Categoria: Geral

  • Juiz manda Facebook retirar notas sobre "Bolsa Prostituta"

    Do Século Diário
    O juiz substituto Diego Ramirez Grigio Silva, da 5ª Vara Cível de Vila Velha, determinou a retirada do ar de postagens e comentários caluniosos na rede social Facebook sobre o projeto fictício “Bolsa Prostituta”.
    A decisão liminar atende ao pedido feito pela senadora Ana Rita Esgário (PT), que é citada nas postagens como a autora da eventual proposta – que sequer existe no Senado Federal.
    A empresa responsável pela rede social tem o prazo de 48 horas para informar os donos dos perfis que veicularam as falsas notícias sobre a petista.
    No documento assinado no último dia 7, o magistrado entendeu que as notícias veiculadas na rede social podem causar “danos irreparáveis ou de difícil reparação” à senadora, que já veio a público se explicar na época da veiculação dos boatos, em março último.
    O juiz Diego Silva considerou que, apesar do Facebook não ser obrigado a fiscalizar as publicações realizadas pelos seus usuários, a empresa deve efetuar o controle posterior com a retirada dos conteúdos impróprios.
    A decisão também obriga que o Facebook Serviços Online do Brasil Ltda informe aos donos dos perfis indicados como responsáveis pela veiculação dos boatos, bem como seus seguidores para que se abstenham de publicar ofensas que maculem a honra e imagem da senadora petista, que é candidata a deputada estadual no pleito deste ano.
    Além do projeto fictício,  que concederia um auxílio de R$ 2 mil mensais às prostitutas, a senadora também foi alvo de boatos em função da apresentação de  Projeto de Lei do Senado (PLS 44/2011), que estabelece penas alternativas no caso de furto de coisa de pequeno valor.
    Nas mensagens veiculadas na rede social, a senadora era acusada de defender a legitimidade do furto a quem não podia comprar.
    “Passei meses indignada com essas mentiras e calúnias e, apesar dos desmentidos, o boato continuava a ser reproduzido. Nós sabemos que isso é crime e, como tal, cabia alguma punição. A nossa honra é o que temos de mais valioso, não poderia ser acusada injustamente por algo que nunca fiz”, desabafa Ana Rita, que não descarta o ajuizamento de ações de danos morais contra os responsáveis.
    A senadora também alerta para o risco dos demais usuários, que acabam compartilhando as falsas notícias, o que pode implicar no enquadramento como cúmplices dos crimes.
    “É preciso checar a origem e averiguar a veracidade de toda e qualquer informação antes de passá-la adiante como se fosse verdade. Até porque qualquer pessoa pode ser vítima de boateiros, mentirosos, seja qual for a intenção dessa ação criminosa”, considerou a senadora.
     
  • A China e a América Latina: "novas águas"

