Praça da Matriz: na derrota, uma festa de arquibancada

MATHEUS CHAPARINI
A notícia de que o governo havia reconhecido a derrota na votação pelo prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff – papel desempenhado pelo líder da Câmara, José Guimarães, por volta das 22h – não ecoou com força na Praça da Matriz.
Ainda faltavam mais de cem votos para serem contabilizados e a agitação ia diminuindo gradualmente, pelo cansaço do dia longo e quente.
Às 22h23, a bateria da organização A Marighella levantou. A atitude lembrava as torcidas barras bravas do futebol argentino (prática hoje amplamente disseminada no Brasil e no Rio Grande do Sul), não somente pelos ritmos e instrumentos, mas pela animação da festa independente da derrota, ou, até mesmo estimulado por ela – é o que os torcedores chamam de apoio incondicional.
Com bumbos, caixas, sinalizadores e foguetes, cantavam “acabou o amor, o Brasil vai virar um inferno” e “não vai ter golpe olê olê olê”.
Quando algum deputado da oposição falava, o grupo respondia com “não se escuta golpista”.
A festa durou cerca de 20 minutos. O clima de arquibancada, entretanto, não contagiou os milhares de militantes que acompanhavam a votação em dois telões na Praça da Matriz.
CUT-RS sugere reação com greve geral
Faltava apenas um voto para a definição do resultado da votação que determinou o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff quando os dois telões instalados na Praça da Matriz foram desligados e do microfone uma voz anunciou a abertura da assembleia popular dos movimentos sociais. Eram onze horas da noite do domingo (17).
O primeiro a falar foi Claudir Nespolo, presidente estadual da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Pediu que os telões fossem ligados novamente, sem áudio, para que o público pudesse continuar acompanhando a votação e começou seu discurso.
Nespolo afirmou que o domingo ficará marcado na história como “o dia em que a elite brasileira, associada ao capital internacional começou a impor uma derrota à esquerda”.
O sindicalista atribuiu o revés principalmente ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, mas garantiu que há possibilidades de reação. “Um juiz viciado deu a vitória no primeiro tempo, mas este jogo ainda não acabou, é o jogo da luta de classes”, defendeu.
E concluiu: “Vocês vão ouvir falar em greve geral!”

Adquira nossas publicações

texto asjjsa akskalsa

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *