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  • Cisne Branco e Prefeitura de Santa Cruz lançam Roteiro turístico hidro-rodoviário

    O Barco Cisne Branco e a Prefeitura de Santa Cruz do Sul reúnem imprensa e convidados em Porto Alegre nesta terça-feira, dia 06, às 19h, para lançamento do Roteiro Turístico “Hidro-Rodoviário” .
    O evento contará com a presença de César Antônio Cechinato, secretário da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Ciência e Tecnologia de Santa Cruz do Sul e da proprietária do Cisne Branco, Adriane Hilbig, além de representantes de entidades ligadas ao turismo e autoridades da região.
    “Teremos no barco uma ambientação característica de Oktoberfest, com comidas e músicas típicas alemãs”, explica Adriane. A noite também prevê a realização da 22ª edição do evento Conversando com o Turismo – Gerando Negócios da Noratur Trade Turístico.

  • Nos 120 anos do Correio do Povo, a segunda morte de Breno Caldas

    JOSÉ ANTONIO PINHEIRO MACHADO
    Com a mesma discrição que viveu, o jornalista Breno Caldas teve no dia 1º de outubro passado sua segunda morte.
    O fato ocorreu nos festejos dos 120 anos do Correio do Povo e na edição comemorativa a essa importante data. Breno Caldas foi o jornalista mais importante da história do Correio do Povo.
    Filho do fundador, Caldas Júnior, Breno Caldas comandou o jornal durante 50 anos ― os 50 anos em que o Correio do Povo se tornou um dos jornais mais importantes do País.
    Apesar disso, seu nome não mereceu destaque na edição comemorativa do jornal. Na verdade, o Correio do Povo de hoje, que comemora os 120 anos que não viveu, é bem diferente do Correio do Povo que construiu a lenda: o Correio do Povo de Breno Caldas.
    A primeira morte do jornalista Breno Caldas, sua morte física, ocorreu em 1989, aos 79 anos, depois de uma agonia quase tão dolorosa quanto a do jornal que dirigiu durante meio século, o Correio do Povo.
    Fui seu amigo durante seus últimos anos, quando já estava longe de ser um dos 10 homens mais ricos do Brasil, co­mo foi considerado pela revista Veja nos anos 1970.
    Aproximei-me de Breno Caldas movido pela perplexidade que, desde 1984, atingia a maioria dos gaúchos: co­mo e por que o Correio, a publicação ma­is importante do Rio Grande ― e uma das mais importantes do Brasil ―, quebrou?
    Era a história incrível de um jornal que tinha deixado de circular apesar de ter invejável espaço publicitário e 90 mil assinaturas pagas.
    Já tinha ouvido as opiniões e análises mais diversas, mas eu queria saber a versão do personagem principal: o que pensava a respeito aque­le homem enigmático que tinha sido uma espécie de Vice-Rei do Rio Grande, e que, depois da derrocada, se recolhera a um silêncio impenetrável na sua bela propriedade da Ponta do Arado?
    Nossos primeiros contatos foram mui­to difíceis, pois o “Dr. Breno” não admitia a idéia da publicação de um depoimento seu sobre o fim do Correio do Povo:
    “Ninguém está interessado nas desculpas de um falido”, dizia, com sua inesgotável capacidade de rir de si mesmo.
    Se não fosse nossa paixão em comum por alguns esplêndidos cavalos, espe­cialmente os egressos dos campos de criação do inesquecível Marcel Boussac, as conversas não teriam ido adiante: talvez tivessem ficado naquele final de uma tarde luminosa de inverno em que tomamos chá inglês Earl Grey com bis­coitos caseiros, quando visitei-o pela primeira vez.
    Mas, por causa dos cavalos, voltamos a conversar, e o assunto voltou para o jornal. Por fim, o constrangimento do empresário mal sucedido sucumbiu diante da sensibilidade do velho redator- chefe, e Breno Caldas concordou em me conceder um longo depoimento que resultou no livro “Meio Século de Correio do Povo —Glória e Agonia de um Grande Jornal”― o livro mais vendido da Feira do Livro de Porto Alegre de 1987, que obrigou a Editora L&PM a imprimir uma segunda edição durante a Feira.