    Artigo de Luís Alberto Moreno, no El Pais
    “Esta semana o presidente da China, Xi Jinping, iniciou uma viagem oficial por Brasil, Argentina, Venezuela e Cuba em sua segunda visita à América Latina em pouco mais de um ano. Em junho de 2013, ele esteve em Trindade e Tobago, Costa Rica e México antes de se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Califórnia. Essa é uma clara evidência de que a relação entre China e América Latina navega por novas águas.
    Durante séculos, essa relação teve como marco o oceano Pacífico, uma ponte entre ambas as regiões. Na época colonial, galeões espanhóis navegavam entre Acapulco e Manila, transportando produtos asiáticos e americanos. No século XIX, dezenas de milhares de chineses chegaram às nossas costas para trabalhar na construção de canais e ferrovias, plantações de açúcar e minas de guano e salitre. Outras ondas migratórias ocorreriam durante o violento século XX.
    A presença chinesa deixou marcas profundas em nossa cultura, desde as artes culinárias até a paisagem urbana. Há bairros chineses em muitas das grandes cidades de nosso continente, e a influência de personalidades com ascendência chinesa se tornou notável no setor acadêmico, nas artes e no serviço público.
    ROTA DO PACÍFICO
    Atualmente, o Pacífico continua sendo uma rota de comércio, mas em uma escala inédita, porque, hoje, mais de 40% do intercâmbio global de mercadorias cruza suas águas.
    Desde o ano 2000, o intercâmbio comercial entre a China e a América Latina cresceu 23% ao ano, uma taxa impressionante. A China é, hoje, o primeiro destino das exportações de Brasil, Chile e Peru. A economia do país asiático consome 40% de todo o cobre exportado no mundo, 47% do ferro e 53% da soja.
    Um dos motores da demanda chinesa por matérias primas foi sua rápida urbanização, em uma escala sem precedentes. Nos últimos 35 anos, mais de 560 milhões de pessoas mudaram do campo para cidades, quase o equivalente a toda a população da América Latina.
    Em março, as autoridades chinesas oficializaram um plano nacional de urbanização com o objetivo de elevar a população das cidades para 60% do censo total até 2020. Isso implica um aumento de 100 milhões de pessoas que viveriam no espaço urbano: mais gente que a soma dos habitantes de Lima, São Paulo, Cidade do México, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Bogotá e Santiago. O investimento estimado é de 6,8 trilhões de dólares (15 trilhões de reais), em todo tipo de infraestrutura urbana.
    Esta decisão representa uma enorme oportunidade para a América Latina. Em primeiro lugar, porque os investimentos massivos em infraestrutura se traduzirão em uma demanda constante por matérias primas latino-americanas. Em segundo lugar, porque o aumento do poder aquisitivo das famílias urbanas chinesas abre possibilidades de diversificar nossas exportações com produtos de maior valor agregado.
    PONTE PARA AS IDÉIAS
    Esta nova visita do presidente Xi também indica que a relação entre China e América Latina deixará de ser exclusivamente comercial. Hoje, todos sabemos, com clareza, que o caminho para o desenvolvimentos sustentável passa pelo conhecimento, pela inovação, pela proteção do meio ambiente e por melhorias educativas e institucionais, além da necessidade de grandes investimentos em infraestrutura.
    A primeira ponte entre a China e a América Latina foi o comércio. O desafio atual é maior: devemos construir uma ponte para as ideias.
    Neste aspecto, o Banco Interamericano de Desenvolvimento tem a vocação e a experiência para canalizar esse diálogo. Esta semana, promoveremos em Lima, junto com o Governo do Peru e a Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS), a Cúpula China-América Latina de Políticas e Conhecimento. O encontro reunirá ministros ligados à área de habitação de Brasil, Chile, Equador e Peru, com autoridades do governo e acadêmicos da China para fomentar o intercâmbio em um tema vital para as nossas sociedades: a expansão urbana.
    Temos muitos desafios em comum: em 2020, tanto na China como na nossa região, haverá sete megalópoles com mais de 10 milhões de habitantes. Temos muitas experiências para compartilhar: a América Latina tem lições para tirar da cooperação público-privada e do planejamento nacional chinês, que coordena o crescimento das cidades com o desenvolvimento produtivo. A China poderia aproveitar algumas das soluções inovadoras que aplicamos para temas como a proteção social, os sistemas de transporte urbano e a melhoria dos bairros.
    Esperamos que este diálogo seja mais um passo no caminho em direção a uma cooperação mais plena entre duas regiões com uma história de encontros. Assim, o Pacífico será mais do que uma via de navegação para navios de carga: será uma ponte para intercambiar ideias. E graças a este tipo de infraestrutura conseguiremos encurtar a distância que nos separa do desenvolvimento.
    Luis Alberto Moreno é presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
     

  • "O Brasil não para de seduzir os chineses"

