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  • Atletas que superam os limites físicos e do preconceito

    Para Ádria é fácil correr sem enxergar, basta ter concentração (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

    Naira Hofmeister

    Superação de limites: é essencialmente disso que se fala ao tratar com atletas paraolímpicos. Eles são cegos, não têm braços ou pernas, sofrem de deficiência mental e não querem ser diferentes. Ou melhor, buscam o direito de serem respeitados como tal.

    Muito além das restrições físicas, é preciso força para lidar com mentes limitadas e com o preconceito, ainda muito presente no cotidiano destes atletas. Mais do que apoiar a equipe brasileira paraolimpica, a Caixa Econômica Federal – patrocinadora do Comitê Paraolimpico Brasileiro – está iniciando a reversão de paradigmas históricos contra esse segmento da população.

    Neste final de semana será realizada a quinta etapa do Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolimpico de Atletismo e Natação, no centro Esportivo da PUC/RS. As quatro anteriores foram um verdadeiro sucesso, reunindo uma média de 500 participantes por etapa. Além das provas, o circuito integra os atletas com a sociedade, principalmente com as crianças, realizando atividades de conscientização em escolas.

    O futebol de cegos – onde os meninos devem fazer gols com os olhos vendados – e o basquete sobre rodas – no qual eles podem experimentar a sensação de disputar um jogo sobre a cadeira de rodas -, trazem a realidade dos portadores de deficiência para a sociedade em geral. “Isso é imprescindível, pois mostra à eles que ali estão heróis e heroínas”, diz Antônio Tenório, cego e tri-campeão olímpico de judô. “A pior marca que possamos fazer passa a não ter importância quando estamos com as crianças”, acredita Roseane dos Santos, a Rosinha, recordista mundial no lançamento de peso em Atenas que é amputada da perna esquerda.

    Com o incentivo financeiro oferecido pela Caixa, o esporte paraolimpico vêm se desenvolvendo com velocidade, arrecadando mais espaço na mídia, descobrindo novos talentos e aperfeiçoando os já existentes: “É a primeira vez que temos um circuito profissional brasileiro, e com ele, os índices do atletas têm melhorado muito”, afirma Sérgio Gatto, vice presidente do CPB. Mas completa: “Precisamos que a iniciativa privada descubra também essa área, para que outras modalidades ganhem o mesmo destaque que estão tendo a natação e ao atletismo”. O contrato com a Caixa será renovado, garantiu Joaquim Lima, representante do banco, que investiu em 2005 mais de 3 milhões de reais na equipe paraolimpica. E, humildemente, revela: “É a Caixa que está usufruindo desses atletas. O esforço, o resultado e a determinação é toda deles. Nosso papel e só dar condições para que isso apareça”.

    Velocidade às cegas

    Ádria Rocha dos Santos tem uma trajetória esportiva que somente os maiores ídolos mundiais conquistaram. Com a visão comprometida desde o nascimento, já aos treze anos começou a correr. Apenas um ano depois, conquistava sua primeira vaga numa paraolimpíada. Aos 18 ficou completamente cega, mas isso não influenciou em nada sua carreira: a atleta já participou de cinco mundiais.

    Difícil correr sem enxergar? “Nãããoooo… é bem fácil, basta ter concentração”, responde com a maior naturalidade a atleta. Para uma velocista com ela, é imprescindível o entrosamento com o atleta guia, aquele que vai conduzir o deficiente visual pela pista. Mas a interferência não passa disso: “Ele orienta durante a prova, avisa quando há curvas ou retas e me incentiva”, ela diz. Mas Luiz Rafael Krub, guia de Ádria, desmente a atleta: “Quando ela entra na pista, já sabe direitinho onde esta”.

    A atleta já ganhou diversos títulos, inclusive o ouro nos 100mm e a prata nos 200m e 400m em Atenas. Apesar de campeã, a atleta sofre com preconceito e seu objetivo é fazer com que seja vista com profissional do esporte e não como deficiente “Na hora em que a bandeira sobre, e que toca o hino, é igual à olimpíada tradicional”.

  • Sinduscon “Paz e Amor”


    Antônio Zago, diretor do Sinduscon, quer diálogo para que haja avanços na discussão do Plano Diretor (Foto: Tânia Meinerz/JÁ)

    Guilherme Kolling

    O Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) manifestou à imprensa, em mais de uma oportunidade nos últimos meses, o desejo de aprofundar o diálogo com os movimentos de bairro para avançar no debate do Plano Diretor. O arquiteto Antônio Carlos Zago, 49, que representa a entidade para falar do assunto, acredita que a discussão com as associações de moradores está amadurecendo. “Até pelo convívio entre as partes, que estão vendo os pontos em que convergem”, explica. E também pela postura do Sinduscon que, mesmo mantendo suas posições, dá mostras de que está numa linha mais “paz e amor”.

    Ao mesmo tempo em que busca o diálogo com representantes da comunidade, o Sindicato revela críticas ao poder público, sobretudo à administração do PT, que não se posicionou durante a avaliação da lei, deixando o Siduscon como alvo da insatisfação da população. Finalmente, Zago explica porque o mercado imobiliário se concentra em poucos bairros, sugerindo que este quadro pode ser mudado através de uma decisão política, de dar infra-estrutura a outros locais da cidade. O que depende, na avaliação dele, também da aplicação das sete estratégias do Plano Diretor, ainda não implementadas.

    JÁ – Como avançar no Plano Diretor?
    Antônio Zago – O Sinduscon sempre se propôs ao diálogo. Participamos de todas as reuniões, desde o primeiro PDDU (Plano Diretor de 1979), e antes disso também. E num debate se vai para expor idéias, ouvir os outros, concordar ou discordar. Acredito que já faz muito tempo que nós estamos nesta linha. Outros movimentos surgiram ao longo do tempo, então questões novas estão surgindo.

    JÁ – A discussão com os movimentos de bairro esteve muito acirrada, a ponto de ter vaias e bate-boca num debate.
    Zago – A lei municipal se antecipou a uma tendência. Estavam surgindo alguns formadores de opinião com relação a essa discussão. E o PDDUA, aprovado em 1999, contempla essa participação. Passou quatro anos sendo discutido. E depois regrou a participação através das regiões de planejamento. Foi formando, legitimando essa participação dos bairros. O fato novo ocorreu nesse último Plano Diretor em função de um incentivo que a lei trouxe de participação popular.

    JÁ – Por que houve um conflito mais forte?
    Zago – Quando houve essa oportunidade da manifestação organizada da população, as suas reivindicações encontraram eco. Pessoas formadoras de opinião discordam de algumas questões da legislação. E encontraram o fórum apropriado para suas discordâncias. Por que em determinado momento houve um certo conflito?

    JÁ – Por quê?
    Zago – Tem dois momentos na nossa defesa do Sinduscon. O primeiro é que essa é a lei vigente e não podemos dizer que vamos atuar a margem dela, nem defender nenhuma idéia que queira virar a mesa. Lutamos pelo que está normatizado através da lei. Aí somos intransigentes. O segundo momento é o conteúdo da lei. Existem pessoas que querem rasgá-la e estabelecer tudo o que elas pensam. Acho legítimo pensar em contrário ao que está na lei, mas não agir em contrariedade a ela. A própria lei prevê que no terceiro ano de cada mandato seja feita uma avaliação. Começou uma polêmica porque grupos defendiam modificações no Plano sem cumprir essa etapa da avaliação. Isso é estar agindo contra o que está na norma, então somos contra. Como entidade, nunca defendemos que o Plano Diretor é perfeito, imutável, porque compreendemos que é algo dinâmico, que cresce ou fica estagnado conforme a cidade.

