Categoria: Geral

  • 1964: o que saber para evitar que se repita

    São três edições especiais que a Revista JÁ está lançando sobre os 50 anos do golpe  de 1964 e a ditadura que se seguiu por mais de 20 anos.
    1 – ASSIM COMEÇOU O GOLPE
    Aborda os antecedentes, a conspiração, a radicalização política e a derrubada do presidente João Goulart. com os primeiros desdobramentos da ditadura – as tentativas de resistência e o início da caça aos vencidos.
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    2 – A DITADURA MOSTRA SUA CARA
    Mostra o poder militar se consolidando, afastando os politicos civis e punindo os adversários – as prisões, cassações, perseguições e as primeiras vítimas.
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    3 – DESCENDO AOS PORÕES
    Descreve os Anos de Chumbo, com os centros de tortura, os atentados e a resistência armada, esmagada pela repressão – por fim a abertura e a anistia.
    As duas primeiras edições já foram publicadas, estão à venda em bancas e livrarias.a
    A terceira está em preparo. Vai circular no início de setembro.
    O preço do exemplar é R$ 14,00.
    As três edições custam R$ 30,00

    Tudo sobre o Golpe Militar de 64 – no site do Jornal Já – você encontra aqui

  • Terceirização: 20 mil processos na Justiça do Trabalho

    O Supremo Tribunal Federal está para julgar este ano uma causa trabalhista milionária que transbordou do âmbito da Justiça do Trabalho e interessa particularmente aos trabalhadores terceirizados pela indústria de celulose.
    O caso envolve um recurso da Cenibra, que atua no leste de Minas/oeste do Espírito Santo e foi condenada a pagar R$ 2 milhões em uma ação antiterceirização movida pelo Ministério Público do Trabalho.
    A subida do processo da Cenibra ao Supremo é um esforço advocatício extremo no sentido de reverter o entendimento generalizado no TST de que as empresas não podem terceirizar suas principais atividades (atividades-fim).
    É por isso que os trabalhadores ganham a maioria dos recursos que chegam à instância superior da Justiça do Trabalho, na qual tramitam hoje cerca de 20 mil processos de terceirização.
    Um dos mais cabeludos envolve telefônicas que terceirizam os serviços de call center operados por cerca de 500 mil pessoas no Brasil.
    Além de telecomunicações e celulose, os principais usuários da terceirização são os setores de construção civil, energia elétrica, logística, mineração, bancos e saúde. Estima-se que 10 milhões de pessoas trabalhavam em empresas que prestam serviços terceirizados. Isso representava 25,5% do mercado formal de mão-de-obra no país.
    Como não há regulamentação específica sobre a terceirização, os advogados empresariais esperam que o Supremo adote uma postura menos rígida do que o TST. Eles alegam que a terceirização é uma tendência global, enquanto os sindicatos a apontam como um mecanismo de exploração dos trabalhadores.
    De acordo com uma pesquisa realizada em 2010 pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), a remuneração dos trabalhadores terceirizados era 27,1% menor do que a dos empregados diretos. Mas o salário não é o maior problema.
    A terceirização é prática corrente no Brasil desde os anos 1970, quando começou a ser implantada no setor bancário. Desde então, predomina no TST o entendimento de que toda terceirização frauda a Consolidação das Leis do Trabalho (de 1943), pois implica na retirada de benefícios que favorecem os empregados diretos, configurando a famosa “precarização” das relações de trabalho — salários menores, jornadas maiores, um número maior de acidentes fatais de trabalho e o enfraquecimento do movimento sindical.
    Segundo o jornal Valor Econômico, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) já pediu uma audiência com os ministros do STF em nome de todas as centrais sindicais. Elas temem que a liberalização dos contratos de terceirização crie uma retirada maciça de benefícios dos trabalhadores, já prejudicados nas últimas décadas pela onda da “flexibilização” (quase sempre a favor dos patrões) dos direitos trabalhistas. (Geraldo Hasse)

  • Faixa de Gaza: Israel diz que Brasil é "anão diplomático"

    Está aberta uma crise diplomática sem precedentes entre os governos de Israel e do Brasil. As declarações do porta-voz  do ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, publicadas pela imprensa israelense desta quinta feira, 24, certamente vão provocar reação e azedar as relações entre os dois países. Israel cobra do Brasil uma condenação ao Hamas e um apoio mais explícito ao direito de se defender do terrorismo.
    Nota do G1
    Israel lamentou nesta quinta-feira (24) a decisão do Brasil de chamar para consultas seu embaixador em Tel Aviv, uma decisão que, segundo o governo israelense, “não contribui para encorajar a calma e a estabilidade na região” e chamou o país de “anão diplomático” por causa do gesto.
    O porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, disse que a decisão brasileira “não reflete o nível de relação entre os países e ignora o direito de Israel defender-se”.
    De acordo com a publicação “The Jerusalem Post”, Palmor afirmou que a medida “era uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”.
    “Estas medidas não contribuem para promover a calma e a estabilidade na região. Ao contrário, elas promovem o terrorismo e naturalmente afetam a capacidade do Brasil de exercer influência. Israel espera suporte de seus amigos em sua luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma organização terrorista por diversos países ao redor do mundo”, disse ele ao jornal “Haaretz”.