    Os 32 acordos bilaterais que a presidente Dilma Rousseff  e o presidente da China, Xi Jinping, assinaram nesta quinta feira em Brasilia foram definidos como “espécie de neo-colonialismo” pelo âncora do Jornal da Globo, William Waack.
    Segundo o influente jornalista, o Brasil está em total desvantagem nessa relação com os chineses que compram produtos primários – soja, petróleo, minério de ferro – e empurram aos brasileiros seus artigos industrializados, com maior valor agregado. Os 60 jatos que os chineses estão comprando da Embraer, por mais de 3 bilhões de dólares, não contam.
    Hoje a China é o maior parceiro comercial do Brasil.  Quando eram os Estados Unidos, embora o padrão das trocas fosse praticamente o mesmo, a relação era considerada um avanço. Na verdade, a visão de William Waack é que é de um colonizado (dos Estados Unidos).
    “O Brasil não para de seduzir os chineses”, foi o título do jornal  El País, de Madrid, para a matéria sobre os acordos assinados entre os dois países, nesta quinta-feira,17..
    O jornal espanhol mostra que em 2004, o Brasil fez sua primeira venda de soja para os chineses – 100 mil toneladas. No ano passado, os embarques de soja para a China somaram 33 milhões de toneladas.
    Nesses dez anos, os chineses investiram mais de 20 bilhões de dólares em 130 projetos no Brasil. Só no Campo de Libra, os chineses investiram 500 milhões,para adquirir 20% do consórcio (formado pela Shell, Total, Petrobrás) que vai extrair o petróleo do pré-sal. No centro-oeste, um projeto para processamento de 600 mil toneladas de milho por ano, vai receber R$ 320 milhões de investimento chinês.
    Foi Dilma Rousseff, quando ministra de Minas e Energia do governo Lula,  quem trouxe os primeiros investimentos da China para o Brasil, em 2004. Ela conseguiu financiamento de quase 400 milhões de dólares para viabilizar o projeto da 3ª.unidade da usina térmica e Candiota (RS) que estava há mais de 20 anos na gaveta.
    Obviamente, as relações comerciais com o gigante chinês, que segue crescendo a taxas assombrosas (7,5% de janeiro a junho)_ tem as suas tensões. A questão da terra´por exemplo:o governo brasileiro teve que criar uma lei em 2011 para conter a voracidade de grupos chineses que acenavam com mais de 4 bilhões de dólares para comprar terras no Brasil.
     

  • Imprensa: lição da Copa não serviu para nada

    A reunião do BRICS esta semana, em Fortaleza, serviu para mais uma demonstração da grave crise que vive a imprensa monopolista brasileira.
    A cobertura foi pífia, as análises medíocres, preconceituosas e orquestradas. Todos disseram praticamente a mesma coisa.
    O banco, criado pelo Brasil, China, India e África do Sul, como alternativa ao FMI e ao Banco Mundial (dominados pelos Estados Unidos), não passa de “uma ilusão de emergentes”.
    Os 32 acordos comerciais que a presidente Dilma Rousseff assinou com o presidente chinês, que podem envolver negócios de 30 bilhões, são “manifestações de neo-colonialismo”.
    As manchetes dos principais jornais  preferiram destacar as pesquisas de intenção de voto a quatro meses da eleição, quando a campanha nem começou.
    Ou, então, os “números preocupantes da economia” que, na verdade, não trazem novidade nenhuma.
    A lição da Copa do Mundo, quando previu uma catástrofe e foi clamorosamente desmentida pela realidade, não serviu para nada.
    A imprensa brasileira segue desdenhando dos fatos, quando eles não se encaixam na sua maneira de pensar, no discurso pré-pronto que confunde o governo, do qual não gosta, com o país, pelo qual deveria ter mais respeito. (EB)

