
Manifestação reuniu familiares e colegas do vigilante morto (Foto: Naira Hofmeister/JÁ)
Naira Hofmeister
O final da manhã dessa segunda-feira, 6 de novembro, foi de comoção em frente à agência do Banrisul da Ramiro Barcelos. Entre 11h e meio-dia, cerca de 30 pessoas deram as mãos e pararam o trânsito para homenagear Jeferson Santos, vigilante particular do banco, morto há uma semana durante um assalto.
O protesto foi organizado em conjunto pelos sindicatos dos Vigilantes, dos Bancários e pela própria comunidade, atemorizada com o aumento da violência: “A gente não pode mais nem almoçar despreocupada”, condenou a moradora Beatriz Brutto, referindo-se ao horário do assalto, próximo das 12h.
A interrupção do trânsito na Ramiro durou pouco, o tempo para um Pai Nosso e uma salva de palmas, que emocionaram a família de Jeferson. “Ele era 1,92 de pura alegria”, lamentou o pai, Altamir Pereira dos Santos. Altamir abre seu celular e lê em voz alta uma mensagem recebida uma hora antes de o filho ser atingido por três tiros. “Um beijo no teu coração, muita paz e amor. Te amo, papai. Um beijo do teu filho Jéferson”. Com lágrimas nos olhos, Altamir lembra que o rapaz não tinha esse costume, o que o deixou apreensivo. “Um pouco mais tarde, liguei para saber se estava tudo bem e ele já tinha ido para o hospital”.
Já o avô, mesmo consternado com a perda, faz questão de lembrar que o segurança era muito preparado: “Ele tinha curso de defesa pessoal, de transporte de carro forte, entre outras especializações”. E contesta a versão “que deu nos jornais”, de que os tiros que mataram Jéferson teriam saído da arma do rapaz, que teria sido rendido. “Isso foi mal-relatado, é obvio que a arma estava dentro da agência”.

Presidente do Sindicato dos Vigilantes Privados, Vandro Vargas: “versão da Brigada é parcial”
O presidente do Sindicato dos Vigilantes Privados do Rio Grande do Sul, Vandro Vargas Pires explica que as recriminações da Brigada Militar publicadas nos jornais – de que a falta de preparo de alguns seguranças particulares resulta no armamento de quadrilhas – é parcial, pois exclui “as armas que eles tomam dos próprios brigadianos, em serviço ou aqueles que fazem bico”.
“Não tem sentido te darem uma arma e não um colete”
A união em torno do episódio do vigilante morto trouxe à tona uma discussão que vinha sendo feita dentro da categoria. “Não tem sentido algum te darem uma arma de fogo e não um colete à prova de balas”, sustenta Pires.
Um acordo entre as empresas de segurança privada e os sindicatos, válido para todos os estados do país, obriga os funcionários a utilizarem a proteção. A regulamentação deveria entrar em vigor a partir de 1° de setembro, mas “uma manobra dos banqueiros adiou para uma data não prevista”.
A razão para a atitude, na opinião dos seguranças privados, é econômica: cada colete custa, em média R$1.500 . No Brasil, há um milhão de quinhentos mil vigilantes cadastrados no sindicato. No Estado, são 60 mil: “Fora os irregulares, que são muitos”, conta Pires.
No caso de Jéferson, a família vai receber uma indenização do seguro de vida do grupo, cujo valor deve ser 50 vezes o salário base do vigilante. Segundo o pai, Altamir dos Santos, o vigia recebia cerca de R$ 700 por mês, mas nesse valor estavam benefícios como adicional de risco de vida.
Na quarta-feira, 8 de novembro, o Sindicato dos Vigilantes irá realizar manifestação na Esquina Democrática, a partir das 11h.

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