PINHEIRO DO VALE
A presidente afastada Dilma Rousseff decidiu protagonizar o último ato do momento histórico que vive, comparecendo à sessão final do Senado que decidirá finalmente sobre o impeachment, dia 29 de agosto.
Dilma decidiu ir à Esplanada dos Ministérios para fazer o registro histórico de seu papel na História do Brasil, aconteça o que acontecer.
No plenário ela vai enfrentar as raposas felpudas, os chacais sanguinários, os adversários leais e os pusilânimes. Todos estarão à sua frente.
Já ela, estará olhando para a História e se colocando nessa crônica com a imagem da “Dilma guerreira do Povo Brasileiro”, bordão de campanha e que agora se cola à sua biografia. Dilma sem-medo é título do filme.
A decisão de ir ao plenário firmou-se por sugestão do marqueteiro João Santana, que está por trás do documentário sobre o impeachment que sua produtora vem rodando desde antes do golpe chegar ao ponto em que chegou.
Percebendo que poderia acontecer o pior, há meses os cinegrafistas e produtores já começaram a captar imagens e sons, fazendo um registro minucioso dos acontecimentos em todos os palcos, nos palácios e nas ruas.
Nos últimos dias essas equipes têm trabalhado intensamente: no plenário do Senado a produção colhe assinaturas de anuência de imagem entre os assessores parlamentares que frequentam aquele recinto.
Não querem problemas com a Justiça sobre eventuais ações tentando obstar a exibição da obra. Mesmo preso, Santana criou a obra derradeira.
Dilma vai olhar seus algozes olho no olho. Vai chamar os traidores às falas, vai ameaçar seus adversários com o facão da História.Não vai ser aquele passeio diante das câmeras da TV Senado em que parlamentares interpretam suas pantomimas diante de depoentes intimidados, muitas vezes humilhando nos interrogatórios, aquele festival de platitudes para se mostrar nas telas. Isto será muito perigoso.
Ninguém ficará impune. Dilma vem com tudo. Esse documentário vai correr o mundo, será uma obra de grande competência técnica e artística. Terá força para vencer festivais importantes, como Cannes, Veneza e, talvez, até mesmo um Oscarzinho.Cada um terá de pensar muitas vezes antes de abrir a boca. É possível que prefiram o mutismo, ou mesmo a ausência.
Neste caso, o forfait, pode ser que se altere o placar. É uma última esperança de criar um constrangimento entre os traidores, um respeito pela História dos apressados. Naquele plenário há pessoas com biografias a zelar, como ex-governadores de estados importantes, acadêmicos de prestígio, políticos com futuro.
As imagens e os sons gravados ao vivo e a cores são indeléveis. Não há como manipular um plano sequência.Dilma está preparada para a grande cena. Sua carta aos senadores é um texto para a História, disseram alguns analistas.
Isto deve ser lido como um roteiro e um script para ser ouvido em off coberto pelas imagens e sobe sons dos acontecimentos.Foi para dar esse recado ao mundo e à História que Dilma incluiu no texto as referências às prisões e torturas, aparentemente menções descabidas num documento dessa natureza.
João Santana, do fundo de sua cela, enquanto se curvava a carcereiros e interrogadores, criava o movimento mais brilhante de sua carreira de marqueteiro político. Será sua obra prima.
Categoria: ANÁLISE&OPINIÃO
O último ato: Dilma Sem Medo
A roubalheira contida e a privataria liberada
A palavra “roubalheira” sempre esteve na boca do povo como alusão genérica a algo corriqueiro nas altas esferas do Poder, mas nunca como agora ela se tornou tão verazmente aplicável a um número expressivo de administradores públicos, empresários, executivos de estatais e parlamentares. Em seu penúltimo artigo, o comentarista político Elio Gaspari apresentou o mais recente balanço da Operação Lava Jato: 57 pessoas condenadas a 680 anos de prisão. Todas elas muito bem situadas nos altos escalões dos poderes econômico e político.
Por obra da Operação Lava Jato, iniciada em março de 2014 pelo Ministério Público Federal e a Polícia Federal, desvendou-se finalmente o esquema de corrupção que sustentava os partidos políticos e suas práticas eleitorais. Tornou-se enfim explícito o que antes se mantinha escondido sob apelidos diversos: “maracutaia”, “panamá”, “quiprocó”, “mamata” e, claro, “roubalheira”. O aspecto mais tragicômico dessa história é que o partido mais afetado pelas investigações é o PT, a sigla mais bem sucedida eleitoralmente na esfera federal no século XX. Como cabeça dos quatro últimos governos nacionais, o petismo transfigurou-se no principal culpado da roubalheira descoberta na Petrobras, a maior empresa nacional, fundada em 1953. Ainda que nenhum partido reste incólume após tamanha devassa, já está eleito o bode expiatório da temporada.
Com as evidências colhidas, mais as delações de empresários e executivos, a Justiça ficou com a faca e o queijo na mão para dar um novo conteúdo às relações entre empresas e partidos. Só lhe falta iniciativa, pois o Judiciário só opera se for acionado. Todas as investigações, processos e sentenças se concentraram até agora numa única vara do Paraná, sob o martelo do juiz Sergio Moro, a celebridade nacional do momento, tal como aconteceu com o ministro Joaquim Barbosa no final do processo do Mensalão no Supremo Tribunal Federal, que condenou à cadeia membros da cúpula do PT e de alguns partidos aliados.