    JÁ – Há dois anos o Sinduscon dizia que era cedo para avaliar o Plano. Qual a avaliação hoje, após cinco anos?
    Zago – O Plano Diretor foi lastreado em sete estratégias. Se formos analisar, não foram aplicadas as sete. Então, se foi aplicada só parte do Plano, ele ainda não está aplicado, pode haver problemas. Por exemplo, o que tem a ver a estratégia de implementação econômica com o prédio que está lá na Bela Vista? Aparentemente nada, mas tem e muito. O investidor escolhe um bairro onde a infra-estrutura está disponível, não um local que não tem infra-estrutura. Quando se vê uma acentuada tendência de determinados bairros em Porto Alegre serem mais densificados do que outros, é porque alguma coisa está motivando isso.

    JÁ – É a tese da infra-estrutura ociosa, de que uma área da cidade pode receber mais gente para aproveitá-la.
    Zago – Se o poder público investisse em outros bairros, seria possível fazer uma seleção melhor do produto que é lançado na cidade. Mas como não tem esse investimento – não precisa nem ser o poder público, pode incentivar a iniciativa privada a investir… É possível levar a cidade para outros lugares e desfazer essa pressão de densificação em determinados locais. Tem que ser a partir de uma decisão política, de promover equipamentos urbanos, infra-estrutura em outros locais. Se isso for feito, tira essa concentração.

    JÁ – Um estudo da Secretaria do Planejamento aponta que a densidade em alguns bairros já é superior a desejada para aproveitar a infra-estrutura.
    Zago – Também acho que tem. Mas o Plano Diretor também prevê uma capacidade de suplementação de infra-estrutura. Um exemplo grosseiro. “No bairro tal, para aumentar a capacidade de infra-estrutura eu gasto x. Para colocar uma nova, gasto x + y, que é mais caro”. As vezes é mais fácil investir onde já tem infra-estrutura, são apenas alguns itens para colocar. Por exemplo, se comparar o Moinhos de Vento com o Partenon. No Moinhos tem que implementar escoamento de água, drenagem. Mas não precisa colocar outro parque, nem uma série de outros equipamentos urbanos. Fica mais econômico investir ali, é só suplementar. No Partenon, tem que fazer um parque, criar atrativos para ter um supermercado, comércio local. Então como o poder público vai funcionar: “onde vai ser mais eficaz a verba que eu tenho? Onde tem que investir menos”. É um raciocínio simplista, imediatista, de quem não planeja, de quem tapa furo.

    JÁ Pode sair mais caro a longo prazo.
    Zago – É uma decisão política, tem que ser vista não só do ponto de vista de investimento, mas de proposta de implementação econômica da cidade como um todo. Se for colocada mais infra-estrutura em alguns bairros, a tendência é o mercado ir se acomodando, os picos de preços baixarem, existir mais oferta, mais emprego. É uma maneira de estimular, mas tem que ter a visão de que vai lançar primeiro e depois colher.

    JÁ – Tem como quebrar esse ciclo?
    Zago – Tem, não estamos lutando só por uma utopia. Todos nós, associações de bairro e entidades organizadas, temos convicção de que alguma coisa pode ser feita. As entidades têm até feito contrapontos, discussões mais aquecidas, mas nós estamos participando. Tenho a convicção de que o poder público tem que participar com mais responsabilidade nessas discussões. O governo atual está começando a promover algumas coisas, não se pode dizer ainda do que se trata. O governo anterior viu que seria atacado e buscou uma estratégia de se manter afastado da discussão, que se deu em torno das entidades.

    JÁ – Não mediou o debate da avaliação do Plano Diretor?
    Zago – Até mediou, mas ele não é o mediador, é uma das partes interessadas. Tem que participar, se posicionar. São consensos que nós temos que tirar. As pessoas colocam: “No bairro x estão construindo além do que suporta. Não está mais vendendo, estão ‘micando’ os imóveis”. Em determinados locais tem razão.

    JÁ – Não tem demanda…
    Zago – Neste momento naquele local. Mas por que acontece isso, o empreendedor é burro? Não, é porque não tem opção. O terreno está disponível, ali tem infra-estrutura,  equipamento urbano, mobiliário urbano. Não vou tirar meu prédio, por exemplo, aqui do Petrópolis, e atravessar a avenida Ipiranga.

    JÁ – É um investimento a longo prazo?
    Zago – O incorporador não faz esse raciocínio, trabalha com custo financeiro, taxa de retorno. O incorporador não teve opção. Alguns imóveis acabam ficando desocupados, não por opção. A velocidade de venda é menor do que a planejada, mas vai ser vendido com certeza.

    JÁ – Em resumo, a única opção é investir onde tem infra-estrutura. Como mudar isso?
    Zago – Temos cobrado do governo atual, cobrávamos do governo anterior. Está sendo feito um investimento enorme na Terceira Perimetral. Onde essa via passa, gera transformação, podemos aproveitá-la. O mais caro, que é ter acesso rápido nesses bairros, está sendo implementado. Agora tem que colocar algum tipo de atrativo para as pessoas irem para lá, para que se implante um pequeno comércio, algumas ramificações, que saiam desse eixo Terceira Perimetral para dentro dos bairros. Pode ser sem desembolsar grandes valores, fazer com que esses investimentos privados se desloquem para esses lugares, via lei ou via incentivos: menos restrições em determinados terrrenos – que não causem problemas de sombra, enfim, glebas maiores -, obras diferenciadas. Em troca, implementa-se ou se dá manutenção em uma praça ou parque.


    Para o sinduscon, Terceira Perimetral é alternativa para desenvolver outros bairros da cidade
    (Foto: Ricardo Giusti/PMPA/JÁ)

    JÁ – O Plano Diretor foi deturpado porque só ficaram definidas as regras para construir, outros complementos não saíram do papel. Qual sua avaliação sobre essa análise?
    Zago – Isso aí (regras para construir) está totalmente implementado. Agora os demais itens que fazem com que a cidade se torne um organismo mais homogêneo, não foram implementados. Concordo. Se fôssemos criar um Plano Diretor só sob o ponto de vista de edificação e não tivéssemos o regramento para outras coisas – mobilidade urbana, etc., seria um Plano Diretor com uma concepção errada, não estaríamos falando da cidade como um todo. Então, se o Plano Diretor está tendo só parte de suas estratégias aplicadas, só uma ou duas, também está errado.

    JÁ – Não está faltando a pressão do Sinduscon para implementar? Ou é bom como está?
    Zago – É muito ruim. Até sob o ponto de vista de mercado, concentrar os produtos em seis bairros é um péssimo negócio, porque estamos com o custo do terreno aumentando, tendo que diminuir ou estagnar valor dos imóveis prontos. A falta de normatização do que está proposto no Plano Diretor também leva a interpretações, atos administrativos que tem ferido a lei.

    JÁ – Mas não falta uma pressão maior na Prefeitura e na Câmara?
    Zago – Na Conferência do Plano Diretor (em 2003), começamos por essa questão, listamos as sete estratégias e reclamamos aquelas que não estavam implementadas. Pressionamos o poder público, o Executivo e o Legislativo nesse sentido. Que a cidade não pode ser vista só sob o ponto de vista do regramento para edificar. Está errado, queremos que sejam implementadas todas estratégias, para que o Plano possa ser visto como um todo.

    JÁ – O regime urbanístico, as alturas estão bem postas?
    Zago – Em muitos lugares está bem posto, atendendo as expectativas. Em alguns lugares tem que avaliar, merecem um estudo para ver se essa tendência não pode causar algum problema. Em alguns lugares urge que se faça uma modificação. Na maioria, o que se vê é que o Plano Diretor não gerou e não vai gerar problemas.

