Documento foi assinado ontem na Promotoria de Justiça de Rio Pardo
Cleber Dioni
Visando recuperar áreas de preservação permanente situadas na Fazenda Tarumã, localizada no município de Pantano Grande, um compromisso de ajustamento de conduta foi celebrado entre Aracruz Celulose S/A e Ministério Público.
Além de apresentar e executar um projeto de recuperação das áreas afetadas indevidamente pelo plantio de eucaliptos, que corresponde a menos de 1% do total das áreas de preservação permanente da propriedade, a empresa assumiu o compromisso de efetuar o plantio de 5.000 mudas de espécies de árvores nativas.
A região escolhida será um antigo lixão de responsabilidade do município de Rio Pardo, situado na Vila Asseio, a título de compensação ambiental.
O compromisso foi firmado na manhã desta segunda-feira, através das promotoras de Justiça de Rio Pardo, Christine Mendes Ribeiro Grehs, e de Porto Alegre, Ana Maria Moreira Marchesan.
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Firmado ajustamento com Aracruz
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Entrevista – Plásticos oxibiodegradáveis não são solução para o desastre anunciado dos aterros
Por Cláudia Viegas
Pesquisador da Universidade do Estado da Califórnia, o Dr. Joseph Greene esteve semana passada falando a empresários e acadêmicos gaúchos sobre as confusões existentes em torno da degradabilidade de plásticos. A palestra, ocorrida na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (na Fiergs), foi um convite da ONG Plastivida e da Braskem/Copesul. Como especialista na questão dos resíduos plásticos, Greene deixou claro que se opõe à idéia dos oxidegradáveis, materiais plásticos que facilmente se dispersam em aterros, dando a falsa impressão de solucionar o problema dos resíduos sólidos. Greene mostrou que estes materiais, na realidade, deixam passivos ambientais mais graves, representados por substâncias tóxicas que escapam para o solo a partir da decomposição da matéria plástica que os abriga. Greene testou diversos materiais plásticos em diferentes tipos de aterros e concluiu que, por outro lado, a opção por não-biodegradáveis pode ser o anúncio de um desastre nos próximos anos. Confira a entrevista exclusiva ao AmbienteJÁ.
AmbienteJÁ – O Sr. pode falar sobre este projeto de acompanhamento da degradação de diferentes tipos de plásticos em diferentes ambientes que o Sr. desenvolveu na Universidade do Estado da Califórnia?
Joseph Greene – Sou professor do curso de Engenharia Mecânica na Califórnia State University, Chico. Por meio de uma demanda do Estado da Califórnia, na pesquisa, buscamos formas de novas maneiras de degradação de plásticos, como elas poderiam afetar a sociedade. E o melhor meio é conseguir a remoção do composto. Assim, isto minimiza o efeito no solo, no ar e na água.
AmbienteJÁ – O que o Sr. concluiu ao analisar diferentes tipos de plásticos?
Greene – Perguntamos e buscamos saber o que significa ser degradável para diferentes tipos de plásticos. Quais as opções que o Estado da Califórnia tem, o que eles deveriam projetar e o que não deveriam projetar. O que deveria ser feito com o plástico após o uso pelos consumidores, para onde deveria ir este material? Este é o fato: verificar se ele polui, que problemas custa para agricultores, para o solo, ou para as cidades e suas águas. Existem toxinas nesses plásticos? O que acontece se reciclarmos este material? Melhoraríamos esses plásticos se reciclássemos os de polietileno com o desenvolvimento de técnicas? Causaria problema se o plástico reciclado assim com essas técnicas fosse utilizado por alguém, acidentalmente? Foi isto que eu busquei esclarecer.
AmbienteJÁ – Qual a posição da Califórnia sobre os plásticos oxibiodegradáveis?
Greene – A Califórnia quer que se ajude a entender o que significa ser biodegradável, quais materiais são e quais não são biodegradáveis. E os que podem causar mais problemas ambientais são os oxidegradáveis e que se fragmentam mas não se biodegradam. Eles se fragmentam em pequenos pedaços, causando muito mais problemas para a disposição e a coleta.
AmbienteJÁ – Há empresas vendendo a idéia de que o oxidegradável é melhor que o plástico comum?
Greene – Sim, existem. É exatamente pior do que o polietileno regular. Porque o polietileno não se quebra/rompe em aterros. Nada se desfragmenta em aterros: cenouras, jornais, tomates, alface, cachorro-quente. Tudo isso fica lacrado, selado.
AmbienteJÁ – E que solução existe para isto?
Greene – Boa pergunta. Para ter um plástico verdadeiramente degradável, que chamamos compostável, o que realmente significa ser realmente biodegradável? Há um estado de alerta em todo o mundo, e isto significa que temos que ter uma solução em termos de gerenciamento de resíduos… temos que ter um plano para conseguir isto. Para plásticos renováveis, sim. Para plásticos compostos, o plano é direcionar os compostos, não enviá-los para aterros. Os plásticos compostos vão embora em seis meses, vão-se completamente. O problema é o oxidegradável. Oxifragmentos não foram planejados para disposição. Você não pode enviá-los para composto, nem pode enviá-los para aterro.
AmbienteJÁ – Porque eles não podem ser recuperados…
Greene – Eles não podem desaparecer. Talvez plásticos regulares levem mil anos, talvez dez mil anos para desaparecer… o polietileno. Os oxidegradáveis ficam em pequenos pedaços, e o público pensa em dez anos, mas eles ainda serão polietileno e persistirão por mais mil anos. Eles são apenas pequenos pedaços de polietileno que, infelizmente, persistem.
