Autor: Geraldo Hasse

  • Tertúlia de Fischer abre janela para a música do Sul

    Um dos últimos eventos do 24º Porto Alegre em Cena, o inusitado show “Discutindo a Relação: Música e Literatura” poderia talvez atrair público maior, caso tivesse sido programado para uma data mais favorável aos militantes da arte e da cultura. No sábado, 23/09, à noite, ocupou apenas a metade do auditório (120 lugares) do Instituto Goethe, no Bairro Moinhos de Vento. Uma pena.
    Escudado pelo flautista Ayres Potthoff e o violonista Mathias Pinto, ambos professores de música e habitués de saraus na capital gaúcha, o professor de literatura Luís Augusto Fischer iniciou e terminou suas falas admitindo que não sabia exatamente como definir o evento classificado como “espetáculo local” no índice do catálogo do Porto Alegre em Cena de 2017.
    Foi uma tertúlia, sem dúvida, em que Fischer, Pinto e Potthoff usaram como iscas textos de Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Olavo Bilac, Rui Barbosa e João do Rio; e canções de Anacleto Medeiros, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Carlos Gomes, Joaquim Callado e Pixinguinha – todos autores que viveram no Rio de Janeiro entre o final do século XIX e o início do século XX.
    A ideia subjacente a esse passeio lítero-musical era tentar captar os momentos em que os gêneros literários (conto, romance, crônica) e musicais (polca, maxixe, lundu, modinha, valsa, tango, chorinho) se cruzaram na história brasileira, gerando as raízes do que se conhece hoje por MPB – música popular brasileira.
    Segundo o consenso resultante dos depoimentos dos três componentes do Discutindo a Relação, a MPB começou a tomar forma a partir do maxixe ‘Corta Jaca’ de Chiquinha Gonzaga, da polca ‘Ameno Resedá’ de Ernesto Nazareth e do chorinho ‘Carinhoso’ de Pinxinguinha – o primeiro de 1893, o último de 1917.
    Com duração de 80 minutos, a tertúlia de Fischer, Potthoff e Mathias restringiu-se a personagens atuantes no Rio de Janeiro, reforçando a lenda de que a MPB teve origem na ex-capital do Brasil, de onde teria sido difundida, por partituras, para o resto do país, que depois passaria a receber a influência carioca via rádio, disco e TV.
    Em seus comentários finais, Fischer abriu uma janela lateral ao citar o gaúcho João Simões Lopes Neto, que nos idos de 1913, sob o pseudônimo de João do Sul, andou escrevendo crônicas populares sobre praticantes de serenatas em Pelotas, uma das cidades do interior que possuíam conservatórios, bandas e orquestras, sem falar dos músicos de botecos, de bailes e de serestas que tocavam de tudo.
    Por aí se vê que a percepção do fenômeno carioca como meca cultural corresponde a um estereótipo provinciano que mereceria ser discutido por outros musicólogos atuantes como o radialista, músico e professor Arthur de Farias, autor de uma excelente história da música em Porto Alegre. A música regional gaúcha, por exemplo, é um farto filão a ser explorado.
    Não cabem dúvidas de que as tertúlias coordenadas por Fischer podem render bons espetáculos e até tornar-se programa de rádio ou TV, saciando a fome de conhecimento de um público perdido em rodas de música contaminadas pelo jabá, conforme conta Katia Suman num dos capítulos de O Alcance da Canção (Editora Arquipélago, 392 páginas, 2106), livro organizado por Luís Augusto Fischer e Carlos Augusto Bonifácio Leite.

