Tributo marca os 70 anos do músico Bedeu terça-feira no Renascença

Jorge Moacir da Silva, o Bedeu, músico e compositor gaúcho, foi fundador do grupo Pau Brasil, na década de 70, e um dos principais responsáveis por levar para além dos limites do Mampituba o ritmo conhecido como suíngue, o primo gaúcho do samba-rock e do balanço. Bedeu é autor de sucessos que ainda embalam festas de música brasileira como Grama Verde, Massagem e Saudades do Jakson do Pandeiro. Neste domingo, 4, completaram-se 70 anos de seu nascimento. Uma série de homenagens marca a data.
A celebração teve início no domingo, no salão do ponto de cultura Afro Sul Odomodê, na avenida Ipiranga. Batizado com o nome de Bedeu, o salão recebeu a apresentação do grupo Bongar, de Olinda. Na abertura, o Maracatu Truvão fez uma homenagem especial. Grama Verde, clássico do Pau Brasil, parceria de Bedeu com Leleco Teles e Alexandre, ganhou uma versão em ritmo de afoxé e maracatu de baque virado.
Nesta terça-feira, os festejos continuam com o show-tributo Na Poesia e na Canção Eles Cantam Bedeu e Delma, às 20h, no teatro Renascença. O espetáculo homenageia Bedeu e sua parceira de composição, a poetisa Delma Gonçalves. O show marca também o lançamento de um CD, com o mesmo nome. As composições serão apresentadas por 23 dos 28 artistas que participaram da gravação. Entre eles, o guitarreiro Luis Vagner, Bebeto, Marietti Fialho, Tonho Crocco e Paulo Romeu.
Nascido na região da Ilhota, em Porto Alegre, Bedeu começou a carreira musical em São Paulo. Na década de 70 voltou para o Sul, onde formou o grupo Pau Brasil, que lançou dois discos: O samba e suas origens (1978) e Pau-Brasil (1979). Em carreira solo lançou outros três discos: África no fundo do quintal (1983), Iluminado (1993) e Swing Popular Brasileiro (1998). Ligado ao carnaval portoalegrense, Bedeu foi compositor de sambas-enredo dos Garotos da Orgia, Acadêmicos da Orgia e do Areal da Baronesa.
O primo sulista do samba-rock é relíquia em vinil
Em um rápido bate-papo com Paulo Romeu, em uma tarde de sábado no Odomodê, dois causos dão uma ideia da dimensão do grupo gaúcho Pau Brasil no cenário musical brasileiro. Paulinho integrou a banda no período entre os dois lançamentos, tendo saído pouco antes da gravação do disco de 1979. Há alguns anos, foi apresentado ao músico Da Gama, guitarrista, fundador da banda Cidade Negra. Da Gama se emocionou ao saber que Paulinho havia feito parte do Pau Brasil, ajoelhou-se e fez reverência: “Pô, a gente dançava esse som direto lá na Baixada!”
Estes discos que faziam dançar a Baixada Fluminense, o Partenon, a Cidade Baixa e vários outros bairros Brasil afora, na década de 70, hoje são relíquia. Um exemplar de um dos discos lançados pelo grupo deve estar custando em torno de R$ 400, estima Paulinho. Isso para quem conseguir encontrar.
Ele conta que encontrou, há cerca de cinco anos, o segundo disco da banda à venda em um sebo de São Paulo. A capa estava rasgada, mas o disco, em bom estado. O vendedor parecia pouco disposto a fazer a transação e só mudou de ideia quando Paulo Romeu disse que tinha feito parte da banda e mostrou seu nome na ficha técnica. A música Bela Natureza, uma das primeiras músicas brasileiras com influência do reggae, é composição sua. Ainda assim, teve que deixar uns quantos pilas em troca da bolacha.

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