Exibição de documentário e outras ações da CCMQ dão visibilidade ao Jornal Boca de Rua

O Núcleo Educativo da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), instituição da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), repercute, ao longo do mês de janeiro, a trajetória do Jornal Boca de Rua, publicação inteiramente produzida por pessoas em situação de rua em Porto Alegre. O jornal é tema do documentário “De olhos abertos”, dirigido por Charlotte (Cha) Dafol, que será exibido no sábado, 22 de janeiro, às 19h, com entrada franca, na Cinemateca Paulo Amorim, térreo da CCMQ (Andradas, 736 – Centro Histórico de Porto Alegre).

A diretora Cha Dafol. Foto: Mauro Marques/ Divulgação

Charlotte Dafol conta que começou o projeto do documentário participando das reuniões do grupo responsável pela produção do jornal. O filme, que teve o lançamento adiado pela pandemia, mostra a comemoração dos 18 anos do Boca de Rua. O documentário chega ao público quando o jornal já está completando 21 anos. “Essa oportunidade de exibição na CCMQ é muito importante. É finalmente quando o filme poderá encontrar seu público”, comemora a diretora.

O cartaz do documentário;

Em ação anterior, nesta terça-feira, 18 de janeiro, às 14h30, a CCMQ recebe integrantes do projeto Boca de Rua, que serão recepcionados pelo diretor da instituição, Diego Groisman, e pela equipe do Núcleo Educativo. Em uma visita mediada pelo complexo cultural, a equipe do Boca de Rua vai ser apresentada a aspectos da história e da relevância patrimonial do prédio, bem como às múltiplas ações culturais realizadas nos espaços da CCMQ.

O diretor da instituição, Diego Groisman, destaca o alinhamento da iniciativa com as políticas inclusivas conduzidas pela Sedac. “Para a Casa de Cultura é extremamente importante apoiar um projeto de tamanha relevância social, como o Boca de Rua. Debater sobre a questão das pessoas em situação de rua é urgente na cidade, e iniciativas como esta possibilitam que as pessoas em vulnerabilidade social tenham mais voz e representatividade, e, consequentemente, condições de vida mais dignas”, comenta Groisman. Entre as ações que buscam dar visibilidade aos 21 anos do jornal Boca de Rua, a CCMQ também prepara, para data a ser divulgada em breve, uma mostra das capas de todas as edições publicadas ao longo desse período.

Exibição do documentário “De olhos abertos”
Quando: 22 de janeiro | sábado
Horário: 19h
Onde: Cinemateca Paulo Amorim (térreo da CCMQ)
Entrada franca

 

Mega evento de arte contemporânea reune 180 obras de 86 autores em Brasilia

Três representantes da arte contemporânea no Rio Grande do Sul participam da exposição Espelho Labirinto que reúne 180 obras de 86 artistas brasileiros no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, a partir de 19 de janeiro..

São Regina Silveira, André Severo e Paula Krause.

Artista multimídia, além de gravadora, pintora e professora, Regina Silveira rodou o mundo estudando arte e lecionando com expertise ímpar. Sua formação acadêmica em pintura foi no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA/UFRGS), em 1959. Em 1967, foi bolsista do Instituto de Cultura Hispânica. Em seguida, foi convidada para ser professora na Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Porto Rico. De volta ao Brasil em 1973,  passou a integrar o corpo docente na área de gravura da Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). No ano seguinte, consolidou sua carreira como professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Lá, faz mestrado e doutorado. Depois dessa jornada acadêmica, Regina partiu para Nova York, onde morou por três anos e regressou ao Brasil. Algumas de suas obras apresentam ampla relação com a arquitetura, como Vértice (1994) ou Escada Inexplicável II (1999), nas quais oferece ao espectador a ilusão de profundidade.

André Severo e Paula Krause têm carreiras individuais consolidadas e muitas vezes trabalham juntos. Ambos são referência na arte contemporânea do Rio Grande do Sul. Severo, que foi curador da 30ª Bienal de São Paulo e da representação brasileira na 55ª Bienal de Veneza, produziu mais de uma dezena de filmes. Krause, que apresentou sua obra na Rendez-Vous 13, mostra paralela à Bienal de Lyon, em 2013, desenvolve seu trabalho plástico por meio da fotografia, do audiovisual e da performance. Companheiros na vida e na arte, sempre colaboraram nos trabalhos individuais de um e de outro.

As obras expostas fazem parte da coleção Sérgio Carvalho e estão organizadas em três ambientes do Centro Cultural, proporcionando que o visitante passeie entre as inúmeras instalações dos jardins do amplo espaço aberto e ainda aprecie uma das mais belas vistas de Brasília, como a Ponte JK e o Lago Paranoá.

O artista e a obra

Além do trio de gaúchos, entre os 86 artistas da mostra, destacamos alguns para que o leitor e o visitante de Espelho Labirinto conheçam um pouco mais sobre o autor e os trabalhos expostos.

Christus Nóbrega

O artista plástico Christus Nóbrega utiliza várias técnicas e explora a imagem por meio da excepcionalidade, utilizando elementos da transição entre fotografia, foto-objeto, vídeo e arte computacional. Em 2015 foi convidado pelo Itamaraty para realizar residência artística na China. Possui obras em acervos de coleções privadas e institucionais como a Fondation Cartier pour L’art Contemporaine (França), Central Academy of Fine Arte (China) e Museu de Arte do Rio (MAR), no

Brasil.

Luiza Baldan

Ela se apropria de áreas urbanas transfiguradas por construções arquitetônicas para realizar o seu trabalho, é assim a obra de Luiza Baldan. Seu objetivo não é documentar a experiência e sim produzir ficção a partir dos fatos cotidianos. Entre residências, mudanças, errâncias e cidades, Baldan se habituou ao trânsito e ao transitório, e seu olhar vem acompanhando o percurso, ora cinematográfico, ora pictórico, mas sempre fotográfico. O cinema, a pintura e a literatura atravessam suas imagens, sempre marcadas pela convivência com o espaço construído.