  • A doença da intolerância

    GERALDO HASSE
    Um senhor com ar cansado e barba por fazer não para de falar enquanto assiste a um jogo de futebol na TV do bar da esquina. Sem que ninguém lhe perguntasse, bate as palmas da mão na mesa e proclama: “Eu só odeio duas coisas na vida: o Grêmio e o PT”.
    Depois, numa confidência claudicante, admite que os dois ódios – o futebolístico e o político-partidário – lhe foram inculcados pelo pai, dirigente empresarial já falecido que lhe deixou por herança um negócio sem futuro – motivo aparente de seu recurso visceral ao álcool.
    Estava exposta ali, sem disfarces, na cara sinistra de um velho rancoroso, a intolerância gerada pela ignorância, a falta de cultura e o ódio de classe. O que fazer se a burrice é um mal endêmico contra o qual, aparentemente, não há remédio ou vacina?
    Não se discute com um bêbado porque é perda de tempo; não se contesta um velho porque é arriscado ponderar algo diante de alguém contaminado por uma raiva sem razão.
    A intolerância é uma espécie de doença psíquica que leva o paciente ao recurso degradante dos maus instintos.
    O consumo de drogas triviais como a cerveja mascara a doença, que pode até ficar hilária ou virar motivo de chacota, mas agrava seu aspecto moral.
    Os intolerantes contaminam os ambientes com suas feições distorcidas pelo sofrimento a que se submetem na ilusão de que têm mais direitos do que os outros.
    A cara assustadora da intolerância está estampada no rosto dos que temem perder vantagens e privilégios.
    A intolerância está presente nas manifestações de políticos que se julgam representantes do lado certo da história e não sabem dialogar com os outros lados.
    A intolerância se manifesta também na arrogância dos representantes da cúpula do Agro que não admitem ceder direitos aos índios, aos sem terra e a todos que combatem a revanche escravista.
    A intolerância está no exibicionismo de torcedores de futebol que saem às ruas e vão aos estádios com bandeiras para proclamar o não-direito dos adversários.
    A intolerância está explícita nas manifestações dos militares que não se conformam com a exibição da prepotência dos políticos no exercício de suas prerrogativas e dos empresários na manipulação escandalosa dos recursos econômicos.
    A intolerância está nos que legislam contra os pobres e a favor dos ricos.
    A intolerância está na pregação dos pastores-ladrões que se aproveitam da fé dos humildes para transformá-los em rebanhos dóceis e facilmente exploráveis.
    A intolerância está no racismo.
    A intolerância está no machismo renitente.
    A intolerância está no feminismo rancoroso.
    A intolerância está em não reconhecer o outro, sua existência, suas ideias, opiniões e valores.
    LEMBRETE DE OCASIÃO
    “Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, terreiros de umbanda estão sendo queimados por fanáticos religiosos” – Emir Silva, coordenador do Movimento Negro Unificado, no dia 19/09/2017, em Porto Alegre
     

  • Revista da FEE promove Magliani, “marginal das artes plásticas”

    A Fundação de Economia e Estatística (FEE), que resiste à extinção oficial decretada pelo governador José Ivo Sartori, lançou nesta terça-feira no Museu de Artes do Rio Grande do Sul (MARGS) a edição de 2017 da RS em Números, revista de 52 páginas com dados consolidados sobre a economia e outros setores da vida gaúcha.
    Na capa e em algumas páginas internas destacam-se obras representativas do trabalho da artista plástica Maria Lida Magliani (1946-2012), a primeira negra formada na Escola de Belas Artes da UFRGS, onde teve como mestre o paulista Ado Malagoli.
    Nascida em Pelotas, Magliani era criança quando se mudou para Porto Alegre. Como estudante e trabalhadora das artes, engajou-se na militância pela inclusão social dos negros, produzindo uma arte agressiva que jamais alcançou viabilidade comercial.
    Assim mesmo conquistou espaço em galerias públicas e obteve prêmios em exposições nacionais. Em 1987, aos 40 anos, expôs no MARGS; no catálogo da mostra, a artista se deixa fotografar diante de um quadro; título da foto “Auto-retrato dentro da jaula”.
    Além de lutar para expor e vender seus quadros, Magliani sobreviveu fazendo trabalhos artísticos para peças de teatro, jornais e livros. Um dos seus trabalhos mais marcantes foi ilustrar o livro “Inventário do Irremediável”, de Caio Abreu.
    Presente no evento de lançamento da revista RS em Números, o coordenador nacional de formação política do Movimento Negro Unificado (MNU), Emir Silva, que atua no Rio, lembrou que o Brasil, mesmo sendo o segundo maior país negro do mundo (o maior é a Nigéria), com mais de 100 milhões de afrodescendentes, “ainda não entendeu as relações racistas que permanecem”.
    Magliani morreu há cinco anos no Rio de Janeiro. No próximo dia 30, será inaugurada uma rua, no bairro Campo Novo, em Porto Alegre, com o nome dela, por proposição da vereadora Mônica Leal. Até agora, a rua é conhecida como “5005”.

