Cleber Dioni
O programa do governo federal para a BR-116, entre Porto Alegre e Nova Petrópolis, chamado Via Expressa, pretende desafogar o trânsito da Região Metropolitana e facilitar o escoamento da produção de vários pólos industriais pelo porto de Rio Grande. Orçada em R$ 570 milhões, está entre as 17 obras na área logística para a região Sul incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê recursos na ordem de R$ 3,9 bilhões.
O Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT) aguarda a definição do Orçamento da União para poder lançar os editais de concorrência para os projetos e obras que ainda faltam.
O superintendente regional, engenheiro Marcos Ledermann, diz que se grande parte das obras iniciarem no primeiro semestre deste ano ainda haverá condições de o projeto ser finalizado em 2010, conforme o cronograma.
“Sempre haverá problemas em obras desse porte. A burocracia existe, o que é normal num projeto desses”, afirma Ledermann. O que o engenheiro não mencionou são as possíveis ações judiciais referentes a licitações e, isso sim, pode atrasar muito os trabalhos.
O alargamento da ponte sobre o rio Gravataí, em Canoas, e a construção de dois viadutos, em Sapucaia do Sul e Novo Hamburgo, estão entre as obras que ainda dependem de licitação.
Exemplo de problemas que atrasam o andamento dos projetos: para a construção da passarela da Sbardecar, em Canoas, uma obra de R$ 1,5 milhão, haverá necessidade de desapropriar a área da revendedora de carros. Outro exemplo: a construção do trevo de intersecção na BR-116 com a BR-386 (Tabaí-Canoas) é uma das mais importantes da Via Expressa. Estão previstos três viadutos e o alargamento de outro sobre a BR-116. O projeto está aprovado e a obra licitada, tendo como vencedor o consórcio M. Martins-Beter. Do custo estimado de R$ 49,94 milhões, já foram liberados 80% dos recursos, cerca de R$ 39 milhões. Mas o início dos trabalhos ainda depende de licença para instalação do canteiro de obras.
Até fevereiro deste ano, onze (veja quadro) das 28 obras previstas no programa foram concluídas e gastos R$ 75 milhões dos R$ 570 milhões previstos. A estimativa de custos era menor, mas o projeto de construção da BR-448, a Rodovia do Parque, exigiu o empenho de mais R$ 60 milhões, em função das peculiaridades que envolvem a região e o próprio projeto. Hoje, a Via Expressa que está em construção possui 18 viadutos, 21 passarelas e seis pontes.
Se tudo ocorrer dentro do prazo, este mês o superintendente do DNIT pretende lançar um edital único para cinco passarelas de pedestres, com expectativa das construções iniciarem no segundo semestre, assim como as obras da Rodovia do Parque. “Mas tudo vai depender do trâmite dos processos e da liberação dos recursos”, afirma Ledermann.
Na próxima sexta-feira, 14, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, estará em Porto Alegre para falar aos deputados gaúchos sobre o impacto econômico dos novos investimentos em infra-estrutura no Estado, através do PAC. Trará informações mais precisas sobre os recursos disponíveis ao PAC neste ano.
Pólo econômico
O projeto da Via Expressa, iniciado em 2001, constitui-se na construção de viadutos, trevos, passarelas e alargamento de pontes que visam dar segurança aos pedestres e fluidez ao tráfego, com a eliminação dos semáforos.
O alargamento da ponte sobre o rio Gravataí terá essa função: a ponte tem hoje três faixas e é submetida a quatro correntes de tráfego: as duas da BR-116, uma da auto-estrada (Osório-POA) em direção a BR-116 e outra da auto-estrada (POA-Interior).
A Via Expressa no trecho entre Porto Alegre e Nova Petrópolis, com 86,7 quilômetros, é considerado hoje um dos três maiores tráfegos do país. Estima-se um volume diário médio de 150 mil veículos numa região em que vivem mais de três milhões de pessoas. E uma conquista: não terá pedágios, assim como a Rodovia do Parque.
Os índices de acidentes crescem em proporção semelhante ao desenvolvimento da região, que concentra o maior pólo econômico do Estado e o terceiro maior do país. Ali estão estabelecidas indústrias de siderurgia, petroquímica e metal-mecânica, e importantes fábricas de calçados. Conta também com diversas universidades particulares.
A Via Expressa cruza dez municípios (Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos e Nova Petrópolis), mas atinge a economia de outras dezenas considerando que passam pela BR-116 a produção dos municípios da Serra, Vale do Caí, Vale do Paranhana, Vale do Rio Pardo, Vale do Taquari e de outras regiões que chegam ou cruzam a Capital em direção ao porto de Rio Grande.
Uma novidade na Via Expressa será a implantação do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), inédito no país, segundo o DNIT. Ainda não foi definido o projeto, que deve contar com centros de controle da via, subdividido em micro sistemas, análise meteorológica, comunicação de dados, vídeo de monitoramento, informações, telefonia de emergência e análise de tráfego. As prefeituras municipais e as associações comerciais e industriais da região estão ajudando na formatação do serviço.