Laerte Ramos

Nome de destaque no cenário da arte contemporânea brasileira, especialmente pela produção em cerâmica e gravuras. Na exposição Espelho Labirinto, Laerte Ramos traz o trabalho “50% off”, um grande painel contendo 300 pés direitos de tênis formando um bloco que lembra uma vitrine de lojas de calçados. As esculturas são feitas em cerâmica. Ramos também trabalha com vídeo, instalação, performance e a ação urbana. As pesquisas que realiza têm como principal eixo condutor os meios reprodutivos da imagem, as seriações em diferentes suportes e a relação com as cidades.

Sandra Cinto

A obra da desenhista, pintora, escultora e gravadora Sandra Cinto tem no desenho o fio condutor de seu trabalho. Em muitas de suas obras, os espectadores experimentam espaços que estimulam a reflexão sobre o ambiente ao redor e como ele é ocupado. A provocação de Sandra pode ser vista, por exemplo, em nuvens pintadas em suportes de pequeno e médio porte e que são substituídas por grandes céus noturnos e mares agitados, feitos com caneta esferográfica.

Flávio Cerqueira

Narrar uma história é a especialidade do artista plástico Flávio Cerqueira. Ele cria vigorosas esculturas de bronze figurativas, focadas na construção de narrativas e representação de ações. Ele retrata seus personagens em situações cotidianas comuns e universais, como em momentos de introspecção, reflexão, concentração e ação.

Tres Pe

O grupo Três Pe é um coletivo de artistas formado em Brasília. O grupo busca por meio da produção poética e da pesquisa o aprofundamento das questões que surgem da relação do corpo com os objetos para produzir ação e surpreender com performances. Nazareno

Em sua obra Nazareno trabalha com situações lúdicas, que abarcam os receios e os encantamentos das relações humanas. Desenhista, escultor e artista multimídia, Nazareno vive em Brasília.

Sofia Borges

A artista plástica Sofia Borges utiliza em seu trabalho a fotografia, a performance e o teatro. O objetivo é investigar noções filosóficas sobre a representação e a relação da linguagem com a existência e o significado.

Os curadores e o colecionador

O fotógrafo, ensaísta e curador Vicente de Mello é formado em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e especializou-se em História da Arte e Arquitetura no Brasil, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC/RJ.

Aldones Nino é Curador Adjunto de Collegium (Arévalo, Espanha) e Assessor de Educação e Formação do Instituto Inclusartiz (Rio de Janeiro, Brasil). Doutorando em Historia y Arte pela Universidade de Granada em cotutela com o programa de

Pós Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Sérgio Carvalho, advogado, é guardião de mais de 2.300 obras de 180 artistas brasileiros contemporâneos. O conjunto é considerado um dos maiores de obras contemporâneas do Brasil.

Todos os artistas

Os 86 artistas de Espelho Labirinto, que transformam a exposição em uma experiência lúdica, têm em comum a inovação e a provocação. Eles fazem arte contemporânea e desafiam as certezas do espectador propondo uma nova forma de pensar e ver o mundo. Suas obras e abordagens artísticas podem dialogar tanto com questões amplas da sociedade como com aspectos íntimos e histórias pessoais. Nesta mostra, o visitante terá a oportunidade de conhecer cada um dos artistas e as conexões existentes entre seus trabalhos.

Confira a lista completa dos artistas que participam de Espelho Labirinto:

Albano Afonso; Alice Lara; Amanda Melo da Mota; Ana Elisa Egreja; Ana Prata; Ananda Giuliani; André Severo; André Terayama; Bárbara Mangueira; Bento Ben Leite; Bruno Vilela; Carolina Ponte; Christus Nóbrega; Dalton Paula; Dirceu Maués; Éder Roolt; Eduardo Frota; Efrain Almeida; Elder Rocha; Emmanuel Nassar;

Evandro Carlos Jardim; Farnese de Andrade; Fernanda Azou; Fernando Aquino;

Flávio Cerqueira; Gil Vicente; Gisele Camargo; Helô Sanvoy; Hildebrando de Castro; Iago Gouvêa; Isabela Carneiro; James Kudo; Janaína Mello Landini; Joana Traub Cseko; João Angelini; José Roberto Bassul; José Rufino; Julia Milward; Juliana Kase; Jurandy Valença; Kátia Fiera; Kátia Maciel; Laerte Ramos; Laura Gorski; Leandro Aragão; Levi Orthof; Lucia Koch; Luciana Paiva; Ludmila Alves; Luiza Baldan; Manoel Veiga; Marcela Cantuária; Marcelo Silveira; Marco Túlio Resende; Marcos Chaves; Maria Laet; Marlene Stamm; Martinho Patrício; Mauro Piva; Mauro Restiffe; Milton Marques; Nazareno; Nino Cais; Pamela Anderson; Paula Krause;

Pedro David; Pedro Ivo Verçosa; Poliana Dalla Barba; Polyanna Morgana; Ralph Ghere; Raquel Nava; Regina Silveira; Rodrigo Bivar; Rodrigo Braga; Rodrigo Cass; Rodrigo Zeferino; Sandra Cinto; Sofia Borges; Thaïs Helt; Três Pe; Valéria Pena-Costa; Véio; Wagner Barja; Waléria Américo; Yana Tamayo e Zé Crente.