Embora tenha se tornado um ícone da moralidade, Moro não é uma unanimidade. Ele tem sido criticado por: 1) procurar incriminar sobretudo o PT; 2) abusar do instituto da prisão preventiva para obter confissões dos acusados; 3) aceitar com gosto paparicações de grandes corporações da mídia e outras organizações sociais; 4) não ligar para as consequências da paralisação de contratos e obras no âmbito da Petrobras, com o que estaria favorecendo a fragilização de empresas nacionais e abrindo caminho para a desnacionalização de ativos estatais e privados. Dessa maneira, a Lava Jato seria uma nova edição da privataria tucana, agora pela via judicial (o termo privataria foi difundido por Elio Gaspari, que viu na privatização de estatais nos anos 1990 a prática da pirataria).
Hora de perguntar: quem vai herdar o país que sobrar da Lava Jato? Não há partido que possa se sobressair nessa parada. Nenhumas das 32 siglas vigentes no universo partidário brasileiro tem cacife ou envergadura para reconstruir o edifício da austeridade administrativa. A esta altura do processo, não se sabe sequer quantos partidos restarão depois que a Lava Jato chegar ao fim. A primeira prova será em outubro próximo. A menos de dois meses da corrida às urnas para eleger prefeitos e vereadores, não se ouvem os clarins da campanha eleitoral. Durma-se com um silêncio desses. Falta dinheiro para acionar as gambiarras eleitorais. A prova seguinte para a sobrevivência dos partidos será em 2018 com as eleições para presidente, governador e parlamentares.
Hora de perguntar novamente: que país resultará da limpeza em andamento por iniciativa do MPF com apoio da PF e o respaldo (algo constrangido) do STF?
Ainda é cedo para uma resposta ou até mesmo para um prognóstico calcado na esperança em algo melhor ou, pelo contrário, baseado na observação da realidade de maio para cá, quando o vice-presidente Michel Temer substituiu a presidenta Dilma, mas a mudança em curso sinaliza um retrocesso à época do presidente José Sarney (1985-1990), cujo governo foi marcado pelo fisiologismo e a mediocridade. Afinal, do PMDB não se pode esperar ousadia alguma, pois está na cara que o maior partido brasileiro está atolado em roubalheiras imemoriais.Razões de Dilma para recorrer à OEA
PINHEIRO DO VALE
Os dois principais líderes petistas, Luiz Inácio Lula da Silva e Aloísio Mercadante, estão tentando convencer a presidente afastada Dilma Rousseff a não chutar o balde ao chamar seus correligionários e ex-aliados às falas antes da votação final do impeachment no plenário do Senado.
Lula e Mercadante temem que, em vez de ajudar, o estrilo da presidente abra um racha no Partido dos Trabalhadores num momento muito delicado, que é a véspera das eleições. Em centenas de municípios o PT está aliado ao PMDB.
Essa aliança não pode ser rompida neste momento. Segundo estas avaliações, as bases dos dois partidos já estão em atitude suficientemente hostil entre elas para se agravar a situação.
Se o “Fora Temer” se converteu num bordão de sucesso nas redes sociais e espaços públicos, para as lideranças petistas está provocando rachadura na aliança numa hora em que o PT se apresenta como a parte mais frágil da aliança, ao contrário das eleições anteriores quando a imagem de Lula predominava e mantinha o PMDB mansinho à sombra.
A manobra aconselhada pela liderança petista é que Dilma apresente uma denúncia à Organização dos Estados Americanos, com base no Tratado de San José da Costa Rica, denunciando o golpe.
Se ela efetivamente mandar seus advogados abrirem este processo estará afrontando o Supremo Tribunal Federal, que comanda o processo de impeachment no Senado, mas que poderiam ser uma última instância para determinar a ilegalidade do golpe. Se for à OEA Dilma estará dando uma figa para os ministros do STF.
Isto pode ser perigoso, pois ainda há uma última esperança de que, na hora “H”, Ricardo Lewandowski, seu antigo aliado, possa bater o martelo de juiz e dar todo o processo golpista por acabado. Esta possibilidade não deve ser afastada, dizem muitos especialistas em Supremo: ao legitimar o processo de impeachment e assumir o comando do Senado o presidente do Supremo adquiriu a legitimidade para implodir a farsa parlamentar.
Por outro lado, se Dilma optar pela denúncia a um tribunal internacional, mesmo perdendo a boa vontade do Supremo ela estará se vacinando contra o que vêm por aí assim que ela perder o foro hiper-privilegiado de presidente da República.
Entrando na jurisdição da Justiça sem o foro presidencial, ela poderá ser chamada a responder por campanhas do passado, sem a proteção da marca de largada em 1 de janeiro de 2015, dia de sua última posse.
Ela sempre poderá, num segundo passo junto à OEA, qualificar-se como perseguida política. Isto já lhe teria sido garantido pelo secretário geral da Organização dos Estados Americanos, o uruguaio Luiz Almagro, ex-chanceler do governo do presidente Pepe Mujica. Em vez de processada criminalmente, seria exilada, fora do alcance da Interpol.