  • Fora, vivandeiras impenitentes

    Geraldo Hasse
    “Estamos num sistema tecnicamente caótico no qual a cadeia de delações de crimes junto à Polícia Federal expôs as entranhas de todas as instituições, que interagem entre si como variáveis aleatórias, com controle de ninguém, e criando fatos novos a cada dia“, escreveu dias atrás o economista/jornalista J. Carlos de Assis a propósito da avalanche de acusações e denúncias no âmbito da Operação Lava Jato, desfechada há 3,5 anos para investigar lances de corrupção no governo.
    A suposição inicial dos responsáveis pelas investigações da Operação Lava jato era de que os malfeitos haviam começado nos governos do PT, a partir de 2003. Aos poucos tem ficado claro que o fenômeno é bem mais antigo e envolve outros partidos, especialmente o PMDB, que se estabeleceu no poder em 1985 e daí em diante se manteve no governo mediante alianças de todo tipo.
    A última e escandalosa evidência da roubalheira surgiu às vésperas do feriado da Independência, quando a Polícia Federal descobriu num esconderijo urbano em Salvador um total de R$ 51 milhões em dinheiro vivo guardado em caixas e malas.
    O dinheiro seria de Geddel Vieira Lima, ex-ministro do vice-presidente em exercício Michel Temer. Anteriormente, ele fora diretor da Caixa Econômica no governo Dilma Rousseff. E bem antes, como deputado federal, fez parte do grupo conhecido como “Anões do Orçamento”, uma malta parlamentar especializada em manipular verbas federais por meio de emendas ao Orçamento Nacional.
    Evidentemente, o baiano Geddel é um aprendiz desastrado entre especialistas na apropriação indébita de dinheiro público, prática justificada, em muitos casos, pela alegação de que é preciso fazer caixa para financiar as campanhas eleitorais, marcos sagrados do exercício da democracia.
    Falta esclarecer se Geddel é um tesoureiro pego em flagrante delito ou se ele seria apenas o guardião de uma parte do tesouro do PMDB. Espera-se que tudo seja esclarecido antes das eleições de outubro de 2018, esta sim, uma verdadeira operação lava-jato…
    Se as propinas empresariais rolassem apenas para custear atividades partidárias, talvez se pudesse perdoar os políticos. Mas são cada vez maiores as evidências de que as campanhas eleitorais têm sido usadas como instrumento de enriquecimento pessoal de praticamente todos os participantes da cadeia produtiva de mandatários do povo. Uma podridão generalizada que liga o mundo político ao universo empresarial. Como desmontar essa máquina de corrupção que trabalha para manter a desigualdade social?
    A situação chegou a tal ponto que pessoas de grande prestígio intelectual como o historiador Moniz Bandeira, que foi companheiro de Leonel Brizola no exílio, estão pedindo a intervenção das Forças Armadas nas instituições de governo. Como assim?! A que preço?!
    Seria bom que o processo de corrupção fosse estancado, mas é ilusão acreditar que os militares poderiam agir sem risco de contaminação e envolvimento com as quadrilhas do Mal.
    As corporações militares agem estritamente dentro dos regulamentos, mas as cúpulas se deixam influenciar por interesses alheios ao seu controle e por manobras imprevisíveis. Vimos esse filme em 1964, quando o golpe militar apoiado pelas elites econômicas, pela classe média e pelos EUA se perdeu em perseguições interesseiras. Quando a ditadura acabou, em 1985, havia 9 mil oficiais superiores das Forças Armadas instalados em órgãos do governo, onde haviam ingressado a título de “vigilância” e “saneamento”.
    Apenas como exercício de imaginação, caberia perguntar se a intervenção militar se daria apenas no Executivo ou incluiria o Legislativo? Deixando o Judiciário fora?! E o que fazer com os governos estaduais acumpliciados com a corrupção? E as ramificações municipais das falcatruas?
    Ainda no âmbito das suposições, cabe perguntar se no novo golpe militar seria usado como referência o método de 1964, quando foram abertos milhares de inquéritos para investigar a corrupção e, na sequência, a subversão política, que serviria como pretexto para a escalada persecutória que descambou para violações dos direitos humanos só comparáveis às do Estado Novo. Seriam os novos IPMs mais eficientes e isentos do que os métodos atualmente usados pela Polícia Federal a pedido do Ministério Público, da Procuradoria Geral da República e de outras instâncias do Judiciário?
    Não se pode duvidar de que é errado destruir a democracia a pretexto de consertar os defeitos do sistema democrático.
    LEMBRETE DE OCASIÃO  
    “Sinto-me no dever de também alertar-vos, nesta hora, e, por vosso intermédio, aos mais jovens (…) contra as mesmas e eternas manobras dos pescadores de águas turvas e ambiciosos vulgares, os quais já começam a rondar os quartéis como vivandeiras impenitentes (…) buscando, aqui e ali, despertar aspirações e estimular ambições, dessa forma espalhando a cizânia, a desconfiança, a discórdia, capazes de enfraquecer, pela desunião que propagam, a estrutura militar”.
     
    General Ernesto Geisel, presidente da República, em 22/12/1976, falando aos colegas de farda em recepção no Rio de Janeiro, repetindo palavras do marechal Castelo Branco, o primeiro militar a ocupar a presidência em 1964