Serviço

Exposição Espelho Labirinto

CCBB Brasília, de 19 de janeiro a 13 de março/2022

De terça-feira a domingo das 09h às 20h30

Localização: SCES, Trecho 2, Lote 22, Brasília, DF

Fone: 61-31087600

Em biografia de Nara Leão, a intimidade de uma mulher que revolucionou a cultura brasileira

Nara Leão certamente foi uma das artistas mais importantes e influentes da cultura brasileira, não só pela sua obra, mas pelo que representou para a mulher e a sociedade como um todo. Filha caçula de dr. Jairo e dona Tinoca e irmã da modelo e famosa personagem da cena carioca Danuza, a jovem tímida, quieta e cheia de neuroses ficou marcada na história como uma das mais produtivas intérpretes da MPB dos agitados anos 1960 aos 1980, além de ser responsável por definir os costumes e a expressão política da época. A cantora faria 80 anos na próxima quarta-feira, 19/01, e ganhou série documental no Globoplay, “O canto livre de Nara Leão”, em homenagem à data.

 

Na biografia Ninguém pode com Nara Leão, Tom Cardoso reconstrói a vida da artista que participou ativamente dos mais importantes movimentos musicais surgidos a partir da década de 1960, que, tratada como ‘café com leite’ pela patota que se reunia no apartamento da família em Copacabana, deixou a bossa nova para se juntar à turma politizada do CPC e do Cinema Novo e foi a primeira estrela da MPB a falar abertamente contra a ditadura militar.
O livro, que traz prefácio de Tárik de Souza, um dos mais respeitados críticos da MPB, Tom apresenta passagens da infância de Nara, marcadas pela angústia e reclusão, detalhes da inimizade com Elis Regina, dos famosos encontros no apartamento da Av. Atlântica, onde a bossa nova ganhou corpo, cara e nome, do relacionamento com Ronaldo Bôscoli, da amizade com figuras como Vinicius de Moraes, Roberto Menescal e Ferreira Gullar, por quem nutria admiração mutua e teve um affair. No livro, Tom relata que Nara inclusive chegou a sugerir que ele largasse a mulher e os filhos e viajasse com ela pelo Brasil.
À frente de seu tempo, Nara foi uma das primeiras adolescentes do Rio a fazer análise, por necessidade e curiosidade, e a obra “Opinião de Nara”, lançada sete meses após o Golpe de 1964, foi o primeiro trabalho de uma estrela da MPB a colocar o dedo no nariz da ditadura. Além disso, Nara foi a primeira do segmento a atacar diretamente o regime ao afirmar em entrevista ao Diário de Notícias que “o Exército não servia para nada” e que “podiam entender de canhão e metralhadora, mas não pescavam nada de política”.
O livro também acompanha o relacionamento de Nara com o cineasta Cacá Diegues, na época em que se aproximou do CPC e dos expoentes do Cinema Novo. Ele foi o responsável por apresentar a ela um outro mundo musical, fazendo-a se impressionar com artistas como Carmen Miranda, Ary Barroso e Luiz Gonzaga. Ela e Cacá se casaram em cerimônia íntima e recebendo convidados como Danuza e Samuel Wainer, Chico Buarque e Marieta Severo, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Aloysio de Oliveira e Flávio Rangel. Foi também com o cineasta que Nara se exilou na França e teve dois filhos, Isabel e Francisco.
Nara morreu por conta de um tumor no cérebro na manhã de quarta-feira do dia 7 de junho de 1989, aos 47 anos, e deixou um legado que extrapolou o cenário musical na época em que viveu. “Amo Nara Leão. Nara e Narinha. Essa mulher sabe tudo do Brasil 1964. Essa mulher é a primeira mulher brasileira. Essa mulher não tem tempo a perder. Atenção: ninguém pode com Nara Leão”, escreveu Glauber Rocha em uma carta enviada a Cacá Diegues no período do exílio.

 

POR QUE NINGUÉM PODIA COM NARA?

1-A despeito do ar de desencanto e da quase displicência, Nara participou ativamente dos mais importantes movimentos musicais surgidos a partir da década de 1960 — e saiu de todos eles sem se despedir.

2-Ela foi a primeira artista de sua geração a ridicularizar a passeata contra a guitarra elétrica, liderada por Elis Regina e Geraldo Vandré e endossada por Gilberto Gil.

3- Filha de um advogado excêntrico, fez tudo que uma pré-adolescente de classe média alta carioca nos anos 1950 jamais sonhou fazer: como ir ao cinema, ao teatro e ter aulas de violão com um professor negro.

4- Ela foi uma das primeiras adolescentes do Rio a fazer análise, por necessidade e curiosidade.

5-Tratada como bibelô pelos machos alfas da bossa nova, deixou o movimento para se juntar à turma politizada do CPC e do Cinema Novo.

6-No disco de estreia, recusou-se a pegar carona no sucesso da bossa nova e gravou um disco com sambas de Cartola, Zé Kéti e Nelson Cavaquinho.

7- Apesar da decisão de dar um caráter mais político ao disco de estreia, tendo como fio condutor um gênero que estava associado diretamente às massas, ela se recusou a gravar uma letra machista de Cartola.

8- Lançado sete meses após o Golpe de 1964, “Opinião de Nara” foi o primeiro trabalho de uma estrela da MPB a colocar o dedo no nariz da ditadura. Sem rodeios, sem metáforas. Um disco-manifesto, inserido no contexto político-social e em sintonia com o que se ouvia nas favelas do Rio, marginalizadas e discriminadas pela política higienista do governador Carlos Lacerda.

9- O demolidor segundo disco serviu de inspiração para um dos mais revolucionários espetáculos musicais da história do país: o “Opinião”.

10- Foi ela, em pesquisa musical pelo Brasil, quem abriu as portas do Sudeste para os talentos do Teatro Vila Velha, Caetano, Gil, Gal e Bethânia – essa última, com 17 anos, foi convocada para substituí-la no show “Opinião”.