AmbienteJÁ – Estes plásticos oxidegradáveis contêm metais pesados?
Greene – Metais pesados estão presentes estão em pinturas e tintas, principalmente. Metais pesados não estão nos polietilenos.
AmbienteJÁ – Mas qual elemento ou substância leva à degradação desses plásticos chamados oxidegradáveis?
Greene – Eles têm cobalto também. Eles possuem um tipo de composto de cobalto, e este é um problema.
AmbienteJÁ – Como se gerencia a remoção deste cobalto?
Greene – É muito caro para fazer esta recuperação. Mas é possível remover o cobalto do solo.
AmbienteJÁ – Isto é geralmente feito?
Grene – Não. O que eles fazem com o polietileno é aumentar a oxigenação e cortar o material em pequenos pedaços. Assim, eles pensam que desaparece, você pode ver e pensar que é ambientalmente melhor, mas isto não é verdade porque é um pequeno problema agora. São pequenos pedaços que se vão com o vento. Você não vê, pois esses pedaços se espalham…
AmbienteJÁ – Então esta pretensa solução é muito pior…
Greene – Exato. É muito pior porque ingressa na cadeia alimentar. Porque, em pequenas porções, os animais podem ingerir esses plásticos. Peixes … e nós comemos o peixe que ingeriu esses plásticos. Assim, pequenos organismos podem morrer disto, ou em pequenas cadeias alimentares, ou na cadeia alimentar mais ampla, o que é muito pior.
AmbienteJÁ – Que planos tem o governo da Califórnia para lidar com o problema dos plásticos degradáveis, oxi e biodegradáveis?
Greene – É bastante confuso porque todos esses materiais são ofertados, mas eles deveriam ser dispostos em locais corretos, como em San Francisco. Eles incentivam os supermercados a banirem sacolas plásticas.
AmbienteJÁ – É um ordenamento legal?
Greene – Sim, em San Fancisco é. Os supermercados não podem dar pequenas sacolas para o consumidor.
AmbienteJÁ – E sobre problema dos plásticos oxidegradáveis, que planos tem o governo?
Greene – Este tipo de material, no Estado da Califórnia, não é permitido em prédios públicos, escritórios, universidades, escolas. Não podemos mais comprar mais estes materiais.
AmbienteJÁ – Quanto percentualmente representam estes plásticos em relação ao total utilizado?
Greene – É um pequeno percentual, muito pequeno. Você pode ver este tipo de plástico em sacolas. Mas em San Francisco você pode trazer sua sacola reutilizável. Você pode armazenar, levar para casa…se você reutiliza a sacola, tudo bem.
AmbienteJÁ – Como as pessoas costumam se comportar com relação ao uso da sacola reciclável? Elas realmente dão atenção a isto?
Greene – A maioria das pessoas quer fazer a coisa certa. Elas querem ajudar, especialmente na Califórnia. Elas querem ajudar o meio ambiente. Mas elas são confusas.
AmbienteJÁ – Quanto tempo leva para as pessoas mudarem sua mentalidade quanto ao uso de materiais mais adequados ambientalmente?
Greene – Eu ouvi dizer, mas não sei exatamente sobre este tipo de estudo. Mas em San Francisco, é muito bem sucedido, as pessoas estão usando sacolas de materiais compostos por sua conta, elas recolhem, coletam… porque San Francisco gera 70% dos resíduos que costuma ir para aterros. Setenta por cento, agora, são recicláveis ou enviados para compostagem. Desta forma, os consumidores estão indo muito bem em San Francisco. Está na lei: na Califórnia, todas as agências governamentais, incluindo escolas, têm que ter no mínimo 50 por cento [de reciclagem].
AmbienteJÁ – Existem penalidades para pessoas que não obedecem a esses parâmetros?
Greene – Não, para pessoas não existem, mas para instituições. Agências governamentais e escolas e algumas companhias podem ser multadas se elas não apresentarem 50 por cento ou uma taxa maior de reciclagem ou compostagem de resíduos.
AmbienteJÁ – O Sr. acha que as companhias e instituições mudaram seu comportamento por causa das multas, apenas, ou este é um comportamento natural delas, que mudou ao longo do tempo?
Greene – Elas mudaram, sim. Porque há muitas pessoas tentando fazer o melhor pelo meio ambiente nos Estados Unidos. Elas querem ser mais verdes. Elas estão tentando comover outros. E na Califórnia, é muito acentuada a consciência ambiental.
AmbienteJÁ – Na sua pesquisa, o Sr. mostrou que é muito difícil gerenciar até mesmo plástico reciclável, porque este tipo de material permanece enterrado e não se degrada, sem oxigênio, em ambiente anaeróbico. Como resolver isto?
Greene – No aterro, nada se degrada. A solução é ter menos aterros.
AmbienteJÁ – A redução dos aterros está acontecendo?
Greene – Já demos início às reduções.
AmbienteJÁ – Se compararmos o volume que ia para aterro na Califórnia, há dez anos e hoje. Qual a percentagem de redução?
Greene – É uma boa questão, eu não sei. É um bom ponto… a redução dos aterros. Mas posso dizer que houve uma boa redução porque temos muitas comunidades praticando esta redução. Mas não tenho dados sobre isto.
AmbienteJÁ – E se compararmos a Califórnia com outros estados norte-americanos. Como está a situação?
