Vizinhos da Cettraliq dizem que mau cheiro acabou

Quem desembarca do ônibus Vila Farrapos na avenida Frederico Mentz, em frente à sede da empresa Cettraliq já não sente no ar o mau cheiro de que reclamava a população de Porto Alegre até alguns meses atrás. Em meados de maio de 2016, o mau cheiro no ar, na região onde fica a empresa, foi motivo de reclamação por parte de quem mora, trabalha e até mesmo por quem passava de carro por ali.
Na última semana a Cettraliq, empresa de tratamento de efluentes industriais, anunciou que havia retirado todos os efluentes de sua planta, na Zona Norte de Porto Alegre. Em agosto, a empresa foi interditada pela Fepam, que alegava “emissão de odores fora dos limites da sua planta.” A Cettraliq se diz injustiçada e se defende afirmando que nada foi provado em relação à origem do cheiro no ar ou do gosto sentido na água pela população entre maio e agosto de 2016.
A direção da empresa reitera que o cheiro pode ser de outra fonte, principalmente  bactérias existentes no lodo do rio ou nos esgotos pluviais. Nesta segunda-feira (9) quando expira o prazo que a justiça havia dado, a empresa apresentará ao juiz um relatório detalhado de todos os paços dados para a a retirada desde agosto, quando paralisou suias atividades até a conclusão da remoção dos efluentes que foram levados para serem tratados em Joinville, Santa Catarina.
A reportagem do JÁ ouviu os moradores das proximidades da empresa. Logo na chegada, o vizinho mais próximo que encontramos foi um funcionário do estacionamento do shopping DC Navegantes, que é separado da Cettraliq apenas por um muro. O funcionário, que preferiu não se identificar, afirma que o cheiro constante que gerava reclamações parou logo que a empresa teve suas atividades suspensas.
Entretanto, ele afirma que eventualmente o cheiro retorna, com menos intensidade. Mas não soube relacionar fatores que influenciem nesse retorno do mau odor. Em relação à causa, preferiu não afirmar: “uns diziam que era do rio, outros, que era da empresa aí do lado.” Uma funcionária de outra empresa próxima deu um relato semelhante e afirmou que, no período em que o cheiro era mais intenso, chegava a ser sentido dentro do edifício, mesmo com as janelas fechadas.
A sede da Cettraliq está localizada no bairro Navegantes, em uma região pouco residencial, com predominância de indústrias. Os vizinhos mais próximos ficam nas ruas aos fundos do DC Navegantes.
Para vizinhos, o cheiro era da empresa

Para Elisabete não restam dúvidas: o cheiro era da Cettraliq
Para Elisabete não restam dúvidas: o cheiro era da Cettraliq

Elisabete Freitas é moradora do bairro Navegantes há 36 anos. Para ela não há dúvida: o cheiro vinha da sede da empresa. “Era um cheiro horrível, parecia de mofo. Quando embargaram a empresa o cheiro parou”, afirma. Segundo Elisabete, durante algum tempo, o cheiro ainda podia ser sentido em alguns momentos, trazido pelo vento. Agora, diz que a situação está normalizada.
Elisabete conversava com outros três vizinhos, em frente a um bar, que aparentava fechado ao público. Todos eles afirmaram que o cheiro vinha da sede da empresa.
O poder público também tem responsabilidade
Para Marcos Vinicius, a responsabilidade deve ser compartilhada com o poder público
Para Marcos Vinicius, a responsabilidade deve ser compartilhada com o poder público

Vizinho de Elisabete, Marcos Vinicius Nascimento mora na rua Beirute, há cerca de 400m da sede da Cettraliq. Para ele também não restam dúvidas da relação entre as atividades da Cettraliq e o cheiro de mofo sentido no ar do bairro Navegantes na metade de 2016. Porém, para ele, a responsabilidade deve ser compartilhada entre a empresa e o poder público. “Se tem órgãos do Estado que tem obrigação de garantir água limpa de qualidade para o povo, eles precisam fiscalizar, se a água é própria ou não. Eu não compro água da Cettraliq, eu compro do Dmae”, afirmou.
Ainda que acredite em uma relação direta entre a Cettraliq e a má qualidade da água, o mau cheiro do ar, Marcos Vinicius discorda da punição sofrida pela empresa. “Fecharam uma empresa, que deve ter 20, 30 funcionários, sem comprovar nada. E a empresa tinha licença”, afirma.

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