Vem aí uma supersafra

Geraldo Hasse

Sortudo do jeito que é, o presidente Lula pode “colher” uma grande safra no primeiro semestre de 2008, abrindo caminho para uma vitória da situação nas eleições de outubro.

Somente problemas climáticos podem desfazer as boas expectativas vigentes para o que se prenuncia uma supersafra. Todos os prognósticos feitos até agora apontam para uma colheita superior ao recorde de 2007, quando foram colhidas 131,5 milhões de toneladas de grãos. A cifra mais conservadora para 2008 é 134,9 milhões de toneladas, apresentada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), empresa do governo.

Há quem chute bem mais alto. Baseada em números do IBGE e da FGV,  a RC Consultores, uma empresa particular, calcula que a produção nacional de grãos chegará a 143 milhões de toneladas, proporcionando uma receita de R$ 76 bilhões aos agricultores.

O prognóstico da RC baseia-se sobretudo nas vendas de insumos. De janeiro a agosto, as vendas de fertilizantes, por exemplo, cresceram 44,8% em relação a igual período de 2006. A previsão do setor é encerrar o ano com vendas de 24 milhões de toneladas — em 2006, foram 20,9 milhões de toneladas.

Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) acaba de ampliar para 40% a projeção de crescimento de vendas de máquinas agrícolas no mercado interno. A estimativa inicial — vendas de 33 mil máquinas em 2008 — foi revista para 36 mil. Em 2006, foram vendidas 25,7 mil. É um salto considerável.

Por fim, as estatísticas do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) revelam que, de janeiro a agosto, as vendas de agroquímicos cresceram 44% ante 2006.

É bom lembrar que todos esses números são altos porque no ano passado as vendas foram muito fracas.

Os indicadores de sucesso agrícola baseiam-se exclusivamente no desempenho das lavouras de grãos, especialmente a soja e o milho; juntos, o cereal americano e a leguminosa asiática devem responder por 80% da produção e mais de 75% da receita prevista.

Essas estatísticas imediatistas esquecem que o Brasil agrícola produz muito mais do que grãos.  Vejamos o outro lado ignorado pela contabilidade marqueteira: aqui se produzem anualmente 547 milhões de toneladas de cana (25 milhões de toneladas de açúcar e 18 bilhões de litros de álcool), 18 milhões de toneladas de carnes, 22 bilhões de litros de leite, 38 milhões de toneladas de frutas, 16 milhões de toneladas de hortaliças, 3,7 milhões de toneladas de algodão, 500 mil toneladas de peixe, 32 mil toneladas de mel e 150 milhões de metros cúbicos de madeira de florestas nativas e cultivadas. São cifras que dimensionam uma potência agrícola.

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