    O governo brasileiro convocou nesta quarta-feira (23) para consultas o embaixador em Tel Aviv após considerar “inaceitável a escalada de violência” e condenar “energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza”.
    A Confederação Israelita do Brasil também divulgou uma nota nesta quinta manifestando sua “indignação” com a posição brasileira. A confederação diz compartilhar da “preocupação do povo brasileiro e expressa profunda dor pelas mortes nos dois lados do conflito. Assim como o Itamaraty, esperamos um cessar-fogo imediato.”
    Entretanto, o grupo critica o governo brasileiro por eximir “o grupo terrorista Hamas de responsabilidade no cenário atual. Não há uma palavra sequer sobre os milhares de foguetes lançados contra solo israelense ou as seguidas negativas do Hamas em aceitar um cessar-fogo. Ignorar a responsabilidade do Hamas pode ser entendido como um endosso à política de escudos humanos, claramente implementada pelo grupo terrorista e que constitui num flagrante crime de guerra, previsto em leis internacionais.”
    Nos 17 dias de ofensiva militar em Gaza, pelo menos 733 palestinos e 35 israelenses morreram. Além disso, 4.600 palestinos ficaram feridos.

  • Jornalista autografa hoje o romance Vinhas da Peste

    Estreante no mercado literário, o jornalista Luiz Guimarães lança hoje, às 19h, na Livraria Saraiva do Shopping Praia de Belas, o romance Vinhas da Peste, uma obra que traz para a ficção um episódio real da história recente do Rio Grande do Sul.
    O livro é ilustrado pelo multipremiado cartunista Santiago, tem capa de Marco Cena e prefácio do escritor e Secretário da Cultura do Rio Grande do Sul, Luiz Antonio de Assis Brasil.
    Tendo como pano de fundo o surto de aftosa que sacudiu a pacata cidade de Joia, situada no noroeste gaúcho, na segunda metade do ano 2000, o autor cria um ambiente mágico, dando alma aos animais marcados para morrer, ao mesmo tempo em que revela o lado mesquinho dos homens que arquitetam a estratégia de combate ao mal.
    A obra traz para o conflito o debate político acerca do episódio e extrapola para o romance policial quando um assassino em série barbariza a pequena comunidade. Na esteira de um vinho misterioso, capaz de provocar mutações na espécie humana, a narrativa ganha tons de realismo fantástico, ao profanar a convivência entre homens e homens e animais e homens.
    “Desde o início, nunca passou pela minha cabeça produzir um livro-reportagem; a ideia sempre foi trabalhar o real (o episódio da aftosa) pelo caminho da ficção, sem deixar, no entanto, de ser fiel aos fatos que acompanhei como repórter da extinta Gazeta Mercantil de São Paulo”, explica Guimarães.
    No prefácio, Assis Brasil afirma que o conjunto de pessoas e elementos – quase todos incontroláveis – faz com que o romance justifique a si mesmo. “É um romance que, apropriando-se de um material comum (o pampa e suas circunstâncias), diz-nos algo de novo.”
    O autor
    Luiz Carlos Monteiro Guimarães é formado em Jornalismo e pós-graduado em Marketing pela PUC/RS. Lecionou Redação Jornalística no curso de Comunicação Social da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Por longo tempo, trabalhou como editor e chefe de reportagem do Correio do Povo e como repórter da sucursal de Porto Alegre na extinta Gazeta Mercantil. Atualmente, é editor de Economia do Jornal do Comércio.

  • Vieira da Cunha: "Dívida estrangula o Rio Grande"