  • Calar a "Voz do Brasil", plano antigo dos grandes grupos

    Considerado o “mais antigo programa de rádio do mundo” a “Voz do Brasil” está há muito tempo na mira  da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), o poderoso lobby dirigido pelos grandes grupos de comunicação do país.
    Com a Copa, eles conseguiram dar o primeiro passo: obtiveram do governo uma Medida Provisória para “flexibilizar” o horário do programa, que vai diariamente ao ar das 19 às 20 horas em cadeia nacional, envolvendo todas as emissoras de rádio do país.
    A Medida Provisória (MP 648/14) permitiu que durante a Copa, cada emissora escolhesse o horário mais conveniente, entre as 19 e as 22 horas.
    Agora, mal passou a Copa, uma comissão mista do Congresso aprovou um parecer para senador Ricardo Ferraço (PMDB~RS) para tornar permanente a “flexibilização” do horário do programa. O horário permaneceria fixo apenas para as emissoras educativas.
    Para Ferraço, a alteração responde às mudanças que atingiram a sociedade brasileira desde 1935, quando o programa começou a ser transmitido.
    — Mudaram-se os hábitos, o Brasil não é mais um país rural, é um país urbano. E, pela primeira vez, nós tivemos a oportunidade de experimentar um mecanismo diferente. Durante a Copa do Mundo, o horário foi flexibilizado, e as pesquisas apontam a aprovação, por parte da população brasileira, e até mesmo a ampliação da audiência — disse.
    “Será um erro crasso”, diz o jornalista Mário Augusto Jakobskind,  da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que opera o programa e produz parte dele.
    A “flexibilização”, segundo Jakobskind, “vai representar na prática  o fim da Voz do Brasil a médio e longo prazos, porque quem é que vai fiscalizar isso?”.
    O Brasil tem quase dez mil emissoras de rádio
    A dificuldade de fiscalizar também preocupa o Movimento em Defesa da Preservação da Voz do Brasil, que reúne organizações da sociedade civil.
    O coordenador do movimento, o jornalista Chico Sant’Anna, disse que programa é importante para dar transparência pública aos atos dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – e prestar contas à sociedade.
    Sant’Anna acredita que a flexibilização pode prejudicar populações que vivem em cidades distantes dos grandes centros urbanos.
    — É um importante elemento de informação para milhões de brasileiros. Uma pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República identificou que 60% dos moradores da Região Norte e 50% das regiões Nordeste e Centro-Oeste ouvem diariamente A Voz do Brasil e têm o programa como a única ou quase única informação do que acontece no Brasil.
    A ABERT argumenta que a mudança não diminuirá o acesso da população brasileira à informação. De acordo com o presidente da associação, Daniel Slaviero, durante a Copa do Mundo, apenas 31% das emissoras optaram por mudar o horário do programa e, segundo ele, teve melhores índices de audiência.
    A ABERT menciona uma pesquisa encomendada ao Datafolha, em fevereiro, em que 22% dos 2.091 entrevistados apontaram que passariam a ouvir mais A Voz do Brasil caso o horário fosse alterado.
    Para as entidades da sociedade civil, é exatamente a o aumento de audiência o que está na mira dos empresários.
    — Isso tem simplesmente o objetivo de faturar mais —diz Sant’Anna.
    Ele explica que os congestionamentos nas grandes cidades criaram um público-alvo em potencial para as emissoras, justamente no horário de transmissão do programa.
    — Elas querem ganhar um maior faturamento porque sabem que o motorista está preso no trânsito, e aí querem veicular mais anúncio naquele horário — explicou.
    A obrigatoriedade de transmissão do programa por todas as emissoras está na lei de 1962 que institui o Código Brasileiro de Telecomunicações.
    No início, os empresários, que são concessionários de um serviço público, queriam simplesmente extinguir a obrigatoriedade. Depois quando perceberam que seria dificil aprovar a mudança, passaram a pregar a “flexibilização”.
    Desde 2006, tramita no Congresso um projeto de lei com essa finalidade.
    O texto foi aprovado pela Câmara e já foi apreciado por comissões do Senado, onde aguarda votação em plenário. (Com informações da Agência Brasil)