    JÁ – Para ver isso precisa de monitoramento. A Secretaria do Planejamento diz que falta gente…
    Zago – A Secretaria do Planejamento tem falta de técnicos, verbas e por isso falta o serviço. Eles têm técnicos de boa qualidade, mas que não estavam sendo utilizados para planejar o município. Estavam sendo utilizados para aprovar ou não aprovar o que está escrito na lei. Para que a Secretaria volte a cumprir seu papel, precisa de investimento.

    JÁ – Qual sua avaliação da gestão Fogaça nesse setor?
    Zago – Não dá para dizer a que veio o atual governo. Ainda não tem nada implementado. No primeiro momento, ele retirou todos os projetos de lei que o governo anterior enviou para a Câmara no apagar das luzes. Acho legítimo. Mas tem que ter um pouco mais de pressa em tornar público qual é o pensamento com relação aos projetos. Eu não tenho conhecimento – e olha que eu sou membro do Conselho do Plano Diretor! – de nenhuma grande alteração dos projetos que foram recolhidos da Câmara. Está um pouco devagar a volta desses projetos. Tem que trazer a discussão.

    JÁ – E a agilização prometida nos licenciamentos, está acontecendo?
    Zago – Não, diria até que agravou um pouco a situação, porque sempre que muda a administração fica mais lento num primeiro momento. Não quer dizer que esteja parado. Ouve-se falar de uma intenção de implementar agilidades em tramitação de processos, cortar alguns caminhos que se revelaram só burocráticos, sem eficiência. Para se ter uma idéia, um escritório de arquitetura entra com um projeto e demora um ano para aprová-lo. Mas o projeto sai lá na outra ponta com uma mudança de 1%. Não se justifica todo esse tempo.

    JÁ – Dez meses sem enviar um projeto de lei do Plano Diretor à Câmara, chega a ser uma decepção?
    Zago – Antes de colocar uma decepção, reivindicamos que esses projetos sejam conhecidos. Não só do Sinduscon, da cidade, das entidades interessadas em participar. Estamos com áreas praticamente congeladas, a espera de que seja regrada a questão das áreas de interesse cultural. O famigerado decreto ainda está em vigor.

    JÁ – Especialistas do patrimônio histórico dizem que essas áreas terão regras especiais para que sejam preservadas. Por que o Sinduscon fala em “congelamento”?
    Zago – Quando se tem um regime instituído por lei, ele pode provocar maior ou menor adensamento, mas está regrado. Agora quando não está definido em lei, está congelado. Não se tem segurança legal para investir, está congelado. Quem vai investir em um negócio que não tem segurança? Aprova-se um projeto e aí se diz: “Não, aqui tem um estudo que determina que não pode densificar tanto”.

    JÁ – Se esse estudo for aprovado e virar lei. Deixa de estar congelado?
    Zago – Deixa de estar congelado. Havendo o regramento claro, o investidor vai dizer se quer ou não quer. Então, começa a restringir o potencial construtivo nessa zona. Teoricamente o terreno passa a ter um valor menor, pelo menos num primeiro momento. E no momento seguinte o valor do terreno vai aumentar, inverte a situação. Vai ter menos obra, menos gente. Então, se tem menos gente, vou cobrar por essa privacidade. Vai se tornar mais caro. Vai elitizar esse bairro.

    JÁ – O que falta para o projeto ir para a Câmara e resolver essa situação?
    Zago – Não sei se ir para a Câmara é a solução. A solução é ter um projeto, discutir, ver se é bom, consistente. Alguns movimentos acham que foi suficiente o que foi debatido. Acho que não, tem que ter alguns critérios. Vamos imaginar: “Pretendo que Porto Alegre não se modifique mais. Ela está contando uma história”. Vamos considerar isso legítimo. A primeira coisa a fazer é capacitar a cidade a preservar tudo isso. “Eu, poder público, com o que arrecado aqui, consigo repor a infra-estrutura. Então, consigo preservar a história cultural contada através dos sítios, da paisagem urbana”. Pronto, institui a lei, promulga e cumpre. Agora, se não tenho capacidade de absorver a cidade inteira, começo a diminuir para o que eu posso de fato preservar. Essas áreas vão contar a história da cidade. Tem que ser no tamanho viável e sustentável.

    JÁ – São grandes demais as áreas propostas pelo estudo e no decreto vigente?
    Zago – Eu acho que são grandes demais. Em função de uma casa listada para ser tombada, diminuem a densificação de uma área enorme, quarteirões inteiros, não é só o entorno. Isso vai afetar a capacidade de manter esse bairro, o que é feito através do pagamento do pessoal que mora nele. Vai elitizar esse bairro. É só ver na lei, cada unidade deve ter no mínimo 300 metros quadrados. Não vai ter renda suficiente para se auto-sustentar, e outro bairro vai sustentar essa aglomerado urbano elitizado. É injusto, distorcido. Os instrumentos de preservação têm que ser mais eficazes.

    JÁ – “Elitizado” aqui se refere ao resto da cidade bancar uma área?
    Zago – O conceito de elitizado tem a ver com o tamanho do imóvel, que determina o preço. Hoje, o tamanho do terreno é 75m2 por economia (residência ou escritório) vai passar para 300m2. Onde teria quatro apartamentos vai ter um. Menos famílias vão morar ali, vão pagar o preço por um imóvel maior, mais caro, mas a contribuição, em vez de ser de quatro famílias, vai ser de uma. Menos gente vai usufruir do mesmo equipamento que, para ser mantido, vai precisar de recursos de fora, lá onde a população tem um nível social mais baixo. Vai elitizar. Vamos atrás do que é possível, antes que o ideal faça tudo ir por terra. Não pela ação do homem, mas pela falta de ação. Passa no Petrópolis depois dessa corrida para sair do bairro. O que tem de casas, jardins abandonados. Daqui a pouco entra um mendigo, tocam fogo…

    JÁ – O que significa “essa corrida para sair do bairro”?
    Zago – Muitas pessoas vendo que seu imóvel poderia perder valor diante de uma iminente diminuição do potencial construtivo, quiseram se desfazer do terreno, da casinha, antes que baixe mais o valor. Mas ninguém vai querer comprar. Eu me nego a fazer estudo de área em Petrópolis, não tem mercado, não tem quem queira investir.

  • Livro aborda participação do negro na Revolução Farroupilha

    Um massacre de escravos ocorrido durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), em Cerro dos Porongos, é o ponto de partida do livro Lanceiros Negros (JÁ Editores, 2005, 144 páginas, patrocínio Copesul, R$ 13,00 na Feira do Livro), dos jornalistas Geraldo Hasse e Guilherme Kolling. O lançamento será neste sábado, 20h30, no Pavilhão de Autógrafos da Feira do Livro de Porto Alegre.

    A partir do episódio, que até hoje provoca polêmica, a obra reconstitui a história dos regimentos formados por escravos, que existiram praticamente em todas as guerras gaúchas do século XIX e que tiveram papel destacado na fixação das fronteiras no extremo Sul do Brasil. O livro mostra também como estes fatos de um passado já remoto estão atualmente mobilizando intelectuais e ativistas que a partir deles pretendem “refundar a história do negro no Rio Grande do Sul”. Neste esforço, até o Governo está engajado, seja na construção de monumentos, no tombamento de bens culturais ou na pesquisa de referências históricas.

    A obra Lanceiros Negros mostra ainda uma cronologia dos eventos guerreiros no Cone Sul, e conta a tradição do uso de lanças no pampa, desde o século 18, chegando até a Revolução Farroupilha, quando se descreve como foi feita a organização e o recrutamento dos lanceiros, e sua importância estratégica na Guerra dos Farrapos. O livro traz ainda um panorama da escravidão na época dos Farrapos.

