Nesta segunda, 27, haverá uma “Tribuna Popular” na Câmara Municipal de Porto Alegre que terá como tema: a importância dos Jornais de bairros (e mídia alternativa) nas questões da cidadania da cidade.
A “Tribuna Popular” foi solicitada pelo “Amigos da Gonçalo de Carvalho” e o orador será o “Amigo da Gonçalo” e jornalista Elmar Bones, editor do jornal JÁ.
Por favor, compareçam e prestigiem aquela importante parcela da mídia que normalmente é a única que nos dá voz!
Local: Plenário da Câmara Municipal de Porto Alegre
Data: 27 de setembro de 2010
Horário: 13h 45min
Tag: Porto Alegre
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Tribuna Popular sobre jornais de bairro hoje na Câmara
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Em teste as mudanças no trânsito para a reforma do túnel
O prefeito José Fortunati fez questão de acompanhar os jornalistas pelo roteiro que a EPTC preparou pelas ruas e avenidas que serão afetadas pela reforma do Túnel da Conceição.
As obras iniciam dia 9 de outubro, mas as mudanças para adaptar o trânsito começaram no sábado, 25 de setembro. O túnel ficará pelo menos com uma pista em cada sentido interditada, durante 18 meses.
Os titulares da EPTC, Vanderlei Cappellari e da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), Adriano Goulart, integraram a caravana que lotou o ônibus aberto que serve aos roteiros turísticos.
Quando o ônibus deixou a esquina da avenida Setembrina, as 9 h30 da manhã, cinco fiscais da EPTC ficaram examinando o local. Em poucos minutos tiveram idéia do trabalho que terão pela frente nos próximos dias.
Os motoristas se confundiam, faltavam placas, placas mal colocadas, tempo das sinaleiras desregulado. “Segunda-feira é que vai ser o teste”, comentavam.
Com bases em pesquisas e simulações foram colocadas quase 600 placas, 350 peças de gradil para orientação, três painéis eletrônicos com informações, milhares de folhetos distribuídos.
Mas é a prática, a partir desta segunda feira, que vai mostrar o tamanho do problema.
Mais de 100 agentes de fiscalização foram mobilizados para orientação aos motoristas nos primeiros dias das modificações.
Garibaldi e Santo Antônio trocam de mão
A troca do sentido de tráfego na Garibaldi, sua ligação com a avenida Setembrina e na Santo Antônio é a mudança principal:.
– a inversão de sentido na Garibaldi possibilitará o deslocamento a partir da João Pessoa e Setembrina até a Estação Rodoviária;
– táxis e demais veículos que demandam da Rodoviária poderão usar a nova via que ligará a Estação à Voluntários da Pátria, junto ao cruzamento com a Barros Cassal;
– a Ernesto Alves vai cruzar a Farrapos, permitindo a ligação da região da Rodoviária à Cristóvão Colombo e à Santo Antonio;
– a partir da João Pessoa, no sentido bairro-centro, poderá ser feita a conversão à esquerda na Loureiro da Silva, sob o Viaduto Imperatriz Dona Leopoldina, acessando o centro pela Perimetral.
– no sentido centro-bairro, sem necessidade de acessar o túnel, a rota alternativa passa a ser Farrapos, Barros Cassal, Irmão José Otão, com chegada na Sarmento Leite.
Ônibus e lotações terão preferência
Segundo a EPTC, pelo menos duas pistas em cada sentido ficarão livres. A preferência será dada a ônibus, lotações e táxi, podendo haver interdição para carros particulares, se necessário.
As linhas C2, C3, T5, TR61/Cristóvão Colombo, 671/Carlos Gomes-Salso e a Lotação Santana, que trafegam nas ruas Santo Antonio e Garibaldi, terão seus itinerários atuais invertidos, seguindo a mudança de mão das vias por onde circulam.
As linhas 701 (Vila Farrapos / Voluntários) e 718 (Ilha da Pintada) terão seus trajetos desviados no sentido bairro-Centro, seguindo pela Voluntários da Pátria até o largo da Rodoviária em direção à Mauá, dobrando á esquerda na Cel. Vicente e retornando ao itinerário normal, via Voluntários da Pátria, até o terminal do Centro Popular de Compras, o Camelódromo.
Nova sinalização na área
A EPTC instalou quatro novos semáforos para organizar o tráfego de veículos e pedestres nas vias próximas ao Novo Túnel.