  • Leite adulterado: MP na pista de mais uma fraude

    O Ministério Público Federal de Porto Alegre tem uma escuta telefônica em andamento para pegar mais um ramal de adulteradores de leite cru no Rio Grande do Sul.
    O Ministério Público já indiciou 43 pessoas pelas fraudes no leite no RS.
    Destas, sete já estão cumprindo penas que variam de dois anos em regime semi-aberto a 18 anos em regime fechado.
    Outras cinco estão presas enquanto seus processos não chegam ao fim.
    As outras aguardam em liberdade a tramitação de suas ações. Três indústrias deixaram de operar por causa das investigações. Dessas, o produto mais conhecido era o doce-de-leite Mu-Mu.
    A fraude foi detectada há dois anos pela fiscalização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa),
    No RS há 120 mil leiteiros cuja produção chega a duas dezenas de indústrias por meio de caminhões equipados com resfriadores, mas que operam nesse mercado sem licença nem treinamento.
    Com base nas descobertas feitas em um ano de investigações, o Ministério Público está reclamando ao Mapa que comece cadastrando os 600 transportadores em atividade.
    Alguns têm apenas um caminhão-toco, apto a entrar nas estradas vicinais, mas outros possuem frotas de 30 veículos, incluindo os chamados bitrens, capazes de transportar 60 mil litros por viagem.
    As investigações mostraram que esses intermediários têm poder de corrupção sobre toda a cadeia produtiva do leite, desde pequenos sitiantes até funcionários de indústrias que têm no leite sua matéria-prima básica.
    A fraude começa com o tradicional “batismo” de leite com água (para ganhar alguns centavos na pesagem do produto, remunerado pela indústria à base de R$ 1 por litro, em média), passa pela troca de amostras para análise biofísica e inclui, principalmente, a adição de soda cáustica, água oxigenada e ureia (com formol) para corrigir a acidez e a deterioração do produto, nem sempre submetido às melhores práticas na ordenha e resfriamento nos sítios produtores.
    Adulterar em alimentos é crime contra a saude e a economia popular. Em Brasília discute-se projeto para considerar a adulteração de alimentos crime hediondo, como já acontece com medicamentos e cosméticos.

  • Lei das antenas: por que a pressa?

    Nem o pedido do Conselho Estadual de Saúde encaminhado à presidencia da Câmara Municipal, com cópia a todos os vereadores, conseguiu adiar a votação do projeto do prefeito Fortunati (PLE 57/13).
    Tramitando em regime de urgência, o projeto que altera a “Lei das Antenas”, considerada uma conquista dos movimentos ambientalistas e comunitários da cidade, foi aprovada na noite de quarta-feira, 16, depois de três adiamentos  por falta de quorum.
    Apesar do ambiente adverso à aprovação, com abaixo-assinados de diversas entidades, pareceres técnicos e, agora, esse pedido do Conselho Estadual de Saúde, 21 vereadores votaram a favor da mudança, apenas 4 foram contra.
    O argumento principal em favor do projeto é a melhoria dos sinais para celular e internet na capital, com o aumento do número de antenas. Segundo a Agapan e os movimentos comunitários que criticam a mudança, o verdadeiro objetivo da nova lei é anistiar as operadoras que já tem mais de 500 milhões de reais em multas a pagar por instalações de antenas irregulares. Porto Alegre tem mais de 981 antenas instaladas, apenas 150 com a devida licença ambiental. Mais de 200 foram instaladas para a Copa, em regime de emergência, e devem permanecer.

  • JÁ VOLTAMOS

    Nosso projeto jornalístico tem origens no Jornal JÁ, lançado em Porto Alegre, em 1985.
    Continua essencialmente o mesmo, voltado para a produção de conteúdos jornalísticos diferenciados.
    A novidade é que agora, nesta nova fase, nosso foco se desloca do meio impresso para o digital.: conteúdo e internet.
    Queremos oferecer nosso serviço no mercado da informação diária em todos os seus segmentos: da notícia, da opinião, do debate.
    Não com uma cobertura extensiva, nem presa à instantaneidade. Com seletividade e verticalização.
    Não estamos ligados a partidos políticos ou grupos econômicos e procuramos encarar os fatos à distância dos interesses que os cercam.
    Tentaremos acertar. Esperamos que nos apontem os erros. Prometemos corrigí-los.
    O Editor

  • Plano diretor: "Estamos construindo o caos"

