Temer só para convidados

Matheus Chaparini
O presidente Michel Temer deixou Esteio no início da tarde desta segunda-feira com sua comitiva a bordo de dois helicópteros Blackhawk H60L da Força Aérea Brasileira.
Foi a primeira visita do presidente interino ao Rio Grande do Sul e seu primeiro destino este ano. Temer encerrou seu discurso afirmando que embarcaria em seguida para Portugal. “Entro no avião tranquilo porque sei que o governo vai dar certo porque nós temos o apoio do Rio Grande do Sul”.
Para que esse apoio pudesse se fazer notar, ao menos dentro do auditório onde ocorria a cerimônia de entrega de 61 ambulâncias para o Samu, uma grande operação teve de ser montada.
O local escolhido foi o Parque de Exposições Assis Brasil, conhecido como parque da Expointer, em Esteio. Do lado de dentro do portão do parque, apenas convidados e imprensa credenciada pelo Governo Federal.
No auditório, entre os convidados, o apoio era indiscutível e os apalusos garantidos.
A cada trecho da fala, Temer citava nominalmente algum apoiador presente no local. Mesmo as iniciativas mais polêmicas do governo Temer, como a PEC 241/55 (“do teto dos gastos”, para o governo, “do fim do mundo”, para a oposição) e as reformas da previdência, do Ensino Médio e trabalhista foram aplaudidas quando citadas na fala.

Manifestantes boquearam as duas faixas da BR 116 / Matheus Chaparini
Manifestantes boquearam as duas faixas da BR 116 / Matheus Chaparini

Antes mesmo de sair de Brasília, Temer anunciou, por meio de entrevista exclusiva à Rádio Guaíba o repasse de R$ 45 milhões para a construção de um presídio federal no Estado.
O evento estava marcado para 10h30, mas atrasou, pois o presidente decidiu sobrevoar os municípios de Rolante, Riozinho e Maquiné, que sofreram vários danos com as chuvas dos últimos dias.
No solo, prefeitos e moradores dos municípios, além de integrantes do Governo do estado, aguardavam a descida do presidente para entregar os pedidos de ajuda e quem sabe ver o anúncio da liberação de algum recurso emergencial. Não havia protesto programado.
Mas o helicóptero presidencial apenas sobrevoou a região e seguiu para Esteio.
Jornalistas reclamam das exigências para o credenciamento
Não me convidaram para esta festa nada pobre que os homens armaram para me convencer. De qualquer forma, sem convite, fui atrás do meu credenciamento de imprensa para poder fazer a cobertura do evento.
O credenciamento precisava ser feito diretamente com o Palácio do Planalto. Ao longo dos últimos dias, desde que a visita foi anunciada, até mesmo repórteres de grandes veículos de comunicação reclamavam nas redes sociais na quantidade de exigências feitas pelo setor de credenciamento do Planalto.
Alguns mais antigos afirmavam que este grau de exigência vem desde o último mandato de Dilma Rousseff.
Além de todos os dados básicos como nome, filiação, endereço e número de registro profissional, era exigido, por exemplo, o contrato profissional entre jornalista e empresa. “E no caso de um repórter freelancer?”, questionei. “Não credenciamos freelancers”, respondeu o funcionário do credenciamento, de Brasília. O rapaz explicou que o Planalto cadastra empresas, não jornalistas. Ainda tentei argumentar que o cadastro era individual, mas foi em vão.
Na tarde da sexta-feira, acreditei ter preenchido todos os requisitos possíveis e solicitei minha credencial. Telefonei logo após as 18h para confirmar, mas ninguém atendia o telefone no setor de credenciamento.
Às 22h30, já em um momento de folga em casa, recebo um email informando que meu cadastro estava em aberto por falta de documentação. Respondi a mensagem questionando quais documentos faltavam, mas não obtive resposta.
Após reclamações virtuais e algum tempo lidando com a burocracia, os colegas dos grandes veículos tiveram seu acesso garantido ao evento.
Impedidos de entrar, sindicalistas protestaram do lado de fora
Cerca de 150 pessoas foram impedidas de entrar e protestaram do lado de fora / Matheus Chaparini
Cerca de 150 pessoas foram impedidas de entrar e protestaram do lado de fora / Matheus Chaparini

Um forte aparato fazia a segurança do gigantesco território do parque. Brigada Militar, Polícia Rodoviária Federal e Exército presentes. Grupos de três ou quatro militares se espalhavam pelo perímetro do local, do lado de dentro das grades.
Para quem foi impedido de entrar restou o lado de fora, onde cerca de 150 pessoas protestavam, com bandeiras de centrais sindicais como CUT, CTB, NCST e CSP, do Cpers e do Juntos. Quando os manifestantes se dirigiram aos acessos laterais, por onde entravam os convidados, foram dispersados com spray de pimenta.
Por volta das 11h o grupo bloqueou as duas faixas da BR 116. Houve momentos de tensão entre manifestantes e alguns motoristas mais exaltados, mas sem violência. Na principal rádio do estado, o apresentador repetia o tradicional discurso de que há vários motivos para protestar contra o governo, mas não se pode prejudicar os trabalhadores que estão se deslocando.
Na pista, um motorista indignado repetia, quase literalmente, a fala do radialista e acrescentava: “aqui não tem político, vocês deveriam protestar na Assembleia Legislativa!”. Ao que um sindicalista respondeu: “mas nós estávamos lá, há duas semanas atrás e também fomos impedidos de entrar”.
Às 11h40 as lideranças sindicais deixavam o local, Logo em seguida, a rodovia foi liberada.
Em sua primeira visita ao estado, o presidente entregou 61 ambulâncias, de um total de 340 veículos adquiridos pelo Ministério da Saúde para serem distribuídos pelo país. São 54 unidades de suporte básico e sete de suporte avançado.
Temer anunciou também a construção de um presídio e a possibilidade de o estado receber um dos cinco presídios federais de segurança máxima que o Governo Federal pretende construir. A possibilidade de receber em solo gaúcho os principais líderes do crime organizado no país foi recebida com efusivos aplausos pelas autoridades convidadas presentes no auditório do Parque Assis Brasil.

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Comentários

Uma resposta para “Temer só para convidados”

  1. Avatar de Edu Guarani-Kaiowá
    Edu Guarani-Kaiowá

    “Ma non te preocupa com a popularidade, Temer, ma non fa evento aberto”…

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