    O candidato ao governo do RS pela coligação “O Rio Grande Merece Mais” (PDT\DEM\PSC\PV\PEN), Vieira da Cunha, disse nesta quarta-feira, 23, na Federasul, em Porto Alegre, que o Estado precisa recuperar sua capacidade de investimento.
    Entre todos os estados endividados com a União, o Rio Grande do Sul possui a maior dívida em termos proporcionais. O projeto de lei que trata da renegociação da dívida do RS está tramitando no Senado. Ele citou alguns números já conhecidos como a projeção de um saldo negativo das contas do governo estadual em 2014 em torno de R$ 1 bilhão, enquanto em 2013 fechou em R$ 1,4 bilhão.
    Portanto, o déficit acumulado em quatro anos de governo Tarso Genro será próximo de R$ 4 bilhões. Também lembrou que foram sacados dos depósitos judiciais pelo atual governo R$ 5,1 bilhões.
    Para Vieira da Cunha as propostas já existem, foram todas encaminhadas pelos Conselhos Regionais de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (Coredes). “O que precisamos é conseguir dinheiro para viabilizá-las.” Para que isto aconteça ele entende que a renegociação da dívida tem que ocorrer, pois nos últimos 15 anos o Estado não teve acesso a operações de crédito.
    O secretário estadual da Fazenda, Odir Tonollier, informou em palestra na mesma Federasul que durante os próximos anos o RS seguirá precisando de novos financiamentos para sustentar os investimentos. Esses recursos virão a partir da renegociação da dívida com a União, prevista para ser aprovada pelo Senado no segundo semestre, em que o Rio Grande do Sul economizará cerca de R$ 20 bilhões até 2027, conquistando, assim, novo espaço fiscal.
    Outro caminho para viabilizar investimentos, conforme Vieira da Cunha, é através de Parceria Público-Privada, desde que a população seja a grande beneficiária sem esquecer o retorno para o investidor privado. Ele considera que não pode ocorrer como na privatização dos pedágios durante o governo de Antônio Britto quando, segundo ele, a população foi extorquida.
    Ele entende que a estatal Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) criada pelo governo Tarso Genro poderá conviver com pedágios privatizados.
    O candidato prometeu ainda retomar o projeto de escolas em tempo integral. “Como trabalhista, vemos a educação com a prioridade que ela tem. Um CIEP construído hoje é um presídio a menos que teremos que construir amanhã. Tira a criança do caminho do crime.”
    O Tá na Mesa, da Federasul, terá ainda como palestrantes para falar sobre os desafios do Rio Grande a senadora Ana Amélia Lemos, candidata ao Governo do RS pela coligação “Esperança que une o Rio Grande” – PP, PSDB, PRB e Solidariedade, no dia 30 de julho; governador Tarso Genro, candidato à reeleição pela Unidade Popular (PT – PTB – PCdoB – PPL – PR – PTC – PROS) em 6 de agosto;    José Ivo Sartori, candidato ao Governo do Estado pela coligação O novo caminho para o Rio Grande (PMDB / PSD / PPS / PSB / PHS / PT do B / PSL / PSDC), em 13 de agosto. Nas quatro semanas seguintes os palestrantes serão os candidatos ao Senado pelas mesmas coligações: Olívio Dutra (PT), Lasier Martins (PDT).  Simone Leite (PP), Beto Albuquerque(PMDB). (Sérgio Lagranha)
     

  • Por que o Uruguai nega asilo a ativistas no Rio?

    O Uruguai negou asilo à advogada Eloisa Samy e dois ativistas cuja prisão está determinada pela Justiça no Rio de Janeiro.
    Eles são acusados de integrarem um grupo que estava preparando atos terroristas no final da Copa do Mundo.
    São 23 indiciados que foram presos, cinco ainda permanecem na cadeia, entre eles a líder do grupo Elisa Quadros, a Sininho.
    Os três citados recorreram ao consulado uruguaio no Rio e tiveram o pedido negado pela cônsul Myriam Chalar.
    A justificativa foi de ordem burocrática: o consulado não tem a prerrogativa de conceder ou não asilo. O fato é surpreendente, dada a tradição do Uruguai.
    “Eles realmente bateram na porta errada”, confirma Jair Kritschke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, que tem mais de meio século de experiência no assunto.
    Mas, segundo Kritschke, o asilo teria sido negado de qualquer jeito, mesmo que os ativistas tivessem recorrido à embaixada uruguaia, em Brasila. “Se acolhesse os ativistas, o Uruguai estaria implicitamente reconhecendo que há perseguições políticas ou seja que não há democracia no Brasil. Isso o Pepe Mujica não vai fazer com a Dilma”, diz ele.
    Fora isso, há uma nova postura no Uruguai em relação a estas questões, principalmente quando envolvem seus parceiros do Mercosul. “Nós tivemos um caso recente, com um cidadão peruano e tivemos também uma recusa” diz Kritschke. “Os negócios estão tendo uma influência muito grande nestas questões”, completa.
    Leia a noticia da Agência EFE, de 21/07 
    La abogada Eloísa Samy acudió al consulado de Uruguay acompañada de David Paixão y Camila Nascimento en busca de asilo después de que una orden judicial revocara un hábeas corpus que se le había concedido tras pasar cinco días en prisión, la semana pasada.

    Los tres están acusados por el Ministerio Público de “asociación ilícita” por su participación en las manifestaciones que han tenido lugar durante los últimos meses en el país y Samy fue detenida en una protesta ocurrida en la víspera de la final del Mundial de Brasil, cuando un total de 23 activistas fueron apresados.