Os equipamentos foram ligados na manhã deste sábado, 25. Os semáforos estão localizados na Ernesto Alves com Farrapos; Santo Antônio com Osvaldo Aranha; Barros Cassal com Voluntários da Pátria e João Pessoa com Loureiro da Silva. Os tempos semafóricos de 14 equipamentos já existentes serão ajustados
Câmeras para monitorar o movimento
Foram implantadas também quatro novas câmeras para monitorar em tempo real o fluxo de veículos: na Independência com a Garibaldi, na Conceição junto à Rodoviária, na Sarmento Leite com a Irmão José Otão e na Engenheiro Luiz Englert com Sarmento Leite. Mais duas câmeras, doadas pelo Shopping Total, devem ser instaladas em outubro, ambas na avenida Cristóvão Colombo: uma na esquina da rua Santo Antonio e outra na avenida Ramiro Barcelos.O sinal das câmeras será captado na central de monitoramento da EPTC, permitindo alterar o tempo dos semáforos dependendo do fluxo de veículos e, assim, garantir a fluidez ao trânsito.
É a primeira reforma em 40 anos
Desde sua inauguração em 1972, o Túnel da Conceição não recebeu qualquer intervenção abrangente para sanar os problemas estruturais que vem se acumulando ao longo de seus 38 anos de funcionamento.
A obra será coordenada pela Smov e executada pela empresa EPT – Engenharia e Pesquisa Tecnológica, a um custo de R$ 2,65 milhões, garantindo pelo menos mais 30 anos de vida útil ao túnel.
A intervenção faz parte dos projetos de mobilidade de Porto Alegre para a Copa 2014. -
ORLA DO GUAIBA E MORRO SANTA TERESA SERÃO TEMAS DO CONGRESSO MUNDIAL DE ARQUITETURA
Trinta profissionais de diversos países vão participar de um “laboratório” que vai analisar as possibilidades de recuperação e urbanização da Orla do Guaiba.
O trabalho será coordenado pelo professor Paulo Bicca, da PUC e será desenvolvido durante o 54o. Congresso Mundial de Arquitetura que se realizará em novembro em Porto Alegre.
No mesmo período, outro trabalho semelhante será feito tendo como tema o Morro Santa Teresa, alvo de uma polêmica recente, por conta de um projeto do governo do Estado de privatizar a área de 73 hectares, num dos pontos privilegiados da capital gaúcha.
O Morro Santa Teresa é ainda o tema de um concurso internacional de arquitetura que está em andamento e também integra a programaçao do congresso mundial.
O concurso, que tem centenas de inscritos do mundo inteiro, terá seu resultado divulgado no dia 10 de outubro. -
SMOV diz que reforma do tunel começa em agosto
Segundo a assessoria de imprensa da SMOV, a reforma do túnel Conceição vai mesmo começar na primeira quinzena de agosto, embora a data certa ainda não esteja marcada.
Vai depender do prefeito José Fortunatti, que pretende reunir a imprensa para divulgar os detalhes da obra, a maior desde que foi construído o túnel, há 40 anos.
Na EPTC, no entanto, a possibilidade de adiamento não foi descartada, embora todas as obras preparatórias já estejam concluídas.
“Pelo que sabemos, o prefeito pretende fazer o anúncio nos próximos dias, mas ainda se discute se o momento é o mais oportuno”, disse uma fonte.
A reforma será executada pela EPT Engenharia, empresa com sede em São Paulo, que venceu a licitação e já assinou o contrato com a Secretaria de Obras.
O custo da obra está estimado em R$ 2,6 milhões e sua conclusão pode demorar até 18 meses dependendo de diversos fatores, inclusive as chuvas.
A reforma exigirá a interdição parcial do túnel e terá impacto em regiões de grande movimento, como o entorno da Rodoviária, o complexo Santa Casa, a UFRGS e parte do centro.
A necessidade da reforma foi apontada há dez anos, quando uma inspeção técnica detectou problemas na estrutura de concreto do túnel. -
Reforma do túnel pode ficar para depois da eleição
O motivo certamente não será declarado, mas a reforma do Túnel da Conceição pode ser adiada para depois das eleições. A necessidade de reparos foi apontada há dez anos numa inspeção que constatou problemas graves na estrutura do túnel.
A obra deve durar mais de um ano e vai causar grandes transtornos numa das regiões mais movimentadas de Porto Alegre, com implicações no trânsito de todo o centro da cidade.
