Geraldo Hasse
Não nos deixemos enganar: mesmo girando em torno da manutenção de áreas verdes junto a cursos d’água,os debates sobre a reforma do Código Florestal referem-se inequivocamente ao uso do precioso líquido sem o qual desabará toda vida na Terra.
Portanto, nesse caso, mais do que nunca, os impasses individuais devem subordinar-se ao interesse coletivo de cunho preservacionista. Se prevalecer o interesse da produção agrícola, tal como ele é exercido no Brasil e na maior parte do mundo, corremos o risco de ter o futuro roubado*.
Não é só o Código Florestal. Todos os entreveros ambientais nas bacias dos rios São Francisco, Madeira, Xingu, Tietê, Doce, Uruguai e tantos outros não deixam dúvidas de que os impasses vividos pelas comunidades brasileiras giram principalmente em torno do uso da água para consumo animal, abastecimento doméstico e como insumo agrícola e industrial, aqui incluída especialmente a produção de eletricidade em represas.
Ora, a preservação do verde não pode ser um discurso vazio, uma sucessão de furos n’água. Deve ser prioridade dos governantes e das comunidades conscientes da necessidade do equilíbrio entre a vida animal-vegetal-mineral.
Pois a água é o denominador comum dos três reinos acima.
Centros de destruição da vegetação, as cidades acumulam construções, carros e pessoas num processo incessante de produção, consumo, desperdício, contaminação e sujeira onde a preservação do verde costuma ficar em último lugar.
Entre a fiação elétrica e as árvores, prevalece o interesse industrial,como se vê nessa época do ano (outono/inverno), quando as prefeituras e as companhias de eletricidade iniciam as podas anuais de desobstrução das linhas elétricas.
Ainda assim, há cidades que se destacam pela arborização e o paisagismo urbano. Perto da pobreza paisagística da maioria das cidades da Metade Sul do Rio Grande – e Pelotas, convenhamos, é “pelada” em arborização –, Porto Alegre é rica em verde. A população planta árvores frutíferas nas calçadas como forma de recuperar a intimidade perdida com a natureza.
Nesse contexto aparentemente adiantado, custa acreditar que aceitem promover corridas da Formula Indy em Porto Alegre os mesmos dirigentes políticos que fizeram da capital gaúcha a sede do Forum Social Mundial em 2000. O FSM foi o contraponto ao Fórum Econômico de Davos, onde os ricos do mundo se reúnem para discutir como manter o imperialismo em perfeito estado de funcionamento.
Dez anos depois, seria de esperar que as lideranças portoalegrenses estivessem mais antenadas para os danos causados por eventos como esse, centrado no consumo deletério de petróleo e na produção intensiva de poluição atmosférica e sonora.
O prefeito da cidade é o ex-petista José Fortunati, agora no PDT. O governador é Tarso Genro, um petista histórico. Como se explica tamanho conformismo aos ditames do Mercado? É uma mistura de falta de memória, ausência de coragem política e escassez de projetos alternativos.
Em vez de um show importado cuja montagem tende a tumultuar as ruas do centro da cidade, não seria melhor promover algum tipo de maratona ecológica que levasse a população a um pensar autônomo, sem a submissão automática que caracteriza os países econômica e culturalmente dependentes?
A pergunta não vale apenas para Porto Alegre; vale para todas as cidades que cedem seu sistema viário para a realização de corridas de carros.
* “O Futuro Roubado” é o título de um livro sobre a contaminação de alimentos por produtos químicos; escrito por Theo Colborn e outros, foi publicado no Brasil em 1997 pelaL&PM Editores, de Porto Alegre.
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Água é a questão central do Código Florestal
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Com emergência superlotada, Clínicas faz triagem
Cento e sessenta pacientes, em sua maioria doentes graves, sendo atendidos em um espaço que deveria abrigar apenas 49 pessoas.
É este quadro de superlotação que a Emergência de Adultos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) enfrentou na tarde desta segunda-feira, 28 de março.
Além de seus 49 leitos, a Emergência de Adultos normalmente recebe pacientes também em macas, cadeiras de rodas e cadeiras comuns.
Mesmo estas vagas extras têm se encontrado permanentemente ocupadas e, em situações como a atual, outras acomodações provisórias são instaladas em corredores e consultórios.