    Paixao y Nascimento no fueron detenidos pero también recae sobre ellos la petición de prisión preventiva por los mismos motivos.
    Hasta hoy, solo 5 de los imputados el pasado 13 de julio permanecen encarcelados y los 18 restantes siguen reclamados por la Justicia.
    “Estamos siendo tratados como terroristas”, aseguró a la agencia internacional EFE Samy en el consulado uruguayo, donde se quejó de que la semana pasada fue encarcelada como una “delincuente común” cuando por su condición de abogada debería tener derecho a un régimen especial, que la ley brasileña concede de personas con estudios universitarios.
    Samy indicó que decidió solicitar asilo político a Uruguay porque el presidente de ese país, José Mujica, “sabe lo que es la persecución política y la fuerza opresiva del Estado”.
    “Si no aceptan mi solicitud me llevarán de nuevo a prisión y no tendré derecho a defenderme”, aseguró.
    Según la activista, en los cinco días que pasó en la cárcel carioca de Bangú las condiciones fueron “horribles”, compartió celda con otras siete mujeres, solo les facilitaron “una toalla y tres mantas para todas” y no dispusieron de cubiertos para comer.
    Por su parte, David Paixão ha estado detenido varias veces por su participación en las protestas y siempre fue defendido por Samy, que adoptó al joven tras comprobar que no tiene familia.
    La cónsul uruguaya en Rio de Janeiro, Miriam Fraschini, no facilitó ninguna información sobre el trámite de la solicitud de asilo político por parte de los tres activistas brasileños.
    El magistrado Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, del Tribunal de Justicia de Rio de Janeiro, decretó la prisión preventiva debido a la alegada “peligrosidad” de los acusados que, en su opinión, suponen un “riesgo para el orden público”.
    El arresto de los activistas, la víspera de la final del Mundial, fue duramente criticado por organizaciones de derechos humanos y por el Colegio de Abogados de Rio de Janeiro, que consideraron que fueron “arbitrarias” e “intimidatorias”.
    MAIS DETALHES :
    Henrique Coelho Do G1 Rio
    Eloisa Samy Santiago defende ativistas em protestos 
    A advogada Eloisa Samy, acusada de envolvimento em atos violentos durante protestos no Rio, procurou o consulado do Uruguai, na Praia de Botafogo, Zona Sul do Rio, na manhã desta segunda-feira (21), para pedir asilo político no país.
    Por volta de 12h, a ativista confirmou ao G1 o pedido de asilo político a fim de se defender, em liberdade, no processo a que ela e outros 22 réus respondem no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ).
    Eloisa e outros 17 ativistas são considerados foragidos depois de terem a prisão preventiva decretada na sexta-feira (18).
    Procurado pelo G1, o consulado do Uruguai não quis dar informações por telefone e impediu a entrada da imprensa no local às 12h25.
    De acordo com denúncia do Ministério Público (MP-RJ), Eloisa Samy teria cedido a casa para reuniões de planejamento de atos violentos.
    O texto cita ainda ligação da advogada com o Movimento Frente Independente Popular (FIP). Ela nega as acusações e diz que, inclusive, tem divergências com o grupo em relação à atuação em protestos.
    “Nunca fiz reuniões na minha casa e a FIP me odeia. Como posso estar ligada à FIP? Estou à espera de informações de Brasília [sobre o pedido de asilo político], mas as informações sobre mim na denúncia não existem”, disse Eloisa em entrevista ao G1.
    Em um vídeo postado na internet, ela pede anistia a todos que chama de “presos políticos”. “Hoje, sou uma perseguida política, sendo criminalizada pela minha atuação na defesa dos direitos de manifestação.
    Fui denunciada pelo crime de formação de quadrilha armada com outras 22 pessoas, algumas das quais se quer eu conhecia”, diz. “Jamais cometi qualquer ato que infringisse a lei (…) Meu único crime é a firme posição que adotei para defender a Constituição”, disse na gravação.
    Dezoito foragidos e cinco presos
    A Justiça do Rio aceitou a denúncia do MP-RJ e decretou a prisão preventiva de Eloisa e outros 22 ativistas na sexta-feira (18) por associação criminosa (formação de quadrilha), entre outros crimes.
    Cinco deles já estavam presos. Nenhum dos outros 18, incluindo a advogada, foi encontrado no sábado (19), quando a polícia tentou cumprir os mandados de prisão.
    Ao G1, a delegada Renata Araújo disse que a divulgação prematura pela imprensa da intenção de pedir a prisão preventiva atrapalhou o trabalho da polícia. “Nenhum dos foragidos que nós tínhamos informações sobre endereço foram localizados neste fim de semana”, explicou.
    Perfil de Eloisa Samy
    Engajada com as reivindicações que tomaram a cidade desde junho de 2013, a advogada Eloisa Santiago Samy foi vista dezenas de vezes entre os manifestantes nos protestos.
    De perfil conciliador, já foi vista se apresentando a manifestantes mascarados durante o “Ocupa Cabral”, acampamento montado na porta do prédio onde morava o então governador Sérgio Cabral, no Leblon, na Zona Sul.