11- Foi a primeira estrela da MPB a falar abertamente e de forma mais contundente contra a ditadura militar, ao afirmar, em 1966, que o “Exército não servia para nada”.

12- Ao ver nascer a expressão “Esquerda Narista”, ela, que sempre rejeitou ser porta-voz de qualquer coisa, decidiu gravar, só por provocação, uma singela marchinha de um compositor iniciante, que mal abria a boca: Chico Buarque.

13-Atendendo a um pedido de Nara, Chico compôs “Com Açúcar, Com Afeto”, a primeira de muitas canções em que a mulher assume a narrativa na primeira pessoa. Preso aos preceitos machistas da época, Chico recusou-se a interpretá-la, passando a tarefa para a cantora Jane Moraes. Nara, sempre na vanguarda, achou a atitude ridícula.

14- Primeira artista da MPB a gravar no mesmo disco Ernesto Nazareth e Lamartine Babo, Villa-Lobos e Custódio Mesquita, Nara nasceu tropicalista antes do movimento existir – e ser gestado com a sua ajuda.

15-Presidente do júri da polêmica e histórica edição do FIC 1972, o festival que revelou Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Walter Franco, pediu demissão por não aceitar a ingerência dos militares.

16- Cansada de tudo e de todos, decidiu dar um tempo, no auge da carreira: “Uma hora eu sou a musa da bossa nova, outra a cantora de protesto e ainda tem essa coisa ridícula do joelho. Então me recuso a virar um sabonete e vou dar uma parada”.

17- Decidida a estudar Psicologia na PUC, por um bom tempo não foi reconhecida pelos colegas de classe, dez anos mais novos.

18-De volta aos estúdios, decidiu gravar um disco inteiramente dedicado ao cancioneiro de Roberto e Erasmo, ainda vistos como artistas menores por alguns medalhões da MPB.

19-No fim da década de 1970, rodou o país numa perua kombi, fazendo shows nos rincões do Brasil, ao lado de uma nova e renovadora turma do choro carioca, entre eles o violonista Raphael Rabello, de 15 anos.

20-Diagnosticada com um tumor no cérebro, que lhe impôs uma série de complicações, nunca deixou de produzir compulsivamente, gravando praticamente um disco autoral por ano.

SOBRE O AUTOR

Tom Cardoso, nascido no Rio de Janeiro, é jornalista, com vasta passagem pela imprensa paulistana. Autor, entre outras obras, das biografias do jornalista Tarso de Castro, do jogador Sócrates e do político Sérgio Cabral, foi um dos vencedores do Prêmio Jabuti 2012 com o livro-reportagem O cofre do Dr. Rui, que narra o assalto ao cofre de Adhemar de Barros, em 1969, comandado pela VAR-Palmares.

(Texto de Nathalia Bottino  e Mariana Martins – Assessoria Editora Planeta)

 

FICHA TÉCNICA

Título: Ninguém pode com Nara Leão — uma biografia

Autor: Tom Cardoso

240 páginas

Livro físico: R$ 49,90

E-book: R$ 30,90

Editora Planeta

Projeto Orquestra Jovem: inscrições abertas para aulas gratuitas na Casa da Música

O Projeto Orquestra Jovem e Escola Casa da Música-AACAMUS (Associação dos Amigos Casa da Música POA) está com as matrículas abertas, com vagas limitadas,  para aulas gratuitas de música.

As vagas destinam-se a estudantes de escolas públicas de Porto Alegre e da Região Metropolitana, com idade entre 6 e 16 anos. Atualmente as vagas disponíveis são para flauta doce, cavaquinho, violino, violino com prática, e grupo vocal infantil e infanto-juvenil.

Os estudantes terão acesso aos respectivos instrumentos, os quais são oferecidos pelo Projeto.

As inscrições estarão abertas até 20 de janeiro.

As aulas terão início no próximo dia 07 de março, na Casa da Música Porto Alegre, na Rua Gonçalo de Carvalho, 22 (fundos do Shopping Total).

A cantora mezzo soprano Angela Diel, diretora artística do projeto, relata que em 2021 houve grande crescimento tanto na qualidade do aprendizado quanto no número de alunos. “Percebemos alunos talentosos que merecem a oportunidade  de receberem aulas individuais, como é o caso dos integrantes do Quinteto Jovens Talentos, que também participam das aulas em grupo”, salienta.

O coordenador do projeto, violinista e professor Ricardo Chacón, doutorando em música na UFRGS,  é venezuelano, oriundo do “El Sistema”, projeto social de ensino da música desenvolvido de forma pioneira na Venezuela e reconhecido mundialmente, diz que é uma honra coordenar a Orquestra Jovem Escola Casa da Música-AACAMUS porque oferece oportunidade de desenvolver habilidades musicais, prática individual e coletiva, as quais fortalecem a formação integral das crianças originando nelas outro olhar sobre as artes.

“Para mim, a música é parte fundamental em qualquer processo educativo e o projeto  tem a estrutura organizacional, de infraestrutura e professores qualificados para fazer dele uma janela para o Brasil e para o mundo. O céu é o limite”, afirma Chacón.

www.casadamusicapoa.com.br

www.facebook.com/CasadaMusicaPoa/

 Inscrições: www.casadamusicapoa.com.br/aacamus

Ações desenvolvidas em 2021

Em 2021 o Projeto realizou seis concertos para cerca de 2.000 espectadores nos seguintes locais: EMEF Chico Mendes, Travessa dos Cataventos-Casa de Cultura Mario Quintana, na frente da Casa da Música Porto Alegre, Igreja Santa Teresinha, bairro Floresta (dois concertos), e Igreja Nossa Senhora da Pompéia.

Além das aulas de instrumentos para os grupos, foram ministradas oficinas de Técnicas de Orquestra, Percussão Corporal e Produção Cultural e Artística.