    Desabafo que arquiteta Eliana Castilhos, delegada da Região de Planejamento 1, postou nas redes sociais é um testemunho do ambiente que se criou no Conselho do Plano Diretor de Porto Alegre, onde a aprovação de grandes empreendimentos é empurrada guela abaixo dos conselheiros.
    Ao CMDUA
    Como delegada da Região de Gestão de Planejamento 1, encaminho a presente manifestação para que possa ser lida pelo Conselheiro da Região no CMDUA, com o devido apoio dos meus colegas delegados, que estão a par da presente manifestação.
    Peço aqui aos senhores um pouco do seu tempo, um pouco mais de 3 minutos. Refere-se à falta de esclarecimento que se furtaram a dar ao conselheiro da região 1.
    Há tempos ando observando que a pressa vem roubando a qualidade de vida. A pressa na verdade vem roubando a vida das pessoas. Poucas semanas atrás, um cobrador de ônibus esfaqueou 2 passageiros aqui em Porto Alegre. O motivo, os passageiros reclamavam do atraso do ônibus.
    O cobrador, nada tinha o que fazer. O trânsito está caótico. Basta sair às ruas para ver. Não era culpa dele. Mas ainda sim, as pessoas estão doentes. Todos estão doentes. Incluindo nós aqui do CMDUA, que na pressa de aprovar não estamos nem vendo o que estamos aprovando.
    No último dia 29, em abril de 2014, fui como delegada da Região de Gestão de Planejamento 1 ao Conselho do Plano Diretor, o CMDUA, acompanhar a votação do projeto de ampliação do Shopping Moinhos de Vento. De início estranhei quão poucos membros da comunidade estavam lá presentes. Depois viria a compreender, da forma mais decepcionante, o porquê.
    A votação do projeto já tinha sido levada ao CMDUA, quando o relator, representante da Região 2 de Gestão de Planejamento tinha votado contra o projeto. Quando isto acontece, o projeto é redistribuído… até aprovar. Em Porto Alegre, não existe o “não dá”. O conselheiro da Região 1, que é a região onde se encontra o empreendimento, havia informado que a comunidade não era contra o projeto, mas sim contra as contrapartidas determinadas e a forma de condução do processo. E pedia para tanto um estudo de vizinhança. Este sim, nunca regulamentado, apesar da necessidade alarmante de sua implantação.
    Democracia “patrolada”
    Na reunião do dia 29, novo relato, desta vez pela aprovação, afinal “a CAUGE já havia dado parecer favorável”. Mas se este fosse o parâmetro, então por que existir o CMDUA? O CMDUA existe justamente para questionar e fiscalizar, e isto eu realmente não vi. Preferia ter ouvido do relator que ele concordava com a CAUGE e não que ele não se julgava capaz de questioná-los.
    Após o relato, o presidente do CMDUA (Secretário de Planejamento) sequer deu espaço para os poucos representantes do Movimento Moinhos Vive manifestarem sua opinião. Seria o mínimo para uma democracia. Mas no conselho, a democracia foi “patrolada” pela PRESSA dos conselheiros, para literalmente se “livrarem” dos processos.
    O Conselheiro da Região 1 ingenuamente fez uma pergunta sobre a Área Livre Permeável. Na reunião anterior sobre este mesmo assunto, informaram não poder responder pois era assunto da SMAM e seu representante não estava presente. Desta vez, o conselheiro da SMAM estava presente mas informou não ser com ele e sim com o representante da SMURB. A SMURB por sua vez não respondeu…
    Estava fazendo outra coisa… o representante saiu da sala como se não fosse com ele… e sequer deram uma justificativa, uma resposta, nem que sim, nem que não, nem que talvez. Simplesmente NÃO RESPONDERAM NADA.
    Na pressa de votar, a grande maioria aprovou esta ampliação. O conselheiro da própria região 1 parecia não acreditar no fato de que não era merecedor de uma mínima resposta. Eu mesma não acreditei que esta era a forma de condução dos projetos no CMDUA. O grupo do Moinhos Vive tentou se manifestar e recebeu uma solicitação para que “ficassem quietos”. Sinceramente, ultrajante.
    Chocada pela forma de tratamento, não percebi a velocidade de apresentação do empreendimento proposto junto ao Barra Shopping. Apresentado tão as pressas que sequer pudemos compreender ao certo o que se quer no local. Deste, só entendi os 80 metros de altura, e perguntei a mim mesma sobre seu impacto sobre a paisagem.
    Apenas eu, por que os demais pareciam estar lá se enganando ao ouvir que seria um empreendimento “ecologicamente correto”. E que por isso deveria ser aprovado. Há anos atrás ouvi este mesmo discurso do projeto Gigante para Sempre do Sport Clube Internacional. E hoje, o que temos lá? Piso impermeável, entulhos sem nenhum responsável… aliás, parece que ninguém mais é responsável pelo o que faz.
    Caos
    Sempre considerei o CMDUA como um espaço democrático. Hoje, estou realmente duvidando disto. Aprovam-se projetos de impactos significativos, de grande porte, com maior velocidade do que se aprova uma simples residência. Alguns empreendimentos têm várias medidas mitigatórias ou compensatórias, outros, quase nenhuma. O CAOS das ruas é o reflexo disto, desta disparidade.
    Não nos deixam conferir as informações, os estudos. Sob a alegação de incapacidade técnica, nos furtam o nosso direito mais básico de questionar. E quando somos técnicos e questionamos aspectos técnicos, o silêncio é a maior afronta, que passa desapercebida por muitos.
    Cada um que votou a favor dos grandes empreendimentos sem um estudo decente, cada um que minimiza os impactos de um grande empreendimento, cada um que acha que tudo é possível , no fundo, co-autor de todos os crimes e acidentes que ocorrem nesta cidade. Gente morrendo nas calçadas, pessoas atropeladas, ciclistas mortos… estamos promovendo o caos. Cada um de nós. Onde está o estudo da Ampliação do Shopping do Iguatemi?
    Isso sem falar as decisões antagônicas? No centro, vamos aumentar as calçadas, e reduzir o tráfego de veículos. No Moinhos de Vento (lugar lindo pelas suas calçadas bem cuidadas), vamos reduzir calçadas, vamos destruir a sua ambiência. No Petrópolis, manutenção de casas antigas com alguma qualidade. No Jóquei, lugar de um dos mais importantes exemplares modernistas, ninguém avalia o impacto do novo empreendimento sobre o exemplar. Dá pra entender? Não, não dá. E quando eu digo nós, é por que quando calamos, concordamos. E aqui, no CMDUA, parece que todos concordam.
    Está chegando, porém, o dia em que a falta de planejamento vai realmente custar caro. Pois até então estávamos falando de obras. E hoje, falamos de vidas. Novamente afirmo, estamos promovendo o caos. Estamos apoiando o gasto de recursos em obras inúteis enquanto o povo sofre sem ter condições mínimas de saúde e de educação. Estamos vivendo num mundo de faz-de-conta, mas o faz-de-conta está sumindo pelo aumento da violência. E entre idas e vindas, gasta-se 1 milhão de reais em um chafariz seco que ninguém vê, que ninguém usa. Esta é a nossa Porto Alegre.