Aí está o problema, pois seria um ato a ser rejeitado pelo PT para manter a aliança eleitoral com o PMDB valendo para as eleições de outubro.
Se fosse daqui a três meses, não haveria problema. Agora é um desastre, pois a direção nacional do PMDB poderia retalhar cassando todas essas coligações, deixando o PT na chuva.
Devido a toda a manipulação da mídia e de certos pseudo-formadores de opinião pública, o PT está no pior momento eleitoral de sua história.
Não é aconselhável, pensam Lula e Mercadante, chutar o balde neste momento. É por isto que estão tentando acalmar Dilma, pedindo-lhe paciência, pois se o PT pouco lhe ajudou de janeiro de 2015 até hoje, é sua última taboa de salvação. Sem seu partido Dilma pode ser tragada pelo turbilhão político que se avizinha.
Ela também não se conforma com o resultado prático de sua bancada de defensores na comissão do Impeachment. Falando a linguagem da militância, bradando o vocábulo “golpe” (uma palavra que ofende aos demais senadores) chegaram ao fim do processo pior do que entraram:
Na admissibilidade Dilma teve 22 votos; na pronúncia caiu para 21. Gol contra. E a tendência é chegar na final com 18 votos.
Dizem as velhas raposas do Congresso: um governante que não consegue virar cinco votos não tem condições objetivas de se manter no poder. Mais ainda com uma bancada parlamentar como a dela.
Tampouco a defesa jurídica conseguiu resultados. Perdeu no STF uma causa ganha, pois é líquido e certo que o processo de impeachment só encontra respaldo na legislação política, mas poderia ser pelo menos contrabalançado nos tribunais, criando um espaço para dúvidas.
Por fim, dizem, emerge da fumaça a figura da senadora Katia Abreu, ex-presidente da Confederação Nacional de Agricultura e ex-ministra da presidente Dilma. Pelo que ela falou na Comissão de Impeachment pode-se deduzir que as pedaladas do Banco do Brasil foram dadas para atender às suas pressões. Ela foi e continua sendo uma grande aliada da presidente afastada. Com tais amigos…
PLP 257/16: as dívidas estaduais e o serviço público
Vilson Antonio Romero*
Jornalista, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP).
Sob o manto da repactuação das dívidas dos estados, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 257/2016, em discussão na Câmara dos Deputados, encobre uma grave ameaça à sociedade: o aumento da precarização dos serviços públicos.A proposta, urdida pelo Palácio do Planalto em comum acordo com a maioria dos governadores, durante o governo suspenso, aposta num ajuste das contas estaduais, mas impõe parcela expressiva da conta sobre o conjunto daqueles que prestam o serviço público.Pelo texto, ficam vetados reajustes salariais para o funcionalismo, mesmo onde o poder aquisitivo já atingiu o fundo do poço, sinaliza para o aumento dos descontos para a previdência, incentiva a demissão de servidores e, ao não permitir a reposição do quadro funcional, semeia o medo, a desmotivação e intranquilidade entre servidores públicos e familiares.O projeto de lei aponta para diferentes direções sempre sob o mantra da emergência econômica, mas a consequência lógica é o dano à sociedade, que deixará de receber, cada vez mais, os serviços essenciais, e em todos os níveis.Como prevê alterações na Lei de Responsabilidade Fiscal, as medidas draconianas do PLP 257 podem ser reproduzidas em leis estaduais e municipais, resultando em risco ao funcionamento do serviço público nos três níveis e em todos os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). Hospitais, escolas, tribunais, policiamento, tudo pode parar!Mais do que punir toda a população com uma proposta nociva como o PLP 257, o governo precisa ser eficiente na utilização dos recursos disponíveis, ampliando a capacidade de fiscalização, de combate à sonegação e de uma luta incessante pelo controle público e contra a corrupção.O conjunto de medidas, ao invés de buscar a recuperação dos créditos da paquidérmica Dívida Ativa da União – que já supera R$ 1,6 trilhão -, de trazer propostas que permitam a retomada do crescimento, caracteriza-se como um flagrante retrocesso, um ataque frontal sem precedentes aos servidores públicos e, consequentemente, à sociedade, que sofrerá os impactos do atendimento cada vez mais precário.O trabalhador, seja no serviço público, seja na iniciativa privada, não pode ser o bode expiatório para a ineficiência governamental. Fiquemos alertas e críticos em relação a esta medida que pode deixar a população ainda mais carente do Estado!Um sonho olímpico
Assistindo, pela televisão, a abertura das Olimpíadas Rio 2016 senti-me maravilhado e orgulhoso, mais uma vez, de ser brasileiro.
Não pude deixar de lembrar, no entanto, quem foram os personagens responsáveis pela escolha do Brasil como sede dos Jogos Olímpicos, pela primeira vez na América do Sul.
Foi o empenho e a visão ampla de Luís Inácio Lula da Silva sobre o papel internacional do Brasil, com sua política externa de projeção do país aos olhos do mundo e de conquista de seu lugar global e, ainda, o empenho em produzir crescimento com inserção social que garantiram o Brasil e o Rio de Janeiro como sede dos Jogos.