Greene – Há estados indo muito bem, como Califórnia, Nova Jersey. Mas há outros indo muito mal. Eles têm muito espaço para fazer aterros, é mais barato. Eles jogam os resíduos, passam com um caminhão por cima, após pagarem uma taxa, que na Califórnia é muito elevada. Mas não é tão elevada em outros Estados, como, por exemplo, Kentucky, ou Utah. Em grandes estados, com poucas pessoas, podem jogar os resíduos em qualquer parte, pois ninguém vive ali, de qualquer forma… gastam, talvez, apenas trinta dólares por tonelada de aterro.
AmbienteJÁ – E qual o papel da indústria do plástico na Califórnia? Como ela age?
Greene – De fato, a Califórnia tem muitas fábricas de sacolas plásticas. Mas não fabrica muita resina de plásticos. Porém, na Califórnia, fazemos as sacolas, podemos comprá-las em shoppings. Eles estão de fato trabalhando com organizações da área de sacolas plásticas em Califórnia para ter produtos mais ambientalmente amigáveis. Existem planos para a certificação. Os fabricantes de plásticos estão sendo incentivados a ser mais recicladores, prover materiais mais recicláveis, a usar materiais que sejam, por exemplo, 50% de polietileno e 50% de madeira. Eles juntam esses materiais. Eles também não usam qualquer tipo de metais nas tintas.
AmbienteJÁ – Os plásticos não têm nenhum timbre?
Greene – Nenhum. Mas há uma certificação que funciona para nós mesmos, Environmentally Preferred Rating (EPR), que assegura que se está usando material reciclável, que não está se usando metais…a EPR não é uma agência governamental, é uma agência comercial, é uma empresa do setor plástico. Em vez de o governo nos dizer o que fazer, nós nos organizamos e nos autopoliciamos.
AmbienteJÁ – E funciona bem?
Greene – Sim, também ajuda as companhias quanto aos seus parâmetros em relação à qualidade do ar, qualidade da água, à verificação de que as pessoas estão descartando bem os produtos… que os seus resíduos vão para a reciclagem…
AmbienteJÁ – A sua pesquisa inclui técnicas de incineração de plásticos?
Greene – Não, isto eu apenas leio em artigos.
AmbienteJÁ – O Sr.. acredita que se possa adotar o aproveitamento energético do plástico no Brasil?
Greene – Acho que faz sentido, para o polietileno, é muito bom. É de bom senso se você tem um clima adequado para isto, se se faz uma boa análise de qualidade para o polietileno, ao final de seu uso, então você o recicla ou o dispõe. Faz sentido queimá-lo em um incinerador tecnologicamente adequado, de baixas emissões. Mas plásticos degradáveis não deveriam ser reciclados, não deveriam ser queimados, deveriam ser colocados em compostos, para a melhoria dos solos. -
Mesmo com investimentos no abastecimento público, moradores de Porto Alegre preferem água mineral
O Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) executou, no dia 19 de junho, a penúltima etapa da substituição das tubulações de recalque na Elevatória da Estação de Tratamento de Água Menino Deus. A última etapa está prevista para julho. A obra, que iniciou em fevereiro, consiste na troca do barrilete de recalque (adutora que conduz a água da Estação até o reservatório elevado). Faz parte do programa de modernização das instalações de tratamento e distribuição de água do Dmae. Segundo a coordenadora da comunicação do Dmae, Angélica Ritter, a obra “tem como objetivo garantir o abastecimento contínuo e de melhor qualidade para os moradores das zonas Centro, Sul e Leste da cidade”. O investimento é de R$ 540 mil.
Estas obras vêm sendo feitas em algumas estações de tratamento para, de acordo com o Departamento, melhorar a qualidade e a distribuição da água para os porto-alegrenses. “São inúmeras obras que por vezes necessitam de interrupções no abastecimento de água, o que o Dmae chama de ‘Paradas Operacionais Programadas’, esforço recompensado com a melhoria nas instalações e conseqüentemente na distribuição da água para os porto-alegrenses”, informa Angélica.
A água de Porto Alegre é captada, tratada, distribuída e controlada pelo Dmae, sem passar por controle de qualidade em outros locais. São 172,47 milhões metros cúbicos de água por ano, passando por sete Estações de Tratamento de Água (ETAs), que tratam cerca de 5,4 mil litros de água por segundo. “Diariamente, o Dmae faz cerca de 4 mil análises a partir de 500 amostras de água coletadas desde a captação até as ligações domiciliares, com o objetivo de garantir a qualidade da água distribuída em Porto Alegre, dentro do padrão de potabilidade estabelecido pela Portaria 518/04 do Ministério da Saúde”, explica Angélica Ritter.
Mas apesar de todo esse trabalho, a percepção que a população tem do serviço é outra. O resultado é que poucos moradores da cidade se arriscam a tomar água diretamente da torneira. Daiana Klanovicz de Araújo, moradora do bairro Bom Fim, diz que é impossível tomar água da torneira. “Principalmente no verão não tem como não tomar água comprada porque é muito ruim a água de Porto Alegre, tem gosto de algas. Na minha casa, só compramos água mineral”.
A reportagem conversou com oito moradores de Porto Alegre. Quatro disseram não consumir água da torneira por não confiar na qualidade. O argumento mais usado foi de que o gosto da água é ruim, e é de aspecto amarelado. Os outros quatro disseram que “tomam às vezes”, mas há épocas em que o gosto da água fica pior. A maioria reclamou principalmente do verão, em que é época de algas.
Para o Dmae o fato é questão de hábito. Angélica Ritter explica que é costume da população tomar água mineral. “As pessoas ainda não mudaram de hábito. A água é potável, está dentro dos padrões de saúde e não tem gosto ruim, mas agora gostam da água mineral por hábito”, afirma a assessora.