  • A Expointer e o mito do oeste

    Geraldo Hasse

    Economistas começam a dizer que a recessão econômica chegou ao fundo do poço e que, na realidade, já teve início a retomada do crescimento, só não se sabe quando vão se juntar todos os fatores que alimentam positivamente a dinâmica da economia.
    Não se deve esquecer que nem sempre os tais fatores se coadunam. Há momentos em que uns empurram pra frente e outros puxam para trás. Faz parte da dialética da História.
    Entrementes, há um setor da economia que passou incólume pela recessão e, segundo a voz geral dos comentaristas de plantão, ajudou a atenuar a crise em que o Brasil mergulhou a partir de 2013/14, como reflexo do tsunami financeiro global de setembro de 2008.
    É a agricultura, hoje chamada de “agronegócio”, expressão que prioriza apenas o aspecto financeiro de uma atividade que tem dimensões ecológicas e socioculturais.
    Seja como for, na safra 2016/2017, recém-concluída, o IBGE registrou um crescimento de 30% no volume de produção, quando comparado com o período 2015/2016.
    Extraordinário! “Nunca antes neste país…”, diria Lula, se ainda estivesse no timão da nau brasileira. Tamanho sucesso tem dois lados. Nem todo mundo saiu ganhando com a megassafra.
    Não há uma contabilidade visível, mas é certo que o crescimento dos valores não acompanhou o dos volumes físicos, pois a maioria dos preços caiu, como é normal durante as grandes safras.
    Pode-se até argumentar que os produtores estão chorando de barriga cheia, mas muitos andam gritando que os bolsos não se encheram, ou que ficaram só pela metade, ou que estão furados.
    Entidades de representação dos agricultores como a Farsul estão alertando para o problema do endividamento rural, o que prenuncia desde um tratoraço como em 1995 (sob o governo FHC) até mais uma rolagem das dívidas, como ocorre periodicamente no país.
    Quanto a esse vaivém das safras e dos ganhos dos agricultores, cabe registrar aqui o extraordinário papel das migrações que desde sempre estiveram por trás de fazendas, lavouras e cidades do Brasil.
    É uma história que tem muito a ver com a 40ª Expointer (de 26/8 a 3/9), no parque de Esteio, onde estão presentes os sustentáculos das roças modernas: os trabalhadores, os produtores familiares, os empresários de médio e grande porte, os fabricantes de máquinas, os pesquisadores e os financiadores das atividades agropecuárias.
    Muitos deles já participaram de aventuras migratórias para outros estados ou têm amigos e parentes nas novas fronteiras agrícolas, que continuam sendo abertas no Centro-Oeste, no Nordeste e na Amazônia.
    Quem quer que visite a Expointer percebe o orgulho dos que se dedicam às lidas rurais, mesmo que tenham residência nas cidades. A raiz agrícola está viva em boa parte dos habitantes do Brasil.
    Se brasileiro é todo aquele que chegou ao litoral atlântico da América do Sul depois de 1500 e ficou neste imenso território, pode-se dizer que há cinco séculos os habitantes deste país não fazem outra coisa senão avançar para ocupar as terras do oeste.
    Quinhentos anos depois a aventura continua, agora contando com instrumentos ultramodernos e máquinas muito especiais.
    Recapitulando: a barreira da Serra do Mar levou 50 anos para ser vencida. A partir da vila de São Paulo, fundada em 1554 no planalto de Piratininga, tentou-se sistematicamente a conquista do oeste brasileiro por caminhos terrestres e fluviais.
    Na busca de ouro e pedras preciosas os bandeirantes percorreram vastos territórios, mas não os ocuparam realmente. Para apoiar o garimpo e a mineração, construíram-se vilas e cidades nos sertões inóspitos. E assim se passaram 300 anos.
    A ocupação efetiva mediante a construção de casas, currais e lavouras aconteceu somente a partir de 1800, quando acabou a febre do ouro. O processo de colonização foi lento, executado pela pata do boi e as tropas de burros. Acelerou-se com as ferrovias no final do século XIX e primeiras décadas do século XX. Mas só se intensificou mesmo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) graças à abertura de estradas e ao uso de caminhões e tratores.
    Os colonizadores modernos contam hoje com máquinas orientadas por satélites artificiais, mas a conquista definitiva ainda está por se fazer.
    Pode parecer exagero dizer que a pedra fundamental da colonização do oeste brasileiro foi lançada em três momentos que marcam a construção de três cidades planejadas: Belo Horizonte em 1897, Goiânia em 1933 e Brasília, inaugurada em 1960, mas não estamos longe da verdade histórico-geográfica.
    A essas três capitais se poderiam acrescentar Campo Grande, transformada em capital do Mato Grosso do Sul em 1978; e Palmas, capital do Tocantins, desmembrado de Goiás em 1988.
    Resumindo: enquanto a costa atlântica está apinhada de gente, no miolo do Brasil ainda se abrem novos caminhos, iniciam-se novas lavouras e inauguram-se novas cidades – tudo numa velocidade sem precedentes na história da humanidade.
    Uma das atividades mais primitivas dos seres humanos, a derrubada de matas para a implantação de lavouras, é documentada via satélite por organismos internacionais. Os protestos dos ambientalistas são produzidos e acompanhados via internet.
    Os brasileiros, financiados por consumidores de outros países, são os protagonistas centrais de uma das últimas e decisivas aventuras humanas na conquista de espaço para sobreviver e produzir alimentos, especialmente a soja, leguminosa que está fazendo pela agricultura nacional o mesmo que fizeram, em outros ciclos históricos, o café e a cana-de-açúcar. E ainda tem chão para essas e outras culturas agrícolas.
    Fora a Amazônia, considerado o último pulmão verde da Terra, o Cerrado é a maior reserva de terras agricultáveis do planeta. No norte e no centro do Brasil se encontram esses dois imensos ecossistemas que guardam as maiores reservas de água doce da Terra. Manejando o fogo, tratores, sementes transgênicas, computadores e satélites, joga-se no Cerrado o futuro de uma parcela considerável da humanidade.
    Nessa aventura sobre a última grande fronteira virgem da Terra, os brasileiros se apossam não apenas do oeste geográfico, mas de todo um oeste mítico. Para o bem e para o mal, a conquista do oeste é uma metáfora poderosa em todo o continente americano. Nela cabe inteirinha a lenda do eldorado e sobra espaço para a construção de um país sem igual.
     
