
Limpeza começou nesta quinta-feira, 4 de abril (Fotos: Naira Hofmeister)
Naira Hofmeister
Ao lado do Instituto de Educação General Flores da Cunha, a Coluna Israelita é o primeiro monumento da capital gaúcha a ser recuperado pelo projeto SOS Monumento, desenvolvido pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), em parceria com o Atelier Alice Prati de Restaurações e com apoio de empresas privadas.
“É preciso chamar atenção das pessoas para a importância dos monumentos. Numa grande parceria com a iniciativa privada, estamos realizando a limpeza em vários deles, e todos devemos manter e fiscalizar, impedindo novas depredações”, destacou o secretário municipal do Meio Ambiente, Beto Moesch.
A limpeza do monumento, erguido pela comunidade israelita em 1935 como homenagem ao centenário da Guerra dos Farrapos, termina nesta sexta-feira (5/5). A última recuperação havia sido feita em 1999 e, até 2003, foi adotada uma sistemática de reparos imediatos como enfrentamento às depredações: “Assim que percebíamos a pichação, iniciávamos a limpeza”, lembra Marcos Breda, administrador do parque.
O ano, no entanto, foi, segundo Breda, “marcado pelos saques ao patrimônio do parque”, o que desmotivou a equipe, que, já sem verbas, foi obrigada a reduzir o serviço apenas ao Monumento Expedicionário, onde os resultados já são visíveis: “Temos certeza de que haverá reincidência, mas a limpeza sistemática é importante principalmente porque desestimula o pichador”, argumenta.
Tecnologia e educação
A retirada das marcas deixadas durante os últimos dois anos é a primeira etapa de um projeto que vai abranger ciência, tecnologia e educação. Segundo Alice Prati, a iniciativa serve para despertar a cidadania e a consciência patrimonial do porto alegrense.
Através de uma equipe multidisciplinar, da parceria com empresas – Kärcher, Fosroc e Anchortec – que fornecem o material utilizado no serviço, e do apoio das Ferramentas Gerais e da Prefeitura de Porto Alegre, Alice Prati pretende higienizar 12 monumentos em dois anos, cada um com características artísticas, de conservação e importância diferentes.
Além da limpeza, a intenção é realizar uma ampla pesquisa de materiais adequados a cada obra e do impacto ambiental dos químicos. A parte histórica do projeto diz respeito à autoria das obras em questão e da sua trajetória como patrimônio da cidade. “Tem monumentos que não se sabe de quem é”, questiona Alice. Finalmente, a importância do projeto é dada pelas contribuições de um antropólogo, um sociólogo e uma psicóloga, que pretendem responder à questão feita pela restauradora: “Por que as pessoas não entendem o patrimônio público como seu?”.
Segundo Alice, em grande parte dos trabalhos semelhantes ao que está sendo feito na Coluna Israelita, existem testemunhas das pichações, porém, não há o ímpeto da denúncia. “É impossível que alguém que fique durante meia hora pendurado na chaminé do Gasômetro, pichando, não seja visto por alguém”, garante.
Num manifesto divulgado no local da primeira ação do projeto SOS Monumento, Alice Prati e sua equipe expõem sua indignação com o descaso: “Essa intervenção será o início de uma batalha contra o deboche de vândalos com o cidadão porto-alegrense, com a memória histórica e com o patrimônio público e privado de uma maneira geral”.
A sede do SOS Monumento será numa casa da Zona Sul da cidade, cedida pela prefeitura e irá abrigar os laboratórios do projeto, que devem iniciar suas atividades ainda nessa quinzena. Em 60 dias estará no ar um site onde o cidadão poderá acompanhar os trabalhos de restauro e limpeza das obras, além de poder observar diretamente os monumentos, através de câmeras de vigilância que serão instaladas nas suas proximidades.
Além da Coluna Israelita, estão incluídos no projeto, os monumentos a Guiseppe e Anita Garibaldi – Praça Garibaldi –, Carta Testamento de Getúlio Vargas – Praça da Alfândega –, Coluna Sírio Libanesa – Parque Farroupilha –, Monumentos a Mauricio Sirotski Sobrinho e Carlos Nobre – Parque Maurício Sirotski Sobrinho, – José Marcelino de Figeuiredo – Avenida Mauá –, Monumento do Grêmio – Mostardeiro com Goethe –, Otávio Rocha – Praça Otávio Rocha –, Estátua Barão do Rio Branco – Parque Farroupilha – Apolinário Porto Alegre – Praça Argentina – e Brigadeiro Antônio de Sampaio – Praça Brigadeiro Antônio de Sampaio.

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