No momento, estão sendo usados, no limite máximo, todos os recursos materiais e humanos disponíveis, para atender a uma demanda três vezes superior à capacidade da Emergência.
Não há espaço para acomodação de mais pacientes e os que estão aguardando liberação de leito nas unidades de internação têm espera prolongada.
Diante desse quadro, a Administração do Hospital solicita a colaboração da população de Porto Alegre e da Região Metropolitana, no sentido de que, em casos mais simples, evite dirigir-se à instituição, procurando os pronto-atendimentos ou postos de saúde de suas cidades.
A Emergência NÃO está fechada; no entanto, novos pacientes que chegam à instituição passam por uma triagem e, devido às dificuldades existentes, é dada prioridade aos casos mais graves.
O QUE A EMERGÊNCIA ATENDE
Dor no peito / infarto.
Derrame cerebral.
Dor abdominal com febre.
Hemorragia digestiva.
Falta de ar aguda.
Neoplasias (pacientes com câncer atendidos no HCPA que sofrem intercorrências).
Perda de consciência.
Alteração de sinais vitais (pressão excessivamente alta ou baixa, batimentos cardíacos alterados…).
O QUE A EMERGÊNCIA NÃO ATENDE
Oftalmologia (problemas nos olhos).
Otorrinolaringologia (dor de ouvido, dor de garganta).
Psiquiatria (transtornos mentais, sofrimento psíquico, depressão, risco de suicídio, surtos).
Traumato-ortopedia (tiros e facadas, fraturas e entorses, acidentes de trânsito…).
Intoxicações (alcoolismo, drogadição, ingestão excessiva de medicamentos, consumo produtos de limpeza).
Picadas de animais peçonhentos.
Acidentes em geral.
Constipação.
Dor de dente.
Dores musculares.
Dores crônicas (aquela que a pessoa tem há mais de seis meses).
Gripe se resfriados sem complicações.
Além disto, na Emergência:
– não são aplicadas vacinas;
– não são fornecidos atestados ou receitas;
– não são marcadas consultas com especialistas a partir de encaminhamentos de postos de saúde;
– não é atendido o paciente que faltou a uma consulta no ambulatório do HCPA e quer suprir esta falta. -
Metrô já encurta distâncias (no terreno político)
Antes mesmo de sair do papel, o metrô de Porto Alegre já está encurtando distâncias, no terreno político.
Na apresentação do projeto, na manhã desta segunda feira, as mais entusiasmadas manifestações de apoio à campanha liderada pelo prefeito José Fortunati (PDT) partiram das lideranças petistas presentes. O próprio Fortunati definiu o evento como um “ato político”.
Porto Alegre concorre com outras nove capitais que disputam as verbas do chamado PAC da mobilidade urbana. O programa dispõe de R$ 18 bilhões para implantação de metrôs nas regiões metropolitanas.
Marco Maia, presidente da Câmara de Deputados, Adão Vilaverde, presidente da Assembléia Legislativa, Sofia Cavedon, presidente da Câmara de Vereadores, todos petistas, saudaram o momento de “convergência política” que favorece a capital gaúcha na disputa pelo metrô.
Em nome do governador Tarso Genro, o secretário do Planejamento, João Motta, entregou ao prefeito um documento em que o governo estadual se compromete em conceder mais de R$ 300 milhões em isenções do ICMS sobre equipamentos e materiais para a construção do metrô.
Do PMDB, principal partido da coligação que elegeu Fogaça e seu vice Fortunati em 2008, apenas o silencioso deputado federal Mendes Ribeiro Filho, que na campanha presidencial apoiou Dilma Rousseff, e o ex-presidente da Câmara, Sebastião Mello.
A deputada Manuela D´Ávila, do PCdoB, coordenadora da bancada federal do Rio Grande do Sul, também estava presente, mas não se manifestou. Ela também é candidata a candidata em 2012.
Na eleição do ano passado, o PDT de Fortunati indicou o vice, na chapa de José Fogaça que disputou o governo do Estado com o PT de Tarso Genro. O prefeito declarou-se, desde o início, cabo eleitoral de Dilma Rousseff , na disputa presidencial. Mas na disputa estadual pediu votos para Fogaça.