  • A FEE está viva

    GERALDO HASSE
    Ontem à tarde, como de costume nos últimos anos em Porto Alegre, fui ouvir quatro palestras de economistas da FEE, a fundação gaúcha “extinta” pelo governador Sartori com aval da Assembléia. “Extinta” e luminosamente ativa, isso sim.
    Como resumiu orgulhosamente a economista Cecilia Hoff, estava na mesa do auditório lotado “o sangue novo” dando um show de bola sobre o RS no contexto da crise.
    Impressionante o depoimento de Tomás Fiori, que falou sobre a crise do federalismo brasileiro. Liderau Marques Jr. defendeu a disciplina fiscal como a única saída. Jefferson Colombo mostrou que o fundo do poço foi alcançado, falta confirmar-se a retomada.
    Na fila do gargarejo, destacavam-se alguns cidadãos grisalhos — a “prata da casa”, a velha guarda que fez da FEE uma trincheira da inteligência gaúcha. Eles se declararam orgulhosos dos seus “herdeiros” na Casa da Duque de Caxias 1691.
    Falando por último, Claudio Accurso, o decano dos economistas do RS, resumiu o sentimento reinante com um depoimento que há de ressoar na História: “Perguntei ao Sartori por que ele extinguiu as fundações. Ele não soube explicar. Fiquei com pena dele. Com pena e com raiva. Pobre homem. O Palácio Piratini é um deserto”. (do Facebook)

  • A volta sem-vergonha do capitalismo selvagem

    Geraldo Hasse

    Aprovada às pressas, a reforma trabalhista favorece o mundo empresarial e vai precarizar dramaticamente a vida dos trabalhadores.
    As contradições entre o novo e o antigo regime vão desaguar na Justiça do Trabalho, formada por uma maioria de juízes inclinados a garantir o lado mais fraco da relação trabalho-capital.
    Nesse aspecto, levando em consideração o pensamento dominante no Congresso Nacional, faz total sentido a declaração de um deputado antitrabalhista que disse na maior cara de pau: “Feita a reforma, agora é preciso acabar com a Justiça do Trabalho”.
    No entanto, se a Justiça do Trabalho for desmantelada, será dado o passo final para instalar o caos na economia e em diversos setores da vida nacional.
    A precarização das relações de trabalho vai escancarar a porteira para a ação de aventureiros internacionais adeptos do capitalismo selvagem.
    Basta lembrar que o recente boom econômico da China foi iniciado por capitais norte-americanos e europeus que buscaram o grande país asiático para desfrutar do baixo custo de sua mão-de-obra.
    Passadas duas décadas, porém, os salários melhoraram na China. Estariam os aventureiros procurando novos territórios de operação? É possível que o Brasil seja a bola da vez, no aspecto trabalhista.
    Na realidade, há indícios concretos de que o capital internacional quer fazer do Brasil uma plataforma rentável de produção global.
    Com a ajuda de brasileiros dispostos a servir como capachos (“testas de ferro”, segundo o jargão de 50 anos atrás), os EUA e a União Europeia estão conspirando mais ou menos abertamente para reduzir o índice de conteúdo nacional de equipamentos brasileiros de prospecção de petróleo, que se tornaram o filé da indústria nativa desde a descoberta de petróleo na camada pré-sal da plataforma continental, em 2006.
    Ao analisar as plataformas de petróleo construídas em estaleiros nacionais em anos recentes, os advogados do diabo alegam que o custo brasil é muito alto e a qualidade da mão-de-obra, muito baixa.
    Em outras palavras, querem nos fazer crer que o país não tem futuro senão como colônia. É a segunda vez que se desmantela a indústria naval brasileira.
    Na primeira arrancada, ela durou cerca de 20 anos — da década de 1950 aos anos 70. Agora, a retomada dos estaleiros durou o tempo dos governos petistas — pouco mais de uma década.
    Não se sabe até onde vai essa onda reacionária no plano trabalhista, mas trata-se de um retrocesso que faz o Brasil retornar a antes de 1932, quando Getulio Vargas iniciou a regulamentação do trabalho e da previdência social.
    A reforma das leis trabalhistas do governo Temer deixou intacta a Justiça do Trabalho, que deverá se tornar alvo de uma grande ofensiva conservadora para desfazer direitos consagrados e favorecer a implantação de novas formas de relações de trabalho, como está acontecendo com a multinacional Uber e seus motoristas.
    Onde caberia um novo pacto social modernizador, foi imposto goela abaixo das centrais sindicais dos trabalhadores um regramento que vai favorecer a parte mais forte da relação capital-trabalho.
    No mínimo, o resultado será um boom de ações trabalhistas. No limite, como escreveu o jornalista Luis Nassif, “a reconquista dos direitos perdidos trará de volta as grandes batalhas campais dos primórdios do capitalismo.”
  • Rolando Boldrin, um brasileiro sem máscara

    Ao completar 80 anos, Rolando Boldrin, um caipira ilustrado, liberou sua biografia escrita por Willian Correa e Ricardo Taira, jornalistas da TV Cultura de São Paulo. O livro é editado pela Contexto.