A Portaria
A portaria 518/04 do Ministério da Saúde estabelece os padrões de potabilidade que devem ser atendidos pelas Companhias de Saneamento em todo o País. Tania Mara Pizzolato, Chefe do Laboratório de Química da UFRGS, explica que a portaria 518 do Ministério da Saúde “estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade”. A portaria diz que “toda a água destinada ao consumo humano deve obedecer ao padrão de potabilidade e está sujeita à vigilância da qualidade da água”. Leia a portaria 518/04 na íntegra. Tânia Mara Pizzolato diz que não faz pesquisas sobre a água de Porto Alegre, mas que a maioria das pessoas que ela conhece não confia na água da torneira.
Monitoramento da água
No Dmae, o monitoramento da qualidade da água distribuída é responsabilidade da Divisão de Tratamento. Angélica Ritter diz que no site do Dmae é possível acompanhar mensalmente os padrões de potabilidade analisados pelo Departamento. “Além disto, o Dmae encaminha anualmente para a casa dos usuários o Relatório Anual da Qualidade da Água, onde estes parâmetros também podem ser conhecidos”.
Distribuição
O Dmae fornece água para Porto Alegre por meio dos seus oito sistemas de abastecimento, compostos por Estações de Tratamento de Água (ETAs), Estações de Bombeamento de Água Tratada (EBATs), reservatórios e uma rede de água de aproximadamente 3,5 mil quilômetros. “Atualmente, 99,5% dos porto-alegrenses são abastecidos com água tratada”, diz a coordenadora da comunicação do Dmae. ‘A população residente em loteamentos irregulares, áreas de risco ou zonas de preservação ambiental é atendida pelo serviço gratuito de carros-pipas”, completa.
Depois de tratada, a água é armazenada nos tanques de reservação das ETAs e, na seqüência, nos reservatórios distribuídos em bairros da Capital. Dos reservatórios, a água segue para as tubulações. A distribuição da água tratada é feita por gravidade ou pelos sistemas de bombeamento das EBATs, que podem ser operadas manualmente, de forma automática ou por telemetria. -
Rio Grande entra na briga pela planta de gás GNL da Petrobras
Cleber Dioni
A Comissão de Representação Externa aprovada pela Assembléia Legislativa para acompanhar os estudos da Petrobras de implantação de uma planta de regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Região Sul vai apresentar à governadora Yeda Crusius o projeto da Sulgás e da Petrobras de Rio Grande e, em seguida, terá audiência com a ministra Dilma Rousseff, e com o presidente da Petrobras.
Os cinco deputados que integrarão a representação querem mostrar que o Rio Grande do Sul apresenta condições mais favoráveis do que Santa Catarina, que também disputa o empreendimento. Outros dois projetos estão sendo analisados no Rio de Janeiro e Ceará.
Para o deputado Sandro Boka (PMDB), que vai coordenar a Comissão, o Porto do Rio Grande seria um local estratégico do ponto de vista econômico porque possibilitaria abastecer toda a Região Sul do Estado, incluindo a termelétrica de Uruguaiana.
“O gás, no Distrito Industrial do Rio Grande, viabilizaria a vinda de diversos empreendimentos não só a essa cidade, mas também a Pelotas e a toda a região sul do Estado. Na Vila da Quinta, próxima a Pelotas e Rio Grande, poderíamos construir – e já existe até liberação – uma termelétrica, que abasteceria a Argentina de energia elétrica”, afirmou o parlamentar, ressaltando que o Brasil não ficaria à mercê da Venezuela e da Bolívia, “países infelizmente muito instáveis”.
Outro ponto que pesa a favor do Estado, segundo o parlamentar, é que a planta facilitaria à Petrobras instalar uma planta de regaseificação também no Uruguai, um compromisso da empresa.
Todos sabemos que o porto do Uruguai não possui um calado suficiente para receber grandes navios. Com a planta em Rio Grande, o navio poderia vir carregado, deixar uma parte da carga no nosso porto, que terá 60 pés de calado, e depois, com meia carga, adentrar o porto do Uruguai, onde também será viabilizada a instalação de uma planta de regaseificação. Assim, estará reabastecendo também aquele país, que, como a Argentina, passa por uma séria crise de energia -
Relatório aponta articulações entre governos para matar Jango
Uma das conclusões do relatório final da Subcomissão da Assembléia Legislativa que investigou as circunstâncias da morte do o ex-presidente João Goulart, é que houve articulação entre as Forças Armadas e os serviços de inteligência dos governos brasileiro, uruguaio e argentino, mesmo antes da Operação Condor, para matar Jango.
“Apesar de não ser possível provar o assassinato, fortes indícios apontam para um crime premeditado”, aponta o documento, assinado pelo deputado Adroaldo Loureiro (PDT), que presidiu a comissão. O material foi entregue ontem na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos e deve ser votado na próxima semana.
No relatório, Loureiro apresenta uma série de encaminhamentos para auxiliar a investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Entre os pedidos está o fim do sigilo de todos os documentos relativos ao ex-presidente, até 1977, especialmente as comunicações com as embaixadas brasileiras de Montevidéu, Buenos Aires, Washington, Paris e Londres. Também pede às autoridades norte-americanas que tomem o depoimento do ex-agente da CIA, Frederick Latrash, para esclarecer sua participação no monitoramento de Jango.
Outro pedido de informações é sobre o papel do então integrante do DOPS, Romeu Tuma, hoje senador, na investigação dos passos de Jango na França.