    Como ficou claro no livro, Breno Caldas tinha a dizer, é claro, muito mais do que desculpas sobre a falência; e muito mais gente do que ele imaginava estava interessada na sua versão.
    Quase todos perceberam esse lado épico de uma tragédia shakesperiana: ele perdeu sua fortuna tentando salvar sua paixão, o jornal.
    Mas o livro não tem o depoimento de um ressentido, mas sim o balanço de alguém que chegou ao fim da vida com seu dever cumprido. Nas saborosas reminiscências de um velho jornalista, Breno Cal­das retratou de forma impiedosa, os equívocos – especial­mente os dele – que levaram sua empre­sa a mergulhar em dívidas impagáveis quando decidiu renovar o parque gráfico e implantar uma emissora de TV. Tam­bém fez um libelo corajoso com acusações (que não tiveram contestação) a políticos e governantes da época que deram a voz de comando: “Vamos que­brar o Breno!” Atribuía isso a um ajuste de contas de poderosos, descontentes com sua “excessiva independência”.
    Era um homem conservador, mas, como lhe confidenciara um general, “não inteira­mente confiável”. Sua falência foi um filme repetido nos tempos do “milagre brasileiro” com tantos outros empre­sários: depois de ter sido induzido a cap­tar financiamentos em dólar através da famigerada “Resolução 63”, Breno Caldas enfrentou duas maxi-desvalorizações da moeda que multi­plicaram sua dívida.
    Em vez de deixar a pessoa jurídica, isto é, o jornal, afundar, salvando sua fortuna pessoal, resistiu em desespero e consumiu 90% do seu imen­so patrimônio particular tentando salvar o Correio do Povo. Por certo que não agiu com a prudência que se quer de um empresário, mas foi um jornalista exemplar: num dos lances finais da agonia do jornal, quando não tinha mais crédito para obter papel, trocou a metade dos 800 hectares que possuía na espetacular Fazenda do Arado, no sul de Porto Alegre, pelas bobinas ne­cessárias para imprimir o Correio mais algumas semanas.
    No que restou do Arado, uma belíssi­ma propriedade no extremo sul do município de Porto Alegre, onde o rio Guaíba faz a sua última volta, Bruno Caldas passou os últimos anos sem qual­quer arrependimento pelos prejuízos incalculáveis que teve: “Tudo o que eu possuía, veio do Correio; era justo que voltasse para o jornal.”
    Durante as gravações do depoimentos que me concedeu sempre se recusou a mencionar as cifras exatas de suas per­das. Mas, depois do livro impresso, num fim de tarde, quando bebíamos Dimple na sacada do seu gabinete, no Arado, diante do pôr-de-sol no Guaíba, confes­sou:
    “Uma vez, naqueles dias, numa única tarde perdi 35 milhões de dólares”.
    Mas em seguida mudou de assunto, passando a recordar Estensoro, El Centauro, El Supremo, Estupenda, e outros corredores magníficos que, nos bons tempos, criou nos campos do Haras do Arado. Também o Haras se foi, na voragem das dívidas.
    A todos esses golpes resistiu sem amargura, recolhendo-se às tardes silen­ciosas de sua bela biblioteca com cente­nas de volumes encardenados em couro, onde se deliciava lendo Dickens, Goethe e Chateaubriand ― sempre no original: ele falava, lia e escrevia com fluência em inglês, francês e alemão..
    Só não teve forças para enfrentar um último golpe, poucos anos antes de sua própria morte: a morte do filho, Francisco Antônio, de pouco mais de 50 anos, que por mais de três décadas o acompanhou, também trabalhando no Correio, na gerência comercial. A luta silenciosa do filho durante mais de um ano contra o câncer, sem uma queixa sequer, deixou Breno Caldas espantado:
    “O meu filho tinha fibras que eu desconhecia”, me disse.
    Não se recu­perou desse golpe, porém. E poucos meses depois, com problemas renais e respiratórios, mergulhou numa agonia dolorosa e irreversível. Enfrentou-a com a serenidade que suportou o naufrágio do seu jornal, revelando as mesmas fibras insuspeitadas do seu filho diante da morte.