    A história é muito boa, tipicamente brasileira: conta como o auxiliar de sapateiro de São Joaquim da Barra (SP) se tornou ator, compositor e cantor na cidade de São Paulo, onde chegou em 1958, aos 22 anos de idade.
    Desde criança, quando formou uma dupla caipira (Boy e Formiga) com o irmão mais velho, Rolando Boldrin sonhava ser ator na pioneira TV Tupi, fundada em setembro de 1950 em São Paulo. Pois o cara chegou lá, foi entrando pelas beiradas, fez uma ponta aqui, outra ali, e de repente estava trabalhando como coadjuvante ao lado de atrizes como Irene Ravache e Rosamaria Murtinho.
    No filme Doramundo, dirigido por João Batista Andrade com base em livro de Geraldo Ferraz, fez um marcante maquinista de trem que tinha por rival o galã Antonio Fagundes.
    Entrevistado pelo Roda Viva, da TV Cultura, Boldrin, a cavaleiro em sua imensa experiência musical, esclareceu algo que pouca gente percebe na atual barafunda cultural brasileira, onde os interesses comerciais são mais fortes do que melodias e ritmos nativos.
    “No meu programa, não deixo usar chapéu de caubói americano”, disse ele. Por que? Porque o chapéu de cow boy é da cultura country americana. E também a camisa listrada, a calça jeans e a botinha de salto. Não é birra gratuita contra o império americano, apenas coerência de um brasileiro disposto a valorizar as coisas autênticas deste país.
    Afinal, o programa se chama Sr. Brasil. Boldrin sabe como se misturam as coisas, manipulando símbolos e conceitos.
    Segundo Boldrin, a antiga música caipira, de origem rural, foi transformada em “sertaneja” por interesse comercial.
    Sertaneja autêntica é a música do sertão nordestino, afirma ele, sem qualquer empostação intelectual.
    Por sua vida e obra, Boldrin é uma expressão do Brasil caboclo que sobrevive nas zonas rurais, nos arrabaldes das grandes cidades e nas pequenas comunidades do interior.
    Seu programa na TV Cultura, Sr. Brasil, apresentado todo domingo às 10 horas, tira do desvio inúmeros artistas sem espaço nos canais comerciais de rádio e TV.
    Não é à toa que cantores e compositores reverenciam Boldrin como uma espécie de padrinho da autêntica música brasileira, o que abrange o baião, o bugio, a catira, o chote, o congo, a guarânia, a milonga, o maçambique, a moda de viola, o pagode, a rancheira, a valsa, o xaxado, o vanerão e as diversas variantes do samba.
    Sim, o samba: surpreendentemente, em seu depoimento à Roda Viva, Boldrin revelou gostar de samba de Moreira da Silva, Germano Matias e Adoniran Barbosa.
    Sem pose de professor, Boldrin é um brasileiro como Paulinho da Viola, Elomar Figueira de Mello, Geraldo Azevedo, Nelson Coelho de Castro, Renato Teixeira e outros representantes de uma cultura massacrada pelos interesses da indústria cultural, serva do showbiz americano e afins.
    LEMBRETE DE OCASIÃO
    “…repetindo os esquemas senhoriais anciães, em umas zonas mais que em outras, o interesse privado dos ‘coronéis’ ou poderosos locais se sobrepõe ao desenvolvimento dos interesses públicos, gerando formas regionalizadas de despotismo, a impossibilitar, entre outras coisas, a ‘democracia cultural’. Todavia, parafraseando Zunthor, a cultura popular é amacetada, mas impossível de se extirpar, pela acusação de heresia religiosa ou paganismo estético.”
    Romildo Sant’Anna – A MODA É VIOLA – Ensaio de Cantar Caipira, Arte & Ciência/Unimar, 395 p., 2000
  • A carrapatolândia é aqui

