Tragédia na boate Kiss: primeiros condenados podem ser pais de vítimas

A tragédia que matou 242 pessoas e feriu outras 636 na boate Kiss, em Santa Maria (RS), no dia 27 de janeiro de 2013, pode ter suas primeiras condenações proferidas na próxima segunda-feira (22.05).

Promotor Ricardo Lozza/Divulgação MPRS

Não se trata de nenhum dos responsáveis pelo incêndio, apontados em inquérito policial, mas de dois pais de vítimas fatais que, na luta pelos direitos e da memória de seus filhos, estão sendo processados pelo promotor de Justiça do Rio Grande do Sul Ricardo Lozza.
O caso que provocou comoção mundial segue um modus operandi conhecido na Justiça brasileira. Passados 4 anos e 3 meses do incêndio, os familiares de vítimas e pessoas que sobreviveram ao incêndio seguem aguardando reparação pela perda e a responsabilização formal dos quatro réus indiciados. É o caso de Sergio da Silva, presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), e de Flávio José da Silva, vice-presidente da ATVSM e presidente do Movimento Santa Maria do Luto à Luta. Ambos perderam seus filhos naquele fatídico 27 de janeiro.
Por terem dito que o Ministério Público sabia das irregularidades de funcionamento da Kiss e que, portanto, foi conivente com o episódio, estão sendo processados por “calúnia”. Essa situação inusitada deixou perplexos os parlamentares da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM). A Comissão foi acionada para acompanhar a violação de Direitos Humanos destes dois pais, que receberão a decisão de recurso que os levou ao Tribunal do Júri na segunda.
Para o presidente da CDHM, deputado Paulão (PT-AL), é um absurdo o que ocorre no caso. “É inadmissível que a negligência com as vidas humanas conte com a morosidade da Justiça ao passo que aqueles que lutam, com dor, para a responsabilização de quem contribuiu para a morte de seus filhos sejam punidos”, afirma.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que é de Santa Maria, considera que esta acusação, se confirmada, será um golpe na imagem do país. “Essa inversão de responsabilidades, que pune pais de vítimas e mantém livres os responsáveis, vai ensejar petições junto a organismos internacionais de Direitos Humanos e podem resultar inclusive em condenações do Estado brasileiro”, ressalta.
Desembargador Sylvio Baptista Neto/Divulgação TJ

Os dois parlamentares encaminharam um ofício ao desembargador do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Sylvio Baptista Neto, que deve presidir o julgamento, atentando para a gravidade da situação e a importância de garantia dos Direitos Humanos de Silvio e Flávio, bem como o respeito à memória de todos os familiares e sobreviventes da tragédia.
Paulão, na condição de presidente da CDHM, instaurou procedimento para acompanhar o caso e colocou a assessoria técnica da Comissão à disposição no sentido de avaliar e propor medidas a partir dos encaminhamentos.
(Com informações da CDHM e das associações dos familiares das vítimas)

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