    Edital para construção de memorial aos lanceiros será lançado nesta segunda

    Os 161 anos do massacre de Porongos, ocorrido em 14 de novembro de 1844, serão lembrados nesta segunda-feira, aniversário do episódio no Cerro de Porongos, em Pinheiro Machado. A cerimônia marca lançamento do edital de um concurso público para escolha do projeto do monumento que será erguido no local da batalha.

    Além de lideranças do movimento negro, que tem trabalhado pela causa nos últimos anos, representantes do Governo, que se aliaram à causa estarão presentes: o secretário da Cultura do Rio Grande do Sul, Roque Jacoby, o arquiteto José Albano Volkmer, assessor da Sedac e presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), além de integrantes da Prefeitura de Pinheiro e da Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura. O edital deve ser publicado em dezembro no Diário Oficial da União. O evento marca o lançamento da Semana Estadual da Consciência Negra, cuja data máxima é o 20 de novembro, dia em morreu Zumbi dos Palmares.

  • JÁ Editores é destaque na Feira

    Banca está localizada em frente ao Memorial do Rio Grande do Sul (Foto: Cleber Dioni)
    O sol dos últimos dias tem animado os visitantes da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre. A JÁ Editores desponta na preferência dos amantes de bons livros e lançamentos de importância histórica.
    Localizada em frente ao Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega, a banca 79 tem à disposição livros da área de comunicação social, especialmente jornalismo, teatro e cinema. O mais vendido até agora é “Tarso de Castro – 75kg de músculos e fúria”, de Tom Cardoso, da Editora Planeta. A obra apresenta a trajetória do jornalista gaúcho Tarso de Castro, um dos mais polêmicos e debochados profissionais da época da ditadura, fundador do Pasquim. Na segunda posição, “Meu querido Vlado”, de Paulo Markun, da Editora Objetiva. Memórias e histórias de Vladimir Herzog e sua geração sob a ótica do jornalista Paulo Markun.
    Dos lançamentos da JÁ Editores, o mais procurado é “Lanceiros Negros”, de Geraldo Hasse e Guilherme Kolling. O livro, que terá sessão de autógrafos no sábado (12/11), às 20h30min, recupera toda a recente mobilização do movimento negro, abordando Porongos, na Revolução Farroupilha, e a tese da refundação da história do negro. Os leitores também têm se interessado
    pela biografia “O menino que se tornou Brizola”, de Cleber Dioni, e “Inter – Orgulho do Brasil”, de Kenny Braga.
    O mais recente lançamento da editora, que acaba de chegar à Feira, é o perfil biográfico do jurista e professor de Direito Darcy Azambuja, falecido em 1970, escrito pelo jornalista Geraldo Hasse. O livro inclui um volume com uma coletânea de contos de Azambuja, representativa de sua produção literária. Hasse autografará no domingo (13/11), às 17h30min.
    JÁ Editores também marca presença com outro lançamento deste ano, “A Patrulha de Sete João”, do jornalista Euclides Torres, escrito a partir do diário deixado por um mercenário alemão, e a segunda edição de “O Editor sem Rosto”, de Elmar Bones, que investiga a vida de Luigi Rossetti, revolucionário italiano que organizou e editou O Povo, o jornal oficial da Revolução Farroupilha.

  • Proprietários de sebos farão Feira só de usados

    Naira Hofmeister
    Quem vai à Feira do Livro, em geral, prefere lançamento. Tanto que, mesmo nas barraquinhas de livros usados, os mais procurados são os chamados livros de ponta – aqueles que estão no topo da lista dos mais vendidos. Para inverter um pouco essa lógica da novidade, criar uma cultura de memória e de valoração do livro antigo é que cerca de 23 proprietários de sebos se uniram numa associação, atuante desde abril desse ano.
    A primeira grande ação pública vai ser a Feira do Livro Usado, em maio de 2006. “Vamos colocar à venda obras raras e aquelas que não são mais editadas”, antecipa André Nunes Gambarra, secretário da associação de sócio da Livraria Nova Roma. O evento vai ter os mesmo moldes da tradicional Feira do Livro de Porto Alegre, porém, com outro enfoque.
    Sessões de autógrafos serão praticamente impossíveis, mas a programação paralela vai ser intensa. A bibliofilia – coleções de livros temáticos ou raros – vai ser amplamente explorada e os organizadores também pretendem homenagear uma cidade: “Descobrimos que há cerca de 10 cidades co-irmãs de Porto Alegre e uma delas será a escolhida”, afirma Zeca Poli, proprietário da Noigandres. Ele diz que já estão em contato com o Consulado Russo – onde fica uma das candidatas -, que está se comprometendo a ajudar.
    Extra-oficialmente, a associação já conseguiu o apoio da Prefeitura para organizar a feira: “Roque Jacobi nos prometeu toda a ajuda”, conta Zeca Poli. Eles pretendem solicitar apoio das LICs para montar a estrutura do evento, que, também como a ‘irmã inspiradora’, vai ter cobertura de lona para a chuva.
    Se não der certo, também não tem problema: “Mesmo que a gente não consiga apoio nenhum, o que queremos é realizar a primeira edição, por mais simples que seja”, idealiza André Nunes. Eles se mostram confiantes, no entanto: “Acho que uma feira de sebos é simpática aos olhos de quem investe em cultura e a mídia está dando bastante força para a associação”, afirma.
    Para além do objetivo de organizar uma feira, a Associação do Sebos planeja ações que valorizem os livros de segunda mão. “Uma boa parte do acervo de livro usado vai fora, isso significa memória que foi perdida”, lembra Zeca Poli. Ele também alerta para aqueles que deixam os livros que não usam mais, no “papel velho”, ou seja, para a reciclagem: Dava ao menos para doar aos colégios”, acredita.
    A Associação ainda editou um Mapa dos Sebos no estado, em papel jornal, bem simples, que, além da localização de 20 lojas de usados no Rio Grande, traz uma receita para eliminar as traças e para proteger capas de couro dos livros usados (reprodução abaixo). Se depender de exemplos ilustres, a idéia vai vingar. Durante essa entrevista, Jorge Furtado passeava os olhos por alguns exemplares da banca do Zeca…
    Dica prática para matar traças de um livro
    Envolver o livro em um saco plástico grosso bem lacrado, colocá-lo no freezer por 48 horas. Após retirá-lo, deixá-lo em local bem ventilado e aberto, depois poderá guardá-lo pois a traça não será mais problema.
    Receita para proteger livros com capa de couro
    100 ml de óleo de mocotó;
    35 gr de cera de abelha ou carnaúba;
    5 gr de timol;
    5 ml de álcoo etílico
    Dissolver a cera e o óleo em banho-maria, deixar esfriar mexendo sempre, depois dissolver o timol no álcool e misturar tudo. Aplicar nas capas com pano macio, deixar secar por 12 horas e lustrar com flanela limpa e seca (essa fórmula pode sr feita em farmácia de manipulação). *Também pode ser passado nas capas de era com silicone.
    Fonte: Mapa dos Sebos do RS – Editado pela Associação dos Sebos do Rio Grande do Sul.

