Trabalhadores denunciam projeto de privatização da Trensurb

Higino Barros
Estatal federal, responsável pelo transporte de 220 mil pessoas por dia na grande Porto Alegre, a Companhia de Trens Metropolitanos (Trensurb) passa por uma situação crítica.
Antigo feudo de partidos políticos, submetida a uma terceirização danosa, com sucateamento das instalações e redução no quadro funcional, há poucos dias a Trensurb viu os nomes de dois de seus ex-diretores citados por executivos da Odebrecht em delações à Operação Lava Jato.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Metroviários e Conexas do RS, Luis Henrique Chagas, falou ao JÁ sobre a situação da empresa.
P- As delações da Lava Jato implicam dois ex-presidentes da Trensurb. Qual o significado disso para os funcionários da empresa?
R– Infelizmente, nada que todos os trabalhadores da Trensurb não suspeitassem. Significa uma derrota para a classe trabalhadora, uma vez que são ex-sindicalistas e funcionários concursados. Talvez seja o que faltava para justificar o desmanche da empresa, projeto conhecido dos trabalhadores para levar à privatização.
PHá mais irregularidades na administração da estatal de conhecimento dos trabalhadores?
R– O sistema de bilhetagem comprado e administrado pela ATP é caso de polícia, pois o preço é absurdo e nem todo o dinheiro arrecadado pela ATP é repassado para a Trensurb. Os trens novos continuam apresentando problemas. Por fim, os cargos de chefia estão incorporando ao salário os valores recebidos enquanto detentores de funções gratificadas. O Sindimetrô já fez essas denúncias aos órgãos competentes e aguarda resposta.
P–  A companha sempre foi um feudo de partidos políticos. Qual é o partido agora que comanda a empresa?
R- Hoje a Trensurb  está loteada entre PSDB, PMDB e PSD. Sem dúvida, a prática de lotear cargos entre pessoas que não têm o menor compromisso com a empresa tem levado sistematicamente à queda da qualidade do serviço prestado. O Sindimetrô/RS é radicalmente contra esta prática. Esse modelo acaba com a carreira interna para os metroviários, já que só quem tem afinidade com estes partidos ocupa cargos de chefia, supervisão etc.  A Trensurb possui na atualidade 132 FGs (Funções Gratificadas) e 23 CCs (Cargos em Comissão). É quase 15% do quadro funcional. Um verdadeiro absurdo.
PQual a situação atual da Trensurb? Estações, trens e relações com os funcionários?
R- As estações estão caindo aos pedaços, literalmente. Escadas rolantes paradas, elevadores estragados, falta de cadeiras etc. O efetivo está reduzido em 30%, causando transtornos aos usuários e queda na qualidade do serviço prestado. No caso dos trens, não existem mais manutenções preventivas, apenas corretivas. Isto fica evidenciado no aumento de panes no sistema. As gestões passadas optaram por terceirizar a manutenção. Hoje, com a crise econômica estabelecida, faltam recursos para honrar estes compromissos, e aqueles trabalhadores que eram concursados para a manutenção foram demitidos.
Planos de privatização
PEm relação aos planos de privatização da Trensurb. Qual a posição da categoria?
R- Os metroviários são categoricamente contra a privatização. Somos a favor de uma empresa pública, estatal, com tarifa social e excelência no serviço prestado. No Brasil, onde os metrôs são privados a tarifa é mais que o dobro da praticada pelos trens estatais. No Rio de Janeiro, além do serviço ser de péssima qualidade, a tarifa está em R$ 4,30. Em São Paulo, na parte privada a tarifa acaba de subir para mais de R$ 4,00. As condições de trabalho são precarizadas e a rotatividade dos trabalhadores chega a 20% ao ano. O Sindimetrô/RS tem feito trabalho junto às Câmaras de Vereadores e Assembleia Legislativa. Várias frentes contra a privatização já foram criadas, inclusive no parlamento estadual, com a adesão de 46 deputados. Pelo menos uma vez por mês entregamos material para os usuários mostrando o prejuízo causado pela privatização.
POs trabalhadores da empresa vão aderir à greve geral convocada para o dia 28?
R– Sim. Em assembleia realizada no dia último dia 19 os metroviários decidiram, por unanimidade, aderirem a paralisação chamada pelas centrais sindicais.
Nota à imprensa
Assim que foram divulgadas as delações envolvendo a Trensurb, o ex-presidente Marco Arlindo Prates da Cunha enviou nota à imprensa, reproduzida abaixo:
Não são verdadeiros os fatos relatados em delação premiada, por executivos da Odebrecht, sobre suposta solicitação de recursos escusos para qualquer fim.
A execução da obra de extensão da Trensurb seguiu e respeitou todas as condicionantes estipuladas pelo Tribunal de Contas de União para realização da mesma.
Tenho todas as contas de minha gestão aprovadas pelos órgãos de controle.
Essas são acusações injuriosas, e vou provar minha total inocência e fazer que reparem os danos de imagem e profissional que me causaram.
Estou à disposição da Justiça para o cabal esclarecimento dos fatos.
Marco Arildo Cunha
Ex-presidente da Trensurb