Enfim, o projeto do metrô de Porto Alegre, dado o irresistível apelo eleitoral que tem, pode ser o fator decisivo no alinhamento das forças políticas para a disputa eleitoral de 2012, quando se escolhe o novo prefeito para a capital. -
Sábado na Redenção, com sol ou com chuva
Muita atividade neste final de semana na Redenção, ou Parque Farroupilha: comemoração pelos 99 anos do Colégio Militar, palestra sobre a cidade e a presença da Ouvidoria da Câmara de Vereadores, dentro da programação do aniversário de 239 anos de Porto Alegre.
A manhã começa com a primeira feira de outono dos agricultores ecologistas, na José Bonifácio. Uvas e figos são lugar aos caquis, goiabas e figos na “feirinha”, que sorteará cestas de produtos outonais. A sequência da programação mostra, por si só, que a Redenção e seu entorno abrigam muita diversidade.
No Colégio Militar a cerimônia começa às 09h30 de sábado, no pátio interno, com os alunos em uniforme de gala, professores, ex-alunos, pais e amigos do velho Casarão da Várzea, e o desfile do “Batalhão da Saudade”, composto por ex-alunos de todos os tempos – os mais velhos com mais de 90 anos, os mais novos formados em 2010.
Dentro da exposição “Bom Fim: um bairro, muitas histórias”, em cartaz no Museu da UFRGS, às 10h30 deste sábado haverá a palestra “Leituras da cidade: o que ler e o que ver para conhecer Porto Alegre”, da professora Zita Possamai, organizadora do livro Leituras da Cidade. Entrada franca, distribuição de livros aos participantes, autógrafos.
A programação cultural alternativa está na Fundação Ecarta (João Pessoa, 943, em frente ao parque). Às 18 horas, o Ecarta Musical traz Jorge Foques com “Ayó”, resultado de 20 anos de pesquisas de Foques sobre línguas africanas. Ele toca violino, acordeon, teclado e guitarra. Produtor musical, tem 210 composições registradas.
Banda Municipal
O tradicional Baile da Cidade, uma celebração já típica dos porto-alegrenses no seu aniversário, encerra a programação da 52ª Semana de Porto Alegre, em torno do chafariz da Redenção. Às 21 horas, começa a música: Banda Municipal, Banda Os Formigos, Cia. 4 Show e o DJ Claudinho Pereira. A Coordenação de Música da Secretaria Municipal da Cultura garante a infraestrutura do espaço, com banheiros químicos, praça de alimentação e segurança.
A previsão do clima é de uma trégua na chuva no sábado, com pancadas mais esparsas, e de um domingo mais chuvoso, como foi a sexta-feira, mas a temperatura deve se manter sem grandes oscilações. O desconforto maior será a água que tem ficado acumulada no chão após algumas horas de chuva, devido à falta de manutenção do sistema de drenagem nos últimos anos.
A chuva pode prejudicar a atividade da Ouvidoria da Câmara Municipal no parque, das 9 horas às 16 horas de domingo, para convidar a população a participar das eleições do Conselho Tutelar, no próximo dia 10 de abril. Às 11h, lançamento da Coletânea de Legislação Municipal Relativa aos Direitos da Criança e do Adolescente. Às 11h30min, visita orientada às obras públicas instaladas no parque, com o professor José Francisco Alves. A Câmara, por meio do seu Memorial, apresenta também a exposição Morro Santa Teresa – História e Movimento Social. -
Projeto do metrô será apresentado aos vereadores
A Câmara Municipal de Porto Alegre instala hoje, às 15h, na sessão ordinária, a Frente Parlamentar do Metrô. Será presidida pelo vereador Mauro Pinheiro (PT), autor da proposição, para acompanhar o projeto de construção da primeira linha do metrô de Porto Alegre.
A linha transportará 600 mil habitantes diariamente, do eixo norte da cidade até o bairro Azenha, na zona leste. Hoje o Executivo Municipal deverá apresentar os projetos aos vereadores.
Segundo a assessoria da presidente da Casa, Sofia Cavedon, os vereadores poderão fazer sugestões para assegurar que a proposta encaminhada ao Governo Federal contemple critérios como sustentabilidade operacional dos sistemas, compatibilidade entre a demanda e os modais propostos e acessibilidade, além priorizar os projetos que beneficiem áreas com população de baixa renda que tenham situação fundiária regularizada. -
Feira ecológica ensina a aproveitar alimentos
Neste sábado, 29 de fevereiro, a Feira dos Agricultores Ecologistas, no Bom Fim, vai mostrar como usar alimentos alternativos e resistentes a bruscas variações do clima. A partir das 9h30, na Banca do Meio. Oficinas para aprender a fazer compostagem com lixo doméstico em pequenos espaços acontecem a partir das 10h, ao lado da Banca das Flores. As atividades são gratuitas.