Desde a morte de Jango em 1976, na Argentina, pairam muitas dúvidas sobre o fato. Recentemente essa questão voltou às manchetes da imprensa com as declarações do ex-agente do Serviço Secreto do Uruguai, Mario Neira Barreiro. Barreiro garante ter participado das ações para eliminar João Goulart.
Preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) por envolvimento em tráfico de armas e assaltos à carro forte, Barreiro diz ter participado da operação para matar Jango. O método utilizado, segundo depoimento do ex-agente à Polícia Federal, foi trocar os medicamentos que João Goulart tomava por conta de problemas no coração.
A ordem teria partido do serviço de repressão do governo militar do Brasil. A cópia do depoimento já está em posse da subcomissão e é um importante instrumento para esclarecer os fatos. Barreiro deve ser ouvido pela subcomissão ao longo dos trabalhos, possivelmente no final de abril. -
Relatório aponta fortes indícios de que Jango foi assassinado
“São fortes os indícios a apontar o assassinato – premeditado – do ex-presidente João Goulart, ordenado e com conhecimento das instâncias mais elevadas do governo Geisel. Comprovou-se a articulação entre as Forças Armadas e os serviços secretos e de inteligência dos governos brasileiro, uruguaio e argentino, mesmo antes da denominada Operação Condor”. Essa é um das mais importantes conclusões que o deputado Adroaldo Loureiro (PDT) apresentou no Relatório Final da Subcomissão da Assembléia Legislativa que investigou as circunstâncias da morte de Jango, em 1976, na Argentina. O material foi entregue nessa quarta-feira (02) na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos. A votação deve ocorrer na próxima semana.
No relatório, o deputado indica uma série de encaminhamentos, que servirão de base para que o trabalho de investigação prossiga, tanto em nível do Ministério Público Federal, quanto da Polícia Federal e dos próprios parlamentares. Um desses encaminhamentos pede a desclassificação de todos os documentos relativos ao ex-presidente, até 1977, em todos os graus de sigilo, especialmente as comunicações com as embaixadas brasileiras de Montevidéu, Buenos Aires, Washington, Paris e Londres. Também pede às autoridades dos EUA que tomem o depoimento do ex-agente da CIA Frederick Latrash, como forma de esclarecer sua participação no monitoramento de Jango.
O papel do então integrante do DOPS, Romeu Tuma, hoje senador da República, na investigação dos passos de Jango na França, é outro encaminhamento listado no Relatório Final.
Loureiro diz que ainda não é possível provar o assassinato, mas que os indícios, tanto documentais, quanto testemunhais, apontam para essa direção. “Temos compromisso com a história do Brasil. Por isso, o trabalho vai continuar”, comentou. -
Fronteiras do multiculturalismo
Alexandre Haubrich
Pontualmente às sete e meia da noite de 30 de junho, Ayaan Hirsi Ali, aquela mulher negra, de traços fortes subiu ao palco da Reitoria da UFRGS. Vestida com um terninho bege que delineava sua silhueta elegante ela abriu o quinto encontro do Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem.
Nascida na Somália, viveu no Quênia, Arábia Saudita e Holanda, onde foi ativista política dos direitos humanos das mulheres e se elegeu deputada. Hoje mora nos Estados Unidos sob forte esquema de segurança, depois de ser ameaçada pelos assassinos do cineasta holandês Theo Van Gogh, com quem realizou o documentário “Submissão – parte 1”, no qual denunciavam a exploração feminina por fiéis islâmicos.
O tema foi abordado pela primeira vez em seu livro “Infiel” (Companhia das Letras, R$ 51,50), que conta sua experiência de vida em um continente onde o machismo assume traços cruéis – inclusive da mutilação genital.
Sua participação no Fronteiras do Pensamento não fugiu do assunto. Na tribuna, Ayaan narrou a história de Nasra, uma garota somali que ela conheceu quando trabalhava como intérprete na Holanda.
A narração da chegada de Nasra, seus sete irmãos e seu pai à Holanda transpareceu o mesmo deslumbramento com o Velho Continente quer fica latente em “Infiel”. “O aeroporto holandês era como uma cidade. A coisa mais surpreendente foi a mudança na população. Antes, todos eram negros, agora eram brancos”, relatou.
Ayaan lembrou a preocupação do pai de Nasra, de que aquela, era uma terra de infiéis o que significava dificuldades de manter a cultura africana. A previsão do muçulmano se confirma e, assim como aconteceu com Ayaan, a garota perde sua identidade, envolvida pelo efeito fantástico do consumo e do glamour europeu.
Ayaan criticou aqueles que condenam seu abandono da cultura milenar africana, e sua defesa da sociedade européia. “Nem as tradições nem as culturas merecem respeito. Apenas o que vai de encontro ao bem-estar do ser humano. Se as culturas entram em conflito com o bem-estar individual, este deve prevalecer”, acredita.
Renato Mezan contra a política do multiculturalismo
Maior especialista brasileiro na obra de Freud, o psicanalista Renato Mezan abriu mão do seu tema tradicional para seguir a linha da palestra que o antecedeu, trazendo novamente pontos discutidos por Ayaan Hirsi Ali, especialmente a identidade cultural.
O psicanalista disse que a imposição do multiculturalismo causada pela expansão do Islã e a chegada de muitos muçulmanos ao Ocidente assemelha-se ao que ocorreu com os judeus no século XIX. “A assimilação de uma nova cultura pode trazer dificuldades, inclusive psicológicas, para todos os lados envolvidos”, alertou.
Mezan contou que, já no século XIX, a Europa começava a disseminar sua cultura nos países colonizados, o que, segundo ele, levou às guerras de independência, mas também à modernização.