O plano da reforma, inclusive com as mudanças no trânsito, está pronto e já foi apresentado ao prefeito José Fortunatti no mes de junho. A previsão inicial era dar a partida nas obras em agosto.
Mas agora ninguém sabe informar. Na Secretaria de Obras e na EPTC os assessores informam que depende do prefeito. Na assessoria do gabinete, informa-se que “ainda não há data marcada”.
Em reunião nesta quarta-feira, 15, os conselheiros do Forum Regional de Planejamento 1 (RP1) convidaram representantes da SMOV e da EPTC para esclarecimentos. Mas ninguém compareceu e nem foi dada qualquer explicação.
Será a maior reforma em 40 anos, desde a construção do túnel e das elevadas que desafogaram o centro. Vai custar R$ 2,6 milhões.
As mudanças temporárias atingirão todo o sistema viário nas imediações da Estação Rodoviária, da Santa Casa e no bairro Bom Fim, que será o mais atingido.
Está tudo preparado e a EPTC inclusive já executou algumas obras necessárias para as mudanças no trânsito. -
Crescem as resistências à venda do terreno
O governo do Estado sofreu nesta quarta-feira, 9, o segundo revés em sua pretensão de obter licença da Assembléia Legislativa para alienar uma área pública, como forma de viabilizar a descentralização dos serviços de atendimento a menores infratores na capital.
Há seis meses o Executivo tenta para aprovar o projeto de lei 388 que o autoriza a vender ou permutar os 73,5 hectares, que pertencem à Fundação de Atendimento-Sócio Educativo. No terreno está o Morro Santa Teresa, uma referência na paisagem de Porto Alegre, defronte à orla do Guaíba.
No primeiro momento, a aprovação parecia tranqüila. O secretário de Justiça e Desenvolvimento Social, Fernando Schüller, responsável pelo projeto, apresentou-o como “estratégico” e encontrou receptividade nas bancadas alinhadas ao governo, cujos votos são mais do que suficientes.
O texto chegou a obter parecer favorável do relator na Comissão de Constituição e Justiça e estava a caminho do plenário para votação.
Mas as críticas, inicialmente tímidas, se avolumaram obrigando o executivo a retirar e retificar o projeto. Retornou à Assembléia no dia 5 de maio com pedido de urgência, ou seja, com 30 dias para ir à votação em plenário.
“As mudanças foram decididas em reuniões com todas as partes interessadas e as dúvidas sobre o projeto foram esclarecidas, vamos aprová-lo”, dizia o deputado Adilson Troca, líder do PSDB antes da votação desta quarta-feira.
“As alterações são insuficientes, o projeto continua inexplicável. Não há como evitar a suspeita de alguma coisa por trás desse negócio”, insistia o vice-líder petista, Raul Pont.
Orientação do Sistema Nacional de Atendimento Sócio-Educativo, a proposta de descentralização do serviços da Fase não encontra resistência nem nas áreas mais radicais da oposição.
Critica-se a falta de informações, principalmente em relação ao terreno a ser alienado. “Não há sequer uma avaliação da área. Como é que vai se fazer uma licitação sem ter um preço mínimo?”, indaga Pont.
A avaliação existente (que não consta do projeto) foi feita pela Telear, uma empresa privada, que estimou em R$ 76 milhões o valor do terreno.
Raul Pont questiona essa avaliação: “Naquela mesma região, o antigo estádio do Inter, que tem pouco mais de 2 hectares, está avaliado em R$ 23 milhões. O terreno da Corlac, uma área pública, foi alienado por R$ 13 milhões e tem menos de um hectare. Por que o hectare nesse terreno da Fase, numa área mais nobre, vale tão menos?”
Mesmo considerando metade do terreno comprometida por áreas de preservação ambiental e invasões de moradores, o deputado petista considera o valor aviltado.
O governo alega que sua intenção com o 388 é aprovar apenas o princípio – a permissão para que o executivo disponha do terreno para financiar as nove unidades da descentralização.
Os detalhes da transação, dizem os representantes do governo, estarão no edital da licitação, que será um processo público.
Ocorre que o debate iniciou com o foco na falta de informações sobre a situação do terreno e sobre o que se pretende fazer com ele. Mas aos poucos deslocou-se para a própria questão do princípio.