Criado em 2016, atualmente o projeto agrega 200 integrantes, oriundos de escolas da rede pública de ensino de Porto Alegre e da Região Metropolitana, e 18 professores. ​

A AACAMUS é uma associação sem fins lucrativos que tem por objetivo oferecer aulas de música gratuitas para alunos das escolas públicas de Porto Alegre (RS), com idade entre 6 e 16 anos, bem como trabalhar a formação de novas plateias na música clássica.

 

Miniarte apresenta tema de 2022, regulamento e logomarca da mostra

 

 

O Projeto Miniarte Internacional está de site novo, recém-colocado no ar (www.miniartex.org). O espaço informa que o tema da Miniarte 2022 é “Magia”, apresenta a logomarca da edição, concebida pelo designer gráfico Ronald Souza, e disponibiliza o regulamento da mostra em três idiomas: português, espanhol e inglês. O site abriga material referente às exposições anteriores e seus respectivos catálogos. A Miniarte foi criada em 2003 pela artista visual e gestora cultural gaúcha Clara Pechansky.

Ela diz que a escolha do tema da futura mostra se justifica pelo fato de “o mundo precisar de magia, que implica surpresa, curiosidade, idealização, fantasia, devaneio, sonho, aspiração, inspiração. A arte pode criar e representar o que é magia, com seus inúmeros significados”.

Clara Pechanski. Foto Lisa Roos/ Divulgação

O período de inscrição e de envio de fotos dos trabalhos para residentes no Brasil vai de 10 de janeiro próximo a 30 de abril. Cada participante deverá enviar somente uma foto de obra com o tema “Magia”, utilizando qualquer técnica, desde que tenha obrigatoriamente o formato quadrado.

261 artistas

Inscrições individuais e de grupos de 10 artistas têm desconto se efetivadas entre 10 de janeiro e 12 de março. No caso de grupos, o 11. participante fica isento.

Em 2021, a Miniarte Vida contou com 261 artistas de 14 países e de quatro continentes. Foram realizadas as duas primeiras habituais exposições, em Gramado, no Centro Municipal de Cultura, em setembro (40ª edição), e em Porto Alegre, em novembro (41ª), na Gravura Galeria.

As próximas montagens já têm cidades definidas. Ocorrerão em Santa Cruz do Sul, de 5 a 31 de março, na Casa das Artes, com coordenação local de Márcia Marostega e Maria Celita Scherer, e em Caxias do Sul, onde a coordenadora local será Mara Galvani, da UCS.

 Confira todas informações em www.miniartex.org

Sarau e show celebram 35 anos de poesia de Liana Timm

Artista multimídia, arquiteta, poeta e designer são algumas das faces de Liana Timm, que completa, em 2021, seus 35 anos de poesia. Para celebrar essa trajetória, Liana vai transformar a Rua Giordano Bruno, no bairro Rio Branco, na Rua da Poesia e da Música, com sarau e apresentação musical na quinta-feira, 16 de dezembro, a partir das 18h30, em frente à Empório Nouveau (Rua Giordano Bruno, 13).

Liana vai dividir o palco com o violonista Gilberto Oliveira. No sarau, Janaina Pelizzon, Cátia Castilhos Simon, Dione Detanico, Jane Tutikian e Luciana Éboli vão interpretar textos que marcam a trajetória poética da escritora. Durante o evento, também será lançado o livro “A Dimensão da Palavra”, da Editora Território das Artes, uma antologia que reúne em 494 páginas poemas de 18 livros de poesia publicados pela artista.

 Nascida em Serafina Correia, Liana é cidadã de Porto Alegre, onde mantém seu atelier em permanente ebulição, ao mesclar manualidade e tecnologia, conceito e materialidade, história e contemporaneidade. As intensas vivências de Liana foram traduzidas em 76 exposições individuais (e outras 130 coletivas). Em sua trajetória, também foram produzidos 64 livros, sendo 18 individuais de poesia – que integram, na íntegra, a seleção de “Dimensão da Palavra”.

Liana faz da arte sua vida e da poesia sua forma de expressão. “Escolher a palavra certa que rime com nosso interior é mais que rimar a sílaba forçando uma artificial musicalidade. É harmonizar o prazer da estética que, espontaneamente, busca se aconchegar em outras palavras carregando-as de significações. Na poesia testamos, com a sonoridade de nosso coração, todo verso que atravessando o corpo despreza qualquer tradução. Há mais ou menos 12.775 dias vivo a poesia sem intervalos nem concessões. Na solidão da escrita sou tudo o que quiser ser!”, revela a artista.

Esse constante movimento foi reconhecido com 17 premiações. Entre elas, o Prêmio de Melhor Livro do Ano na categoria Poesia, da Associação Gaúcha de Escritores (AGES) para “Água passante” (2010) e “Os potes da sede (2012). O primeiro, nas palavras da crítica literária, ex-professora da UFRGS, da PUC e ex-diretora do Instituto Estadual do Livro (IEL), Léa Masina: “Liana oferece ao leitor um mergulho nas profundezas de uma estética em constante movimento, apreendida na fragmentação das coisas e na possibilidade de uni-las provisoriamente, sem deixar-se aprisionar pela estrutura previsível e imediata da realidade”.