  • Coletivo A Cidade que Queremos cria frentes de ação em defesa da orla e do Cais Mauá

    Naira Hofmeister
    A segunda reunião do coletivo A Cidade que Queremos – que refundou o Fórum das Entidades, responsável pelo acompanhamento da revisão do Plano Diretor de Porto Alegre em 2007 – concluiu, na manhã desta sexta-feira (02), com a criação de Grupos de Trabalho que deverão organizar as frentes de ação.
    O GT Jurídico se responsabilizou pelo acompanhamento de todas as iniciativas que tramitam atualmente no poder judiciário – são pelo menos seis processos com diferentes origens e que contam com o apoio de órgãos como a Defensoria Pública e o Ministério Público Estadual.
    E a avaliação de diversos integrantes é que ainda há espaço para levantar novos questionamentos jurídicos.
    “As evidências (de irregularidades jurídicas) são claras o suficiente para pedirmos a anulação do EIA-Rima”, asseverou o advogado e integrante da Agapan, Caio Lustosa, que estuda a legislação referente a orla do Guaíba pelo menos desde o início do debate sobre o Pontal do Estaleiro.
    Seu companheiro de entidade – e também vice-presidente da Associação Comunitária do Centro Histórico, Sylvio Nogueira, defendeu a abertura de uma ação questionando o corte de 330 árvores que será necessário para dar início às obras. “O argumento de que são exóticas e que, portanto, não estão protegidas, não serve. Em Porto Alegre, a maioria das árvores são exóticas como aquelas palmeiras imperiais da ponte da João Pessoa, que atraem até turistas interessados em fotografar”, argumentou.
    Outro núcleo que já está em funcionamento é o de comunicação. Este vai se debruçar sobre a divulgação da causa via redes sociais, panfletos e eventos de mobilização – o próximo, aliás, já está agendado para o dia 9 de outubro, a partir das 17h.
    A partir da constituição formal dos GTs, o coletivo partirá em busca de novos apoios e maior participação. Movimentos comunitários e o estudantil serão os primeiros a serem convidados a tomar assento no grupo. “Precisa ter muita pressão social”, anotou o ambientalista José Fonseca.
    Embora a bandeira atual do coletivo A Cidade que Queremos seja o Cais Mauá, a intenção do grupo é ampliar o debate sobre o modelo de urbanização em Porto Alegre. Por isso, a articulação se dará através de capítulos. Este é o primeiro oficializado e terá como subtítulo “A defesa da orla”, porque incluirá ações também na região do Parque do Pontal (antigo Pontal do Estaleiro) e naquela onde será executado o projeto de revitalização Jaime Lerner – entre o Gasômetro e a Rótula das Cuias.
    Em mobilizações futuras a intenção é contemplar, por exemplo, os movimentos comunitários como Petrópolis Vive e Moinhos Vive, que defendem a manutenção de casarios antigos nos bairros da Capital.
    As reuniões do A Cidade que Queremos seguirão ocorrendo sempre às sextas-feiras, entre 10h e 12h, na sala Alberto Pasqualini, no 4º andar da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

