“O governo deu o primeiro passo, mas não é o suficiente”, afirmou nesta quarta-feira (30) o engenheiro Walter Lidio Nunes, presidente da Celulose Riograndense, em almoço de final de ano com jornalistas gaúchos.
Seu comentário referia-se ao pacote de medidas proposto pelo governador do Rio Grande do Sul, Estado que na sua avaliação constitui “a expressão mais aguda da crise brasileira”.
Quanto ao Brasil, ele manifestou a convicção de que “as medidas estão muito lentas para a gravidade da crise”. A lentidão do governo reflete o impasse político. Segundo ele, “a sociedade brasileira ainda não sabe o que quer, mas tem certeza de que o modelo atual não serve mais, está vencido”.
Lídio só não manifestou pessimismo em relação ao setor de celulose. “Nós mantivemos a competitividade sistêmica graças à interconectividade com os mercados globais”, disse, prevendo a manutenção das atuais dificuldades econômicas ao longo de 2017. O preço internacional da celulose de fibra curta está no ciclo de baixa – em torno de US$ 500 por tonelada.
Recém-chegado do Chile, onde foi conversar com os donos da Celulose Riograndense, o executivo gaúcho fez uma longa análise das perspectivas de investimentos no setor florestal visando à produção de celulose, papel e produtos da economia verde afinados com a Conferência Mundial do Clima. “Sim, eu tenho um sonho de construir uma planta de celulose na zona sul do Estado”, disse ele, lembrando porém que a Celulose Riograndense está limitada pelo recente parecer da Advocacia Geral da União que manteve a proibição – prevista na antiga Lei de Segurança Nacional, ainda vigente — de compra de terras de fronteira por empresas de capital estrangeiro.
“A terra é um ativo estratégico que precisa ser visto sob a óptica das cadeias produtivas”, disse ele, sugerindo que se crie um “conselho de terras” apto a analisar a pertinência de investimentos estrangeiros que comecem pela compra de áreas fronteiriças e cheguem à implantação de indústrias intensivas em capital, como é o caso da celulose. “Em vez de manter a porta fechada, por que não se instalar um olho mágico na porta?”, perguntou, argumentando que o Brasil e o Rio Grande do Sul possuem poucas florestas plantadas em relação à crescente demanda por produtos de origem florestal. Por exemplo, pellets: há vários projetos em discussão no país, inclusive no Rio Grande do Sul, visando atender a Europa, que está abandonando o consumo do carvão, mas a burocracia não deixa as coisas fluírem.
Outra novidade energética: as biorefinarias de processamento de madeira estão ficando maduras para produzir, mas o Brasil continua imerso numa “irracionalidade tributária absurda”. Walter Lidio afirma que o governo brasileiro é um “sócio maldoso” das empresas, pois começa tributando antes que elas produzam, minando as vantagens comparativas internacionais do país. “O Brasil é 19 vezes mais caro do que o Uruguai na hora de iniciar um negócio”, disse.
Em resposta a um questionamento do JÁ, Lidio disse que “a renúncia fiscal praticada pelos governos estaduais para atrair investimentos é a contrapartida à pesada carga tributária”. Mas reconheceu que falta visibilidade a essas operações pois o contribuinte tem o direito de saber como estão sendo aplicados esses recursos que resultam de isenções fiscais. “Sou a favor de total transparência nesses programas”.
Walter Lídio: “O RS é a expressão mais aguda da crise brasileira”
Escrito por
em
Adquira nossas publicações
texto asjjsa akskalsa

Deixe um comentário