Vendo as cores, os efeitos, as músicas, as danças, a temática abordada e a grandiosidade do espetáculo projetado para o mundo, não pude deixar de identificar e entender os motivos que levaram importantes segmentos das elites oligárquicas e antidemocráticas brasileiras a se empenharem em retirar a Presidenta da República e tentarem apagar rapidamente quaisquer vestígios dos governos petistas de Lula e de Dilma Rousseff.
As elites oligárquicas, antidemocráticas e antinacionais brasileiras jamais permitiriam o protagonismo e a exposição em escala mundial de Lula da Silva e de Dilma Rousseff e de seus feitos sociais, econômicos e culturais.
Lula sonhou demais. E, como todo sonhador, foi ingênuo. Sonhou e acreditou que um Brasil grande e justo, democrático e inclusivo, desenvolvido e proeminente no plano internacional seria suficiente para satisfazer a sede de ganhos e de privilégios das elites brasileiras e seus aliados internacionais e seria capaz de conciliar os interesses dessas elites com os sonhos de seu povo.
Lula e Dilma foram ingênuos e nós os acompanhamos em suas ingenuidades.
O pavor estampado na face e nos olhos de Michel Temer, no entanto, exposto ao mundo em sua fala rápida e insegura, seguida de uma vaia estrondosa, ainda que entremeada pelos aplausos de seus acólitos e imediatamente abafada pelo espocar artificioso dos fogos de artifício oficiais, nos permite, mesmo tristes, reafirmar nossa crença de que o golpismo não resistirá.
Mesmo que Dilma Rousseff venha a ser destituída da Presidência da República, na votação do Senado nos próximos dias, mesmo que as elites oligárquicas, antipopulares e antinacionais impeçam o retorno de Dilma e a convocação de eleições gerais antecipadas, a vitória do retrocesso e do golpismo será parcial e temporária.
A força da vida e a força do povo brasileiro, magistralmente retratadas na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, jamais serão abafadas. Lula da Silva sonhou grande e nós, que também sonhamos, continuaremos a sonhar com ele. Um sonho que, tenho certeza, um número cada vez maior de brasileiros e de pessoas em todo o mundo sonha e que, com o crescimento constante do número de pessoas que o desejam, menos ingênuo, mais real e forte se tornará.
Rio de Janeiro- RJ- Brasil- 05/08/2016- Cerimônia de abertura das Olimpíadas Rio 2016, no estádio do Maracanã. Foto: Ricardo Stuckert/ CBF 
Rio de Janeiro- RJ- Brasil- 05/08/2016- O Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante cerimônia de abertura das Olimpíadas Rio 2016, no estádio do Maracanã. Foto: Beth Santos/ PCRJ 
Rio de Janeiro- RJ- Brasil- 05/08/2016- O Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante cerimônia de abertura das Olimpíadas Rio 2016, no estádio do Maracanã. Foto: Beth Santos/ PCRJ 
Rio de Janeiro- RJ- Brasil- 05/08/2016- O Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante cerimônia de abertura das Olimpíadas Rio 2016, no estádio do Maracanã. Foto: Beth Santos/ PCRJ 
Rio de Janeiro- RJ- Brasil- 05/08/2016- O Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante cerimônia de abertura das Olimpíadas Rio 2016, no estádio do Maracanã. Foto: Beth Santos/ PCRJ 
Rio de Janeiro- RJ- Brasil- 05/08/2016- O Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante cerimônia de abertura das Olimpíadas Rio 2016, no estádio do Maracanã. Foto: Beth Santos/ PCRJ 
Rio de Janeiro- RJ- Brasil- 05/08/2016- O Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante cerimônia de abertura das Olimpíadas Rio 2016, no estádio do Maracanã. Foto: Beth Santos/ PCRJ 
Rio de Janeiro- RJ- Brasil- 05/08/2016- O Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante cerimônia de abertura das Olimpíadas Rio 2016, no estádio do Maracanã. Foto: Beth Santos/ PCRJ 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro – Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã. (Fernando Frazão/Agência Brasil) 
Rio de Janeiro- RJ- Brasil- 05/08/2016- Vanderlei Cordeiro de Lima, durante a cerimônua de abertura das Olimpíadas Rio 2016, no estádio do Maracanã. Foto: Ricardo Stuckert/ CBF 
Rio de Janeiro – Anéis olímpicos decoram Estádio do Maracanã para cerimônia de abertura dos Jogos Rio 2016 (Fernando Frazão/Agência Brasil) Senhores da morte expandem seus negócios pelo mundo
MARIANO SENNA, de Berlim
“No meio do caos há também oportunidade”, Sun Tzu, A Arte da Guerra
Nos tempos de crise é que ocorrem as grandes oportunidades. A ideia é velha, tem mais de dois mil anos. Vem da era em que Buda, Pitágoras e Confúcio iluminavam os caminhos humanos na terra.
Pelas mãos de um estrategista militar chinês (Sun Tzu) virou um clássico da literatura universal, “A Arte da Guerra”, que apropriado pelos gurus do marketing moderno foi transformado em bíblia do deus mercado. E a indústria de armas confirma a validade dessa crença.
Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI – http://www.sipri.org/) o gasto com armamentos aumentou 1% no mundo todo entre 2014 e 2015.
