Felipe Uhr
Milhares de manifestantes contrários à presidente Dilma Rousseff assistiram a votação do processo de impeachment, neste domingo (17), na avenida Goethe, ao lado do Parcão, no bairro Moinhos de Vento.
O movimento foi bem menor do que o registrado nas últimas manifestações. O entusiasmo e frenesi, porém, eram os mesmos das vezes anteriores.
Não se sabe ao certo quantos acompanharam a votação, que começou no final da tarde. A organização do evento disse que ao longo do dia pelo menos 40 mil pessoas circularam pelo local.
Pouco antes da votação o movimento ainda era bem tímido. Assim que começou a sessão, o público aumentou mas não eram mais de 20 mil presentes. A Brigada Militar não fez estimativa.
Churrasquinho e cerveja antes da sessão
O movimento começou logo pela manhã, quando integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) já organizavam e preparava o local com as faixas de repúdio a Dilma e Lula.
Nos arredores da Goethe muitos grupos faziam churrasco e bebiam cerveja à espera da abertura da sessão, que começou por volta das 14 horas. Os discursos iniciais de líderes das bancadas indicavam que os trabalhos iriam longe, apesar da estimativa de iniciar a votação às 16h (eram quase 18h quando os representantes de Roraima abriram o microfone do “sim” e do “não”).
Eram três telões na região: dois junto à passarela do parque, um de cada lado, e outro quase na avenida 24 de outubro. Não foram colocados banheiros químicos. Quem teve alguma necessidade orgânica tinha de utilizar o banheiro do Parcão ou aqueles situados em restaurantes e lancherias ao redor.
Quanto mais se aproximava da votação mais pessoas de verde e amarelo chegavam.
A imprensa se instalou na passarela do parque, ao lado de um pixuleco gigante de Lula. Jornalistas e repórteres, quase todos vestidos de cores neutras, circulavam pelo lugar depois retornavam a passarela. Ali alguns escreviam, tiravam fotos, faziam passagens para TV ou entravam ao vivo para o rádio.
Ao lado, um caminhão onde os remanescentes da Banda Loka Liberal (os titulares viajaram a Brasília), comandavam o barulho com músicas e coros contra Dilma, Lula e o PT.
Nas esquinas e proximidades, vendedores vendiam camisas, bandeiras, pixulecos (bonecos de Dilma e Lula presos) e a última novidade, o Super Moro, o boneco herói do juiz da Lava Jato, Sérgio Moro – foi a salvação dos ambulantes, já que os pixulecos encalharam.
O vendedor George tinha vendido apenas seis pixulecos a R$ 20 até o final da tarde. Vendeu todos 10 os Super Moro que levou para a praça. “Fui buscar mais com outros vendedores mas eles já não tinham mais” lamentou.
Outro vendedor, Leonardo, também comemorava a venda do Super Moro mas lamentava o insucesso dos negócios, comparado com as manifestações anteriores. “A essa hora eu já estava em casa, já tinha vendido tudo”, observou.
Com os vendedores de comida a insatisfação era a mesma já que o faturamento foi menor.
Torcida pelos indecisos
A votação começou pelo estado de Roraima – antes um deputados do Rio de Janeiro votou separadamente porque estava doente e precisava deixar o plenário.
Em seguida veio o Rio Grande do Sul. Nos microfones, integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) alertavam sobre os deputados gaúchos indecisos – no fim, apenas o pedetista Pompeo de Mattos se absteve.
A cada voto “não”, vaias e gritos eram entoados ao som de uma sirene que ecoava pela Goethe. Maria do Rosário (PT) foi a mais vaiada.
Entre as bancadas de outros estados, receberam grande repúdio Jean Willis (PSOL-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que votaram logo após Jair Bolsonaro (PSC-RJ), este o mais ovacionado e aplaudido deputado por aqueles que estavam no Parcão.
A cada voto sim, gritos e comemorações vibrantes eram testemunhados. A vantagem aumentava a cada manifestação parlamentar.
Festa às 23 horas
Por volta das 22h, ainda sem a vitória matemática garantida, o governo jogou a toalha.
A notícia de que o líder do partido na Câmara, José Guimarães (PT-CE), falava sobre o revés chegou ao “setor” de imprensa do parque. Nas caixas de som a notícia não fora divulgada. O êxtase viria uma hora depois, quando o deputado do PSDB Bruno Araújo completou os 342 votos necessários.
Pouco antes do voto era entoado “Eu, sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. Emoção e euforia tomaram conta do local. Pessoas se abraçavam, gritavam e choravam enquanto um foguetório era ouvido em toda a região.
No caminhão da Banda Loka, os integrantes por alguns segundos pararam de tocar e se abraçavam coletivamente.
O abraço antecedeu a música mais famosa da banda: o canto “Chora petista”, que tomou conta da Avenida Goethe. O refrão “Olê, olê, olê, olê, ‘tamo’ na rua pra derrubar o PT” era cantado com força e entusiasmo.
Logo após o voto 342, iniciou a debandada do Parcão. Poucos ficaram até o final do pleito. Quem passasse pela 24 de outubro ouvia buzinaço ecoando pela avenida. A festa dos pró-impeachment recém estava começando.
Milhares celebram a derrota de Dilma e do PT na Goethe
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