A CMPC Celulose Riograndense vai quadruplicar sua produção de celulose após a inauguração da nova planta em Guaíba, prevista para maio de 2015.
Com o investimento de R$ 5 bilhões, vai saltar de 450 mil toneladas de celulose ao ano para 1,8 milhão de toneladas.
No mesmo ritmo, a Vida Desenvolvimento Ecológico – que recicla os resíduos dessa indústria desde 1988, quando se chamava Riocell – vai ampliar em quatro vezes a área de sua central de tratamento em Eldorado do Sul.
Hoje, a unidade opera em 17 hectares, localizados no Horto Florestal José Lutzenberger, e vai passar a trabalhar em 67 hectares, incluindo uma área vizinha, o Horto Florestal Boa Vista.
As obras começaram em agosto e vão custar R$ 60 milhões – a CMPC vai entrar com R$ 40 milhões.
Além de pagar a outra parte do investimento, a Vida vai dobrar o número de funcionários que trabalham com reciclagem na Celulose Riograndense, de 49 para 99 colaboradores.
Empresa recicla 20 mil toneladas por mes
Mais de 99% dos resíduos da Celulose Riograndense são reciclados pela Vida Desenvolvimento Ecológico.
Atualmente, são 20 mil toneladas por mês. Esse volume vai aumentar para 56 mil ton/mês com a quadruplicação da produção da CMPC.
O trabalho começa na própria fábrica de Guaíba, onde 23 funcionários da Vida atuam em educação ambiental, separação e triagem de resíduos como sucata, vidro e papel.
O material já sai prensado e é vendido para fábricas recicladoras.
Outros subprodutos obtidos na planta de Guaíba são:
-cinzas da queima do carvão mineral na caldeira da CMPC, que são vendidas para a indústria de cimento;
-serragem de eucalipto, matéria-prima que é encaminhada para empresas de aglomerados e compensados de madeira (MDF e MDP);
-rejeitos do digestor onde se separa a fibra de celulose da madeira, com os quais é feita manta de celulose, produto comercializado com a indústria de reciclagem de papel.
Lodo e casca de eucalipto viram adubo
Os resíduos industriais que precisam de algum tipo de armazenamento para serem reciclados vão para a central da Vida em Eldorado do Sul.
Lá, o lodo da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) e cascas de eucalipto são transformados em fertilizantes orgânicos.
Resíduos calcários gerados no forno de cal da indústria de celulose se tornam corretivos de acidez do solo.
E ainda há espaço para um pequeno aterro sanitário, para onde vai menos de 1% dos resíduos, que não podem ser reciclados.
“Esse trabalho é resultado das ideias de José Lutzenberger”, resume o gerente operacional da Vida, Fernando Bergamin, que é engenheiro agrônomo, mesma formação do ecologista que fundou a empresa.
Cinco produtos saem dos resíduos
A Vida fabrica em Eldorado do Sul e vende cinco produtos que têm como matéria-prima os resíduos da Celulose Riograndense.
O substrato de casca de eucalipto é consumido, por exemplo, por pequenos produtores de morango da Serra Gaúcha.
O Humoativo, fertilizante orgânico feito com o lodo da ETE, é usado por empresas de paisagismo e jardinagem.
O Humosolo é uma terra preta vendida inclusive em supermercados para ser usada em vasos e jardins.
E tem ainda o Macro-cálcio, também vendido a granel, e a Cinza Calcítica, ambos corretivos de acidez do solo.
Um novo produto deve ser elaborado a partir do lodo da Estação de Tratamento de Água da CMPC, possivelmente, para recuperar áreas degradadas.
Casa Lutzenberger é a sede há dois anos
Há dois anos, a matriz da empresa Vida foi transferida de Guaíba para Porto Alegre.
O local escolhido foi o casarão da década de 1930 localizado na rua Jacinto Gomes.
Construído pelo arquiteto José Lutzenberger, pai do ecologista homônimo, o imóvel foi restaurado pelo arquiteto Flávio Kiefer e reinaugurado em 2012.
É tombado pelo patrimônio histórico, assim como o jardim que fica nos fundos. A obra custou R$ 1,5 milhão. A Vida tem quatro filiais: Guaíba, Eldorado do Sul, Belmonte (BA) – que atende a Veracel Celulose – e Três Barras (SC), que recicla os resíduos da Rigesa.
Tem 180 funcionários, sendo 100 no Estado. É uma empresa familiar, de Lara e Lilly Lutzenberger, filhas do ambientalista.
Guilherme Kolling, do Jornal do Comércio

Deixe uma resposta