A nutricionista Herta Karp Wiener vai ensinar como preparar salada de folhas de batata-doce, cujo valor nutritivo só perde para as folhas de aipim, mas as de aipim precisam ser processadas, e as da batata-doce podem ser ingeridas in natura. As folhas têm mais vitaminas A e C, cálcio e ferro do que a batata.
Sobras de alimentos orgânicos, como cascas e folhas, viram nutrientes em composteiras montadas em caixas, até em locais pequenos como a lavanderia de um apartamento. A oficina do DMLU e do Grupo ECO2009 vai ensinar como fazer. Os 150 primeiros participantes ganharão um manual impresso. A Feira dos Agricultores Ecologistas acontece aos sábados no canteiro central da primeira quadra da avenida José Bonifácio, em Porto Alegre, das 7h às 13h. -
Santa Rosa de Lima fecha as portas
Ao final de uma crise financeira que só cresceu nos últimos dez anos, a fundação de pais mantenedora O Colégio Santa Rosa de Lima, na rua Santa Terezinha, em Porto Alegre, decidiu esta semana fechar a instituição de ensino, que completou 45 anos em 2010.
Desde 2001, a escola vem perdendo alunos. A diminuição da receita, somada a despesas com demissões sem lastro de caixa, inviabilizou a continuidade. A gestão amadora, feita voluntariamente por pais que compõem a diretoria da fundação, não conseguiu reverter o processo.
Várias possibilidades estão sendo estudadas, junto com o Ministério Público, para quitar as dívidas da fundação. O mais provável é que o prédio seja alugado.
Os 32 professores serão formalmente demitidos na próxima semana, mas saem sem esperança de receber as verbas rescisórias agora. Além de despesas trabalhistas, a fundação deve à Previdência e a bancos. -
Símbolos da riqueza antiga
O otimismo dos primeiros folhetos distribuídos à imprensa previa quatro anos para a conclusão do Projeto Monumenta em Porto Alegre.
Oito anos depois, em novembro de 2010, a coordenadora dos trabalhos, arquiteta Briane Bicca, evita fazer previsões.
“Restauração é uma caixinha de surpresa”, diz ela. “Você começa, mas não sabe o que vai encontrar pela frente”.
O Monumenta, em todo caso, é uma realidade em Porto Alegre e, mesmo antes de concluído, pode ser considerado o maior projeto de restauração do patrimônio histórico já feito na cidade.
Dos oito prédios públicos arrolados no projeto, seis estão prontos, além de 12 edifícios privados.
No total, serão R$ 22 milhões aplicados na restauração de edifícios e espaços públicos no centro histórico da cidade. Vai a mais de mil o número de pessoas envolvidas no conjunto de projetos.
Obra retomada
Os dois prédios que faltam são a Igreja das Dores, na rua da Praia, e a Pinacoteca Municipal Rubem Berta, na Riachuelo. A obra da igreja esteve interditada por cinco meses, agora foi retomada.
A restauração da Pinacoteca Municipal é a mais atrasada e um bom exemplo das surpresas que podem surgir. Nos oito meses previstos para a conclusão, a empresa contratada em licitação não conseguiu ir além de 20 por cento da obra.
O contrato foi rompido, uma nova licitação está aberta. Deve levar mais uns oito meses até escolher a nova empresa, depois mais três meses para assinatura dos papéis e, aí, começar a fazer os 80% da obra que faltam. Ou seja: mais uns dois anos.
Nos dois espaços públicos que integram o projeto – Praça da Alfândega e Praça da Matriz – a situação é diferente. A obra na Praça da Matriz, que envolve também a rua da Ladeira (General Câmara) não tem previsão. Teve problemas com a licitação, provavelmente vai ficar para outra etapa.
A obra na Praça da Alfândega é a mais complexa. Além de reconstituir o aspecto da praça dos anos 1940, quando ela se consolidou como um espaço de convivência, como “o passeio da cidade”, a restauração inclui o quarteirão da avenida Sepúlveda, que liga a praça ao porto.