  • Mercado chega aos 146 anos garantindo vitalidade ao centro da Capital

    Cleber Dioni Tentardini 
    O Mercado Público Central de Porto Alegre completa neste sábado, 3 de outubro, 146 anos. Haverá o tradicional parabéns a você na área central, a partir das 9 horas, e a distribuição de fatias de bolo ao público.
    Também está programada uma apresentação do Circo Tihany. Contorcionistas da Mongólia e um grupo de bailarinas da Europa oferecerão uma amostra do espetáculo AbraKdabra, que está sendo apresentado em Porto Alegre.
    Marco de uma época de crescimento da capital gaúcha, permanece até hoje como um símbolo extra-oficial da cidade. É um dos poucos espaços tradicionais que preserva sua vitalidade no centro da capital, uma área com enormes problemas, principalmente de segurança, não muito diferente de outras metrópoles.
    Os números dão ideia da dimensão do mais antigo centro de abastecimento dos porto-alegrenses: as 95 lojas empregam quase mil trabalhadores e ainda geram 800 empregos indiretos, sem contar as salas utilizadas pela Prefeitura e seus funcionários.
    Circulam diariamente pelo Mercado cerca de 100 mil pessoas. Atrativos não faltam: são açougues, peixarias, lojas de artigos gaúchos, religiosos e de importados, mercearias, padarias, agências lotéricas, bares e restaurantes e revistaria.
    Não se tem como precisar quando serão reabertas as 25 salas do segundo pavimento atingidas por um incêndio na noite de 6 de julho de 2013.
    Daniel Fonseca, assessor da Coordenação de Próprios da Secretaria Municipal da Indústria e Comércio – SMIC, diz que as restaurações dos pisos, encanamentos, parapeito e pintura das paredes das salas estão adiantadas.
    Ainda estão previstos substituição do piso do andar térreo e de duas novas escadas rolantes, instalação de elevador panorâmico no quadrante 3, próximo à entrada principal, instalação de quatro banheiros no segundo piso, um adaptado para portadores de necessidades especiais, outro para uso da família, um masculino, outro feminino; restauração e pinturas das fachadas externas e internas e instalação de rede enterrada para iluminação cênica do Mercado.
    O que causou bastante atraso foi a aquisição de parte do telhado. Fonseca conta que a Prefeitura teve dificuldades para encontrar a mesma cobertura porque a fabricante não produz mais o modelo. “Após consultar várias indústrias, uma empresa se dispôs a produzir um telhado de alumínio semelhante, contendo um produto anti-inflamável”, explica o assessor.
    Patrimônio histórico da cidade
    A restauração é minuciosa, porque tem que se ter o cuidado de manter tudo como o original pois o prédio é tombado pelo patrimônio histórico desde dezembro de 1979.
    Segundo a arquiteta Briane Bicca, coordenadora do Programa Monumenta, a ocasião das obra de restauração está sendo aproveitada para a realização de melhorias. “O prédio do mercado vai se tornar menos suscetível a sinistros com incêndios ou à entrada de água da chuva, além da atualização das redes de infraestrutura”, afirma.
    Etapas concluídas
    1ª etapa – Restauração da parte original atingida pelo incêndio, comportando consolidação estrutural, execução do telhado, revoco das paredes internas, esquadrias, pisos e banheiros, além das redes de infraestruturas das salas. O telhado recebeu estrutura de tesouras metálicas, sub-telhaado metálico, calhas inox. Os forros foram substituídos por lajes pré-fabricadas. As salas receberam impermeabilização e pisos. As obras do auditório foram concluídas, assim como das salas do Memorial, da SMC e dos Conselhos.
    2ª etapa – execução da obra de retirada e substituição da estrutura metálica de suporte dos brises (espécie de aberturas para ventilação) da cobertura central.

    Uma das salas atingidas pelo incêndio ...
    Uma das salas atingidas pelo incêndio … / Fotos Cleber Dioni

    ... está totalmente recuperada
    … já está totalmente recuperada

    Etapas a executar
    3ª etapa – Obra de fechamento do telhado metálico, relativa à colocação de telhas e instalação dos brises, incluindo a área não atingida pelo sinistro. Execução da rede de infraestrutura da rede hidro sanitária, incluindo dois reservatórios enterrados de 18 mil litros cada. Execução da rede elétrica, da rede de média tensão, rede de refrigeração, implantação de dois elevadores, para passageiros e cargas. limpeza geral da cobertura do mercado.
    Corredores e 25 salas estão sendo restaurados
    Corredores e 25 salas estão sendo restaurados

    Essa 3ª etapa encontra-se em análise pelo Iphan, para aprovação e liberação dos recursos – R$19,5 milhões – já destinados pelo PAC Cidades Históricas, do governo federal, para restauração do mercado.
    Dois pisos e cobertura
    O Mercado começou a ser erguido em 1864, numa área aterrada, a partir do projeto do engenheiro Frederico Heydtmann, tendo como coordenador o empreiteiro Polidoro da Costa.
    A inauguração ocorreu em 3 de outubro de 1869, mas só foi aberto no ano seguinte. O primeiro centro de abastecimento que se tem notícia é de 1840 e ficava no então Largo do Paraíso, atual Praça 15 de Novembro, ao lado do atual.
    Centro de abastecimento, em 1875
    Centro de abastecimento, em 1875