“Hoje, os judeus já assimilaram a cultura ocidental. Esse deve ser o caminho para os muçulmanos”, avalia.
Aliás, o ponto em que o palestrante mais se deteve foi exatamente a assimilação da cultura local pelos imigrantes, usando como exemplo a história narrada pela somali Ayaan.
“Quem deve cuidar para que as tradições somalis sejam mantidas é a família, não o Estado holandês. Se está na Holanda, tem que se integrar, viver como holandês”, defende.
O psicanalista ainda comparou a situação com a colonização alemã e italiana no Rio Grande do Sul, onde, segundo ele, os imigrantes conseguiram manter algumas de suas tradições, transformadas posteriormente em folclore, sem depender do Estado. “O Estado não pode colocar-se na tarefa de proliferar as minorias culturais”, concluiu -
CPI dos Insumos vai convocar representantes das indústrias
Na sexta reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Insumos Agrícolas, da Assembléia Legislativa, realizada ontem, o presidente do Sindicato da Indústria de Adubos do Rio Grande do Sul (Siargs), Torvaldo Antonio Marzolla Filho, declarou que os elementos utilizados na produção de fertilizantes como a amônia, o ácido sulfúrico, o ácido fosfórico, o enxofre e o fosfato natural tiveram aumentos significativos neste ano no mercado mundial.
“Ao compararmos 2007 com 2008, em dólares, foram verificados aumentos entre 72,5% e 1040%”, afirmou. Da mesma forma, teriam subido os preços dos fertilizantes no mercado internacional e nos fretes marítimos. “Os preços dos fertilizantes no Brasil são determinados pelo mercado internacional. Não é o Rio Grande do Sul que determina os preços”, salientou. Segundo ele, o Rio Grande do Sul seria o quinto estado consumidor de adubos no país.
Marzolla relatou que, além das matérias-primas, influenciam nos preços dos fertilizantes os custos dos transportes marítimos e os custos portuários, entre outros. “Também influenciou o crescimento da renda mundial e da demanda por alimentos”, acrescentou. “Houve uma aceleração forte na utilização de insumos. É uma cadeia de aumentos que ninguém segura”. Ele também destacou a falta de equilíbrio entre demanda e oferta de fertilizantes. “A demanda está sendo muito maior do que a oferta”.
E ressaltou que “sempre foi mais barato importar fertilizantes do que investir na produção, por isso não houve investimento”. Marzolla disse que a compra da matéria-prima para produção de adubos é feita, em boa parte das vezes, em conjunto pelas indústrias, devido ao fato de que a venda não pode ser feita em pequenas quantidades. “A acusação de cartel é uma inverdade. Não existe cartel, monopólio ou oligopólio em nosso setor”, defendeu. “Tudo que foi importado foi demandado. Não é verdade que as empresas tenham comprado no ano passado para vender bem neste ano”.
Ao ser questionado sobre a lucratividade das empresas, Marzolla disse não saber responder se houve aumento ou redução nos resultados das indústrias. Ele acrescentou que o sindicato não tem as planilhas de custo de cada empresa e apenas as representa institucionalmente.
“Existe confusão entre fertilizantes e agrotóxicos. Acredito que para os agrotóxicos haja, sim, preços melhores na Argentina e no Uruguai, mas não para os fertilizantes”, ponderou o depoente. Marzolla acredita que os preços dos fertilizantes praticados hoje não estejam no topo: “O petróleo continua subindo e isso influencia tudo”.
Para o presidente da CPI, Marzolla foi evasivo em seu depoimento: “A testemunha não apresentou as planilhas de custos das indústrias e fugiu do assunto”. Por sugestão do vice-presidente da CPI, deputado Heitor Schuch (PSB), será proposta a convocação de representantes de três das mais importantes empresas do setor no país – Yara Alimentos, Bunge e Mosaic – para que possam ser comparadas as planilhas de custos de 2007 com as de 2008. “Questões fundamentais como os custos das empresas ficaram em branco. Sem abrir essas planilhas, não temos como saber se os preços dos fertilizantes praticados hoje no mercado nacional são justos ou fruto de mera especulação”, afirma Schuch. “Faltaram argumentos para justificar a alta absurda dos adubos no último ano. É muito fácil simplesmente atribuir o aumento ao cenário mundial. Na nossa avaliação, as empresas estão lucrando muito com a falta de concorrência. Os produtores são vítimas deste monopólio”.
Prova do bom desempenho financeiro, segundo Schuch, é o ranking divulgado neste mês pela Revista Exame. Das 50 maiores empresas do agronegócio brasileiro, nada menos que nove são do ramo de adubos e defensivos. “A alegada alta da matéria-prima importada para a produção de fertilizantes não convence. Antes, a culpa era a constante alta do dólar.”
O relator da Comissão, deputado Rossano Gonçalves (PDT), destacou que a defesa do aumento não se sustenta. “Ouvimos aqui, em outras oportunidades, que o aumento estava relacionado às taxas portuárias e o depoente revelou que elas representam apenas 5% dos custos”, alertou. “80% do custo é determinado pela matéria-prima, que é importada. O que sabemos é que quem está pagando esta conta é o consumidor e o produtor rural”.
Nas mãos das multinacionais
Em sessão anterior, representantes da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), Pedro Nardes, presidente, e Ireneu Orth expressaram suas preocupações e as conseqüências do aumento dos preços dos adubos e dos insumos. “Nossa entidade está sentindo o aumento dos preços dos insumos, como uma extorsão. Estamos nas mãos de algumas multinacionais que aumentam os preços sem justificativa alguma, sem pensar na sociedade como um todo. Nós, produtores rurais, estamos pagando por isso”, alertou Nardes.
