Temer age como se Padilha já estivesse fora do governo

Em dez dias derreteram-se os superpoderes atribuídos ao Chefe da Casa Civil do governo Temer, o ministro Eliseu Padilha.
No dia 20 de fevereiro, ele passou mal e foi internado no Hospital das Forças Armadas em Brasilia.Tinha uma obstrução urinária, causada pela próstata aumentada.
Na noite desta quarta-feira, 1o. de março, ele estava em Porto Alegre  recuperando-se de uma cirurgia. Sua queda era dada como certa em Brasilia.
Padilha ainda estava em observação, três dias depois da crise urinária, quando foi atingido por um petardo político: o advogado José Yunes, ex-assessor especial da Presidência, relatou ao Ministério Público Federal que foi “mula involuntária” do ministro ao receber em seu escritório em São Paulo, em 2014, um pacote. Seriam R$ 4 milhões em dinheiro vivo, destinado a Padilha.
José Yunes, deixou o governo em dezembro, quando veio a público a delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-executivo da empreiteira Odebrecht..
Foi Melo Filho quem revelou a história dos R$ 4 milhões entregues no escritório de Yunes, que seriam parte de um repasse de R$ 10 milhões para a campanha do PMDB.
O dinheiro, segundo Melo Filho, teria sido pedido por Temer num jantar, em que Padilha estava junto, com Marcelo Odebrecht, no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente.
Agora, segundo o Globo, o próprio Yunes procurou espontâneamente o Ministério Público para dar a sua versão dos fatos, envolvendo apenas Eliseu Padilha.
Quando a bomba estourou, Padilha já tinha um diagnóstico de cirurgia para seu problema de saúde. No dia 27, se internou no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, para extrair a próstata. O noticiário político  já falava que seu futuro no governo era “incerto”.
O colunista Merval Pereira, da Rede Globo e afiliadas, adiantou que a saída de Padilha seria uma boa solução para o governo Temer. Sequer levou em conta que o próprio presidente dias antes anunciara que denúncias em delações não seriam motivo para queda de ministro.
No dia seguinte Elio Gaspari, outro comentarista político influente, colocou Padilha na lista dos ministros de Temer que caíram: Jucá, Yunes, Geddel, Padilha…
“Nunca na história deste país um presidente perdeu tantos colaboradores em tão pouco tempo por motivos tão pouco louváveis”, escreveu em sua coluna publicada pelo Globo, Folha e vários outros jornais. Padilha seria o oitavo ministro a cair em apenas nove meses.
A cirurgia do ministro na segunda feira de carnaval foi bem sucedida, segundo  as notícias, já lacônicas.
Segundo o relato de Yunes ao MP, Eliseu Padilha ligou para ele e disse que uma pessoa iria deixar em seu escritório em São Paulo documentos que depois seriam retirados por um emissário.
Ao receber o portador dos documentos, viu que era o doleiro Lúcio Funaro, preso e apontado pela Polícia Federal como operador do deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.
Na terça-feira, 27, o mesmo dia em que Padilha fez a sua cirurgia, a repórter Andréia Sadi, da Globo News, informou que Yunes está disposto a provar a ligação de Padilha para seu escritório: “O advogado e amigo do presidente Michel Temer José Yunes disponibilizou ao Ministério Público a quebra do seu sigilo telefônico durante depoimento espontâneo em fevereiro”.
O objetivo de Yunes seria “comprovar sua versão de que recebeu uma ligação de Eliseu Padilha em 2014 pedindo a ele que recebesse um envelope em seu escritório em São Paulo”. Yunes disse aos investigadores que sua secretária pode ratificar sua versão.
Segundo Yunes, o envelope foi entregue pelo doleiro Lucio Funaro, que está preso em pela Operação Lava Jato. Yunes disse à Globo News estar à disposição para uma acareação com qualquer personagem de sua narrativa – seja Padilha, seja Funaro.
Nesta quarta-feira de cinzas, quando o hospital informou que Padilha já estava no quarto em situação “estável”, o jornalista mais próximo a Michel Temer, o colunista Jorge Bastos Moreno, do Globo, perguntou: “Por que José Yunes deu o tiro de misericórdia no Padilha? Por que ele está desfilando com a cabeça do combalido pela Praça dos Três Poderes, ligando para Deus e todo mundo para dizer que pediu à Procuradoria-Geral da República a quebra do seu sigilo telefônico para provar seus contatos com Padilha?”. Em seguida contou uma historinha para demonstrar que Temer e Yunes  são como irmãos.
No G1, um post das 9h da manhã já informava que “Sem Padilha, Temer assumiu as negociações com o Congresso”. Uma foto de Temer tendo ao lado uma cadeira vazia ilustrava a nota.
No início da noite chegavam aos jornais as primeiras informações sobre o depoimento de Marcelo Odebrecht ao ministro Benjamin Herman, relator do processo que investiga o uso de caixa 2 na campanha de 2014. Ele confirmou o jantar com Temer no Jaburu mas disse que foi “uma conversa genérica, em que não se mencionaram valores”.
Uma nota do G1, postada às 22h27 parecia selar o destino do ministro: “Marcelo diz que Padilha tratou do repasse de 10 milhões”.  
 
 
 
 

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