    Nesses 146 anos, o Mercado passou por duas grandes modificações. O prédio quadrilátero, com um pátio central, tinha apenas um piso. Seu estilo neoclássico compunha com outros imóveis do Centro, como a Assembleia Legislativa e a Beneficência Portuguesa, um novo visual da cidade.
    Em 1913 recebeu o segundo piso, com ladrilhos trazidos de Pelotas e, a partir de 1991 até 1997, a área interna foi totalmente reestruturada, com a reconfiguração das bancas, instalação de gás central, de elevadores e escadas rolantes, e a principal intervenção: uma cobertura de metal, com mais de 15 metros de altura. A fachada foi restaurada, preservando a cor original, o amarelo ouro.
    A parte externa do prédio não pode ser modificada desde 1979, quando foi tombado como patrimônio histórico e cultural do município. Por isso, qualquer intervenção tem que passar pela análise da Secretaria da Cultura.
    Em 1999, aos 130 anos, o Mercado teve parte de seu condomínio repassado para gerenciamento da Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Produção, Indústria e Comércio (SMIC). A Associação dos Comerciantes vinha recebendo constantes críticas de permissionários insatisfeitos com a extensão do horário de funcionamento e a abertura aos domingos, o que aumentava muito os gastos com segurança, limpeza e energia elétrica, porque também tinha que manter ligada a escada rolante e os dois elevadores.
    A situação era agravada pelo valor da permissão de uso, o aluguel, que representava duas vezes mais que as despesas do condomínio. Por outro lado, era a única alternativa dos donos de bares e restaurantes aumentarem seus rendimentos.
    Hoje, a administração é totalmente gerenciada pela SMIC. O perfil dos lojistas no segundo pavimento mudou, de salas de escritórios para bares e restaurantes. Assessores técnicos da Prefeitura estudam o perfil mais adequado de comércio para elaborar novas licitações das salas que estão sendo recuperadas.

  • Aos 15 anos, Fórum Social Mundial vai homenagear Galeano em Porto Alegre

    Oficinas, palestras e discussões de temas importantes, como sustentabilidade, aplicação de politicas sociais e conscientização de um outro mundo possível. Esse é o Fórum Mundial Social Temático 2016, que entre os dias 19 e 23 de janeiro comemora os 15 do evento, cuja primeira edição foi realizada na capital gaúcha.
    Com o tema “Balanço, Desafios e perspectivas rumo ao outro mundo possível ” o FSM 2016 promete levar adiante assuntos polêmicos como questões ambientais e  direitos de povos indígenas.
    A organização espera receber de 15 a 20 mil pessoas de mais de 70 movimentos sociais ao redor do país e do mundo. Está sendo organizada uma homenagem ao escritor e pensador uruguaio Eduardo Galeano, falecido este ano, que compareceu a primeira edição do FSM.
    Já estão confirmados para a edição de Porto Alegre personalidades como o ex-presidente do Uruguai, José Pepe Mujica; a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia; o teólogo Leonardo Boff; o empresário Oded Grajew e o arquiteto Chico Whitaker, dois dos idealizadores do FSM.
    As oficinas e palestras serão realizadas em vários locais, entre eles, Usina do Gasômetro, Câmara de Vereadores, Parque da Harmonia, Escola Técnica Parobé, Escola Estadual Rio Grande do Sul, Largo Zumbi dos Palmares. Uma das novidades desta edição será o Espaço para Idosos.
    A programação ainda não está fechada. O acampamento da juventude, por exemplo, geralmente no Parque Harmonia, não está certo. Na segunda quinzena de outubro iniciam as inscrições de atividades auto-gestionadas e até uma semana antes do evento, atividades e outras personalidades podem surgir.
    “A ideia desta edição é resgatar a origem social que começou lá em 2001”, diz o presidente do Instituto dos Amigos do Fórum Social Mundial, Lélio Falcão.
    Para Mauri Cruz, diretor estadual da Organização em Defesa dos Direitos e Bens Comuns – Abong/RS, um dos organizadores do evento, a partir de 2005, vários grupos e redes foram articulados entorno da agenda do FSM em todos os continentes, inclusive, nos países árabes, no norte da África, na Asia e no norte da América. “Estas redes terão representantes nos debates que ocorrerão em Porto Alegre”, garante.
    Nesses 15 anos o FSM cresceu, ganhou notoriedade mundial e não só em países em desenvolvimento. Depois de passar por Brasil, Venezuela, Mali, Paquistão, Quênia e Tunísia, a próxima edição internacional do evento, que surgiu como contra-ponto ao Fórum Econômico de Davos, será em agosto de 2016, em Montreal, no Canadá. É a primeira vez que o evento chegará a um país de primeiro mundo.