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Comentários

6 respostas para “Trabalhadores denunciam projeto de privatização da Trensurb”

  1. Avatar de Celso Santos
    Celso Santos

    Chagas esqueceu de outras mazelas na Trensurb. A empresa tem um organograma inchado com várias seções, gerencias e superintendências desnecessárias. As atividades das terceirizadas são fiscalizadas de forma irresponsável causando um alto custo. Os empregados mal distribuídos gerando um quantidade enorme de horas extras. O valor altíssimo das funções gratificadas, que variam de R$ 5 mil a 20 mil. Somado tudo isso o subsídio, em 2015, foi de R$ 200 milhões de reais. Só os gastos de pessoal em 2015 foi de R$ 140 milhões e a receita foi R$ 100 milhões. O custo das incorporações será de R$ 9 milhões ao ano até de 2020.
    Resumindo, uma empresa mal administrada, com gestores altamente incompetentes, que se preocupam apenas com o seu umbigo, a Trensurb que se exploda. A greve não resolve esses graves problemas.

    1. Avatar de Sra. Araújo
      Sra. Araújo

      Concordo, Celso, com todas as questões pertinentes que levantastes porém, não compreendo uma das frases onde dizes: “(…) a Trensurb que se exploda.(…)”
      Como assim, Celso?!? Trabalhastes uma vida lá dentro, estás atualmente aposentado e agora “que se exploda!?!”
      Acalmes teu coração, ex-metroviário, e penses naqueles que ainda estão lá trabalhando duro todos os dias e tentando fazer o seu melhor sempre. Mesmo que a duras penas e com sucatas. Abraço.

      1. Avatar de Celso Santos
        Celso Santos

        Eu disse que os gestores preocupam-se apenas com o seu umbigo e não se importam que a empresa exploda. Não se preocupam com o futuro da empresa. Desculpe o mal entendido.

  2. Avatar de Celso Santos
    Celso Santos

    Se alguém quiser discutir esse assunto entre em contato comigo.

  3. Avatar de Celso Santos
    Celso Santos

    Quem tiver interessado entre no site da Trensurb e vai verificar um organograma inchado. A SUDEC e SUDEX podem ser eliminadas completamente. O aeromóvel tem um custo mensal com pessoal de R$ 500 mil e um receita de zero reais. O que impede a Trensurb de ser administrada responsavelmente é o corporativismo. Quanto ao envolvimento dos ex-presidentes com propinas, não é nada perto do que fizeram de errado enquanto gestores da empresa..

  4. Avatar de Celso Santos
    Celso Santos

    A compra de 15 trens a um custo de R$ 250 milhões foi desnecessária e irresponsável. Quanto a privatização é tudo balela. Não existe, no Brasil, atualmente, nenhuma empresa em condições de entrar num processo de concessão, porque a empresa tem muitos problemas. É um negócio impossível de ser realizado.

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