    Ela apresentava a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e se oferecia para prestar assistência em caso de violência policial durante a madrugada.
    Dias antes, a ocupação fora desarticulada à força. Eloisa chegou a dormir acampada com o grupo.
    Especializada em Direito Civil e Processo Civil também foi atuou como voluntária  na defesa de ativistas detidos durante protestos na cidade. “Mergulhou de cabeça na militância”, segundo interlocutores próximos.
    Apaixonada por gatos, se destacou também na luta pelo direito dos animais.
    Na denúncia do MP-RJ, um dos elementos contra Eloisa seria o de não cobrar honorários. A OAB-RJ, que também repudiou publicamente as prisões de ativistas, conseguiu um habeas corpus para a advogada que, em vídeo publicado há quase um mês em redes sociais, se dizia “perseguida”.
    De acordo com o relato, ela vinha sendo avisada para se manter longe das manifestações para evitar que fosse presa.
    Habeas corpus negado
    O plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) negou, neste domingo (20), habeas corpus aos 23 ativistas, que respondem a processo por planejar ações violentas em protestos.
    Segundo a denúncia, eles teriam a intenção de incendiar a Câmara do Rio e planejavam usar artefatos explosivos durante manifestações convocadas para o dia da final da Copa do Mundo no Maracanã.
    Entre os cinco já presos estão a ativista Elisa Quadros, a Sininho, e a dupla que teria provocado a morte do repórter cinematográfico Santiago Andrade em uma manifestação em fevereiro: Fábio Raposo e Caio Silva.
    O Tribunal de Justiça do Rio informou que o habeas corpus foi negado porque somente o desembargador Siro Darlan, da 7ª Câmara Criminal, poderá conceder a liberdade aos ativistas, já que ele está vinculado à causa após aceitar outros pedidos de habeas corpus do caso.
    Críticas ao juiz
    No despacho que negou o habeas corpus aos ativistas, o juiz do Plantão Judiciário repudia os termos ofensivos utilizados pela defesa dos acusados, que teria se referido ao juiz Flávio Itabaiana, que aceitou a denúncia do MP-RJ como “prepotente” e “espírito de carcereiro”.
    O magistrado cita ainda o clima de radicalismo político que contamina a questão e fala da representação disciplinar contra o juiz enviada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pelos  deputados federais Chico Alencar, Jean  Wyllys, Ivan Valente, todos do Psol, e Jandira Feghali, do PC do B.
    Eles alegaram que o juiz agiu com arbitrariedade e abuso de poder.
    “É completamente absurdo, absurda a atuação deles. O que eles tiveram por objetivo, claro, foi me intimidar. Só que não vão me intimidar. Ao que parece, eles estão querendo politizar algo que nada tem a ver com política, mas sim com matéria criminal”, disse o juiz, por telefone, ao Bom Dia Brasil.
    Reclamação ao CNJ
    O deputado Ivan Valente disse que Itabaiana quer intimidar os movimentos sociais e que o magistrado é quem está politizando o processo.
    A deputada Jandira Feghali afirmou que o juiz aceitou uma denúncia genérica do MP-RJ, sem provas e sem fato determinado.
    A deputada declarou ainda que a reação do juiz à reclamação feita ao Conselho Nacional de Justiça mostra que ele não aceita o questionamento da sociedade feito por seus representantes eleitos.
    O advogado Wallace Paiva, que defende Fábio Raposo, disse que a prisão é ilegal.
    Já o advogado de Caio Silva, Antônio Pedro Melchior, disse que não teve acesso às novas informações do inquérito e por isso prefere não comentar o caso.
    Defesas
    Lucas Sada, advogado do Sindicato dos Jornalistas do Rio e do Instituto Defensores dos Direitos Humanos (DDH), representa seis ativistas: Joseane Maria Araújo de Freitas, Gabriel da Silva Marinho, Karlayne Moraes da Silva Pinheiro, a “Moa”, André de Castro Sanchez Basseres, Pedro Guilherme Mascarenhas e Luiz Carlos Rendeiro Júnior, o “Game Over”.
    Sobre o caso de Joseane, ele afirma que a denúncia é uma “peça de ficção”. “Ela participou de manifestações, sim, mas nunca participou de nenhum confronto com a polícia e não possui nenhum vínculo com os Black Bloc”, disse Sada, acrescentando que pretende entrar com um pedido de habeas corpus nesta segunda-feira (21) para seus clientes.
    A Comissão de Prerrogativas da OAB-RJ também se manifestou e disse que as prisões “parecem ter caráter intimidatório”.
    Os 23 denunciados pelo MP-RJ são:
    Elisa de Quadros Pinto Sanzi, vulgo “Sininho” – Luiz Carlos Rendeiro Junior, o “Game Over” – Gabriel da Silva Marinho – Karlayne Moraes da Silva Pinheiro, a “Moa” – Eloisa Samy Santiago – Igor Mendes da Silva – Camila Aparecida Rodrigues Jourdan – Igor Pereira D’Iicarahy – Drean Moraes de Moura Corrêa, “DR” – Shirlene Feitoza da Fonseca – Leonardo Fortini Baroni Pereira – Emerson Raphael Oliveira da Fonseca – Rafael Rêgo Barros Caruso – Filipe Proença de Carvalho Moraes, o “Ratão” – Pedro Guilherme Mascarenhas Freire – Felipe Frieb de Carvalho – Pedro Brandão Maia, o “Pedro Punk” – Bruno de Sousa Vieira Machado – André de Castro Sanchez Basseres – Joseane Maria Araujo de Freitas – Rebeca Martins de Souza – Fabio Raposo Barbosa – Caio Silva Rangel.

