direção de Ralf Tambke, o filme “Bravos Valentes – Vaqueiros do Brasil”, dá visibilidade para um ofício que é pouco conhecido da maioria da população urbana do país, o vaqueiro. Realizado pela Plural Filmes numa coprodução com Globo Filmes e GloboNews, foi rodado em quatro regiões do país – Caatinga, Amazônia, Pantanal e Pampa. O filme será exibido primeiramente em salas de cinema e depois na plataforma Globoplay, a partir do dia 30 de novembro, e no canal GloboNews.
Depois de três anos de trabalho de pesquisa, “Bravos Valentes” apresenta quatro personagens e, através deles, a ideia de conhecer diferentes territórios Brasileiros, nos seus múltiplos aspectos socioambientais e culturais. A equipe percorreu paisagens distintas, em diferentes estações, reforçando a relação dos personagens com os ciclos da terra, com o tempo e as transformações ao longo do ano.
Convivendo com os personagens, Ralf registra seus dias, mostrando que o trabalho do vaqueiro está além do manejo do gado, revelando quase que uma simbiose, cada um como elemento do lugar que ocupa, cada qual como parte daquela terra.
No Rio Grande do Sul, quase Uruguai, na região de Palmas, localizada entre os municípios de Lavras do Sul e Bagé, às margens do rio Camaquã, com o vento minuano e as baixas temperaturas que caracterizam um inverno incomum na maior parte do país, o personagem escolhido foi Afonso Manuel Collares da Silva, 73 anos. Junto ao seu cavalo Crioulo, cães ovelheiros e rebanhos de gado e ovelhas, Silva traz com ele o orgulho gaúcho da arte de camperear, laçar, valorizar sua cultura, herança dos índios charruas e minuanos.
No Brasil, o Pampa está restrito ao estado do Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território gaúcho e também porções dos territórios da Argentina e Uruguai. Os Campos da Região Sul do Brasil são denominados como “Pampa”, que vem do dialeto Quíchua, que significa região plana.
A região de Palmas, tem características diferenciadas dentro do Pampa gaúcho, constituído principalmente por vegetação campestre de gramíneas, herbáceas e algumas árvores. Palmas tem formações rochosas, onde se pratica o ecoturismo. Essas formações de pedras gigantescas serviram de esconderijo durante a Revolução Farroupilha – 1835/1845.
Também inclui o Rincão do Inferno, que também serviu de refúgio para os africanos que fugiam do sistema escravocrata imposto pelos fazendeiros da região. Assim o Rincão do Inferno passou a fazer parte do quilombo das Palmas.
Essa região é chamada pelos geólogos de Escudo Rio-Grandense, uma plataforma triangular, com uma área total de 48 mil km2. Originou-se de rochas que se fundiram sob pressão e calor intensos no interior da terra e depois emergiram, elevando-se à altura das montanhas. Hoje, desbastadas e fendidas pela erosão de milhares de anos, essas rochas formam as pequenas serras de cumes arredondados que dominam a paisagem.
Os outros três personagens do filme são Maria Eduarda Lopes da Silva, de Moreilândia, no semiárido pernambucano, vaqueira e estudante do Instituto Federal do Crato; Adelino Borges, do Pantanal sul do Mato Grosso, descendente dos Guaicurus, indígenas cavaleiros que ocupavam toda aquela região no passado, mestre na doma racional do cavalo pantaneiro; e Pedro Costa, vaqueiro de Cachoeira do Arari, falecido após a filmagem, do arquipélago do Marajó, na foz do rio Amazonas, onde se concentra o maior rebanho de gado búfalo do país.