Na hora da votação, o questionamento mais forte era esse: entregar ao mercado imobiliário uma área pública valiosa, num ponto privilegiado da cidade, é o melhor caminho para viabilizar o projeto?
Os oposicionistas, com base em informações do próprio governo, questionaram a alegada falta de dinheiro e apontaram várias alternativas para financiar a descentralização.
No final, até o deputado Nelson Marchezan Jr., do partido da governadora, rebateu o argumento da falta de dinheiro para financiar as nove unidades descentralizadas, estimadas em R$ 70 milhões. “É evidente que não falta dinheiro para uma obra dessas”, disse Marchezan depois de citar inúmeras alternativas para obtenção dos recursos.
Outro ponto, inicialmente obscuro, mas que ganhou relevância decisiva com o andamento do debate foi o problema social assentado naquela área.
As invasões ocupam quase 20% do terreno e o número de moradores irregulares ninguém sabe ao certo. As estimativas vão de 1.500 a 5 mil famílias.
No dia da votação, cerca de 200 desses moradores postaram-se desde cedo na entrada do Palácio Farroupilha, num protesto organizado por sindicatos e movimentos sociais, com carro de som, bateria improvisada, palavras de ordem e musicas de protesto. “Eu só quero ser feliz/andar nas ruas da favela em que nasci”.
Na hora da votação, representantes das quatro vilas incrustradas no terreno lotaram as galerias do plenário e sua pressão certamente tem a ver com o resultado.
Muitos deputados governistas faltaram à sessão alegando compromissos anteriormente assumidos, já que a votação era prevista para o dia anterior. É provável que estivessem também fugindo da vaia popular, que certamente receberiam os que votassem a favor do projeto.
Os arranjos pré-eleitorais também influíram na debandada. O comportamento da bancada do PP, que tem nove deputados, foi o maior sinal disso. O partido negocia a indicação do vice para a chapa de Yeda Crusius. Apenas três de seus representantes ficaram no plenário. Indício de que não chegaram a um acordo sobre o nome.
Resultado: quando a oposição decidiu se retirar, faltaram dois votos para o quorum mínimo para a votação, que é de 28 deputados.
O projeto de lei 388 está na pauta para a próxima sessão, na quarta-feira, 16. Isso se o governo não desistir da urgência para evitar desgaste maior ou até mesmo uma derrota, que não está descartada. -
Morro Santa Teresa: laudo vegetal identifica espécies em extinção
Há 17 espécies vegetais raras que estão em risco no terreno pertencente à Fundação de Atendimento Sócio Educativo (FASE).
Uma delas consta da “Lista Oficial de Espécies Ameaçadas” como “provavelmente extinta”, três estão classificadas como “em perigo” e outras 13 são consideradas “ameaçadas de extinção”.
Essa é a principal conclusão do “laudo de cobertura vegetal” assinado por uma equipe seis biólogos, um engenheiro florestal, um geólogo e dois técnicos da Fundação de Zoobotânica.
O levantamento, feito a pedido da Secretaria de Justiça, foi concluído em julho de 2009. Os pesquisadores estão proibidos de dar entrevistas sobre o assunto.
Segundo um biólogo que participou do trabalho, o levantamento pode ser considerado “preliminar”, pela pressa com que foi feito (teve que ser concluído em dois meses) e pelas dificuldades de sua realização.
“Foi difícil até formar a equipe”, disse o biólogo.
“O pessoal não queria participar por medo, tem muitas áreas perigosas lá”.
Durante todo o trabalho, os pesquisadores foram protegidos por uma escolta armada, com dois sargentos e quatro praças da Brigada Militar.
Mesmo assim não puderam entrar em certas regiões.
Diz o relatório “Não se teve acesso às proximidades da Vila Gaúcha, devido ao alto risco. No dia anterior tinha havido tiroteio e intervenção da Brigada na Vila”.
Também um trecho de mata entre as vilas Ecológica e Prisma não poder ser visitado, pelas mesmas razões.
O biólogo, que aceitou falar desde que seu nome fosse preservado, define como “bem detonadas” a maioria das áreas de preservação permanente no Morro Santa Teresa. Inclusive o topo do morro, onde estão as estações de tevê.
Ele diz também que não dá para calcular o tamanho total das área de preservação porque com a ocupação desordenada de grande parte do terreno da Fase, elas formam um mosaico entre as construções, pedreiras, saibreiras e as invasões.