  • RS tem três dos cinco rios mais poluídos do Brasil

    Três dos cinco rios mais poluído Brasil ficam no Rio Grande do Sul, mais precisamente na região metropolitana de Porto Alegre e são formadores do Lago Guaiba: Sinos, Gravataí, Caí.
    A informação é destaque no “Guia de Sustentabilidade” que será lançado no próximo dia 25 em Florianópolis, pela Editora Expressão.
    Diz a pesquisa, com base em dados do IBGE, que “se a situação não mudar em breve 55 municípios gaúchos, que dependem destes mananciais, terão problemas de abastecimento de água”.
    O rio mais poluído do país, segundo o guia, é o Tietê, que passa pela capital paulista, banha 64 municípios e recebe diáriamente 690 toneladas de  esgotos.
    O segundo do  ranking e o mais poluído da Região Sul é o Iguaçu, que atravessa a região de Curitiba. Em seguida vem os três rios gaúchos.
    Confira em www.expressao.com.br

  • Prevenção do HIV: confusão midiática sobre as diretrizes

    Por Cláudia Rodrigues
    Os grandes jornais e telejornais brasileiros fizeram uma salada indigesta sobre as “Diretrizes Consolidadas sobre Prevenção, Diagnóstico, Tratamento e Cuidados em HIV para as Populações-Chave, lançada no último 11 de julho.
    Matérias tendenciosas passaram a ideia de que as diretrizes são uma espécie de perseguição aos homens que fazem sexo com homens, minimizando a importância da participação e empenho popular.
    As diretrizes visam mais do que prevenção, proteção jurídica a vários grupos que sofrem discriminação no Brasil, como pessoas que injetam drogas, pessoas em prisões e outras instituições fechadas, trabalhadores do sexo e pessoas transgêneros.
    Os grupos foram definidos a partir de estudos que atestam maior risco de infecção independentemente do tipo de epidemia ou do ambiente em que vivem.
    Destaca-se nas diretrizes que esses grupos muitas vezes têm problemas sociais e jurídicos relacionados a seus comportamentos, o que aumenta a vulnerabilidade ao HIV e a aids.
    O HIV e aids não têm seu maior número entre esses grupos, mas na população em geral, incluindo heterossexuais, público variado, inclusive acima dos 50 anos, o que se chama “população geral”.
    Grupos formados por gays, usuários de drogas injetáveis, prisioneiros ou pessoas que vivem em instituições fechadas e transgêneros são pequenos grupos, mas fortemente afetados pelos vírus HIV e pela aids.
    São os grupos mais marginalizados, têm seus direitos pouco assegurados por políticas públicas.
    Com essas diretrizes o que se busca é respeitar, reconhecer, promover e assegurar os direitos dessas pessoas.
    Beba na fonte:
    http://oquenostiraosono.tumblr.com/post/92282196626/novas-diretrizes-da-oms-janela-de-oportunidades-para

  • Pesquisas: quando a notícia briga com o fato

    Pertinente o esclarecimento da ZH, sobre a neste domingo em relação as pesquisas eleitorais que o  jornal encomenda e publica periódicamente. Em síntese: pesquisa é uma realidade hipotética, uma simulação, que tenta projetar uma situação que ainda não aconteceu. Por isso, inclusive, resultado de pesquisa não é manchete.
    “Pesquisas, frisa o editorial, contribuem para o entendimento do processo eleitoral e da formação das escolhas pelos que decidem o pleito”. Muito bem
    Páginas adiante vem o noticíario político. A manchete:
    “ANA AMÉLIA TEM 37%, TARSO 31%”
    Aí, vai se ver as tabelas e o fato é outro: uma semana depois da copa, com a campanha já em andamento (ao menos na mídia está a todo vapor) e ainda 66% (dois terços!) dos eleitores não estão interessados na eleição.
    Somadas as intenções de votos em Ana Amélia e Tarso dão pouco mais de 20% do total de votantes. Uma nota ao pé da coluna política explica que no cotejo entre os candidatos a governador não há novidade desde abril.
    O outro fato novo que a pesquisa revela mas a noticía minimiza é a alteração radical do quadro com a entrada de Olívio Dutra como candidato ao senado.
    Lembrei do Lusitano Buonocore: “Quando a notícia briga com o fato, quem apanha é o leitor”. No caso, o eleitor.