  • Wangari Maathai: Cientista e ativista

    Roberto Villar Belmonte*
    A professora Wangari Muta Maathai nasceu em 1940 na cidade de Nveri, no Quênia, e foi a primeira mulher a obter um título de Doutora no Leste e no Centro da África. Em 1964 ela graduou-se em Ciências Biológicas no Mount St. Scholastica College em Atchison, no Kansas (EUA). Dois anos depois concluiu o mestrado na Universidade de Pittsburgh. Depois de realizar o doutorado na Alemanha, Wangari obteve Ph.D na Universidade de Nairobi onde lecionou anatomia animal.
    De 1976 a 1987, Wangari participou ativamente do Conselho Nacional da Mulher do Quênia onde começou a mobilizar grupos de mulheres em torno da campanha para o plantio de árvores. Mais de 30 milhões de árvores já foram plantadas através do Movimento Cinturão Verde (www.greenbeltmovement.org). Em 1998, ela passou a defender o cancelamento da dívida externa dos países pobres da África. Atualmente, a Prêmio Nobel da Paz 2004 trabalha no Ministério do Meio Ambiente do Quênia.
    Corremos um risco enorme
    A Prêmio Nobel da Paz de 2004, Wangari Maathai, concedeu uma entrevista coletiva no dia 14 de outubro para jornalistas ambientais de 32 países reunidos em Monte Porzio Catone, a 40 quilômetros de Roma. A seguir trechos da conversa com os repórteres presentes no III Fórum Internacional de Mídia Meio ambiente, caminho de paz promovido pela Associação Cultural Greenaccord.
    O consumo excessivo dos recursos naturais é um estilo de vida imposto pela nossa cultura ocidental e reforçado pelos meios de comunicação. É possível mudar esta tendência de hiper-consumo?
    Wangari: Eu creio que precisamos elevar o nível da nossa consciência moral, voltar a ter uma perspectiva ética em relação aos recursos naturais e às outras criaturas. O problema é que ainda achamos que os nossos recursos durarão para sempre. Sem elevar o nosso nível de consciência ética, não poderemos entender que esse nível de vida tão elevado para poucos em detrimento de muitos não pode seguir adiante. No meu país, o Quênia, pelo menos 10% das pessoas vivem desperdiçando recursos porque querem imitar o nível de vida do mundo rico. Os recursos não são suficientes. Os países ricos exploram os recursos naturais dos pobres, e os poucos ricos dos países pobres fazem o mesmo. A nossa forma de lutar contra a pobreza é lutar contra esta forma de hiper-consumo não apenas no mundo industrializado, mas também nos países em desenvolvimento onde lamentavelmente estamos copiando o mundo rico em detrimento do nosso povo. Se seguirmos por este caminho, corremos um risco enorme.
    Como garantir dignidade aos refugiados ecológicos que cada vez mais migram dos países devastados do Terceiro Mundo para a Europa e Estados Unidos?
    Wangari: É muito difícil para um ser humano sentar e ficar sofrendo até a morte. Quando ele percebe que pode procurar uma vida melhor em outro país, ele migra. É preciso solidariedade e compaixão com estas pessoas que buscam um lugar melhor para viver. Mas é preciso também garantir condições para que estas pessoas possam viver nos seus próprios países com dignidade. É por isso que eu defendo o cancelamento da dívida externa para permitir investimentos locais que possam melhorar a economia dos países pobres dando mais condições de trabalho às populações.
    Como evitar a atual destruição florestal na África?
    Wangari: Recentemente eu fui chamada a ajudar na luta contra a destruição da floresta do Congo, a segunda maior do planeta depois da Amazônia. A questão é que não temos recursos suficientes para impedir a devastação. Tem muita pobreza no meu continente, mas a África não é pobre, tem muitas riquezas no solo e nas selvas. Os países desenvolvidos exploram os nossos recursos sem qualquer escrúpulo. A exploração madeireira no Congo está destruindo a biodiversidade. A culpa é também dos nossos líderes africanos. Eles permitem que isto aconteça porque querem copiar o mundo desenvolvido. A imprensa não deveria falar só dos aspectos negativos do continente africano, mas nos ajudar a mobilizar a população e os nossos líderes.
    Diante de tantos problemas ambientais, a senhora mantém o otimismo?
    Wangari: Eu sempre sou otimista. Eu acordo pela manhã e sinto que tenho muitas razões para viver. Vivemos em um planeta que é único. O maior problema que temos é a ignorância. Tem muita gente que não sabe nada das mudanças climáticas. Este fenômeno é geralmente apresentado com dados complicados. Muitos chefes de estado não se convencem que tem que intervir. Nós não podemos deixar de insistir para que os nossos dirigentes tomem decisões. Temos que estar convencidos que podemos fazer algo. Depois que as costas forem invadidas pelo mar e os campos inundados pelos rios, não haverá mais o que fazer. É fundamental que todos juntos insistam com os nossos líderes para que tomem consciência do risco e da gravidade da situação e pensem não apenas nas vantagens de curto prazo, mas em políticas de longo prazo.
    *Roberto Villar Belmonte participou do III Fórum Internacional de Mídia Proteção da natureza, um caminho de paz à convite da Associação Cultural Greenaccord. Matéria publicada no jornal Extra Classe

  • Grafiteiros querem expressar sua arte

    O projeto busca lugares inovadores para as pinturas (Foto: Carla Ruas)

    Carla Ruas

    Mostrar o grafite como arte. Esta é a proposta do projeto “Identidade de Rua” que ocorre de 11 a 17 de novembro em Porto Alegre. Durante este período, o Instituto Trocando Idéia Tecnologia Social (TRI) promove a pintura de vagões da Trensurb (Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre) e de cabines telefônicas pela cidade. Além disso, onze grafiteiros terão suas telas leiloadas em evento no Santander Cultural. A idéia é trazer mais visibilidade para o movimento do grafite e também o reconhecimento da população gaúcha para o trabalho dos grafiteiros como artistas.

    A grafitagem de quatro vagões do trem que atende a Região Metropolitana de Porto Alegre promete chamar a atenção dos usuários. Os carros recebem a pintura a partir do dia 11 na Estação Aeroporto, e devem permanecer ate fevereiro em circulação. Para Fabiana Menini, presidente do Instituto Trocando Idéia, o objetivo é conquistar lugares inovadores para que os grafiteiros possam expressar a sua arte: “Queremos que o grafite tenha novos espaços, novos suportes, e que cada vez mais a cidade seja colorida pelos artistas”.

    O grafite, ou street art, também poderá ser visto pelos porto-alegrenses nas cabines telefônicas das ruas Independência e 24 de outubro. O trabalho será realizado por alunos iniciantes da Oficina de Stencil do Projeto Morro da Cruz para a Vida. Fabiana acredita que as manifestações serão bem recebidas pelos moradores da cidade. “Porto Alegre já conhece e respeita o grafite e sabe fazer as diferenças entre as formas de escrita urbana, pichação, grafite e máscaras”, conta.

    A idealizadora do projeto afirma que apesar da cidade ser conhecida como uma capital cultural e eclética, o reconhecimento do grafite é fruto de muito trabalho: “Tem sido um espaço conquistado desde 1999, quando começamos nossas primeiras ações no centro, através do Projeto Trocando Idéia”, afirma. Essas reuniões, que promoviam o intercâmbio entre adeptos do movimento hip-hop, deram origem a uma ONG. Hoje o Instituto Trocando Idéia Tecnologia Social tem a sua atuação voltada para a inclusão social de jovens por meio de capacitação profissional e formação para geração de renda.

    No dia 8 de dezembro, painéis em grafite de onze artistas ainda serão leiloados no Santader Cultural. A renda adquirida será destinada para aumentar o acervo da Biblioteca Popular Preto Ghoez, no Morro da Cruz. Entre os grafiteiros que participam estão Trampo, Cirilo, Mateus Grimm, Borrão, Pane e Paula. “Nossa intenção é reforçar que grafite é arte, e mostrar a cara de 11 grafiteiros e grafiteiras que têm se destacado na rua” conclui Fabiana.

