas de Portaria e que não foram renovados.
Representando o governo, Thiago Frank da coordenadoria geral de atenção básica admitiu a redução nos serviços de portaria mas falou que a atual gestão está buscando outras alternativas para garantir um ambiente mais favorável nas unidades básicas de saúde.
“Estamos aumentando o número de servidores nos postos e tentando garantir os remédios necessários” salientou o coordenador. Segundo ele a situação é menos grave do que em janeiro, começo da atual gestão. Frank ainda citou programas que estão sendo executados e que buscam auxiliar e tratar funcionários que sofram ou que tenham trauma em função da violência.
Outros representantes de entidades e profissionais da saúde também relataram diversas situações de risco o qual passam nos postos de saúde. Segundo o diretor do SIMERS, Jorge Eltz, “a precariedade é total”.
“O aumento no quadro funcional da rede ambulatorial e nos hospitais se faz necessária, assim como a presença da Guarda nos postos”, disse Eltz.
Segundo uma pesquisa realizada pelo SIMERS em maio de 2015, 50% dos postos tinham relatos de violência, 73 % não possuíam guarda presente. Muitos também não tinham telefone direto com a Brigada Militar nem o botão do pânico (alarme).
O Comandante da Guarda Municipal, Roben Martins afirmou que a prevenção não se faz só com a presença da Guarda no local. “Estamos atendendo as demandas pontualmente” explicou, lembrando que o problema da segurança acontece em toda cidade e não somente nos postos de saúde. “A ação da guarda municipal está voltada mais para o patrulhamento e apoio” declarou.
Atualmente, 290 concursados aprovados para Guarda Municipal aguardam convocação. O secretário da Segurança do Município, Kleber Senisse, no entanto, já descartou em outras ocasiões a nomeação de novos guardas.
Cosmam irá pedir esclarecimentos a Guarda Municipal
O presidente da Cosmam, André Carús (PMDB), questionou a ação da guarda municipal nos postos. “Vamos saber qual é o efetivo e como é feita a segurança nos postos e unidades de saúde”, disse Carús também criticou ações da Guarda em blitz e junto à Brigada Militar. “Não vi Porto Alegre cumprir uma exigência do Sistema Integrado”.
A Comissão irá apresentar um relatório à Frente Parlamentar de Segurança, que tem reunião marcada para esta quarta-feira e irá debater a segurança nos postos de saúde do IAPI e da Cruzeiro.

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