    Vejam só o que a vida nos ensina em mais um inverno de nossas existências: à temperatura de 15ºC ou menos, os carrapatos ficam inativos. Hibernam, como fazem diversos seres vivos deste planeta sui generis.
    Mas isso só ocorre com os carrapatos bovinos, cujo nome científico  tem algo de nobre: Rhipicephalus (Boophilus) microplus.
    Já os carrapatos do poder da república, com nomes bastante triviais, não descansam em nenhuma das estações do ano.
    Os carrapatos bovinos param no frio mas não desistem. Mal finda o inverno, em setembro, já  atacam novamente, depois de uma temporada no solo, onde as carrapatas depositam seus ovos, após cair, repletas de sangue, do couro dos bovinos, onde ficam sugando por cerca de 21 dias.
    Cada fêmea põe até 3 mil ovos por postura. É aí que está o perigo.
    Dá-se então o seguinte, contam os veterinários: quando estão do tamanho da cabeça de um alfinete, as larvas dos carrapatos sobem do chão para a ponta dos capins e arbustos do campo, onde ficam esperando carona de um quatro patas.
    Conseguindo embarcar, logo se instalam no couro (gostam muito do pescoço) e vão sugando até completar o ciclo de crescimento — 21 dias, durante os quais os carrapatos fecundam as fêmeas e todos vão parar no chão, redondamente nutridos pelo sangue da boiada.
    A cada estação surge uma nova geração de carrapatos.
    Da primavera ao outono, passando pelo verão, os carrapatos enfraquecem o gado e causam prejuízos de bilhões em carne e leite que deixam de ser produzidos (pesquisadores do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais andaram fazendo umas contas e concluíram que o carrapato provoca um prejuízo anual de cerca de 3 bilhões de dólares na produção de carne e de 1 bilhão de dólares na produção de leite). Talvez seja o caso de aplicar um lava-jato na carrapatolândia.
    Além disso, os carrapatos transmitem a tristeza parasitária bovina, uma doença que aniquila os animais, caso não seja tratada logo que se apresenta. Para a chamada TPB não tem vacina.
    Na Embrapa estão tentando descobrir uma, mas por enquanto nada. O carrapato existe em todo o país, mas é no Rio Grande do Sul que ele causa mais dor de cabeça. Não no inverno, mas nas outras estações do ano.
    Voltemos ao solo onde são depositados os ovos. Se não arranjam um hospedeiro, os carrapatinhos-cabeça-de-alfinete morrem em dois, três meses. Mas há quem diga que eles podem durar até três anos no solo.
    Por isso a estratégia dos fazendeiros é impedir que os carrapatinhos se agarrem aos seus animais. Uma das saídas é roçar os campos. Outra, implantar lavouras de arroz, milho, trigo ou soja. Em campo com lavoura, os carrapatos não têm vida fácil.
    Por fim há uma saída genética que vem sendo praticada nas últimas décadas: azebuar os rebanhos. Como? Fazendo cruzamentos entre gado europeu (angus, hereford, devon, Jersey, holandês) com o asiático (nelore, gir). Isso porque o gado zebu, trazido da Índia há 100 anos, possui certa resistência ao carrapato. Resistência, não imunidade.
    O prezado leitor já deve ter notado como é vistoso o couro de um nelore. Brilha ao sol. Numa sala, é tapete esplêndido. Pois esse lindo animal branquelo, que tem o corpo adornado por um cupim e uma barbela, possui certa aptidão para beliscar-se de dentro para fora. Ele contrai o couro no ponto onde o parasita tenta se instalar. É o que os economistas e afins chamariam de “vantagem comparativa” do zebu.
    Já um angus ou um hereford, ambos de origem inglesa, são menos eficientes no tal movimento epidérmico de repelir os insetos.
    Além disso, são peludos, o que facilita a vida do carrapato, que pertence à espécie dos ácaros, criaturinhas especializadas em viver grudadas nos seus hospedeiros, sejam animais ou vegetais. “Pragas”, diria alguém com baixa cultura ecológica. Baixaria semelhante comete quem diz que certas plantas invasoras das lavouras são “ervas daninhas”, algumas das quais produzem chás milagrosos para os animais humanos.
    Pode ser também que os animais de raças europeias tenham um sangue mais apetitoso para os carrapatos. Talvez algum dia se descubra porque os ácaros sugadores de sangue se dão melhor no gado europeu do que no asiático.
    Carne por carne, o zebu não tem o maior atributo do gado europeu: o “marmoreio” tão apreciado pelos paladares mais exigentes. (O neologismo aspeado na frase anterior foi presumivelmente inventado por alguém diante de uma chuleta que continha uma picante mescla de gordura e carne, daí lembrar certos aspectos do mármore).
    Pois a verdade é que hoje em dia há no Brasil milhares de fazendeiros praticando o chamado cruzamento industrial, ou seja, cruzam animais taurinos e zebuínos, obtendo híbridos de carnes mais macias e com maior resistência ao carrapato Boophilus (“amigo do boi” em latim).
    Digamos então que o pessoal da pecuária está fazendo uma ponte genética que liga Bagé a Uberaba mas alcança também Campo Grande e Paragominas. Os mais abonados conseguem esticar essa ponte até o Texas, onde surgiu o brangus, variedade bovina resultante do cruzamento do angus europeu com o brahman asiático.
    Claro que o Brasil não fica atrás nesse item. Para fins leiteiros, foi criada aqui a variedade girolando, cruzo do indiano gir com a raça holandesa, que deu ao mundo a Mercedes-Benz do leite (poderíamos dizer que a raça jersey inglesa é o Volks do mundo lácteo). Já para fins de carne, temos o braford (brahman + hereford) e outros como o tabapuã.
    Onde se vai chegar com isso ninguém sabe, mas não foi à toa que o Brasil se tornou um grande exportador de carnes bovinas. A diversidade de ambientes é um dos trunfos da agricultura brasileira. Falta tomar cuidado com os ácaros-vampiros.
    Como os ratos, os pernilongos, as baratas e as formigas, os carrapatos sobrevivem aos venenos formulados para eliminá-los. Há cepas de carrapatos que desenvolveram resistência aos carrapaticidas. Um problemão semelhante ao criado pelos vírus da gripe e as bactérias de diversas infecções.
    LEMBRETE DE OCASIÃO
    “O problema da criação vacum não é produzir uma rês grande nem bonita, segundo o gosto variável de cada um; é transformar pasto e água em ouro; portanto, melhor raça é aquela que na mesma área de terreno deixar maior saldo líquido.”
    J.F. de Assis Brasil (1857-1938), fazendeiro, diplomata e político nativo do pampa gaúcho que implantou no Rio Grande as raças bovinas inglesas devon e jersey
  • Convergência social e democrática