Palavras em movimento

A revelação de sua reconhecida escrita poética ao público ocorreu em 1986, com a sua primeira publicação individual: “Amenas Inferências”, que inclui o diálogo da poeta em fina consonância com Cecília Meireles e Mário Quintana, em um mesmo poema. “Com a primeira, não só por dedicar-lhe explicitamente, iniciando com os seguintes versos: sede assim/ alguma coisa simétrica convidando o leitor/leitora a aderir a um quase total consenso da simetria. E finaliza em modo irônico de um Quintana, com suas melhores tiradas: portanto/ sede assim/ alguma coisa simétrica/ é um equívoco/ não querer ser/ como a maioria dos homens. O eu lírico ironiza a condição da criação estar sob a predominância da perspectiva do masculino. Nesse primoroso diálogo entre poetas, expandem-se campos de força e ganham os leitores”, analisa Cátia Simon, doutora em Estudos da Literatura Brasileira, Portuguesa e Luso-africanas, pela UFRGS, e responsável pelo texto de apresentação de “Dimensão da Palavra”.

Sobre outra obra, “Os Potes de sede”, a escritora gaúcha Jane Tutikian descreveu: “Constitui um inventário da vida em poemas. Aliás, esta e a sua matéria de criação: o cotidiano que conhecemos apreendido de uma forma outra, a de quem sabe que a vida já começa finda, de quem nasceu meio velha/contestando os limites do berço/querendo de pronto/aterrissar no deserto de um assombro. Para a poeta, a palavra em si rompe o dicionário dos sentidos, abre-se ao leitor em possibilidades múltiplas de ressignificação, entre o poema que me escreve e o poema que inscreve no meu dorso”.

Liana Timm Foto: Luis Ventura/ Divulgação

Antes de “A Dimensão da Palavra”, sua mais recente publicação poética havia sido “O Íntimo das horas”, de 2019-2020, uma antologia organizada pela escritora Dione Detanico, que reúne poemas selecionados de 8 livros de poesia já publicados por Liana. De cada um deles, Dione escolheu cerca de 10 poemas para compor um caleidoscópio do universo da poeta, que trouxe à tona o inapreensível a olho nu, numa poética que reconfigura o óbvio da existência. O escritor Alexandre Brito, na primeira orelha, assegura que esse livro “sacode o cristal das palavras como um idioma novo”.

“A obra de Liana Timm é água fresca para quem tem sede de liberdade, expressão cara e inegociável para a arte. Com ela é possível testemunhar o vigor dos apaixonados pela descoberta, dos que não temem enfrentar dragões despertos nem descer aos infernos em meio a labaredas. Por sua poética há medusas e anjos, barro e areia translúcida, oceanos e chuva fina, e o gosto pelo azul”, define Cátia Simon na apresentação de “Dimensão da Palavra”. Uma boa definição desses 35 anos poéticos – e que venham muitos outros.

Empório Nouveau

 

Transformar a Giordano Bruno, em Porto Alegre, em Rua da Poesia e da Música é um marco para a Empório Nouveau. “É uma honra receber, em tão pouco tempo de existência (cinco meses), uma artista da grandeza da Liana Timm. Acredito que a escolha de Liana pela nossa cafeteria tem muita relação com o nosso propósito, nossa temática. O Empório Nouveau – cafés, vinhos e doces vícios nasceu com esta vontade de que todos estávamos de nos reencontrar, tomar uma taça de espumante ou vinho, trocar livros e falar sobre cultura. E o vício da leitura, da cultura está muito presente por aqui!”, destaca Caren Mello, que deixou de lado o jornalismo para assumir os fouets e sua face confeiteira. Ela se inspirou nos cafés parisienses para criar o espaço e o cardápio, que encantou Liana Timm e promete levar os participantes do evento para uma viagem pela poesia, pela música e pelos sabores.

Liana Timm Foto: Caren Mello/ Divulgação

Poesia & Música na Rua com Liana Timm

Lançamento do livro “A Dimensão da Palavra”
Show com Liana Timm e Gilberto Oliveira
Sarau de poesia com Janaina Pelizzon, Cátia Castilhos Simon, Dione Detanico, Jane Tutikian e Luciana Éboli

Local: em frente à Empório Nouveau (Rua Giordano Bruno, 13)

Data: 16 de dezembro de 2021
Horário: 18h30

Vagas limitadas (70 lugares)

Confirmar presença pelo whatsapp (51) 9148-3592, informando nome completo de cada confirmado.

Feira Bella Ciao, em 2ª edição, com 60 expositores e convidados especiais

Neste domingo,  19/12, começa a 2a edição da Feira Bella Ciao,  com mais de 60 expositores, de marcas autorais de roupas, acessórios, artesanato, arte, literatura, cerveja artesanal, alimentação vegana e convencional, além de convidados especiais, como o cartunista Santiago, o coletivo Reafro, a Cozinha Solidária do MTST, a ONG Alice (Boca de Rua) e vários expositores indígenas.

A ASSUFRGS (Sindicato dos Técnico-Administrativos em Educação da UFRGS, UFCSPA e IFRS) vai estar presente comemorando o aniversário de 70 anos e apoiando a 2a edição da Bella Ciao com o propósito de reforçar a
importância da luta sindical por um país melhor para todas e todos.

A tarde será animada com o som da Tribo Brasil, que toca samba e MPB, e da DJ Joelma Terto, que toca uma música tropical de diferentes ritmos.

Além disso teremos um espetáculo de dança e, para crianças e adultos,
brincadeiras com a Fê Poletto e uma apresentação do palhaço Grillo. Pets são bem vindos.

O evento acontece no Memorial Luiz Carlos Prestes, um lugar que representa os valores de democracia, de igualdade, resistência e solidariedade, em frente ao Anfiteatro pôr do sol, na orla do Guaíba, Porto Alegre – RS.

Estaremos arrecadando alimentos para a cozinha solidária do MTST, um projeto que dá comida pra quem tem fome. Leve não perecíveis para doar.

Agradecemos o interesse e contamos com sua parceria para divulgação!
Precisamos ir além das redes sociais para buscar uma rede de justiça social.