Parece pouco, especialmente considerando que é o primeiro aumento global desde 2011. Mas olhando os números em detalhe, pode-se chegar a uma conclusão bem diferente. O volume total em 2015 calculado pelo SIPRI é de 1,7 trilhão de dólares. Valor dos gastos de governos com suas forças armadas.
Não estão nesse cálculo as exportações e muito menos o contrabando, ou a venda ilegal de armamentos e munições.
A Alemanha, por exemplo, um dos principais fornecedores internacionais, dobrou suas exportações de armas no mesmo período. O total recorde chegou a 8 bilhões de dólares, correspondente a um quinto do gasto militar do país.
Curiosamente, um dos principais contratos (U$ 1,3 bilhão) foi assinado com a Grã-Bretanha ainda dentro dos acordos de cooperação comercial da União Européia.
Mais controverso ainda é o negócio com o principal cliente, o Catar. Num contrato de 1,8 bilhão foram vendidos tanques, carros blindados, armamento pesado e munição. O país é conhecido na Alemanha como um dos principais financiadores do chamado “Estado Islâmico”.
A bronca é velha. Há anos o parlamento alemão se debate a cada novo pedido para exportação feito pelas fabricantes do país. A legislação alemã é considerada a mais rígida do mundo na questão. Para cada encomenda é necessária a aprovação do Bundestag, que raramente nega um pedido. Tudo em nome da prosperidade econômica interna.
Quem se mete na questão acaba defenestrado, e por meios oficiais mesmo. O tal lobby da indústria de armas tem tentáculos para muito além do legislativo.
Fora a doação para campanhas eleitorais, empresas como a Heckler & Koch (HK) mantém uma equipe de advogados e contatos no judiciário que inibem qualquer um que ouse meter-se em seus negócios.
Foi o que aconteceu com o jornalista investigativo Jürgen Grässlin e seus colaboradores Daniel Harrich e Danuta Zandberg-Harrich. Em Setembro 2015 eles publicaram o livro “Rede da Morte” pela editora Heyne.
A obra revela como a HK conseguiu a licença para vender milhares de rifles de assalto G36 para compradores suspeitos em regiões de conflito no México.
A documentação envolve funcionários de pelo menos três ministérios (Economia, Relações Exteriores e Defesa), fora executivos da empresa e servidores de autarquias aduaneiras na Alemanha. Laureados com o “Grimme-Preis” pelos filmes que produziram com base no livro para a televisão alemã este ano, os autores acabaram processados pela promotoria pública de Stuttgart, capital do Estado de Baden-Württenberg, sede da empresa.
A acusação é a de ter revelado segredos de negociações comerciais protegidas pela lei. “É uma prova de que a indústria de armas hoje está mais poderosa do que nunca”, avalia Grässlin.
Segundo ele, o poder econômico dessas empresas torna completamente inútil o aparato de controle do Estado. O jornalista lembra do caso de exportações ilegais para a Colômbia, protagonizadas pela Sig Sauer e a Carl Walther em 2010.
Até hoje ninguém foi responsabilizado, reforçando a tradição germânica de encontrar brechas na interpretação das leis para justificar delitos. “Não é surpresa que armas de útlima geração acabem nas mãos de paramilitares, milicianos e terroristas”, conclui Jürgen Grässlin.
Recuerdos implacáveis
GERALDO HASSE
As reuniões eram nas segundas-feiras à noite na Rua Augusta, 555, sobreloja, endereço do escritório paulista da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Íamos por adesão ideológica, simpatia política e interesse jornalístico. Tínhamos consciência de que ali estava desabrochando algo novo.
Tínhamos participado da greve dos jornalistas de maio de 1979, que redundou em 200 demissões na imprensa paulistana.
Na Abril, progressista, ninguém foi mandado embora, nem mesmo um dos expoentes da greve, Rui Falcão, editor-chefe da Exame. Ex-preso político, ele era uma das referências dos jornalistas situados à esquerda do espectro político.
Era nítido que o governo autoritário não tinha futuro. Os sindicatos agitavam as massas, a imprensa nanica levantava bandeiras contra a opressão.
No ABC paulista, reduto da indústria automobilística, o ferramenteiro Lula empolgava a classe metalúrgica com reivindicações salariais e exigências de novos direitos trabalhistas.
E havia outros dirigentes sindicais confiáveis. Jair Meneguelli. AudálioDantas. Luiz Gushikem e Olivio Dutra. Religiosos como Frei Betto. Professores como Laurindo Leal Filho e Fernando Henrique Cardoso, que nem haviam saído do Brasil, como tantos outros.
Com a anistia de agosto de 1979, os exilados estavam voltando. Toda semana descia um figurão no Galeão. Miguel Arraes. Darci Ribeiro. Fernando Gabeira. Apenas Leonel Brizola fez questão de chegar por São Borja, “costeando o alambrado”, para não acordar os fantasmas de 1961, 64, 68.
Alguns desses recém-chegados, sem emprego e sem saber direito a que categoria profissional pertenciam depois de uma década fora do país, pousavam na Rua Augusta 555, que se tornou um point de agregação de personas em busca de uma reconciliação com seu passado e seu futuro.
