Vitória de Sartori: ainda é cedo para comemorar

Elmar Bones 
O governador José Ivo Sartori conseguiu vitórias aparentemente notáveis nestes primeiros nove meses de governo.
Duas delas já seriam consagradoras:
1)  A aprovação de uma previdência complementar para os servidores, quebrando uma resistência de mais de três décadas das entidades representativas do funcionalismo.
2) A aprovação do maior tarifaço já proposto por um governador, desde que voltaram as eleições diretas, em 1982.
Elas foram possíveis por várias circunstâncias.
Primeiro, a postura da mídia, especialmente a RBS, que arquivou o seu discurso radical de que “o contribuinte não tolera mais qualquer aumento de impostos”.
Começou dando aval à tese de que não havia outra saída a não ser o “remédio amargo”, para em seguida dar apoio velado, quase constrangido às vezes, mas sempre decisivo para a aprovação do pacote sartoriano.
Segundo, a postura do governo, que arquivou seu discurso de campanha – da tolerância, da transparência, da discussão, do “diálogo franco e aberto”.
Começou adotando a estratégia do “bode na sala” – atrasando e parcelando o salário do funcionalismo para dramatizar a situação e, com o “auxilio luxuoso” dos formadores de opinião, criar o ambiente para o tarifaço.
O caos em setores vitais para a população, que depende dos serviços públicos de saúde e educação, o medo, a insegurança, a perda de vidas com as greves dos policiais e militares… nada disso entrou na contabilidade do governo e dos apoiadores do seu ajuste fiscal.
Por fim, considere-se o modo como o governo conseguiu suas duas principais vitórias: cercando com tropas o parlamento gaúcho, que foi um dos baluartes pela luta democrática no país e que nem os militares durante o AI-5 ousaram cercar.

Legislativo gaúcho cercada por policiais militares/ Foto Matheus Chaparini
Legislativo gaúcho cercado por policiais militares/ Foto Matheus Chaparini

Para situações limites, soluções drásticas. Mas, para um governador que na campanha se apresentou como um homem do bom senso, da transparência, do diálogo e da franqueza, soam estranhos esses procedimentos.
Quem acreditou no discurso de Sartori candidato deve estar decepcionado. E o pior é que toda essa truculência não resolve minimamente a questão central do desequilíbrio das contas.
E o impacto do tarifaço, que não foi discutido antes e, até agora, não devidamente avaliado, pode ser desastroso num ambiente de recessão nacional como o que temos.
Quero dizer: por enquanto, Sartori venceu, mas pode ser cedo para comemorar.

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