Outro exemplo das surpresas: quando foi retirada a capa de asfalto da avenida Sepúlveda, verificou-se que os canos que drenam á água da chuva para o rio não existiam mais. Cabe ao Departamento de Esgotos Pluviais decidir sobre a nova canalização.
O DEP abriu uma licitação para contratar a empresa para fazer a drenagem. Espera-se que no inicio de dezembro seja escolhida a empresa. Aí, se tudo der certo, tem mais quatro meses da obra.
Fora os imprevistos, a obra na praça tem particularidades que tornam lento o seu andamento. Por exemplo: o meio fio dos canteiros é de granito róseo. No Rio Grande do Sul, só tem uma jazida de onde o Ibama permite a retirada desse granito. “Tem que entrar na fila para conseguir”, diz a coordenadora.
A rede elétrica tem que ser toda refeita porque vai duplicar o número de pontos de luz na praça. A restauração das luminárias antigas foi demorada. São mais de 50 luminárias de cinco ou seis modelos diferentes, que já não são mais fabricados.
A parte mais demorada ainda nem começou. É o calçamento de pedras portuguesas ao redor da praça, a chamada “calçada Copacabana”. As pedras brancas são de mármore, as escuras, granito. Já está contratada uma empresa de Curitiba para o serviço.
O que mais retardou a obra, no entanto, foi a polêmica em torno das figueiras, que deveriam ser retiradas segundo os autores do projeto.
Foram mais de quatro anos de discussões e reuniões com todos os órgãos envolvidos – Iphan, Iphae, Secretarias de Planejamento, Meio Ambiente, Obras, EPTC – até convencer a todos da necessidade de retirar as figueiras (ficcus).
Só para a Secretaria de Meio Ambiente foram cinco apresentações. “Foi tudo decisão coletiva, temos laudo com dez pessoas assinando”, diz a coordenadora.

Biblioteca Pública / Elevador
Segundo ela, as figueiras ficaram enormes, fechavam um lado da praça, que ficava sempre frio, úmido. Estavam prejudicando os jacarandás que são o símbolo da praça, já tortos, as raízes destruíam os meios-fios. “Quem plantou aquelas árvores ali não levou em conta que elas crescem sem parar”, diz a arquiteta.
Ela prevê, sempre com alguma reserva, que na próxima Feira do Livro a praça já estará pronta.
A arquitetura de um Estado rico
Os prédios selecionados para o Monumenta em Porto Alegre foram todos construídos nas primeiras décadas do século 20, quando era forte a influência positivista, bastante visível na arquitetura dos edifícios públicos.
Era o governo Borges de Medeiros ( 1903/1928), num período de alta prosperidade para o Rio Grande do Sul, que ainda rivalizava com São Paulo em poderio econômico.
Essa prosperidade se refletiu em grandes mudanças na fisionomia da capital, com o surgimento de um conjunto de prédios monumentais que se completou até os anos de 1940 e que ainda hoje dominam a paisagem do centro histórico.
Pistas para os historiadores
As primeiras escavações junto à praça, feitas em 2007, encontraram sinais do primeiro ancoradouro, prova de que antes do aterro, a margem do Guaíba vinha até a rua da Praia.
Havia um trapiche, entre duas escadarias, na posição onde está a avenida Sepúlveda. As escadarias ainda existiam em 1870, quando D. Pedro II veio a Porto Alegre assinar o armistício da Guerra do Paraguai.
Os arqueólogos encontraram também as fundações da antiga Alfândega. Era um prédio comprido, com um pátio interno e uma fonte. Nas escavações foram também encontrados objetos – moedas, louças, utensílios – que são pistas para reconstituições históricas.
Café, sorveteria e posto policial
O projeto da Praça da Alfândega contempla também uma melhoria na parte de serviços ao público.
Na lateral, junto ao muro da Caixa Econômica Federal será construída uma estrutura para comércio e serviços – café, sorveteria, engraxates, floristas, posto policial e duas bancas de revista, uma em cada extremidade.
“Vai animar aquele espaço ali, tapando o muro”, diz a coordenadora.
No fundo, sem aparecer, dois sanitários. Os artesãos também saem da calçada da Sete de Setembro.
A intenção segundo a arquiteta Briane Bicca, é fazer com que a Praça da Alfândega volte a ser “o passeio da cidade”.