Éramos em média uns 40/50 por segunda-feira. Quando os frequentadores habituais eram avisados da presença de alguma figura extraordinária, vinda das catacumbas da luta política, das prisões ou do exterior, o quorum da sessão aumentava.
A maioria era de gente da imprensa. Formávamos o núcleo de jornalistas pró-fundação do Partido dos Trabalhadores, aberto naturalmente aos que não pertenciam a outro núcleo profissional ou de bairro.
Além do discreto Rui Falcão, que perderia para Emir Nogueira a eleição para presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, lembro da presença assídua de José Dirceu, da aparição eventual de Bete Mendes e de uma ou outra vez em que baixou na ABI o ex-líder estudantil Luiz Travassos, cuja base original era o Rio de Janeiro.
Também andou por ali José Ibrahim, que havia liderado uma greve em Osasco nos anos 60. Líderes estudantis ou sindicais que estiveram na cadeia ou voltaram do exílio, eles falavam sobre o que disseram ou escreveram Lenin, Marx, Guevara e outros ícones da esquerda.
Era uma discussão para iniciados. Eles acreditavam que se poderia aplicar ao Brasil de 1980 algumas lições da Rússia de 1911 ou 1917. A maioria dos presentes ficava esperando até que o debate refluísse para a situação brasileira, muito confusa e heterogênea, a presidência da República nas mãos de João Figueredo, um general sem traquejo político que aceitou o posto de má vontade, por apego à disciplina.
Ele havia liberado a imprensa, a música e o teatro da censura. Era um avanço, mas nos bastidores da ditadura decadente agiam grupos de extrema-direita que lutavam para não largar as tetas do Poder.
Baixando a voz, também se falava da Repressão, na qual pontificavam figuras como o delegado Sergio Fleury e militares como o general Milton Caveirinha, ambos sinistros e temidos.
Todo mundo desconfiava que nas reuniões da Augusta havia agentes a serviço do regime, como havia informantes nas redações, nos sindicatos, nas gravadoras e nos estúdios de TV. E assim rolaram várias semanas até que o partido foi fundado em 10 de fevereiro de 1980 e cada um tomou seu rumo.
A orientação era para inscrever-se no diretório do seu bairro, mas deixei o tempo correr porque estava disposto a cair fora de São Paulo. Como jornalista, enfim, não me senti à vontade diante da hipótese de filiar-me a um partido.
Militância era uma palavra complicada. Poderia ser um petista sem vínculo, como um torcedor sem carteirinha de sócio do clube. Mas desde a primeira eleição (1982) votei nos candidatos do PT. Somente em 89 balancei entre Brizola e Lula.
Ou, seja, passei a metade da vida enchendo a bola desse partido trabalhista marginal e discriminado por sua origem híbrida, fruto de uma aliança de sindicalistas, religiosos, intelectuais, exilados e trabalhadores em geral.
Passado tanto tempo, tento compreender o que aconteceu. Como explicar que tantos anos depois de sua fundação o partido esteja se esfacelando sob a presidência de Rui Falcão, o jornalista-grevista-referência de 1979? Por que o diabólico Lula está sendo alvo de uma implacável perseguição que tenta enquadrá-lo sob diversas acusações?
Por que o satânico Dr. Dirceu mofa na cadeia, tricondenado e biinvestigado? Como é que Dilma Rousseff não está lá onde devia estar por escolha de 54 milhões de brasileiros? Algo importante se perdeu no caminho de 1980 até aqui. Esse algo precisa ser resgatado.Prego na sola do sapato
PINHEIRO DO VALE
A decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de recorrer as Nações Unidas pedindo proteção é uma providência de longo alcance, com força legal para barrar, inclusive, alguma tentativa de constrangimento caso ele seja admoestado pela polícia internacional, a Interpol, em meio a alguma viagem ao Exterior.
É um perigo real. Lula é uma figura internacional, seguidamente convidado a eventos fora do País. Não é descabido admitir que algum delegado de polícia afoito e com ganas de notoriedade acione a Interpol quando ele estiver lá fora, respaldando-se na denúncia aceita pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília. Ainda não é o juiz Sérgio Moro a pegar no pé do líder petista.
Com cobertura da ONU Lula pode barrar um pedido de extradição. Ainda que fosse o caso, ele poderia se qualificar como perseguido político e se asilar em algum país amigo.
Também a presidente afastada Dilma Rousseff estaria na mira. Segundo se comenta em Brasília, espera-se apenas que ela perca seu mandato para se abrir processos com denúncias de irregularidades em campanhas passadas.
Neste momento, Dilma está ainda inimputável por atos anteriores à sua última posse em janeiro de 2015. Revogada essa imunidade, ela teria suas contas eleitorais vasculhadas, sujeita às penalidades e responsabilizações.
Muita gente sensata diz não acreditar que se chegue a esse ponto.
Não haveria interesse de jogar mais gasolina na fogueira. Há razões para esses raciocínios. O acordo dos grandes partidos para a eleição do novo presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, do DEM, seria uma demonstração de racionalidade política.
As forças responsáveis, esquerda e direita, uniram forças para explodir o Centrão, que se fortalecia e configurava uma força deletéria que ameaçava as bases da democracia parlamentar.