O quê: Feira Bella Ciao

Onde: Memorial Luiz Carlos Prestes – Avenida Edvaldo Pereira Paiva, 1527
Quando: 19 de dezembro de 2021, das 14h às 19h30

Libretos Editora celebra 20 anos de atuação, investindo na bibliodiversidade

Fundada por Clô Barcellos, jornalista, designer e artista visual e por Rafael Guimaraens, escritor e jornalista, a Libretos atua desde 2001 na área de memória e humanidades e, em duas décadas, publicou cerca de 200 livros, entre romances, contos, não-ficção, infantis, juvenis, ebooks e audiolivros, além das séries Universidade e Poche, de bolso. Dia 18 de dezembro, sábado, das 14h às 18h, haverá um evento comemorativo ,no Espaço Amelie, na Rua Vieira de Castro, 439 – Porto Alegre/RS

Clô Barcellos e Rafael Guimaraens. Foto: Ricardo Stricher/ Divulgação
Entre seus autores estão Valesca de Assis, Alcy Cheuiche, Wrana Panizzi, Rafael Guimaraens, Paulo César Teixeira, Santiago, Fátima Farias, Edgar Vasques, Marcel Citro, Dilmar Messias, Lilian Rocha, Robson Pereira, Celso Gutfreind, Kleiton Ramil, Viviane Jugueiro, Letícia Möller, Miguel da Costa Franco, Ana Dos Santos, Jandiro Adriano Koch, Ricardo Silvestrin, Maria do Carmo Campos, Susana Vernieri e muitos outros. Também editou audiolivros de Carlos Urbim, Jane Tutikian e Cintia Moscovich.

“Nos identificamos com a qualidade de nossos autores, ilustradores, revisores, técnicos de várias áreas que fazem do livro a nossa razão de ser. Editar é uma atividade social, cultural e transformativa feita por aqueles que estão ao lado da justiça social”, observam Clô e Rafael.

Tornou-se uma editora com metas, mas mantendo o compromisso primordial com a bibliodiversidade. Cada vez mais publica livros de cultura negra, como Pretessência – Sopapo Poético, A criação da Terra e do Homem – Mitologia YourubáBatidas de OkanMel e Dendê e Travessias de Amanaã, e de temática LGTBIQ+, como Coligay, Babá – esse depravado negro que amou O crush de Álvares de Azevedo.

Banca da Libretos na 67ª Feira do Livro de Porto Alegre

Há onze anos participa da Feira do Livro de Porto Alegre com banca própria e promove eventos de lançamento com debates de temas de todos os seus livros, incluídos na programação oficial da feira, além de estar presente em feiras do interior do Estado e feiras populares de rua, e de eventos dos movimentos culturais. A Libretos é parceira, em edições e eventos, de instituições como Goethe Institut Porto Alegre, UFRGS, Ulbra, Unisinos, Fapa e Assembleia Legislativa.

No ano de 2020, em função da pandemia, a editora transmitiu trinta e cinco lives de lançamento e debate de seus livros, na Sala Libretos, e neste ano, mais nove programas. Promoveu o projeto Libretos Híbrida, presente na Feira do Livro de Porto Alegre com banca e sessões de autógrafos de seus autores, além de uma ampla programação virtual da Sala Libretos.

A editora recebeu os prêmios Destaque Açorianos/SMC/PMPA (2010); Troféu Cultura Econômica/JC (2013) e Parceiros da Escrita/ AGES (2017) e, recentemente, o Prêmio Trajetórias PMLL na categoria Instituição do Livro/PMPA. Importante registrar que diversos livros da Libretos ganharam prêmios literários, como o Troféu Açorianos da PMPA, o Prêmio da Associação Gaúcha de escritores AGES e Prêmio Minuano, do Instituto Estadual do Livro em parceria com a Faculdade de Letras da UFRGS. O livro Flavio Koutzii, biografia de um militante revolucionário, de Benito Schmidt, foi finalista no prêmio Jabuti, em nível nacional.

E para celebrar 20 anos de trajetória da editora, no dia 18 de dezembro, sábado, das 14h às 18h, será realizado o evento Libretos, 20 anos bibliodivertidos! no Espaço Amelie, na Rua Vieira de Castro, 439, com exposição de livros e banners.

Libretos, 20 anos bibliodivertidos!
Dia 18 de dezembro, sábado, das 14h às 18h, no Espaço Amelie, na Rua Vieira de Castro, 439 – Porto Alegre/RS

Exposição de livros e banners

Espaço Amelie – Praça João Paulo I, na Rua Vieira de Castro

Porto Alegre/RS
Aberto ao público
Nas comemorações de 20 anos de aniversário, a Libretos estará nesta semana até o dia 19 de dezembro participando também da FeirArteira no Bom Fim (João Telles, 499) com a Ong ALICE.

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Brasileiro lê mais com a pandemia: venda de livros cresce 33% este ano

O levantamento  períódico  feito pela Nielsen BookScan e divulgado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), mostra que as vendas de livros no Brasil cresceram 33,03%  de janeiro a novembro deste ano, em comparação a igual período de 2020.

No acumulado até agora, o varejo registrou 43,9 milhões de livros comercializados em 2021, com faturamento de R$ 1,83 bilhão, contra 32,99 milhões de unidades vendidas no mesmo período de 2020, gerando receita de R$ 1,39 bilhão.

O resultado já supera o desempenho de todo o ano passado, quando foram vendidos 41,9 milhões de exemplares, com receita de R$ 1,74 bilhão.

Para o presidente do SNEL, Marcos da Veiga Pereira, o estudo representa o otimismo que os mercados brasileiro e mundial estão vivendo.

Na sua avaliação, o isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus favoreceu o encontro dos leitores com a literatura e impulsionou as vendas deste ano, confirmando que o mercado se encontra em expansão.