  • Faixa de Gaza: Facebook retira páginas com ameaças a jornalista

    Um post da jornalista Deborah Cattani, 25 anos, trouxe o conflito do Oriente Médio entre israelenses e palestinos para o Facebook. Deborah, judia moradora de Porto Alegre, que passou um tempo em Israel a 15 minutos da Faixa de Gaza, escreveu que é desumano o que estado israelense está fazendo: “Mais desumano que o holocausto, mais duradouro que o holocausto, mais pertinente que o holocausto, pois hoje em dia todo o mundo pode ver com os próprios olhos e mesmo assim, poucos reagem.”
    Ela acrescentou que tem muitos amigos judeus, mas cada vez menos. “Cada vez que um deles posta um heil Israel no Facebook ou qualquer coisa dizendo ‘matem os árabes’, eu tenho um amigo a menos. Se vocês já assistiram o filme A Onda, é exatamente isso que o governo israelense faz com seus jovens. Já tive treinamento militar israelense, sei como funciona toda a lavagem cerebral e até entendo porque funciona, afinal, somos pobres vítimas.”
    Este post colocado no ar na sexta-feira, 11, provocou uma série de respostas entre prós e contra o conflito, alguns agressivos, outros carinhosos, com ódio, ou pedindo paz. Até aí, tudo bem, mas hoje Deborah incluiu outro post: “Eu estou recebendo ameaças de toda a comunidade judaica de Porto Alegre, São Paulo e até, pasmem, Buenos Aires. Já estou na lista negra.”
    As declarações de Deborah, antes publicadas somente para amigos, acabaram se tornando públicas e difundidas por milhares de pessoas. Nesta segunda-feira, já eram quase 12 mil compartilhamentos. Também os comentários ao post, contra e a favor, se multiplicaram. O problema é que o debate acabou muitas vezes em ofensas mútuas entre os internautas que leram a postagem. Mas o que mais assustou Deborah foram as ameaças, algumas veladas, outras bem diretas.
    “Estou assustada, sim. Não nego”, diz ela sobre algumas das mensagens recebidas. “As piores ameaças são as indiretas de pessoas da família, isso machuca”, lamenta. Outras, mais fortes, dizem que ela deveria “ser largada em Gaza para ser estuprada”.
    Em uma mensagem privada, ainda mais grave, um usuário do Facebook ameaça: “Sua vagabunda. Não seria surpresa você acabar sofrendo um acidente por aí, pois não vai conseguir saber quem são as pessoas que te esperam em frente a sua casa, as pessoas que andam atrás de você. Cuidado heim. Shalom.”
    Um pouco depois, Deborah escreveu o derradeiro post sobre o assunto, por enquanto: “A página que vinha me perseguindo foi excluída do Facebook! Pra vocês verem como pessoas infundadas não conseguem levar o debate adiante e, além de baixarem o nível, não aguentam as consequências de seus atos.
    Quero dizer mais uma coisa, e vai ser o meu último post sobre o assunto por um bom tempo, em nenhum momento preguei ódio aos judeus, ou a Israel. Sinto vergonha das atitudes perpetradas por eles e admito isso com dor no coração, pois, por pior que seja a situação, também faço parte desta cultura.
    Também sou contra o Hamas, mas isso não faz de mim uma cega e ignorante que vai se deixar levar pelo amor de uma pátria. Patriotismo e religião devem ser separados no quesito Oriente Médio.”
    Deborah revelou que a maior ameaça foi da Juventude Judaica Organizada, de São Paulo. “Só que eles tiraram do ar todos os comentários, mas tenho as cópias.” Ela, então, formalizou a denúncia para o Facebook, Twitter e Instagram em relação aos posts mais agressivos.
    A página da Juventude Judaica Organizada está fora do ar. Como tudo isso aconteceu segunda-feira,14 de julho, Dia da Liberdade de Pensamento, Deborah citou os artigos XVIII e XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos: – “Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião”; – “Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão”.
    Palavra do Rabino
    O professor Guershon Kwasniewski, rabino da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência (Sibra/RS), diz que as citadas ameaças da comunidade judaica não existem. “Deborah está aproveitando a repercussão para se promover. As ameaças não estão publicadas em seu Facebook e podem ter ocorrido ‘in box’. Ela deveria publicar e denunciar à polícia.”
    Segundo ele, os posts são uma visão dos fatos de uma judia e por isso deu esta repercussão. “Ela demonstra um ressentimento por algum problema que desconhecemos.” Kwasniewski entende que todo o conflito é deplorável. “Lamentamos a violência, mas entendemos que é um direito de Israel defender sua população civil. É preciso lembrar os fatos iniciais deste conflito, conforme ele. “Três estudantes israelenses foram sequestrados e mortos por terroristas do Hamas.
    Depois um palestino de 17 anos foi sequestrado e executado em Jerusalém Oriental. A partir disso, o Hamas passou a lançar foguetes contra a população civil de Israel, único estado democrático do Oriente Médio, que tem o direito de defesa.
    Enquanto Israel tenta minimizar a morte de civis em Gaza, avisando para a população se proteger dos ataques, o Hamas usa seus civis como escudo e tenta, a qualquer custo, aumentar o número de mortos civis em Israel, atacando de proposito cidades onde moram 4.5 milhões de pessoas.” (Por Sérgio Lagranha)
    Cessar-fogo dura seis horas
    O gabinete de segurança israelense, presidido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, aceitou na madrugada desta terça-feira (15) a proposta de cessar-fogo apresentada pelo Egito, disse um porta-voz do governo, uma semana depois de ataques contínuos terem causado mais de 180 mortes. Já o movimento de resistência islâmica Hamas, que controla a Faixa de Gaza, rejeitou a proposta.