Rodrigo Maia seria uma volta aos trilhos, não obstante tivesse sido uma locomotiva do trem golpista.
Esse acórdão revelou-se uma soma de resultado positivo a todas as forças já no seu primeiro dia. Antes mesmo de qualquer outro ato, Maia impugnou um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as finanças da União Nacional de Estudantes (UNE).
Com isto o novo presidente da Câmara cortou o pavio de uma bomba que a direita hidrófoba lançara no meio do plenário do Congresso. Maia fez valer seus poderes, desarmando essa casca de banana, demonstrando-se um verdadeiro contraponto à figura politicamente esquizofrênica de Eduardo Cunha, com suas pautas bombas.
As forças políticas responsáveis perceberam que a CPI da UNE seria cutucar com vara curta uma casa de marimbondos. Irresponsavelmente, pretendia-se insuflar milhares de militantes de movimentos sociais em nome de um moralismo canhestro.
O argumento da denúncia era que estariam causando problemas a irrequietos jovens esquerdistas, seus adversários ideológicos. Esse propósito,no entanto, não seria limitar-se a UNE, mas abrir a tampa de uma caixa e ir puxando os fios de uma fieira interminável.
São milhares (mais de20 mil, segundo um último número vazado há quatro anos por funcionários indiscretos do Ministério do Planejamento) de minúsculas entidades que recebem algum tipo de subvenção não têm condições administrativas para atendera todas as minúcias das exigências legais, como prestações de contas detalhadas e licitações demoradas e complexas.
Com a desculpa de atingir no pé uma pretensa máquina eleitoral, pretendia-se chamar aos tribunais milhares de gestores dessas organizações conveniadas, a esmagadora maioria beneficiadas com pequenas quantias. A UNE é uma entidade que repassa alguns recursos de convênios específicos. Por aí se iria desfiando a teia.
Essa proposta foi enterrada. O ex-presidente Lula foi o grande articulador que viabilizou a quebra do Centrão, uma atitude até agora pouco compreendida por segmentos intransigentes da esquerda.
Por estas e por outras que as forças adversárias querem bani-lo do cenário. Lula é um prego na sola do sapato da direita. Certamente por isto que precisa do resguardo das Nações Unidas, pois está travando forças poderosas e obscuras.Temerildo nada de braçada num mar de mentiras e enganação
ANDRES VINCE
Dizem por aí que o humor do Brasil melhorou. Já não há tanto pessimismo no ar e novos horizontes iluminam os olhos desempregados dos brasileiros.
A crise virou coisa do passado e a ordem geral é apoiar o novo governo. Incondicionalmente, mentindo se for preciso.
No domingo de 17 de julho o dominical Fantástico não teve pudor de veicular uma mentira em formato de matéria, informando que a reforma da Previdência é necessária para que o trabalhador de hoje não fique sem aposentadoria amanhã.
A imprensa em geral usa o déficit da Previdência pra provar essa lógica. Só não explicam (ou explicam mal) que no bolo do caixa da Previdência estão incluídos pagamentos de muitos outros benefícios tais como o seguro desemprego, seguro de acidentes, seguro maternidade e muitos outros. A Previdência também paga dezenas de outros auxílios para classe de baixíssima renda, como o Bolsa Família, por exemplo. Ou seja, são benefícios que não tem arrecadação, mas, a Previdência tem que pagar por força da Constituição.
Historicamente o governo federal cobre esse rombo por uma mera questão contábil. Usam o argumento do déficit para iludir o trabalhador, que, é claro, não vai se furtar de apoiar uma medida que vai “salvar” sua aposentadoria. É a famosa vaselina, ou simplesmente K.Y. para os mais modernos.
Outro caso não menos assustador: a manipulação de dados de uma pesquisa de opinião pela Folha de SP. Farsa já denunciada por Glenn Greenwald no The Intercept e definitivamente desmascarada pelo site Tijolaço. E nada vai acontecer porque não existe nenhum órgão pra punir esse tipo de safadeza.
Não contente em ter a manipulação desmascarada publicamente, a Folha não admitiu o erro e alegou não ter achado relevante que 62% dos entrevistados preferem novas eleições. Nem o ombudsman da empresa engoliu essa. Manipulação de grosso calibre, sem margem de erro.
Mais mentira? Temos. Logo cedo no café da manhã.
Recentemente, Miriam Leitão repassou um boato no Bom Dia Brasil como se fosse informação comprovada. Disse que o governo interino havia detectado 45 mil pescadores recebendo o seguro-defeso (pago quando o pescador fica proibido de pescar) em Brasília, onde só há um único lago! Que escândalo! Mais uma prova cabal da corrupção endêmica que assola um único partido do nosso país.
Nada mais foi dito, nada mais foi comentado. Ainda bem que existe o doutor Google. Ele nos informa que em novembro de 2015 o governo federal suspendeu o pagamento do seguro para efeito de recadastramento, pois, havia sido detectada incongruência entre o número de pescadores levantado pelo IBGE e número de seguros que estavam sendo pagos. Porém, a portaria foi derrubada por decreto legislativo. Em janeiro de 2016, o STF entra em campo pelas mãos do ministro Ricardo Lewandowsky e derruba o decreto legislativo, suspendendo novamente o pagamento. Em março, o ministro Luís Roberto Barroso restabeleceu o decreto legislativo, restabelecendo o pagamento. Notícias recentes informam que muitos pescadores até hoje não conseguiram receber o seguro em função de não terem sido recadastrados. Resumindo: a situação está uma zona. Nada que possa ser tratado como nota de rodapé ou em conversa de chá das quatro. Nada contra o chá.
