Vento dos Campos Neutrais vai gerar energia para uma Porto Alegre

Cleber Dioni Tentardini
Setenta e um aerogeradores já estão operando no Parque Eólico ​Hermenegildo, ​em Santa Vitória do Palmar, no Litoral Sul gaúcho.
Faltam vinte para completar a “usina”,  de 163 megawatts (MW) de capacidade instalada, que deu a partida no dia 15 de outubro, quando foi autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) a injetar sua produção no sistema elétrico nacional.
A previsão é de que todos os cataventos estejam em operação até a primeira quinzena de novembro, segundo o diretor do parque, engenheiro João Ramis.
O Parque Hermenegildo, empreendimento da Eletrosul, completa com os parques de Geribatu e Chuí, o Complexo Eólico Campos Neutrais, o maior da América Latina, com 493 mw de capacidade instalada, suficiente para atender o consumo de três milhões de pessoas. Como a produção efetiva de uma usina eólica é cerca de metade da capacidade instalada, a energia do complexo dos Neutrais poderá abastecer 1,5 milhão de consumidores. O equivalente à população de Porto Alegre.
Os investimentos chegam a R$ 3,5 bilhões, levando em conta os parques e as obras do sistema de transmissão.

Linha de transmissão para escoar a energia do Extremo Sul/Foto Cauê Mendonça/Divulgação
Linha de transmissão para escoar a energia do Extremo Sul/Foto Cauê Mendonça/Divulgação

O Parque Eólico Geribatu, em Santa Vitória do Palmar, com 258 MW divididos em dez usinas, e o Parque Eólico Chuí, no Chuí, com 144 MW de potência instalada em seis usinas, são uma parceria da Eletrosul (49%) com o Fundo de Investimentos em Participações (FIP) Rio Bravo, que detém 51% do negócio.
Foi construída subestação de energia em Santa Vitória do Palmar/Divulgação
Foi construída subestação de energia em Santa Vitória do Palmar/Divulgação

O consórcio construtor é formado pela empresa espanhola Gamesa, a Schahin Engenharia S.A., responsável pela parte de construção civil, como as bases das torres eólicas, e a implantação da rede de média tensão; e a ABB, fornecedora dos equipamentos do sistema de transmissão.
Primeiro aerogerador GE fabricado no Brasil e instalado Parque Eólico Chuí IX/Foto Divulgação
Primeiro aerogerador GE fabricado no Brasil e instalado Parque Eólico Chuí IX/Foto Divulgação

Campos Neutrais
A denominação do complexo eólico remete ao período da colonização. A área compreendida entre os banhados do Taim e o Arroio do Chuí, onde foram posteriormente instalados os municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí, foi palco de várias disputas entre tropas portuguesas e espanholas. Para evitar mais conflitos, com a assinatura do Tratado de Santo Ildefonso, em 1777, a região ficou sendo um território neutro e, portanto, conhecida como Campos Neutrais.
RS é o 4º em produção eólica
Os principais produtores de energia eólica no Brasil são os estados do Nordeste, principalmente Ceará e Rio Grande do Norte, pioneiros na exploração dessa fonte no país.
O Rio Grande do Sul ocupa a 4ª posição. Passou de 1.000MW, mais de 17% da geração nacional de eletricidade originária dos ventos.
Ampliação do Complexo Eólico Livramento/Foto Nélio Pinto/Divulgação
Ampliação do Complexo Eólico Livramento/Foto Nélio Pinto/Divulgação

A potência eólica instalada no país é superior a 5.600 MW, o que representa 4% da geração de energia nacional, onde predomina a energia hidrelétrica (superior a 80%).
Embora pese pouco na matriz energética brasileira, o vento está crescendo no ranking dos investimentos em geração de eletricidade. Segundo a ANEEL, somando os projetos aprovados, em construção e que ainda não iniciaram as obras, são 397 parques eólicos, totalizando 9.835 MW. Representa 46% da potência as usinas em construção atualmente, que exploram diversas fontes energéticas.

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