Helen Lopes
Reunidos em assembléia geral na tarde desta sexta-feira (7/4), mais de três mil
professores da rede pública do Estado decidiram retomar as aulas paralisadas desde o dia 2 de março. Dos 42 núcleos do Cpers/Sindicato, 34 eram favoráveis ao término da greve. Apenas o núcleo de Santa Maria era contrário. Os demais não se manifestaram.
A larga vantagem ficou clara na votação, quando os professores ergueram os braços concordando com a proposta do Conselho Diretor do Cpers de suspensão da greve e continuidade das reivindicações.
Antes da consulta, os principais líderes fizeram um balanço da mobilização. “Vitoriosa” foi a expressão mais ouvida nos discursos e nas arquibancadas. “A greve foi vitoriosa porque uniu a categoria”, defendeu Meibe Ribeiro, de Passo Fundo. “Durante 36 dias, a educação e os servidores públicos foram pauta nesse Estado”, completou a educadora.
Para a presidente do Sindicato, Simone Goldschmidt, a principal conquista da categoria foi o resgate da adesão da sociedade na luta dos professores. Simone também destacou a importância da união do magistério e lembrou que, no início da greve, o governo estadual disse que não iria negociar, mas cedeu a pressão da classe.
O governo do Estado, no começo da paralisação, indicou que faria uma proposta apenas em maio. Depois, ofereceu 8,03% de aumento e, por fim, os 8,57% , divididos em cinco parcelas até 2007. Índice que foi aprovado pela Assembléia Legislativa no dia 4 de abril.
Os professores não receberam os 28% de reajuste que reivindicavam, mas evoluíram nas negociações. Na segunda-feira, 5 de abril, em reunião com a secretária da Educação, Nelsi Müller, e com o ex-secretário da Fazenda e atual chefe da Casa Civil, Paulo Michelucci, ficou estabelecido que, até o final deste mês, o governo vai solucionar a questão das promoções concedidas a 11 mil professores em 2001 e analisar as questões legais para encaminhar as promoções dos servidores referentes ao ano de 1999.
As exonerações decorrentes da greve de professores contratados temporariamente serão anuladas e os dias paralisados abonados. Os professores garantiram que as aulas não-ministradas serão recuperadas.
De acordo com a presidentedo Cpers, os professores vão continuar mobilizados lutando por melhores salários. No dia 26 de abril, quarta-feira, ocorre uma paralisação nacional para lembrar o Dia da Educação Pública. Outras manifestações estão previstas para o dia 21 de abril, aniversário do Cpers, e 1º de maio, Dia do Trabalhador.
No final da assembléia, o clima de comemoração contagiou a todos. Os professores tomaram a área central do Gigantinho e trocaram comprimentos, sorrisos e abraços. O encontro terminou com o hino do Rio Grande do Sul e a esperança de salários mais justos.

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