Segundo o superintendente Ledermann, o SAU dará mais segurança não só ao tráfego de veículos, como aos pedestres e ciclistas. “Fornecerá informações atualizadas aos usuários, inspeção permanente da rodovia e agilidade na remoção de veículos acidentados e de atendimento às vítimas, inclusive de assaltos“, salienta o engenheiro.
Rodovia do Parque
O projeto de construção da BR-448, a Rodovia do Parque, está sendo elaborado pelo consórcio Ecoplan/Magna e deve ser concluído em maio deste ano. Trata-se de uma rodovia em pista dupla, com 22,7 quilômetros de extensão, tendo início no trevo da BR-116 com RS-118, em Sapucaia do Sul, até o entroncamento da BR-290, na Capital. Ganhou essa denominação por estar próxima ao Parque de Exposições de Esteio.
É, sem dúvida, a obra mais importante, pois será uma alternativa à BR-116. E não terá pedágios. A ministra-chefe da Casa Civil da Presidência, Dilma Rousseff, em reunião no dia 21 de fevereiro com a governadora Yeda Crusius, garantiu que o programa da BR-116 Via Expressa e a Rodovia do Parque “integram uma série de ações estruturantes do ponto de vista do PAC que estão sendo encaminhadas”. Não falou em prazos.
Quadro 1
Onze obras concluídas na Via Expressa até 02/2008
Trevo de Sharlau / São Leopoldo
Trevo com avenida Sete de Setembro / Novo Hamburgo
Passarela no bairro Primavera / Novo Hamburgo
Trevo do Boqueirão / Canoas
Melhoria no trevo com acesso a Novo Hamburgo
Trevo com avenida João Corrêa / São Leopoldo
Passarela Vila Campina / São Leopoldo
Travessia urbana em Dois Irmãos
Travessia de Nova Petrópolis
Passarela na ponte sobre o rio Cadeia / Picada Café
Passarela na ponte sobre o rio Feitoria / Dois Irmãos
Quadro 2
As obras que faltam:
– Trevo de acesso ao bairro Roselândia / Novo Hamburgo
Situação: projeto concluído, mas falta licitar as obras
Custo: R$ 2 milhões
Prazo: 12 meses
– Trevo com a avenida Rincão / Novo Hamburgo
Situação: projeto concluído, mas falta licitar as obras e a licença ambiental
Custo: R$ 33,2 milhões
Prazo: 720 dias
– Passarela Liberato Salzano / Novo Hamburgo
Situação: projeto não licitado
Custo: R$ 1,5 milhão
Prazo: 18 meses
– Passarela de Scharlau / São Leopoldo
Situação: projeto sendo elaborado
Custo: R$ 2,6 milhões
Prazo: 18 meses
– Passarela do posto da Polícia Rodoviária Federal / São Leopoldo
Situação: projeto paralisado
Custo: R$ 1,5 milhões
Prazo: 18 meses
– Trevo com a avenida Unisinos / São Leopoldo
Situação: projeto sendo revisado e licença ambiental em elaboração
Custo: R$ 30 milhões
Prazo: 36 meses.
– Passarela da Vila São João Batista / São Leopoldo
Situação: projeto aprovado e obra licitada, mas falta licença ambiental
Custo: R$ 820 mil
Prazo: 18 meses
– Trevo de acesso a Sapucaia do Sul
Situação: projeto aprovado, mas falta licitar a obra e a licença ambiental
Custo: R$ 38 milhões
Prazo: 720 dias
– Passarela da Bunge / Esteio
Situação : projeto ainda não foi licitado
Custo e prazo: indefinidos
– Passarela de Esteio
Situação: projeto sendo revisado
Custo: R$ 1,3 milhão
Prazo: 18 meses
– Melhorias na intersecção com acesso a Esteio
Situação : projeto não foi licitado
Custo e prazo: indefinidos
– Trevo de intersecção na BR-116 com a BR 386 / Tabaí-Canoas
Situação: obra licitada, mas falta liberação para instalações
Custo: R$ 49,94 milhões
Prazo: Indefinido
– Passarela da Sbardecar / Canoas
Situação: projeto paralisado
Custo: R$ 1,5 milhão
Prazo: 18 meses
– Alargamento da ponte sobre o rio Gravataí
Situação: projeto aprovado e licitação das obras em andamento
Custo: R$ 8,89 milhões
Prazo: 450 dias
– Alargamento da ponte sobre o rio dos Sinos / São Leopoldo
Situação: projeto não licitado.
Custo e prazo: indefinidos
– Aumento da capacidade do trecho Dois Irmãos-Estância Velha
Situação: projeto não licitado
Custo e prazo: indefinidos
– Novo trevo de acesso a Ivoti
Situação: reavaliação da obra
Custo: R$ 1,35 milhão
Prazo: indefinido

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