  • Zelotes: CPI do Carf mira ação de lobistas

    A Comissão Parlamentar de Inquérito  que investiga os esquemas de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, com base na Operação Zelotes, da Policia Federal, agora toma novos rumos.
    Segundo matéria do jornal O Estado de São Paulo, publicada recentemente, a MP 741, editada pelo Presidente Lula em 2009, pode ter sofrido ação de lobistas para favorecer montadores resultando em prorrogação de incentivos fiscais que somaram R$ 1,3 bilão por ano.
    Alexandre Paes do Santos, um dos depoentes da CPI e ex-sócio da empresa de fachada Davos Energia, do ex-presidente do Carf e um dos principais investigados na Operação Zelotes, José Ricardo da Silva.
    Além de Santos, o lobby a favor do setor automobilístico teria incluído os escritórios de advocacia SGR e Marcondes & Mautoni, além da montadora japonesa Mitsubishi, todos já investigados pela CPI e pela Operação Zelotes, da Polícia Federal.
    Na reunião desta quinta-feira o senador Randolfe Rodrigues (Rede Solidariedade) revelou que irá apresentar um requerimento convocando a então secretaria executiva da Casa Civil, Erenice Guerra. Para Randolfe, o caso tem o poder de “redimensionar a CPI”, pois, se comprovado, se tornaria um “escândalo de proporções gigantescas”.
    — Na prática, mostraria que houve a compra de uma medida provisória. Não se pode tergiversar. É algo que põe em cheque o governo e o Congresso — disse o senador, lembrando que a MP foi aprovada pela Câmara e pelo Senado.
    Para a Senadora, relatora da Cpi do Carf, Vanessa Grazziotin (PCdoB) qualquer possível envolvimento de fraude em relação ao Carf  deve ser apurado mas disse que não acredita que tais evidências tenham relações com as fraudes já investigadas pela Operação Zelotes. — A maior parte do que saiu não tem relação alguma. Esse é um lobby que atua desde os anos 80 em Brasília, e deve ter a sua digital em muitos casos — declarou.
    Para ela, a missão prioritária da CPI do Carf é investigar a atuação das grandes empresas corruptoras que, no entender dela, “desviaram recursos numa proporção, segundo as investigações, muito superiores ao que ocorreu na Petrobras”.
    Depoentes
    Assim como Alexandre Paes dos Santos, a outra depoente convocada pela CPI, Meigan Sack, não respondeu aos senadores, beneficiada pelo habeas corpus preventivo. Ela é ex-conselheira do Carf e filha de Edson Rodrigues, que chegou à presidência do órgão.
    O fato de Meigan ter seguido os passos do pai foi mencionado pelo presidente da CPI, Ataídes Oliveira (PSDB-TO), como um dos indícios de irregularidades no Carf.
    — São inúmeros casos de nepotismo ou nomeações de amigos. Se formam em Direito e depois vão fazer pós-graduação em evasão fiscal no Carf — afirmou.
    Meigan Sack aparece em trocas de mensagens obtidas pela PF durante a Operação Zelotes, em que seu pai lhe pede que intervenha em um processo. Nos e-mails, é mencionado que um pedido de vistas poderia render até R$ 30 mil reais.
    Diante da situação, Ataídes anunciou que pedirá a quebra dos sigilos fiscal, telefônico e telemático de Meigan Sack na próxima reunião da CPI.

