Sob ameaça de extinção, FEE celebra 25 anos de pesquisa de empregos na Capital

Neste mês completa-se 25 anos que a Fundação de Economia e Estatística (FEE) realiza um dos mais importantes retratos do mercado de trabalho no Rio Grande do Sul. A cada 30 dias, cerca de 2,5 mil famílias respondem aos questionamentos que embasam a Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA).
Para marcar a data, foi realizado nesta segunda (19/06) na sede da FEE um debate que resgatou um pouco da história da PED, que é uma produção da (FEE) em parceria com a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Abrindo o evento, o diretor técnico da FEE, Martinho Lazzari, destacou que a PED já se confunde com a própria trajetória da FEE: “Pouquíssimas estatais mantém esse nível de pesquisa por tanto tempo com tanta qualidade e gerando tanto conhecimento. Espero que no ano de 2022 possamos comemorar os 30 anos da pesquisa aqui na FEE, com uma instituição firme e forte”.
A FEE, que em 2017 completa 44 anos, está entre as fundações a serem extintas pelo Governo Estadual, ato ainda não oficializado devido a um recurso na Justiça, que ainda não tomou uma decisão definitiva.
Falta de recursos ameaça pesquisa            
E a situação incerta da Fundação não é o único problema que ameaça a PED. O custo do serviço é de R$ 3 milhões ao ano, sendo dois milhões bancados pelo Estado e um pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) através do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Mas a verba do Ministério do Trabalho está atrasada desde o ano passado e o convênio junto ao MTE teria que ser renovado ao final deste mês.
A coordenadora da PED, Iracema Castelo Branco, diz que a situação é precária e grave. Ela lembra que em 2016 houve o mesmo problema de repasse do MTE e foi resolvido. Mas agora somente uma liberação adicional de recursos federais garantiria a manutenção dos serviços e o pagamento da empresa terceirizada que realiza a pesquisa na casa das pessoas. “Depende de uma ação governamental. E no momento não vemos nenhuma vontade pra estabilizar a situação”, lamenta.
A última PED mostra que o desemprego na Região Metropolitana está em 11,3% e é crescente, graça ao quadro de estagnação econômica tanto do Estado quanto nacionalmente. Para a pesquisadora, os dados mostram que a recuperação do trabalho em Porto Alegre não deve acontecer nos próximos meses.
A PESQUISA E A FEE SÃO FUNDAMENTAis, DIZEM DEBATEDORES
A economista do Dieese e coordenadora nacional das PEDs, Lúcia Garcia, destacou a importância da pesquisa em âmbito local e nacional. “Não temos notícia de tamanha ousadia. São 30 mil domicílios por ano, em 25 anos. Com a relevância do fator regional, o que a torna mais grandiosa. Estamos falando aqui de um canto do mundo, mas os dados produzidos são válidos para qualquer discussão do cenário brasileiro”.
A pesquisadora do Dieese lembra que as políticas públicas do trabalho sempre tendem a certo “economicismo”. “Fala-se do valor do salário mínimo e todos pensam que apenas alterando este fator resolve-se um problema. Governantes ignoram as dinâmicas dos mercados de trabalho. A PED é exatamente o instrumento para nos lembrar dessas especificidades. Temos sempre novas perguntas, que justificam mais 25 anos de pesquisa”, salientou Lúcia Garcia.
O economista Carlos Henrique Horn, diretor da Faculdade de Economia da UFRGS, ao defender a permanência da FEE e da PED lembrou que o Rio Grande do Sul: “foi vanguardista na construção do estado moderno e agora, diante da crise fiscal, parece querer fazer o caminho inverso, voltar para antes de 1889 e vingar-se dos republicanos”.
“Manter a PED, manter os sistemas estatísticos públicos é absolutamente fundamental para a luta entre a racionalidade, a verdade factual e esta época da pós-verdade e da política irresponsável”, afirmou o professor.
Já a ex-reitora da UFRGS, professora Wrana Panizzi, fez questão de recordar sua passagem como presidente da FEE e a implementação da pesquisa na época. “Venho aqui como alguém que milita pela preservação das instituições como a FEE, que sempre se manteve pela teimosia. E assim segue hoje, teimando, reafirmando compromissos, mostrando este trabalho de qualidade e importância”, destacou.

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