Duas semanas atrás a Polícia Federal entrou em ação contra as fraudes no seguro-defenso. No Amapá. Até semana passada o Diário Oficial não registrava nenhuma suspensão no pagamento do seguro, ou seja, os 45 mil pescadores de Brasília seguem tranquilos em casa tentando pescar algo que preste na televisão durante a piracema. Será? Mais uma chacoalhada no dr. Google e ele confessa a farsa. Em outubro de 2015, nota de igual teor (textualmente) foi publicada na coluna Ricardo Noblat, com uma sintética diferença: a nota falava em escandalosos sete mil pescadores. Deve ter sido a inflação galopante que transformou esses sete mil em 45 mil em menos de um ano. Até prova em contrário foi um boato plantado a mando, com certeza.
O Temerildo não tem nem o pudor de poupar o próprio filho e usa o menino, pela segunda vez, para tentar alavancar a sua inexistente popularidade. Um governo inerte, que, só por não fazer nada, já acalma o temido mercado. E o otimismo vem brotando do solo estéril e arrasado. Um verdadeiro milagre!
Depois de servir como máquina de moer reputações, agora a mídia coloca a mentira e a desinformação a favor dos golpistas. Já temos até terroristas. Como nos velhos tempos da ditadura.
Cenas de um linchamento que quase aconteceu
P.C. DE LESTER
Cerca de 60 clientes que faziam suas compras no Zaffari da rua Fernando Machado, num dos pontos mais movimentados de Porto Alegre, viveram uma hora de tensão e medo nesta quinta-feira, 14.
Eles assistiram ao que seria um linchamento, não fossem os dois seguranças do supermercado, que evitaram o crime.
Foi por volta de 18 horas, num dos horários de bom movimento desta loja que atende a uma populosa região do centro.
Um homem, com falha de dois dentes na frente, entrou correndo e gritando no supermercado. Teria uns 20 anos, vestia um moleton verde.
Atrás dele entrou um grupo de uns 20 jovens armados de guarda-chuvas, tijolos, canos… o teriam massacrado não fosse o segurança que estava na entrada.
O segurança levou socos e pontapés, mas impediu o linchamento até que chegassem outros funcionários. Mesmo assim, a violência parecia incontrolável, e mesmo depois, já passados quarenta minutos ou mais, quando apareceu o primeiro brigadiano.
Acossado entre dois caixas, protegido pelos seguranças, mas mesmo assim recebendo golpes de guarda-chuva, socos, pontapés, o fugitivo não se intimidava: “Tu já era meu, te marquei”, dizia para um rapagão que lhe aplicou um soco no rosto.
A situação só voltou ao controle quase uma hora depois, quando chegou uma viatura com três brigadianos. Mesmo assim, não foi fácil dissolver a turba que queria linchar o perseguido. “Tem que matar, se ele vai preso em dez minutos tá na rua”, gritava um homem que se dizia da Polícia do Exército. Já dentro da viatura, o preso trocava insultos com seus agressores. “Tu vai morrer. Tu vai ser mulherzinha lá no Central”, gritavam uns rapazes através dos vidros fechados da viatura.
Os relatos que ficaram eram desencontrados. O perseguido teria agarrado uma jovem na altura da Reitoria, no parque da Redenção. Segundo uns, teria roubado sua mochila; segundo outros, teria abusado dela. Uma frase que os pretensos linchadores gritavam para as pessoas que queriam impedir o massacre, era: “Queria ver se fosse sua filha”.
Um senhor no caixa, depois que todos já haviam saído, comentou: “A violência está aí, só falta um estopim”.
O caso foi para a 1a Delegacia.

























A Alemanha, por exemplo, um dos principais fornecedores internacionais, dobrou suas exportações de armas no mesmo período. O total recorde chegou a 8 bilhões de dólares, correspondente a um quinto do gasto militar do país.
Nada mais foi dito, nada mais foi comentado. Ainda bem que existe o doutor Google. Ele nos informa que em novembro de 2015 o governo federal suspendeu o pagamento do seguro para efeito de recadastramento, pois, havia sido detectada incongruência entre o número de pescadores levantado pelo IBGE e número de seguros que estavam sendo pagos. Porém, a portaria foi derrubada por decreto legislativo. Em janeiro de 2016, o STF entra em campo pelas mãos do ministro Ricardo Lewandowsky e derruba o decreto legislativo, suspendendo novamente o pagamento. Em março, o ministro Luís Roberto Barroso restabeleceu o decreto legislativo, restabelecendo o pagamento. Notícias recentes informam que muitos pescadores até hoje não conseguiram receber o seguro em função de não terem sido recadastrados. Resumindo: a situação está uma zona. Nada que possa ser tratado como nota de rodapé ou em conversa de chá das quatro. Nada contra o chá.