Segundo o presidente da Fase Irani Barbosa, os espaços invadidos representam cerca de 18% da área total pertencente à Fundação. -
Morro Santa Teresa: decisão está com os deputados
Nesta quinta-feira, 3, completam-se os 30 dias previstos no regime de urgência que acompanha o projeto de lei 388, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.
A partir daí, o projeto começa a trancar a pauta, até que seja votado.
Há muita informação desencontrada na Casa, mas tudo indica que o projeto será mesmo votado na terça-feira, dia 8, na primeira sessão depois do prazo fatal.
No projeto, a governadora Yeda Crusius pede autorização ao legislativo alienar uma área pública de 73,5 hectares no Morro Santa Teresa, num dos pontos mais valorizados de Porto Alegre.
O argumento é a falta de dinheiro para atender a urgência em descentralizar os serviços de atendimento a menores infratores.
Hoje a Fundação de Atendimento Sócio Educativo mantém no local três unidades, com quase 600 menores confinados.
O plano da governadora é permutar ou vender a área, para construir nove unidades da Fase, em Porto Alegre e região Metropolitana. Cada uma teria no máximo 90 menores, como recomenda a política nacional.
A Secretaria de Justiça já tem até um pré-projeto das unidades. O custo é estimado entre R$ 8 e 10 milhões por unidade. -
Terreno da Fase: pedido do MP fragiliza posição do governo
A recomendação do Ministério Público, para que o governo do Estado retire o regime de urgência na votação do Projeto de Lei 388, não mereceu atenção da imprensa – toda essa discussão, alíás, vem merecendo escassa atenção dos meios de comunicação convencionais.
O executivo Estado tampouco se manifestou até o final desta sexta-feira, 28. Mas ao que tudo indica, a atitutde do MP abriu uma fissura no paredão de apoios que o Piratini vinha construindo para garantir a aprovação do projeto.
A recomendação do MP foi protocolada na Casa Civil na quinta-feira, 27, há cinco dias úteis da votação, prevista para 3 de junho.
Surpreendeu, porque o Ministério Público vinha sendo apontado pelo Executivo como um aliado na defesa do projeto.
O PL 388 autoriza o governo a permutar ou vender o terreno da Fundação de Atendimento Sócio Educativo (FASE), no morro Santa Tereza – uma área de 73,5 hectares num dos pontos mais valorizados no mercado imobiliário de Porto Alegre.
Um outro dado novo na discussão foi a manifestação do presidente do Tribunal de Justiça, Léo Lima, a parlamentares da oposição.
Em reunião com os deputados Raul Pont e Estela Farias, do PT, e Carrion Jr. do PCdo B, na quinta-feira “o desembargador Leo Lima garantiu que o Judiciário gaúcho não tem posição firmada sobre o PL e solicitou levantamento completo aos parlamentares sobre o caso”, segundo nota da assessoria dos parlamentares. -
ARENA DO GRÊMIO: PERGUNTAS SEM RESPOSTA
Tania Jamardo Faillace*
Projeto imobiliário, que vai mudar a fisionomia do Humaitá, importante bairro operário de Porto Alegre, foi apresentado em audiência pública. Apesar da grandiosidade da obra e suas consequências, muitas perguntas que seriam fundamentais para a discussão da proposta ainda não tem resposta.
Chamam a atenção os seguintes dados da transação legal/fundiária:
1. A obscuridade das transações e documentos legais, doações condicionadas, permutas, e a impossibilidade de se compreender quem, afinal, é proprietário da área.
2. Quais as posições respectivas, nessa estória: do Governo do Estado, Federação dos Círculos Operários, Grêmio Football Portoalegrense, Grêmio Empreendimentos, e se há mais um agente chamado Empreendimento Arena do Grêmio ou assemelhado, e suas inter-relações.
3. Há discrepâncias em relação às áreas, seriam 38 ha originalmente, lá pelas tantas alcançando os 66 ha, e também há discrepâncias em seus respectivos valores, havendo a determinar oficialmente quais as perdas do Estado nessas transações.
4. Não se sabe porque razão um empreendimento turístico-esportivo foi considerado mais importante para a Zona Norte, do que as atividades educativo-pedagógicas de dois colégios, um deles com instalações de altíssima qualidade, inclusive em seu complexo esportivo, com um ginásio como poucas escolas em Porto Alegre dispõem..