  • Começa a temporada do corre-corre


    As calçadas do Centro ficaram livres dos produtos dos camelôs irregulares (Fotos: Naira Hofmeister)

    Naira Hofmeister

    A vendedora de sorvetes na rua Voluntários da Pátria estranhou: “Ué, hoje não tem camelô na rua?”. Pelo jeito, a senhora fazia parte de uma minoria que não estava informada sobre a ação da Smic contra o comércio de mercadorias ilegais no centro de Porto Alegre. As ruas onde os camelôs se aglomeram diariamente estavam na manhã desta segunda-feira (7) liberadas para o trânsito de pedestres. A maioria da população aplaudiu a atitude da Prefeitura.

    A Prefeitura promete revezar diariamente quase 100 fiscais da Secretaria de Indústria e Comércio no controle dos chamados “caixinhas”, os ambulantes não autorizados pela prefeitura, que vendem principalmente óculos, CDs falsificados. Eles foram divididos entre as áreas mais criticas, 30 se concentrando na Praça 15 e outros 60 espalhados pelas ruas laterais, como Voluntários da Pátria, Otávio Rocha, Borges de Medeiros e Salgado Filho.

    “A orientação é manter a atenção e não deixar montar a barraquinha. Recolher a mercadoria e identificar o vendedor, para que não retorne mais”, explica Rogério Teixeira Stockey, chefe da fiscalização da SMIC.

    A Brigada Militar destacou um corpo especial para dar apoio à ação. Segundo o comandante da operação, Capitão Trajano, serão dezenove homens pela manhã e outros dezenove à tarde, motos e viaturas. Porém, no primeiro dia da ação dos fiscais nas ruas do Centro da Capital, o número de policiais foi maior. Havia um policial em cada esquina do Centro e vários circulando pelas ruas.

    Apesar da presença ostensiva, o Capitão Trajano afirma que “não vai haver confusão”. Ele adverte que a SMIC tem poder para interferir no comércio ilegal e que seus comandados só estão garantindo a integridade dos fiscais: “Os camelôs podem sair administrativa ou criminalmente; nesse caso, a Brigada vai atuar”, explica.


    Poucos ambulantes se arriscaram a vender as mercadorias

    Nas primeiras horas de operação, foram apreendidos cerca de 500 CDs e DVDs com um homem e alguns óculos de sol com outro vendedor. Os fiscais ainda recolheram dois expositores, onde seriam colocadas as mercadorias. Não houve confusão e ninguém foi preso.

    Para a gerente da Loja Multisom da Otavio Rocha, Maria Duarte, a fiscalização vai garantir as vendas do comércio legal: “Perdemos cerca de 50% da venda diária por causa deles”. Ela explica que, na loja, um lançamento chega a custar R$ 35,00; no camelô, o mesmo CD sai por três reais.

    Ambulantes camuflaram as vendas

    A presença de policias e agentes da Smic intimidou os ambulantes. Poucos se arriscaram a vender as mercadorias. Camuflado no meio dos legalizados, um homem sentado numa cadeira repetia frase já tradicional “CD ou DVD, amiga”? Garantiu que a mercadoria não estava toda com ele, “mas pede aí, que eu arranjo ligeiro”, finalizou.

    Na esquina da Dr Flores com a Voluntários da Pátria, três vendedores se reuniram para definir qual a melhor estratégia. Diane puxava o coro: “Vamos fazer protesto, gente!”. Com o passar do tempo, o número aumentou. O único consenso era de que não havia condições para trabalhar. Fora isso, as sugestões eram diversas: “Vou vender na parada de ônibus, se for preciso”, disse um. Outro não queria nem saber: “Vamos quebrar tudo!”. O rapaz acredita que assim a Smic voltaria atrás na decisão.

    Daiane conta que não esta na rua por opção, mas por necessidade: “Tenho que levar fraldas e leite para minha filha. Já pensou se eu não arrumo dinheiro hoje”? E completa: “Não trabalho para ninguém. Eu já fiz ficha na C&A e na Marisa, mas nenhuma me chamou. E olha que eu tenho estudo”. Daiane tem o segundo grau completo. Para ela, um dia de trabalho rende cerca de R$ 150,00: “Em dia bom, até R$ 300,00”.

    Depois das 10 horas da manhã, alguns mais corajosos começaram a estirar as lonas amarelas na calçada e armar as banquinhas. Na Marechal Floriano com a Salgado Filho, Alexandre e Odorico estavam ressabiados, mas como a mercadoria deles não é pirateada, acreditam que não serão atingidos: “Vou colocar só uns dois ou três quadrinhos e ficar na manha”, disse Odorico. Alexandre aproveitou para fazer uma crítica à fiscalização da Secretaria: “Eles fazem tudo errado. Primeiro liberam o ano inteiro, as ruas ficam tomadas de camelôs, e agora, que tá todo mundo acostumado, eles resolvem nos mandar embora.”

    Sidney, que normalmente freqüenta a Praça 15, hoje estava um pouco mais escondido. Escolheu uma esquina da Riachuelo e se manteve atento à fiscalização. Ao perceber uma Kombi vindo em sua direção, saiu correndo e entro num estabelecimento – provavelmente de amigos. Mas o automóvel não era da Smic e Sidney voltou sorrindo, aliviado: “Vou ficar aqui até que me peguem”, desafiou.

  • Romance conta história de mercenário alemão na Revolução Federalista

    A patrulha de sete João (JÁ Editores), do jornalista Euclides Torres, é um romance que abrange o período mais violento da história do Rio Grande do Sul. Ao contar a história de um imigrante, Torres retrata os costumes no interior do Rio Grande do Sul, as guerras no Sul do continente e a imprensa gaúcha na segunda metade do século XIX.
    O autor relata em 208 páginas a epopéia dos mercenários alemães contratados pelo Império do Brasil para lutar contra a Argentina em 1851. Serve-se do diário deixado por um deles para esboçar um resumo dos costumes e principais fatos ocorridos na região do Rio da Prata naquele tempo. Esses mercenários, que integravam a Legião Estrangeira, foram apelidados de brummer, que em alemão significa resmungão, pessoa ranzinza.
    A partir da história real de um soldado prussiano, que pegou em armas para defender o Brasil em troca de dinheiro e terras, foi delineado o retrato de uma época. Joseph Meurers, o marceneiro que virou soldado, jamais ganhou a terra prometida, mas adotou o Rio Grande do Sul como sua nova pátria. Instalou-se em Caçapava do Sul, onde prosperou como comerciante e acabou seus dias como uma das dez mil vítimas da mais cruel guerra civil sul-americana.
    O personagem central da narrativa, nascido em Dusseldorf em 1827, morreu queimado vivo nos cerros de Caçapava em 1893, constituindo-se num dos mais infames crimes praticados na guerra civil. O mergulho de Torres no diário deixado por Joseph, foi o ponto de partida para este livro.
    Ao pesquisar a vida dos brummer e a sua inclusão na sociedade gaúcha, o autor procura mostrar a influência que esses mil e tantos legionários tiveram na economia, nos costumes e na própria história do Estado. Muitos pagaram com a vida o amor à nova pátria.
    O autor
    Euclides Torres, 58 anos, jornalista, estréia com este livro. Formado pela PUCRS, repórter e redator de diversos jornais do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Caçapava do Sul, foi professor de jornalismo na UFSM e na UFRGS e patrono da Feira do Livro de Caçapava, em 2002. Em Caçapava, fundou em 2000 o semanário Gazeta de Caçapava, que dirigiu até 2003.
    Sessão de autógrafo na Feira do Livro
    Dia 7, segunda, 20h30, Pavilhão de Autógrafos
    A patrulha de sete João, de Euclides Torres
    JÁ Editores, 2005, 208 páginas, R$ 20 (preço promocional Feira do Livro)

  • Carvão com responsabilidade ambiental?