     Eliana Hertzog Castilhos
    Delegada da RGP1

  • Porto Alegre: Conselho detona Plano Diretor

    Denúncia do arquiteto e  urbanista Ibirá Santos Lucas. Ele diz que os conselheiros estão votando com “enorme irresponsabilidade”. “Mudam regime com a maior naturalidade,,,regularizam absurdos de construções irregulares…
    “O CMDUA está flexibilizando a lei do plano diretor, de uma forma impactante na vida da cidade.
    Mudam regime com a maior naturalidade…regularizam absurdos de construções irregulares sem se quer cobrar multa sobre a infração…só querem aprovar mais vagas de estacionamento, sem ter claro um plano para viabilidade disto…está muito mal o CMDUA.
    Os conselheiros votam sem conhecer os processos, os relatores mal e mal tomam conhecimento do assunto e já manifestam seu “veredicto”.
    Todos os conselheiros estão votando com enorme irresponsabilidade.
    Quando generalizo “todos os conselheiros” é porque quando um processo é aprovado significa que o CMDUA aprovou!
    Faz se necessário repensar os abusos cometidos no conselho.
    É simples verificar isto, basta sabatinar os conselheiros sobre os processos em votação, não sabem nada do processo e votam em grupo, pois sabem que será aprovado e pronto, isto é enorme falta de responsabilidade com a comunidade portoalegrense.
    Quando você não sabe o suficiente para votar bem, “SE ABSTENHA”.
    Quando não deram esclarecimentos suficientes sobre o processo, “SE ABSTENHA”.
    Não seja como gado, passando todos pelo mesmo brete, monitorados por interesses!
    Ibirá Santos Lucas
    Arquiteto e Urbanista
    Conselheiro IIº suplente da RP1