    É preciso resistir aos retrogovernos que trabalham contra a ordem e o progresso.
    Se ganhasse na megassena, eu contrataria Aldyr Blanc, Arnaldo Antunes, Caetano Velloso, Chico Buarque, Chico Cesar, Elomar, Jorge Ben, Gilberto Gil, Moraes Moreira, Nei Lisboa, Nelson Coelho de Castro, Renato Teixeira, Rita Lee, Rolando Boldrin, Zé Ramalho e os irmãos Ramil para um show-desabafo inspirado na atual situação política brasileira.
    Além do cachê, eles poderiam escolher parceiros(as), teriam comidas e bebidas à vontade, disporiam de massagistas e terapeutas, e poderiam recorrer a um plantel de arranjadores para incrementar o espetáculo, que seria documentado desde o primeiro encontro até a despedida final, quando o público poderia levar para casa o CD, o DVD, o book e outros souvenirs.
    Com essa suprema convergência artística, provaríamos que o Brasil tem talento para não precisar se sujeitar ao triunfo das nulidades, como vem acontecendo. Eu, por exemplo, não tenho mais palavras ou rimas para narrar o que vem se passando.
    Sai Dilma, entra Temer e as coisas pioram. Cai Cunha, sobe Maia e segue tudo igual.
    Um dia é Aécio, no outro Joesley. A fraude prevalece, domina e impera.
    No fundo ninguém presta. Nove entre dez brasileiros estão de saco cheio, querem Temer fora do Palácio.
    Será que no Brasil não tem gente boa? Até parece que só os maus são eleitos.
    Dizendo-se republicanos e democráticos, os pigmeus do bulevar (como já escreveu Chico Buarque) trabalham à luz do dia (e na calada da noite) para fazer o país retroceder socialmente à época anterior à Lei Áurea.
    O comportamento dos ocupantes dos três poderes do Planalto lembra um baile suspeito cuja senha de acesso é Delenda Lula#PT Nunca Mais. É uma festa só para coniventes. Descontentes e dissidentes não entram.
    Dançando a valsa do entreguismo, os frequentadores do baile, mascarados e enrolados na bandeira nacional (“Ordem e Progresso”), querem reformar a legislação trabalhista, não para modernizá-la mas para  lesar os trabalhadores, que já vivem situações de extrema exploração.
    Caminhamos de volta para um estágio similar ao da escravidão.
    Entre a lista de maldades destaca-se uma reforma previdenciária que visa transformar a aposentadoria das pessoas em fonte de lucro para bancos e afins. O fim da picada.
    Onde essa reforma foi feita, como no Chile, deu tudo errado, o povo foi lesado e nem os gringos favorecidos ficaram satisfeitos.
    O estado mínimo dos neoliberais é um engodo, uma balela sem futuro.
    A Previdência precisa melhorar para alcançar todos os brasileiros e não para excluir os que mais trabalham.
    De agora em diante, a cada eleição os brasileiros precisam varrer do Executivo e do Legislativo a malta de governantes comprometidos com a banda podre da sociedade.
    Se a administração da economia pelo Estado deixa a desejar, só resta buscar uma forma de governo com foco na solidariedade.
    A democracia política, econômica e social é uma meta permanente e inarredável.
    O individualismo é comprovadamente nefasto para a vida comunitária.
    O capitalismo, habitualmente praticado em nome da liberdade, é socialmente injusto.
    São estes os motes para o show dos artistas convidados.
    (Só não posso esquecer de passar na agência lotérica pra fazer a aposta da vitória. Com 10 milhões eu faço a festa).
    LEMBRETE DE OCASIÃO
    Aos cegos é lícito brandir bengalas