Pouco mais de quarenta minutos após o horário esperado, o presidente Michel Temer iniciou seu primeiro pronunciamento após a denúncia por corrupção feita pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Temer começou com uma ironia: “Se eu fosse presidente da Câmara, eu faria uma sessão, porque temos quórum”, afirmou, agradecendo à presença de deputados, senadores e ministros.
Durante dezessete minutos, o presidente fez duras críticas a Janot e ao ex-Procurador, Marcelo Miller. Temer desqualificou a denúncia de Janot, que chamou de “ficção” e afirmou que ela se baseia apenas em ilações do procurador. “Percebo que reinventaram o Código Penal e incluíram uma nova categoria, a denúncia por ilação”, criticou.
O presidente afirmou que não há nenhuma prova quanto ao recebimento de valores indevidos.
Ainda durante a manifestação, o presidente Michel Temer atacou o ex-procurador da República Marcelo Miller, que deixou o MPF e passou a atuar no escritório de advocacia que faz a defesa da empresa JBS.
“O cidadão foi trabalhar para esta empresa e ganhou milhões em poucos meses. Garantiu ao seu novo patrão um acordo benevolente, uma delação que tira seu patrão das garras da Justiça, gerando uma impunidade nunca antes vista. E tudo ratificado, assegurado pelo Procurador Geral”, afirmou Temer.
Na sequência, o presidente levantou suspeitas sobre os valores recebidos por Miller pela defesa da JBS. O presidente afirmou que se poderia concluir que “os milhões de honorários recebidos não fossem unicamente para o assessor de confiança, que deixou o cargo de Procurador da República.”
Michel Temer falou também sobre o encontro que teve com Joesley Batista, à noite no Palácio do Jaburu, quando o empresário gravou a conversa entre os dois. Temer confirmou ter recebido Joesley que “naquela oportunidade era o maior produtor de proteína animal do Brasil, talvez do mundo”. E afirmou só ter descoberto o “bandido Joesley”, quando este revelou os crimes ao Ministério Público.
Sobre sua presença na Presidência da República, Temer afirmou “não sei como Deus me colocou aqui.” Ao final do pronunciamento, o presidente saiu sem responder perguntas dos jornalistas.
PGR denunciou Temer por crime de corrupção passiva
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou na segunda-feira, 26, o presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de corrupção passiva. A acusação está baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada da JBS. O áudio da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da empresa, com o presidente, em março, no Palácio do Jaburu, também é uma das provas usadas no processo. Procurado pela reportagem, o Palácio do Planalto ainda não se manifestou sobre a denúncia.
O ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) também foi denunciado pelo procurador pelo mesmo crime. Loures foi preso no dia 3 de junho por determinação do ministro Edson Fachin. Em abril, Loures foi flagrado recebendo uma mala contendo R$ 500 mil, que teria sido enviada pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS.
Para o procurador, Temer usou Rocha Loures para receber vantagens indevidas. “Entre os meses de março a abril de 2017, com vontade livre e consciente, o Presidente da República Michel Miguel Temer Lulia, valendo-se de sua condição de chefe do Poder Executivo e liderança política nacional, recebeu para si, em unidade de desígnios e por intermédio de Rodrigo Santos da Rocha Loures, vantagem indevida de R$ 500.000 ofertada por Joesley Batista, presidente da sociedade empresária J&F Investimentos S.A., cujo pagamento foi realizado pelo executivo da J&F Ricardo Saud”, diz a denúncia apresentada por Janot.
Temer diz que denúncia é "ficção" e faz insinuações sobre Janot
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