    “O gabinete decidiu aceitar a iniciativa egípcia para acabar com o cessar-fogo”, disse Ofir Gendelman, porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no Twitter. Só que a trégua durou apenas seis horas. Aviões israelenses retomaram pela manhã o bombardeio na Faixa de Gaza, em consequência da rejeição do cessar-fogo pelo movimento palestino Hamas.
    Diversos ataques foram dirigidos contra o território palestino, em particular, a cidade de Khan Yunis e o bairro de Zeitun, no leste da cidade de Gaza. Poucos minutos antes do início dos novos ataques, o porta-voz do Exército, Peter Lerner, disse em sua conta no Twitter que os bombardeios iriam recomeçar. “Após seis horas de disparos cegos de mísseis sobre Israel, as forças de defesa retomaram suas atividades operacionais contra o Hamas.”
    O que vai acontecer em Gaza agora?
    As infraestruturas estão destruídas e a população se pergunta quem vai consertá-las ROBERT TURNER 16 JUL 2014
    Enquanto estou aqui sentado no meu escritório/dormitório na Cidade de Gaza, escutando os ataques aéreos e os disparos de foguetes, discute-se como acabar com a violência. É algo extremamente desejável, sobretudo para a população civil de Gaza, que tem sido a mais castigada pela atual escalada. Mas quando penso nos 17.000 desabrigados refugiados em escolas, com alguns dos quais conversei na terça-feira, me pergunto o que devem estar pensando disso. Porque eles já viveram tudo isso antes.
    Para a maioria, esta guerra é o terceiro desalojamento desde 2009; muitos voltaram exatamente para a mesma sala de aula de antes. Se este possível cessar-fogo terminar da mesma forma que os anteriores, será que essas pessoas vão acreditar que se trata de algo mais do que uma breve trégua? Para Gaza, o retorno à “calma” é um retorno ao oitavo ano de bloqueio. É um retorno a mais para os 50% da população que não têm trabalho nem salário. É um retorno ao confinamento em Gaza e à falta de acesso externo aos mercados, aos empregos e à educação; em suma, à falta de acesso ao mundo lá fora. Por exemplo, se uma das avós com quem conversei na terça-feira quisesse ir estudar na Universidade de Birzeit, na Cisjordânia, ela simplesmente não poderia.
    O Governo israelense não tem que demonstrar que essa avó representa uma ameaça concreta para a segurança, já que adotou uma proibição generalizada de que os habitantes de Gaza estudem na Cisjordânia, com base em uma indefinida ameaça à segurança.
    A imensa maioria da população está proibida de sair dessa faixa de terra de 356 quilômetros quadrados. Se um dos cultivadores de tomate com quem me encontrei na terça-feira encontrar um comprador para seu produto em Paris, Peoria ou Praga, ele pode, sob determinadas condições, embalar os tomates e enviá-los através do único posto de fronteira comercial aberto, de onde seguiriam para o porto de Ashdod ou o aeroporto Ben Gurion (dois dos pontos mais vulneráveis de Israel em relação à segurança).
    Mas, infelizmente, não há mercado para os tomates de Gaza em Paris, Peoria ou Praga. Há mercado para os tomates de Gaza em Israel e na Cisjordânia, mas esse agricultor não tem permissão para vender seus tomates por causa dessa mesma indefinida ameaça à segurança.
    Os idosos com quem me reuni na terça-feira se perguntam como poderão ter acesso aos postos de saúde após este cessar-fogo. Exceto pelos serviços oferecidos por nós, da Agência da ONU para os Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA, na sigla em inglês), e por alguns centros médicos particulares e de ONGs, o sistema público de saúde está afundando.
    As infraestruturas estão destruídas e a população se pergunta quem terá o papel de consertá-las. Se a Autoridade Palestina não tem permissão ou não pode fazer isso, espera-se que a comunidade internacional o faça? Ou será Israel, a potência ocupadora, quem deve assumir essa responsabilidade?
    As mães com quem falei na terça-feira se perguntam se seus filhos irão à escola dentro de apenas seis semanas se não puderem ir a uma das 245 escolas da UNRWA. Quem vai consertar o que está destruído nas escolas públicas, quem vai fornecer os livros, quem vai pagar os professores?
    Se os colégios públicos não abrirem, espera-se que a UNRWA preencha essa lacuna? Falta-nos capacidade física e recursos humanos e econômicos para aceitar dezenas ou até centenas de milhares de alunos extras nas nossas escolas. A UNRWA e toda a ONU em geral, incluindo o PAM, a UNICEF, o OCHA e o PNUD continuam comprometidos em atender às necessidades humanitárias do povo de Gaza. Uma das áreas nas quais a UNRWA redobrou seus esforços nos últimos anos foi a da construção civil, na qual contamos com uma grande quantidade de projetos.
    São principalmente escolas para nosso programa de educação, nas quais ensinamos mais de 230.000 crianças no ano passado, e de casas para aqueles cujos lares foram destruídos nos conflitos anteriores ou destruídos por Israel.
    Quando queremos construir algo, temos que enviar uma proposta detalhada do projeto para Israel, com o esboço, a localização e um orçamento completo. Em seguida, os israelenses analisam a proposta, num processo que, em tese, não deveria precisar de mais de dois meses, mas que dura, em média, quase 20 meses.
    Não tivemos nenhuma aprovação de projetos entre março de 2013 e maio de 2014, durante o último período de “calma”, apesar de termos quase 100 milhões de dólares em projetos esperando para serem aprovados.
    Será que esta próxima época de “calma” será melhor? E, acima de tudo, as pessoas aqui se perguntam quem vai governar Gaza. Ninguém tem a resposta para essa pergunta. Acredito que os habitantes de Gaza diriam que se esse é o tipo de “calma” que as pessoas têm em mente, mesmo que preferível à violência atual, ela não poderá durar. Não vai durar. Robert Turner é diretor de operações da UNRWA em Gaza.