Um fundo permanente para conservação do patrimônio
Além dos prédios e espaços públicos, o Monumenta já restaurou 12 prédios privados que constavam do inventário do patrimônio histórico de Porto Alegre.
De um total de 140 imóveis arrolados pelo patrimônio histórico, 40 foram selecionados e seus proprietários receberam proposta para entrar no projeto Monumenta, com financiamento do governo federal para o restauro.
Desses, 12 aderiram e os prédios já foram restaurados. A coordenadora do Monumenta em Porto Alegre, acredita que outros dez prédios poderão ser incluídos no projeto.
Diante dos resultados dos primeiros, muitos proprietários estão aceitando entrar. Dos edifícios privados já restaurados, os mais conhecidos são o Clube do Comércio e a Catedral Anglicana, ambos na rua da Praia.
Além dos dois foram restaurados dois sobrados na rua da Praia, a “casa cor de rosa” na Riachuelo, uma casa na Demétrio Ribeiro.
Os proprietários recebem financiamento da Caixa Federal e a coordenadora acalenta o plano de formar com esses recursos um fundo permanente para restauração de imóveis de valor histórico na cidade.
Financiamento internacional
O Monumenta é um programa do Ministério da Cultura, para recuperação do patrimônio histórico em 26 cidades brasileiras.
Reconhecido pela Unesco, conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para os projetos e as obras.
Esses recursos cobrem 70% dos custos, sendo os 30% restantes contrapartida do Estado ou Município, conforme o caso.
Restaurações já concluídas
*Pórtico Cais Mauá
*Biblioteca Pública
*Museu de Arte do RS (Margs)
*Memorial do RS
*Museu da Comunicação Hipólito da Costa
*Palácio Piratini
*Mais 12 imóveis privados
Em Obras:
*Igreja das Dores
*Pinacoteca Municipal
*Praça da Alfândega
Reportagem publicada no JÀ Bomfim/Moinhos, ed. dezembro. -
Prefeitura seleciona projeto para o viaduto

Abertura do viaduto Otávio Rocha em Porto Alegre, década de 20. Museu Joaquim Felizardo, Porto Alegre
Até o dia 30 de janeiro a prefeitura de Porto Alegre recebe propostas para “revitalização” do Viaduto Otávio Rocha.
Os candidatos terão que apresentar um projeto, com orçamento, propondo soluções que melhorem a situação do viaduto, um dos símbolos do centro histórico da capital.
O edital com as regras para participação esta publicado no diário oficial do dia 30 de novembro.
A revitalização inclui reforma e restauração da estrutura física do viaduto, mas também definição de uso dos espaços comerciais que existem nas laterais ao longo da avenida Borges de Medeiros.
Atualmente as lojas, de diversos tamanhos são ocupadas por 38 permissionários e abrigam bares, sebos, lojas de discos, lojas de celulares.
Os atuais permissionários terão preferência na seleção dos novos ocupantes dos espaços. Muitos, porém, estão irregulares porque compraram a concessão, o que é vetado pela lei.
A prefeitura espera propostas criativas. “Não há restrições ao que pode ser proposto para os espaços comerciais. Pode ser algo que configure um corredor cultural, ou de repente um espaço só para venda de flores. Depende da criatividade do candidato e do orçamento”, diz a coordenadora dos próprios municipais, Adriana Leão. -
Festival reúne percussionistas em Porto Alegre
De 03 a 05 de dezembro acontece a 3ª edição do Perc POA – Festival de Percussão da Cidade de Porto Alegre, o maior encontro de percussionistas do sul do Brasil.
Este festival, voltado às diversas manifestações rítmicas da cultura brasileira, promove a integração de todos os músicos e pessoas envolvidas com o tambor, o batuque, a bateria e a música de forma universal.
Nesta edição o projeto, além dos shows e oficinas de ritmo, contará com exibição de filmes e a realização do Seminário Consciência dos Tambores.
Todas as atividades têm entrada franca. As ações do Perc POA estão concentradas no Teatro de Câmara Tulio Piva, com exceção das oficinas de sábado, que acontecem na Redenção e no Afro Sul-Odomodê.
