Geraldo Hasse.
Passar a 90 por hora sobre a ponte Anita Garibaldi, livre de engarrafamentos de tráfego que por vários anos mantiveram a BR-101 Sul entupida entre Laguna e Capivari de Baixo, pode dar a nosotros brasileiros uma sensação de vitória, ainda mais agora que voltamos a receber a visita dos hermanos argentinos, todos em busca de la playa.
A ponte Anita Garibaldi é um magnífico exemplo de eficiência. Com mais de dois quilômetros, ficou pronta no prazo e com custo de R$ 700 milhões, sem aditivos.
Mas, verdadeiramente, quantos brasileiros são capazes de reconhecer que o país progrediu?
O imediatismo combinado à memória curta não permite que os ricos e os classemedianos reflitam sobre o que aconteceu nos últimos anos. Nem os pobres se conformam com as dificuldades.
Todos querem “mudar”, esquecendo que não é possível fazer mudanças drásticas numa estrutura social “rica em carências históricas e déficits esmagadores”.
Se por hipótese os brasileiros terceirizassem a gestão do governo a Barack Obama ou a um pai da pátria norte-americano, é certo que eles teriam de começar pela base, ou seja, pelo que foi implantado nos últimos 20 anos pelo governo tucano e pelos governos petistas: Bolsa Família, Pronaf, SUS, Minha Casa Minha Vida, Prouni, Pronatec, Brasil Sem Miséria, Luz Para Todos.
São programas capazes de fazer a fama de qualquer governante, mas os inconformados com a distribuição da renda e da riqueza estão babando para acabar com os inegáveis avanços obtidos nos últimos anos nas áreas sociais e educacionais.
Somente agora o Brasil está se tornando próximo de uma democracia de verdade nos aspectos social e econômico. Mas é inegável que falta muito para aproximar os extremos.
A pior coisa que pode acontecer à sombra da Operação Lava Jato e da recessão de 2015 é os trabalhadores, estudantes, sindicalistas, professores, índios, agricultores, sacerdotes, jornalistas, advogados, esportistas, procuradores, juízes, funcionários públicos em geral admitirem que o progresso das camadas inferiores precisa ser contido.
Que a corrupção em contratos de obras públicas não sirva de pretexto para cortes em verbas aplicadas na melhoria de vida da população carente. O Brasil tem muito a fazer para se tornar um país com menos contrastes sociais.
A bem da verdade, o erro não está em ajudar os pobres a sair do buraco histórico em que vivem.
É preciso ter coragem para peitar um novo modo de enfrentar as amarras do endividamento do governo, que deve R$ 3,7 trilhões e insiste em pagar aos credores 14,25% de juros anuais, numa época em que os juros nos EUA estão abaixo de 2% ao ano.
Basta uma conta simples para concluir que assim jamais vai sobrar dinheiro para suprir todas as lacunas da infraestrutura nacional tanto nos aspectos físicos quanto sociais.
Pagando quase um trilhão de reais por ano entre juros e amortização da dívida, estamos ferrados.
Isso representa quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB), estacionado em pouco mais de R$ 5,1 trilhões. Esse (20%) devia ser o índice mínimo da poupança privada nacional para investir na modernização da economia, na geração de empregos e até em parcerias na gestão de negócios públicos.
Sob o império do rentismo, estamos permanentemente com a corda no pescoço.
A saída é fechar a ponte, denunciar o crime hediondo da especulação financeira improdutiva e iniciar a auditagem da dívida.
O país sairá mais forte de um confronto com os sanguessugas nacionais e internacionais. Evidentemente, antes será preciso combinar com os russos — e com os chineses. E, naturalmente, comprar os espaços cabíveis na mídia venal, que perdeu completamente a noção do que vêm a ser interesse público e interesse nacional.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“Jornalista é um profissional pago para preencher os espaços não comercializados”
Herbert Levy, político paulista, dono da Gazeta Mercantil
Enfrentar a questão da dívida é o grande desafio
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