    Carlos Matsubara
    O maior aproveitamento do carvão mineral na matriz energética brasileira com respeito ao meio ambiente estará em debate no final de novembro, em Porto Alegre. Promovido pela Secretaria Estadual de Energia, Minas e Comunicações e pela Companhia Riograndense de Mineração (CRM), o 1º Fórum Internacional do Carvão Mineral – Energia Segura com Responsabilidade Ambiental, receberá renomados especialistas nacionais e internacionais, nos dias 28 e 29 de novembro, no auditório do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul.
    O secretário estadual de Minas e Energia, Valdir Andres, acredita que a grande vantagem do carvão mineral é ser uma fonte de energia segura, com grande versatilidade operacional em função da capacidade de armazenamento de seu combustível, independente de fatores climáticos ou de alterações no mercado internacional. “Qualquer país desenvolvido reserva uma boa parcela ao carvão na sua matriz energética”, diz ele.
    Por isso, defende Andres, o uso do carvão é fundamental para a diversificação da matriz energética brasileira, atualmente dependente da geração hídrica, que responde por 97% da energia produzia. O carvão tem apenas 1,2% deste mercado. No mundo, a produção hídrica de energia é de 19% e a de carvão de 40%. No RS, a geração hídrica é de 66% e a de carvão de 12%.
    Empregos
    O carvão é visto como pelo governo do Estado como uma alternativa econômica vigorosa para o desenvolvimento da Metade Sul, uma das regiões mais empobrecidas do Rio Grande do Sul. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para cada R$ 1,00 aplicado em usinas termelétricas, o retorno é de R$ 3,49, e o efeito multiplicador para cada emprego direto criado na indústria carbonífera é de 8,32. Os subprodutos do carvão – como argila e cinza – podem possibilitar a criação de um Pólo Cerâmico na Metade Sul do Estado.
    Meio ambiente
    O efeito nocivo do carvão, ou seja, o seu impacto ambiental, segundo a secretaria de Minas e Energia, já faz parte do passado. “Com as novas tecnologias disponíveis atualmente, que permitem uma queima limpa do carvão com emissões dentro dos rigorosos padrões de exigência ambiental, o impacto sobre a natureza é ínfimo”, afirma o secretário. Ele enfatiza que as novas plantas de usinas termelétricas possuem o completo gerenciamento das emissões de partículas poluentes e que as plantas antigas igualmente passam por um processo de modernização, com o acompanhamento e respaldo dos órgãos ambientais.
    ONGs contestam uso do carvão
    Para o Núcleo Amigos da Terra Brasil (NAT), o carvão mineral significa doenças respiratórias, contaminação dos mananciais hídricos, alteração da paisagem, contaminação do solo e energia cara. Há pelo menos duas décadas os ambientalistas gaúchos afirmam sua posição contra o carvão mineral impedindo a conclusão das Usinas Térmicas de Jacuí e Candiota. “O povo catarinense também tem se mostrado firme no repúdio a mineração que tanto degrada o sul do Estado”, destaca Káthia Vasconcellos do NAT.
    A entidade promoveu durante o Fórum Social Mundial, em janeiro deste ano, duas oficinas sobre o assunto. A primeira tratou de As verdades não ditas sobre o carvão e a outra da – Termelétrica de Cachoeira do Sul- Quem perde com a sua instalação?
    Os encontros contaram com a participação de um dos diretores da Copelmi na época, Carlos de Faria, que afirmara estar preocupado com a questão. A empresa é uma das principais exploradoras do mineral no Rio Grande do Sul, na região Carborífera, no Baixo Jacuí. “Estamos desenvolvendo o que é possível”, disse Faria. Como exemplo ele cita o plantio de acácia no solo minerado, que serve de indutor para o retorno de uma terra agriculturável depois de oito anos. Faria disse que as normas ambientais são rígidas no Estado, mas que grande parte das termelétricas gaúchas são obsoletas, feitas sem preocupação do com o ambiente. Por isso, muitos equipamentos estão sendo trocados, principalmente para minimizar a emissão de material particulado e dióxido de enxofre (SO2).
    Esta é uma das preocupações dos cachoeirenses. “Queremos uma termelétrica que respeite o meio ambiente, não essas que estão sendo implantadas na China e no Iraque”, aponta Alberto Bescow, da União do Piquiri, um dos distritos do município. Ele acha que a situação está servindo para despertar a consciência ecológica da comunidade.
    Poeira no ar
    Káthia esclarece que, no caso da queima do carvão mineral, a poluição existe sempre, independente do processo. “A queima limpa é diferente da emissão zero”, adverte. No caso de Cachoeira, a ambientalista acrescenta que no Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) a empresa CTSul informa que lançará 256 gramas/segundo de Material Particulado, o que corresponde a 22 toneladas/dia. Se a usina utilizar 50% da sua capacidade serão lançados na atmosfera 10 ton/dia de poeira.
    O uso da biomassa a partir de madeira e de cascas de vegetais pode baixar os custos da energia e as emissões de dióxido de carbono, criando empregos. A avaliação é resultado de um estudo divulgado em maio pelo World Wide Fund for Nature (WWF) em conjunto com a Associação das Indústrias Européias da Biomassa, da Inglaterra. Segundo o documento, a utilização de biomassa poderia cortar as emissões de dióxido de carbono em cerca de 1 milhão de toneladas por ano, o equivalente às emissões combinadas do Canadá e da Itália. A biomassa, atualmente, satisfaz 1% das necessidades energéticas de países industrializados, mas esse percentual pode chegar a 15% até 2020, conforme o relatório. Na Europa toda, 22% da eletricidade já são oriundos de fontes renováveis
    Para o Greenpeace, o uso do carvão é um retrocesso medieval. A usina Jorge Lacerda, no Capivari de Baixo, em Santa Catarina, foi alvo de protestos da ong ano passado. Os ativistas protestaram contra a sua emissão de poluentes, que estaria comprometendo seriamente os recursos hídricos, a Mata Atlântica, o solo e o ar da região sul de Santa Catarina.
    Por conta de pressões desse tipo, o Ministério Público Federal de Tubarão obrigou o Complexo Termelétrico a passar por uma auditoria ambiental, que deverá estar concluída até o final do ano. A decisão de primeira instância, em ação civil pública patrocinada pelo MPF foi proferida no final de agosto e mantida pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, em recurso impetrado pela Tractebel Energia, multinacional proprietária do complexo de usinas movidas a carvão mineral produzido na região de Criciúma.
    A intenção MPF, ao ajuizar a ação civil pública, com o pedido da auditoria ambiental é uma completa revisão do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) das usinas do complexo. O MPF afirma em sua denúncia que o complexo termelétrico estaria sendo ampliado sem qualquer vigilância ambiental e seu EIA/Rima estaria defasado e seria extremamente precário.
    A juíza da Vara Federal de Tubarão, Gysele Segala da Cruz, decidiu em 29 de agosto, que era imprescindível a realização de uma perícia para esclarecer os fatos alegados pelo Ministério Público, ressaltando, no entanto, que o objetivo da prova pericial é verificar a necessidade ou não de realização da auditoria. Conforme a magistrada, as questões controvertidas do processo passam pela análise do EIA/Rima que atualmente sustenta o funcionamento da usina e se estão sendo cumpridas as políticas nele previstas.
    A Tractebel Energia recorreu ao TRF em Porto Alegre, em segunda instância, contra a ordem da Justiça Federal de Tubarão. Para o desembargador federal Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, relator do recurso no tribunal, a determinação da juíza deve ser mantida, pois não existe dano irreparável que justifique a sua suspensão.
    Além de firmarem posição contra a construção de novas usinas a carvão mineral e contra a falta de controle ambiental daquelas já em operação no país, os ambientalistas critica a postura dos países ricos. As ONGs, inclusive, lançaram, em maio do ano passado o movimento Coalizão Carvão Não! no qual pediam que fossem canceladas as instalações de novas usinas que usassem o carvão como matéria-prima e desativadas as atuais, eliminando o passivo ambiental. A coalizão foi formada por Greenpeace, NAT, Agapan e Coalizão Viva Rios (ONGs de RS, SC e PR). O livro Carvão- o Combustível de Ontem, em formato PDF pode ser encontrado no site www.natbrasil.org.br
    Saiba Mais
    A maior reserva de combustível fóssil do Brasil é composta justamente por carvão, responsável por 50% dos recursos energéticos não renováveis existentes em solo nacional. A energia nuclear vem logo em seguida, com 26%, e o petróleo aparece com apenas 10% das reservas.
    – Os 32 bilhões de toneladas de carvão existentes no Brasil – um estoque três vezes maior que as reservas de petróleo – possuem um potencial de 18.600 Megawatts (MW) de geração de energia para cem anos de operação.
    As vantagens para o RS, segundo a Secretaria de Minas e Energia
    – Concentração das Reservas Nacionais na Região (89% no RS);
    – Projetos de Usinas Termelétricas situados na Metade Sul do Estado (região deprimida economicamente);
    – Geração de empregos na cadeia produtiva do carvão (mineração e operação de usinas);
    – Necessidade de maior participação da geração térmica, devido à instabilidade dos reservatórios das usinas hidrelétricas da Região Sul, conforme tem-se constatado nos períodos de estiagem (importação de 80% de energia para o RS no início de abril);
    – Os projetos das termelétricas à carvão previstos, atualmente, atendem à legislação ambiental;
    – Os projetos possuem tecnologia de alta eficiência e mínimo impacto ambiental – queima limpa do carvão.
    – Possibilitar um maior intercâmbio de energia com o Uruguai e Argentina através das termelétricas à Carvão;
    – O Carvão é um combustível nacional, o que possibilita uma maior independência energética;
    – Aumento da segurança energética na região sul, podendo participar do suprimento ao Sudeste, quando necessário;
    Situação dos projetos termelétricos no Estado
     