No encerramento do evento, serão realizadas homenagens e premiações e um show coletivo com um grande time de músicos (Paulo Romeo, Mestre Paraqueda, Maracatu Truvão, Mestre Giba Giba, Esdras Bedai, Mestre Walter Borel, Odomodê Tambor, Mestre Gersy Saraiva, Zé da Terreira, Areal da Baronesa do Futuro, Luiz Jakka, Fernando do Ó, Richard Serraria, De Santana, Turucutá Batucada Coletiva, entre outros).
Ao final, os artistas descem do palco, juntam-se ao público e deixam em cordão o Teatro de Câmara Túlio Piva, fazendo a Caminhada dos Tambores na Cidade Baixa.
PercPoa 2010
Festival de Percussão de Porto Alegre
De 03 a 05 de dezembro (sexta a domingo)
Teatro de Câmara Túlio Piva / Redenção / Afro Sul-Odomodê
Entrada Franca
Assessoria de Imprensa:
Simone Lersch (51) 3029-6390 / 9803-4420
P r o g r a m a ç ã o :
Dia 03.12_Sexta
Local: Teatro de Câmara Tulio Piva_POA
17h_Oficina de Percussão com Nilo Cruz
Tanajura – Bateria de Colo
vagas limitadas*
20h_Abertura do Evento
Show Tambores dos Povos Charrua
Sérgio Senake
20h30_Seminário Consciência dos Tambores – Painéis
Giba Giba_Músico
“Pensamento Fora da Pauta. Era, tinha e foi.”
Éverton Miranda_Sbacem
Soc. Bras. Autores e Compositores
de Música do RS.
“Obras e Direitos Autorais.”
Walter Borel_Africanólogo
” Agô Iê – Vamos falar dos Orixás”
Luiz Jakka_Músico e Educador
“Percuteria: um novo conceito.”
Marcos Valcareggi_Representante de
Instrumentos Musicais.
“Quatro gerações de história
na fabricação instrumentos musicais
de qualidade em Porto Alegre.”
Paulinho do Areal_Educador Social
“Projeto Social do Grupo Cultural
Areal da Baronesa do Futuro.”
Raul Selva_Ecologista
“Eco: A casa de Todos.”
Mediação: Zé Evandro
Dia 04.12_Sábado
15h_Oficina de Percussão com Nilo Cruz
Local: Afro Sul-Odomodê
vagas limitadas*
16h_Oficina de Maracatu
Local: Redenção
20h_Exibição comentada do Filme:
“O Grande Tambor”
(Gustavo Turks e Sérgio Valentin)
Realização: Coletivo Catarse
Local: Teatro de Câmara Túlio Piva
21h_Exibição do Filme:
“PercPOA 2006 – Tambores para a Juventude”
(Akane Wada)
Realização: Independente
Local: Teatro de Câmara Túlio Piva
Dia 05.12_Domingo
Local: Teatro de Câmara Tulio Piva_POA
17h_Oficina de Percussão com Nilo Cruz
Tanajura – Bateria de Colo
Local: Tulio Piva
vagas limitadas*
20h_Grande Show Coletivo e Premiação
Paulo Romeo
Mestre Paraqueda
Maracatu Truvão
Mestre Giba Giba
Esdras Bedai
Mestre Walter Borel
Odomodê Tambor
Mestre Gersy Saraiva
Zé da Terreira
Areal da Baronesa do Futuro
Luiz Jakka
Fernando do Ó
Richard Serraria
De Santana
Turucutá Batucada Coletiva
Homenagem: Walter Borel_Patrono do Perc POA 2010
P r e m i a ç ã o :
Mestres Batutas de Ouro 2010:
Fernando do Ó
Paulo Romeo
De Santana
Menção Honrosa 2010:
Zé da Terreira_Resistência Cultural
Esdras Bedai_Intercâmbio Cultural
Marcos Valcareggi_Projeto Social
Grande encerramento com o já tradicional encontro:
” Caminhada dos Tambores na Cidade Baixa ”
Da Rua da República até a João Alfredo
*Inscrições para as oficinas:
Hora antes do início da atividade.
Informações 51.9112-1226
www.percpoa.blogspot.com
Apoio cultural:
Prefeitura Municipal de Porto Alegre
Portoweb Tambor
Tanajura
Rozini Instrumentos Musicais
Sbacem
Valcareggi Percussão
Tirage Serigrafia
Afro Sul
Rádio Pirada
Realização:
A Produtora e Preto Produtora.Cultural (Assessoria)