  • Familia Fidélix, antiga Ilhota, é a quarta comunidade quilombola de Porto Alegre

    Uma área de 4,5 mil metros quadrados entre os bairros Azenha e Cidade Baixa, em Porto Alegre, foi identificada pelo Incra/RS como território da comunidade remanescente de quilombo Família Fidélix. O edital com as informações do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) da área foi publicado hoje (01) no Diário Oficial da União.
    Esta é uma importante etapa no processo que culmina com a titulação da comunidade. Com a publicação do RTID, o Incra/RS passa a notificar os ocupantes não-quilombolas da área, que podem apresentar contestações ao relatório em um prazo de 90 dias. No caso da Família Fidélix, 77% do território é formado por terras do patrimônio do Município de Porto Alegre.
    “Recebemos a notícia com muito entusiasmo”, afirma o presidente da Associação Comunitária e Cultural Remanescentes de Quilombo Família Fidélix, Sérgio Fidélix. Ele lembra que a comunidade luta pela regularização da sua área desde 2004 – cinco famílias chegaram a ser despejadas, sendo posteriormente reintegradas. O processo no Incra/RS foi aberto em 2007. “Foi moroso. Esperamos que mais comunidades sejam contempladas. A titulação é um anseio das comunidades, é uma reparação que buscamos”, reforça.
    Esta é a quarta comunidade quilombola na capital gaúcha a ter seu território identificado – além da Família Fidélix, a Família Silva (bairro Três Figueiras), Alpes (Glória) e Luiz Guaranha/Areal da Baronesa (Cidade Baixa) já tiveram seus RTIDs publicados. Destas, a Família Silva já tem título parcial da sua área, e Luiz Guaranha/Areal da Baronesa recebeu, em julho, cópia da lei aprovada pelo município que determina a titulação das áreas detidas pelo poder público local.
    Em todo o Rio Grande do Sul, 19 comunidades quilombolas já tiveram seu RTID publicado, e quatro estão tituladas: Família Silva (Porto Alegre), Chácara das Rosas (Canoas), Casca (Mostardas) e Rincão dos Martimianos (Restinga Seca).

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    Reduto de ocupação negra, os laços de parentesco fortaleceram a configuração do território

    História
    O relatório sócio-histórico-antropológico elaborado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aponta que a ocupação do território em Porto Alegre remonta à década de 1980, quando famílias descendentes de escravos em Santana do Livramento migraram para capital, após sucessivos deslocamentos e perda de terras na fronteira oeste do Estado.
    Na região da antiga “Ilhota”, reduto de ocupação negra na capital gaúcha, os laços de parentesco e compadrio fortaleceram a configuração do território da comunidade Família Fidélix. Os núcleos familiares trazem as memórias de seus ascendentes, as escravas Felicidade Marques (matriarca da Família Fidélix), Anastácia (matriarca dos Santiago Freitas) e Belisária (matriarca dos Nascimento Damasceno).
     

  • Dilan Camargo é o patrono da 61º Feira do Livro de Porto Alegre

    O poeta, escritor e compositor Dilan Camargo é o patrono da 61ª Feira do Livro de Porto Alegre, que acontece entre os dias 30 de outubro e 15 de novembro na Praça da Alfândega.
    O anúncio foi feito pelo escritor Aírton Ortiz, patrono da edição anterior, em um concorrido café da manhã no restaurante Moeda, do Santander Cultural. Presentes no evento os indicados para patrono Cíntia Moscovich, Maria Carpi e Valesca de Assis. O chargista Santiago não compareceu. O ex-governador Olívio Dutra dividiu uma das mesas com os jornalistas.
    A escolha ocorreu por meio de votação entre empresas associadas à Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), patronos de feiras anteriores, ex-presidentes da entidade e representantes da comunidade cultural.
    Camargo é natural de Itaqui e foi criado em Uruguaiana. A estreia na literatura se deu em 1976, com a coletânea de poesias Em Mãos.  O escritor também se destacou como autor infantil, com títulos infantis publicados, como O Embrulho do Getúlio (2004), Diário sem Data de uma Gata (2010) e BrincRIar (vencedor do Açorianos de Literatura em 2008). Além disso, publicou a antologia de crônicas Bem-vindos ao Inferno (2011) e o volume de contos juvenis O Man e o Brother (2012). Como compositor, é coautor de sucessos da música nativista, como Pampa Pietá e Tropas de Maio.
     

