Una noche de caprichos

Naira Hofmeister
Os primeiros versos cantados por Jorge Drexler foram uma homenagem à cidade que o recebia com tanto carinho. “Chove numa tarde fria de Porto Alegre” (Ramilonga) também prenunciava a parceria com Vitor Ramil, que subiu ao palco sob o título de “melhor compositor contemporâneo” na opinião do uruguaio.
Na conversa entre os dois amigos, revelações sobre momentos inspiradores de canções famosas, como 12 segundos de oscuridad – com letra de Drexler sobre harmonia de Ramil. “Eu estava em Cabo Polônio, uma praia que não tem luz nem água, no Uruguai – é um lugar horrível esse, nunca vão até lá – e havia um farol cuja luz dava uma volta a cada 12 segundos”, narrou.
Diante do relato de Drexler, Ramil respondeu falando sobre o farol de Itapuã. “Sabe: passar uma tarde em Itapuã, conhece essa praia? Lá, o farol passa em, no máximo oito segundos. Todos dizem que os baianos são devagar… mas nesse caso, os uruguaios estão quase parando”, brincou o compositor gaúcho.
Depois da interpretação improvisada de Viajei – “lembro perfeitamente do que estava vendo quando ouvi pela primeira vez a canção do Ramil, na estrada entre Rio de Janeiro e Angra dos Reis” –, Drexler pediu desculpas à platéia.
“Se tiver algum músico de jazz, peço perdão. Nunca soube fazer solos, me perco nas escalas. Se algum professor estiver disposto, me deixe seu cartão na saída”, brincou.
Também durante a estada de Ramil no palco, Drexler contou que sua participação em A zero por hora foi gravada na sala de uma casa que alugava na época. “Uma informação totalmente sem importância, mas tive vontade de contar à vocês”, descontraiu, dizendo que era mais um capricho daquela noite.
Mas nem só da dupla com Ramil foi feito o show de Drexler. As duas figurassas da equipe de sonoplastia – responsáveis pelos efeitos eletrônicos da primeira parte do show – protagonizaram alguns dos melhores momentos do espetáculo, acompanhando Drexler “com seus instrumentos estranhos”, como ele próprio definiu. Um serrote que soava agudo, um teremin, um baixo muito grave e outras esquisitices eletrônicas estavam entre as intervenções de Matías Cella e Carlos “Campi” Campón.
Era esse o clima reinante do Teatro do Bourbon Country. Até mesmo o público gaúcho, geralmente sisudo e que cantarolou baixinho – do começo ao fim – se soltou mais do que o habitual, pedindo canções que foram prontamente aceitas pelo compositor. “Assim o show está ficando muito maior do que o planejado… tenho medo que vocês se cansem…”, provocou. O público, claro, ovacionou o cantor para que compreendesse o incentivo.
E pedia não só composições próprias. De Caetano Veloso, interpretou Dom de Iludir, que emendou com Don de Fluir – “tematicamente, as duas músicas não tem nada a ver, mas o título foi uma inspiração”, admitiu.
Também cantou em italiano Lontano, Lontano – “Ou lejos lejos, longe, longe” – e em inglês, interpretou uma versão de “Dance Me To The End of Love”, (do britânico Leonard Cohen, que ganhou uma versão famosa na voz de Madeleine Peyroux). Drexler criou uma milonga para a música e a interpretou com voz bastante grave – pouco usual para o cantor.
Mesmo depois de se despedir da platéia, foi obrigado a voltar ao palco por mais uns 20 minutos. Timidamente, sentou no chão e comoveu a todos os presentes no teatro, tocando o violão e cantando sem microfone, ouvindo os sussurros do público e encerrando uma noite inesquecível.
É bom lembrar que mesmo que Jorge Drexler siga para Florianópolis, onde faz novas apresentações, o Festival de Inverno de Porto Alegre tem atrações à altura, entre elas Ná Ozzeti, Rodrigo Maranhão, Pedro Aznar e a banda Ultratango.

Programação de músicos:

Acústicos & Valvulados (Dia 25 – 19h – Teatro de Câmara)
Angelo Primon (Dia 24 – 21h – Teatro Renascença)
Banda Municipal de Porto Alegre (Dia 24 – 21h – Teatro Renascença)
Bebeto Alves e Banda (Dia 17 – 21h – Teatro do SESC)
Bruno Gouveia (dia 27 – 21h – Reitoria da UFRGS)
Cartolas (Dia 23 – 19h – Teatro de Câmara)
Edgard Scandurra (27 – 21h – Reitoria da UFRGS)
Fausto Prado e Casa de Asas (Dia 27 – 19h – Teatro do SESC)
Felipe Azevedo (Dia 24 – 21h – Teatro Renascença)
Frank Solari (Dia 24 – 21h – Teatro Renascença)
Fruet e os Cozinheiros (Dia 22 – 19h – Teatro de Câmara)
Geraldo Flach (Dia 24 – 21h – Teatro Renascença)
Izmália (Dia 26 – 19h – Teatro do SESC)
James Liberato (Dia 24 – 21h – Teatro Renascença)
John Greaves (Dia 23 – 20h – Teatro do SESC)
Jonathan Corrêa (dia 27 – 21h – Reitoria da UFRGS)
Marcello Caminha (Dia 24 – 21h – Teatro Renascença)
Ná Ozzetti (Dia 22 – 21h – Teatro Renascença)

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