Vitória da comunidade: piscinão é drenado

Vigilância Sanitária havia encontrado larvas do mosquito da dengue no local (Foto: Naira Hofmeister/Arquivo JÁ)

Naira Hofmeister

Menos de um mês depois de o jornal JÁ Bom Fim/Moinhos (edição 374 / setembro 2007) denunciar a contaminação de dengue em água parada no subsolo de uma construção abandonada, na esquina da rua Ramiro Barcelos com a Cabral, no bairro Bom Fim, uma empresa iniciou o escoamento do local.

Segundo o engenheiro responável pela obra, a drenagem vai possibilitar a demolição do prédio. “A autorização da prefeitura demora de 30 a 45 dias, por isso não sabemos quando será feita”, revela.

A Vigilância Sanitária havia encontrado larvas do mosquito da dengue no local e vinha aplicando produtos químicos que impediam o desenvolvimento do inseto.

São cerca de um milhão de litros acumulados nos dois andares subterrâneos que deveriam abrigar a garagem do edifício em construção.

O trabalho começou na tarde da terça-feira, 2 de outubro, e não deve terminar antes de uma semana. Isso porque a capacidade de bombeamento da máquina que atualmente é aplicada no serviço é de 160 litros por dia. O escoamento é feito diretamente para a rede de esgoto pluvial.

A esperança do operário que controla a bomba é de que uma máquina antiga, mas com capacidade três vezes maior – de propriedade da Efenge, que em 2006 realizou o mesmo serviço – ainda esteja em condições de uso. O problema é que o equipamento está submerso desde então: há mais de um ano. O operário responsável pela bomba d’água trabalha para uma prestadora de serviços chamada SW.

Seu patrão, o engenheiro Paulo, faz parte da equipe da TGD Soluções em Construção, mas se nega a dar informações sobre o contratante, pois “o contrato ainda não foi formalizado”.

O JÁ Bom Fim/Moinhos obteve novas informações que indicam o engenheiro Eduardo Camargo, da Sirca Incorporações, como proprietário do terreno, conforme foi publicado no jornal, em setembro.

Na ocasião, Camargo não foi localizado pela reportagem, porém, a secretária da TGD Soluções em Construções, confirmou que a incorporadora responde pelo empresário no Rio Grande do Sul.

A retirada da água é uma vitória da comunidade. Os vizinhos mantiveram a mobilização, mesmo depois de duas tentativas de pressionar o poder público através da imprensa, que não lhes deu atenção. Os jornais Zero Hora e O Sul foram avisados sobre o problema, mas não enviaram equipes para averiguar a denúncia.

Desde que a edição de setembro do JÁ Bom Fim/Moinhos começou a circular, duas redes de televisão fizeram matérias sobre o assunto. Além do SBT e TVE, que já veicularam as imagens em seus telejornais, a Record também entrou em contato com os vizinhos da obra, para acompanhar o processo.

Ameaça de dengue não está vencida

Um dia depois de iniciado o esgotamento do “piscinão da Ramiro” a Vigilância Sanitária de Porto Alegre borrifou inseticida em uma zona compreendida entre os bairros Santana, Bom Fim e Farroupilha.

É que na última semana de setembro, uma suspeita de contaminação por dengue foi identificada na região.

Trata-se de um morador da esquina da Jacinto Gomes com a Travessa Miranda e Castro, recentemente chegado a Porto Alegre. “Ainda não obtivemos a confirmação do caso, mas a probabilidade é alta porque ele veio de uma região contaminada”, alerta Luiz Felippe Kunz Júnior, da epidemiologia da Vigilância Sanitária.

O ponto de partida foi o Pará, mas o homem fez uma peregrinação por outros estados brasileiros antes de chegar ao seu destino, na capital gaúcha.

Uma área de 300m no entorno do foco de dengue está sendo percorrida por equipes da epidemiologia do Município.

“Se em um raio de 100m do local for verificada a existência do Aedes Aegypti, fazemos aplicação de veneno”, relata Kunz Júnior.

Além de demonstrações de cuidados domésticos que podem evitar a proliferação do mosquito (retirar água acumulada em recipientes como pratinhos de plantas ou usar telas de proteção em ralos, por exemplo), os técnicos aplicam um veneno nos jardins de casas e edifícios da área.

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