    Usina Termelétrica Jacuí I
    Investidor: Eleja S.A., com investidores alemães
    Localização: Charqueadas – Região do Baixo Jacuí
    Investimentos: U$ 200 milhões
    Capacidade Instalada: 350MW
    Prazo de término do projeto: 30 meses
    Geração de empregos:
    Diretos: 1.400 na construção e 580 na operação (usina e mineração);
    Indiretos: 3.400 em toda a cadeia produtiva;
    Situação: – As obras civis foram iniciadas em 1985, tendo atingido avanço físico de 85% o que representa 40% do total do projeto;
    – O projeto Jacuí foi habilitado pela ANEEL e pela para participar do próximo Leilão de Energia;
    -Possui licença ambiental – LP
     
    Usina Termelétrica Seival
    Investidor: Copelmi, com investidores norte-amercianos
    Localização: Candiota
    Investimentos: U$ 800 milhões
    Capacidade Instalada: 350MW
    Prazo de construção do projeto: 36 meses
    Geração de empregos:
    Diretos: 2.500 na construção e 500 na operação (usina e mineração);
    Indiretos: 2.720 em toda a cadeia produtiva;
    Situação:
    – O projeto Seival foi habilitado pela ANEEL para participar do próximo Leilão de Energia;
    – Possui licença ambiental – LP.
     
    Usina Termelétrica Candiota III
    Investidor: CGTEE, com investidores chineses
    Localização: Candiota
    Investimentos: U$ 286 milhões
    Capacidade Instalada: 350MW
    Prazo de construção do projeto: 30 meses
    Geração de empregos:
    Diretos: 1.500 na construção e 250 na operação (usina e mineração);
    Indiretos: 3.000 em toda a cadeia produtiva;
    Situação: – Possui licença ambiental – LP
    – O projeto participará do próximo Leilão de Energia;
     
    Usina Termelétrica CTSUL
    Investidor: CTSUL, com investidores chineses
    Localização: Cachoeira do Sul
    Investimentos: U$ 740 milhões
    Capacidade Instalada: 650MW
    Prazo de construção do projeto: 36 meses
    Geração de empregos:
    Diretos: 1.200 na construção e 800 na operação (usina e mineração);
    Indiretos: 2.100 em toda a cadeia produtiva;
    Situação: – Projeto em fase final de licenciamento ambiental;
    – Deve estar habilitado para concorrer ao leilão de energia nova
    Chineses dependentes do carvão
    Em uma rápida olhada à situação das minas de carvão da China, a editora de Ciência da revista Newsnight, Susan Watts, concluiu que a dependência do país desse tipo de combustível é inevitável. Oito por cento da eletricidade gerada na China vêm da queima de carvão. E há planos para 544 novas estações de eletricidade movidas a carvão.
    No entanto, o carvão é uma das maiores fontes do aquecimento global. Se as usinas de eletricidade chinesa continuarem a seguir nesta rota, será impossível evitar efeitos perigosos em termos de mudança climática.
    Além disto, os engarrafamentos em Pequim estão aumentando. Agora, uma em cada quatro famílias chinesas tem um carro. Mas a economia dos combustíveis fósseis, em especial a do carvão, tem efeitos negativos também para os trabalhadores. Em apenas um dia em que a editora Watts visitou o país, morreram 214 mineiros, devido à explosão de gás em uma mina.
    Oficialmente, seis mil pessoas morreram em minas de carvão chinesas em apenas um ano. E o metano, gás que explode nas minas, tem efeito estuda 20 vezes maior que o dióxido de carbono.
    Nos EUA, usina deve gastar US$ 1bi para reduzir poluição do ar
    A Nova Fonte de Revisão (NSR) do Clean Air Act, lei mais importante sobre poluição do ar dos Estados Unidos, é o motivo que está levando a Ohio Edison Company, subsidiária da FirstEnergy Corp., a ter que desembolsar US$ 1,1 bilhão para reduzir emissões em sua planta energética a carvão, a W.H. Sammis Station, de Stratton, Ohio. Os Estados de Nova Iorque, Nova Jersey e Connecticut, que são coautores da queixa contra a empresa, estão representando contra ela em uma ação federal.
    Há um requerimento para que a Ohio Edison reduza emissões de dióxido de enxofre (SO2) e óxidos de nitrogênio (NOx) da planta de Sammis, em cerca de 212 mil toneladas por ano. Os controles de poluição e outras medidas requeridas pelo requerimento deverão custar US$ 1,1 bilhão.
    A Sammis Station é uma das maiores fontes de poluição do ar dos Estados Unidos, tendo emitido um total de cerca de 205 mil toneladas de dióxido de enxofre (NOx) em 2003. Após um julgamento de quatro semanas nesse mesmo ano, a Corte do Distrito Sul de Ohio concordou com o governo em que a empresa havia violado a NSR. A Corte não levou o caso a um segundo julgamento para determinar que os controles de poluição, penalidades e outras formas de remediação seriam requeridas por essas violações.
    A Sammis Station terá que reduzir suas emissões de SO2 e de NOx em um total de 134,5 mil toneladas de SO2 e 28,567 mil toneladas de NOx por ano.