5. Ignora-se igualmente a razão pela qual a Federação dos Círculos Operários foi despejada do bairro Humaitá, dentro do coração da área industrial da RM, e com grande população da classe trabalhadora, para ganhar uma nova doação com o mesmo objetivo (criação da Universidade do Trabalho), na estrada Costa Gama, de população rarefeita.
6. Não há clareza quanto a ter havido transações financeiras e de que valor (compra, venda, arrendamento, luvas) entre os atores do episódio.
Chamam a atenção os seguintes pontos negativos no projeto em si:
1. A perda de uma escola com a qualidade técnica e construtiva da Santo Inácio, e seu entorno ecologicamente preservado. Se o Círculo Operário tem que ser desalojado por inadimplência das condições contratuais e da doação condicionada, que a Secretaria de Educação do Estado assuma a escola em sua integralidade, parece-nos a medida mais adequada e favorecedora da população de Porto Alegre;
2. A destruição do ambiente natural e da vegetação de grande e pequeno porte em quase sua totalidade, conforme ficou bem claro pelo EIA/RIMA apresentado (400 árvores adultas a serem erradicadas sem reposição, e 195 outras espécies a serem desalojadas e perdidas);
3. A inadequação de um empreendimento de alto luxo como o conjunto Arena, em relação a um bairro como o Humaitá, ocupado predominantemente pela classe trabalhadora e pequena classe média, com atividades industriais ou de pequenos serviços – sabe-se que essas enxertias sociais e econômicas tendem a expulsar os moradores originais pela sobrevalorização fundiária e o aumento dos impostos;
4. A alta taxa de impermeabilização do solo prevista, (1/3 da área a ser ocupado com um estacionamento para 6 mil automóveis) convidando a mais alagamentos e enchentes numa gleba de cota extremamente baixa, cercada por outras de cota negativa, inclusive um lixão aterrado, mas que ainda emite gases;
5. O exagero das vagas de estacionamento incentivando o transporte individual paraagravar os problemas viários da Entrada da Cidade; conhecem-se os havidos com o Gigante da Beira Rio, e lá, trata-se apenas da comunicação com a zona Sul (área relativamente menos densificada da cidade), e, no caso presente, trata-se de todo o transporte da Região Metropolitana, inclusive o transporte de cargas e o interestadual;
Há ausência ou insuficiência de infraestrutura nos aspectos:
a) viário – não haveria escoamento para a população permanente e a população visitante previstas (jogos, eventos, hotelaria, shoppings, etc.), ainda mais considerando tratar-se da Entrada da Cidade, com grande tráfego da Região Metropolitana, transporte de cargas, e transporte interestadual;
b) previsão de problemas graves de enchentes e alagamentos pela ausência de um sistema amplo e eficiente de drenagem de águas pluviais e do próprio lençol freático que empapa todo o terreno;
c) esgotos – não há tratamento de esgotos para a população atual; na conclusão do conjunto Arena do Grêmio, haveria o acréscimo de cerca de 70 mil pessoas a essa população, entre residentes e flutuantes;
d) coleta de lixo – não há estimativa do que representaria essa nova população em termos de produção de lixo.
e) segurança pública – tampouco se conhecem as necessidades de efetivos e equipamentos de segurança pública num projeto de tal monta, acrescido a um bairro já com muitos problemas nesse setor.
Em resumo, serão mais uns vinte mil residentes permanentes, de 30 a 40 mil como clientes dos shoppings e hotelaria e provavelmente mais de 70 mil em dias de eventos, que sobrecarregarão os serviços de água, luz, esgotos, e outros. Sem mencionar um estacionamento para 6 mil carros, que será um atrativo extra para a criminalidade sediada na região e nos municípios vizinhos, etc., etc.
Tampouco há dinheiro para construir essa ilha da fantasia. O que equivale a dizer que esse dinheiro será buscado no mercado financeiro estatal (BRDE, BNDES, CEF) e no mercado dos investidores em geral.
Certamente, não chegamos a mencionar a questão da segurança de vôo, embora se possa assinalar que o grupo emprendedor faltou com a verdade ao dizer que o projeto já tinha sido aprovado, com prédios de até 64m de altura. Não o foi, segundo informação do próprio V Comar, que é o órgão que disciplina a segurança aérea e ainda não recebeu o projeto definitivo para pronunciar-se em relação ao mesmo.
Finalmente, sugerimos a visita à página.