Orth relatou as razões internacionais alegadas pelas multinacionais para o aumento destes preços. O motivo estaria relacionado aos transportes marítimos, à diminuição da produção de grãos e ao crescimento da Índia e da China. “A estimativa é de que o consumo em 2008 atinja 160 milhões de toneladas ao ano. O principal crescimento virá do Brasil, México, Europa e Argentina”. Ele esclareceu que a elevação de preços nos últimos meses teria ocorrido em função da volatilidade dos créditos marítimos e da China, país que passou a utilizar fertilizantes.
“A nossa dificuldade deverá permanecer, pois consumimos muito mais do que produzimos, apesar do investimento anunciado pela multinacional Bunge para Santa Catarina e Minas Gerais para os próximos anos”, revelou Orth, que participou de uma conferência organizada pela empresa. “O governo pode fazer pouco, diante da dificuldade expressiva que temos: o Brasil depende 70% do adubo fornecido por multinacionais internacionais”.
Preços defasados
Em sessão anterior, o representante da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), Rui Polidoro Pinto apresentou dados sobre o crescimento do custo de produção e preços dos insumos agrícolas. Ele mostrou que os principais produtos agropecuários produzidos no estado – arroz, soja, milho, bovinos, feijão, suínos, aves e leite – estão com os preços defasados na análise de 1994 a 2008. Neste período, segundo seus dados, o adubo teve aumento de 659%. Somente no último ano, quando houve uma disparada no preço dos insumos, o preço do adubo aumentou 78,54%, incluindo aumento de 78,54% nos fertilizantes. Com isto, dobrou o número de sacas de soja necessárias para cobrir a compra de uma tonelada de adubo. O Rio Grande do Sul consome, anualmente, 1,608 milhão de toneladas de adubo. “Nenhum produto teve aumento nestas proporções”, destacou.
Para melhorar a situação para os agricultores e criadores, o dirigente sugeriu acabar com o adicional de frete da marinha, isenção tributária na importação de matéria prima e fertilizantes, aumento da produção e pesquisa em matéria-prima, a melhoria da logística de transporte e redução do tempo gasto nos portos para exportação e taxação dos produtos importados. Rui Pinto destacou que a disparada no aumento dos insumos, principalmente nos últimos dois anos, deve-se, em parte, ao fato de produtos primários estarem se tornando moedas de troca, substituindo o dólar – em queda no mundo inteiro.
“O Brasil não produz matéria-prima suficiente, então os valores dos insumos são determinados por alguns poucos exportadores que dominam o setor”. Segundo ele, apesar da situação há uma tendência de aumento de área de plantio em todo o País, porém, com menos tecnologia, menos insumos e, conseqüentemente, menos produtividade. O dirigente também considera difícil a substituição de produtos utilizados como insumos e defensivos agrícolas, existindo uma clara dependência dos fornecedores.
Os objetivos da CPI
A Comissão foi instalada para investigar o aumento abusivo nos preços dos fertilizantes e insumos agrícolas acima da inflação, principalmente nos últimos 12 meses; a falta de relação com a variação cambial e os preços recebidos pelos agricultores na venda de seus produtos. Com base nas investigações da Polícia Federal, através das Operações Caá-ete e Ceres, sobre falsificação, contrabando, pirataria e comércio irregular de agrotóxicos que apontou o envolvimento de empresários, produtores rurais e de funcionários públicos, os deputados também pretendem esclarecer as recentes aquisições e fusões entre empresas do setor de insumos agrícolas, bem como a venda de boa parte das empresas estatais atuantes no setor para empresas estrangeiras, ficando a participação estatal remanescente reduzida apenas à produção de matérias-primas e de produtos intermediários.
Segundo o presidente da CPI, deputado Edson Brum (PMDB), a intenção é também tocar em temas como a questão tributária, o frete, a cabotagem, a diferenciação na tributação do Rio Grande do Sul e de outros estados e a falta de insumos importados. O parlamentar comunicou ainda que a CPI deverá realizar reuniões no interior do Estado.
O relator da Comissão, deputado Rossano Gonçalves (PDT), assegurou que, além de buscar esclarecimentos e subsídios, um dos principais objetivos da comissão é cobrar ações dos governos federal e estadual para inibir e coibir o aumento exagerado dos adubos e insumos. “Não queremos fazer um trabalho de cunho político. Queremos que o preço dos produtos seja justo para o agricultor e para o consumidor”, frisou Rossano. -
Colégio Rosário: Obras voltam a incomodar moradores
Alexandre Haubrich
Aprovada em 2006, após intenso debate com a comunidade, a construção do novo prédio do Colégio Rosário volta a causar transtornos aos moradores. Primeiro, a luta foi pelo aumento do recuo da edificação, que ficaria colada aos prédios vizinhos. Depois, no início da obra, o incômodo foi o fechamento do trânsito na rua Irmão José Otão.
Agora, desde que começou a ser erguido o novo edifício do Rosário, a circulação na calçada esquerda da Irmão José Otão está interditada. O trecho é agora utilizado para passagem de caminhões da empreiteira.
Com o início do ao letivo, além de enfrentar o tradicional engarrafamento, os pais reclamam da falta de mobilidade nas calçadas. “Para buscar meu filho, tenho que dar uma volta e atravessar a rua três vezes. Antes, era preciso cruzar a via apenas uma vez”, reclama o jornalista César Fraga, que mora na rua Barros Cassal.