  • Weber Haus vai ao Paraná apresentar o melhor de sua produção artesanal

    Empresa gaúcha participa da 4ª edição da Cacharatiba, que acontece de 1º a 4 de outubro, em Curitiba
    A cachaçaria gaúcha Weber Haus desembarca em Curitiba (PR) no dia 1º de outubro para apresentar o melhor da sua produção durante a 4ª edição da Cacharatiba, que segue até 4 de outubro, no Mercado Municipal. O evento voltado aos amantes da bebida símbolo do Brasil trará personalidades ligadas ao mundo da cachaça, harmonização de alimentos, degustação às cegas e novidades sobre a bebida. Um dos destaques será a Vitrine da Cachaça, onde o alambique de Ivoti colocará à disposição seus produtos em uma degustação orientada. “Será uma oportunidade de as pessoas conhecerem e apreciarem as nossas cachaças mais premiadas e sofisticadas”, observa o diretor da Weber Haus, Evandro Weber.
    A Weber Haus levará ao público do evento toda a sua linha de cachaças orgânicas e envelhecidas. No local, os apreciadores da bebida poderão conhecer alguns dos produtos elaborados pela empresa e que foram premiados nas três edições do Concours Mundial Spirits Selelection, um dos mais importantes certames de destilados do mundo, e que em 2015 foi realizado no Brasil, na China e nos Estados Unidos. Só em São Paulo, a Weber Haus arrematou o  Gran Ouro com a sua cachaça Playboy Premium, lançada em parceria com a Playboy Enterprises. Além dessa, foram quatro medalhas de ouro – Weber Haus Brazilian Alchemy Silver, Premium Black, Extra Premium e Amburana – e outras três de Prata – 30 Luas, Fogo de Chão Envelhecida e Premium Orgânica. “O público irá comprovar, na prática, o alto nível que a cachaça brasileira atingiu, ao ponto de se transformar em um produto para exportação”, destaca Evandro.
     
    A Cacharatiba tem como foco o conhecimento e foi criada para atender tanto curiosos como conhecedores experientes de cachaça e que nos últimos anos se transformou em um ícone de sofisticação. “Da elaboração à embalagem, a cachaça tem mostrado ao mercado que também é uma bebida clássica e requintada. Nesse contexto, as cachaças Weber Haus são uma referência, pois já colheram uma série de premiações e têm conquistado o mercado internacional”, aponta o executivo.
    A Cachaçaria Weber Haus
    Com canaviais próprios em Ivoti, interior do Rio Grande do Sul, na chamada Rota Romântica, a empresa está sediada no mesmo lote de terras onde a família de imigrantes alemães alojou-se há quatro gerações, e opera com destilaria desde 1848. Seus produtos são encontrados em todo o território nacional, com destaque para São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná. No mercado internacional, as cachaças Weber estão nos Estados Unidos, Itália, Alemanha, China, Irlanda, Canadá, Ilhas Bermudas, França, Japão, Suécia e Holanda. Outras informações sobre a empresa podem ser obtidas através do site www.weberhaus.com.br

  • Presidente da RBS garante a funcionários que continuará no cargo

    A assessoria de imprensa da RBS informou ao JÁ hoje no início da tarde que o presidente da empresa, Eduardo Sirotsky Melzer, enviou mensagem aos colaboradores pela manhã. O texto está na área de comunicados, no site do Grupo.
    Eis a íntegra:
    Quarta-feira, 30 de setembro de 2015 em 11:16h
    Colegas da RBS,
    Ontem circulou uma informação falsa e absurda, dizendo que eu estava me afastando da RBS. Obviamente, isso não é verdade.
    Responder a boatos é contra nossos valores e princípios. Eles desviam nossa energia e nos movem em direção à desinformação.
    Entretanto, com vocês, meus colegas, quero ser bastante claro: sou e continuarei sendo presidente do Grupo RBS, sob a liderança e com o apoio do Conselho de Administração, presidido por Nelson Sirotsky, e com toda a energia e foco que o momento nos exige.
    Desde que assumi a presidência, em julho de 2012, tenho como missão avançar com nosso projeto empresarial, junto com cada um de vocês. Recentemente, reafirmamos a nossa crença na comunicação e o nosso compromisso com o jornalismo e com o entretenimento que entregamos ao público.
    O Brasil precisa, mais do que nunca, de empresas e pessoas com coragem para enfrentar os enormes desafios que a realidade nos impõe. É muito importante que estejamos juntos, unidos, neste momento. Não vamos perder tempo e energia com boatos, pois temos um grande propósito para executar!
    Bom trabalho a todos!
    Forte abraço,
    Eduardo Sirotsky Melzer