A obstrução total do passeio público foi aprovada pela Prefeitura. A Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC) admite que é um procedimento raro, mas o intenso tráfego de caminhões colocaria em risco os pedestres.
Para piorar, um muro que separava o terreno dos prédios vizinhos foi demolido e no seu lugar, barreiras improvisadas foram erguidas. “Eles disseram que tinham que derrubar, porque estava cedendo”, reclama o zelador do edifício 585 da Barros Cassal, Darci de Araújo.
Revoltados, moradores ingressaram com uma ação na justiça para impedir a demolição. Diante do impasse, a direção da escola aceitou um acordo. Comprometeu-se a colocar o muro provisório e, em junho, construir um novo, nos mesmos moldes do original.
Mas os problemas para os moradores da Barros Cassal retornaram na segunda semana de abril, quando as chuvas fizeram com que o piso dos fundos do prédio 585 cedesse um pouco.
Segundo os operários, com as escavações da obra no Rosário, “a terra estava se assentando”. Após reclamação do zelador, foi colocado cimento nos buracos no chão.
Os moradores se queixam, ainda, do barulho da construção do prédio de sete andares e mais três de subsolo. A previsão é que o trabalho dure dois anos – do início de 2008 até o final de 2009. Com uma movimentação que começa às 7h30 da manhã e se estende até as 17h30, incluindo sábados e alguns feriados. Tudo com a devida autorização da Prefeitura. Vizinhos relatam que em, pelo menos um dia, a barulheira seguiu até às 20h.
Os três andares de subsolo do novo prédio do Rosário serão para estacionamento e o térreo do novo para embarque e desembarque de alunos, o que deverá terminar, ou ao menos amenizar, os históricos problemas de engarrafamento em frente ao Rosário em horários de entrada e saída. Os outros andares deverão ser usados para a Educação Infantil. -
Wal-Mart usa negros e mulheres para simular ações a favor de projetos sociais
Ricardo Patah, presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo
No dia 24 de junho, foi lançada uma carta compromisso patrocinada pelo Instituto Ethos, envolvendo a iniciativa privada e o governo para reduzir as desigualdades sociais no ambiente de trabalho.
A intenção de se reduzir as desigualdades sociais no ambiente de trabalho é boa. Tanto é que a União Geral dos Trabalhadores (UGT) encampou a iniciativa do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que a partir de 2004 colocou na Convenção Coletiva a obrigatoriedade de as empresas do setor de comércio contratar, pelo menos, 20% de negros. Só esse fato era razão suficiente para os representantes de trabalhadores serem convidados para o evento do Instituto Ethos. Não foram.
Quando soubemos dalista das empresas presentes, ficamos decepcionados. Pois vimos no evento apenas uma grande jogada de marketing social. Por que? Entre as empresas que assinaram o documento estavam o BNDES, Petrobrás, Caixa Econômica Federal, Bovespa, Banco Real, Itaú, Alcoa, Telefônica, HSBC, Magazine Luiz, HP do Brasil, Du Pont e, pasmem, a Wal-Mart.
Os negros, segundo dados divulgados pelo Ibope Inteligência, que pesquisa as 500 maiores empresas brasileiras, estão presentes em apenas 3,5% dos cargos executivos, quando são metade da população brasileira. As mulheres executivas ocupam 11,5% das vagas quando são 43,5% da população economicamente ativa do País. Há, portanto, um cheiro de farisaísmo no ar.
A ponto de o presidente Lula, envolvido no evento, ter declarado: “A baixa ascensão social da comunidade de negros mostra que há 30 anos não plantamos as sementes que precisavam ser plantadas”.
O presidente Lula está certo. Só que ao prestigiar o evento promovido pelo Instituto Ethos, com a presença da Wal-Mart, corre o risco de ter plantado uma boa semente em terreno árido.
O que nos assusta é o fato de ter sido uma reunião unilateral, para se tratar de assunto de tal importância. E no ambiente que criaram, cheio de pompas e circunstâncias, terem incluído uma empresa que é mundialmente anti-sindical, como é o caso da Wal-Mart.
É a mesma Wal-Mart que tem um manual para inibir seus funcionários de se sindicalizarem. Trata-se de “A Manager´s Toolbox to Remaining Union Free”, algo que poderia ser traduzido como “Procedimentos Gerenciais para Manter os Sindicatos à Distância”.
O manual ensina os gerentes a identificar os sinais de eventual início de organização dos trabalhadores dentro das lojas. Entre as indicações estão: “reuniões freqüentes nas casas dos empregados” ou ficar alerta para “trabalhadores que nunca são vistos juntos e que de repente começam a bater papo e a trocar idéias”. O manual traz, ainda, uma linha exclusiva para que os gerentes acionem os especialistas para interromper, na fonte, qualquer iniciativa de associação no ambiente de trabalho.
Pois bem, como levar a sério um tal evento, quando surpreendemos o Instituto Ethos patrocinando uma reunião unilateral de empresas e incluindo a Wal-Mart notoriamente anti-sindical?
Nos colocamos à disposição, como presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, das empresas que queiram discutir seriamente os procedimentos para se reduzir as desigualdades sociais no ambiente de trabalho.
Esperamos, por isso, ser convidados para a próxima reunião que com certeza o Instituto Ethos patrocinará. Para presentear, inclusive a Wal-Mart, com um exemplar da Constituição Brasileira e com uma cópia de nossa Convenção Coletiva, que a empresa não respeita.
(Obs.: o texto acima foi traduzido para o inglês e distribuído para a Associação dos Correspondentes Estrangeiros e da i-newswire.com, através de distribuição paga, para jornalistas norte-americanos e europeus)