Em entrevista à Agência Brasil, Marcos Pereira enfatizou que o resultado obtido até o momento “é espetacular”. “A gente não tinha ideia que fosse conseguir manter o crescimento ao longo do ano, nesses meses agora, em que a gente estava vendendo muito livro no ano passado. E continuamos vendendo mais do que no passado, com uma previsão de fechar 2021 perto de 25%”. Ele acredita que a curva continuará ascendente em 2022, mas não nesse nível. “Mas se a gente conseguir continuar crescendo a taxas mais parecidas com algo entre 5% a 10%, eu vou estar muito feliz, porque a gente vai estar em um mercado robusto que continua a crescer”, comenta.

Resiliência
De acordo com o levantamento, a elevada variação apurada este ano, até novembro, resulta de dois momentos diferentes do mercado livreiro: em 2020, um mercado atingido pelas medidas restritivas para conter a transmissão da covid-19 e, em 2021, um setor livreiro mais consolidado e resiliente.

O presidente do SNEL lembrou que no primeiro semestre deste ano, ocorreu uma segunda onda forte da covid, que levou várias lojas ainda a fecharem. “Eu não acho que isso vai acontecer em 2022”. Ao mesmo tempo, assinalou que há uma grande incógnita, ou indefinição, sobre o quanto as eleições e o cenário geral brasileiro podem contribuir negativamente para o setor, de alguma maneira. “Então, eu acredito que a gente precisa continuar a gerar boas notícias, para que a leitura continue em alta e as pessoas continuem interessadas em ler”.

O preço médio por exemplar praticado nos primeiros 11 meses deste ano, da ordem de R$ 41,64, apresentou redução de 1,42% em relação ao valor médio registrado de janeiro a novembro de 2020 (R$ 42,24).

Os dados do Painel são coletados diretamente do “caixa” das livrarias, ‘e-commerce’ e varejistas colaboradores. As informações são recebidas eletronicamente em formato de banco de dados e, após o processamento, os dados são enviados ‘online’ e atualizados semanalmente.

O Nielsen BookScan é o primeiro serviço de monitoramento de vendas de livros no mundo, atua em dez países, e o resultado de seu trabalho contribui para a tomada de decisão das editoras. O SNEL divulga o Painel das Vendas de Livros no Brasil a cada quatro semanas.
(Com informações da Agência Brasil)

Raquel Zepka traz vivência do teatro para seu livro de estreia

O título da coletânea de textos é Disformia Desatada, mas a atriz e diretora Raquel Zepka chama de “diário de mentiras”. O lançamento virtual pela Editora Patuá será domingo (12/12), às 19h.

 A live, comandada pelo editor Eduardo Lacerda, será transmitida ao vivo pelo Facebook e pelo canal da Patuá no Youtube e contará com a presença das escritoras Dia Nobre e Cacá Joanelo, que irão debater com Raquel sobre a construção do livro, que reúne, entre outros textos, uma série de poemas curtos – sem forma definida, por isso o título –  sobre o feminino, sobre morte, sonhos, fragilidades pessoais, misticismo e erotismo.

“Vai ser uma conversa sobre poesia e sobre mulheres escritoras, que publicam suas obras”, adianta a autora. O livro ainda terá lançamento presencial dia 22 de dezembro, às 18h30min, na Livraria Bamboletras (Lima e Silva, 776, Cidade Baixa). “Há muitas mulheres na dramaturgia, mas também muito apagamento das vozes femininas. São dramaturgas, romancistas, escrevendo coisas incríveis”, destaca Raquel.

Formada em Teatro pela Universidade Federal de Santa Maria, pós-graduada em linguagem audiovisual e mestranda em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a autora atualmente pesquisa dramaturgias que radicalizam barreiras entre o real e o ficcional. “Em breve, virá um segundo livro, desta vez mais focado na dramaturgia”, adianta.

Como atriz, Raquel se considera “uma incubadora” de palavras que fervilham nas entranhas “antes de serem paridas”. Em Disformia Desatada elas não nascem na fala, mas na escrita da autora, ação vista por ela como um ritual que transforma o estado do mundo com o mistério da imaginação. A escrita tem sido ofício dentro do fazer teatral, onde exerce a função de dramaturgista, e desde de 2015 tem escrito para teatro.

A capa do artista Alessandro Romio é resultado de um compilado de escritas pessoais, antes não compartilhadas. Os textos vinham sendo escritos desde 2018. “É quase como se fosse um diário aberto, de pensamentos compartilhados, e mentiras compartilhadas”, explica. Foi após cinco meses de oficina literária conduzida pelo escritor pernambucano Marcelino Freire, que Raquel decidiu publicar. “Ele me fez acreditar que era possível compartilhar estes escritos, e foi um dos maiores incentivadores”, conta a diretora teatral.

A obra pode ser encontrada no site da Editora Patuá (a R$ 40) e pelo instragram da autora (@raquelzepka).

“Os poemas de Raquel organizam um percurso da infância como um carrossel que gira em sentido anti-horário. Os cavalinhos sorridentes te levam para diários queimados, bilhetes só de ida, melenas de cabelos guardados obsessivamente por mães que amam mais os cabelos de suas filhas do que elas próprias.” (Dia Nobre)

Sobre as escritoras que participarão da live de lançamento:

  • Dia Nobre é Ph.D em História. Natural do Cariri cearense, atualmente trabalha em Petrolina (Pernambuco), como professora universitária desenvolvendo projetos ligados à literatura, história, lesbianidades e feminismo. Publicou dois livros de não-ficção, O teatro de Deus (Ed.UFC, 2011) e Incêndios da Alma, (Multifoco, 2016), tendo recebido três prêmios por este último, incluindo o Prêmio Capes de Teses (2015). Seu primeiro livro de poemas, Todos os meus humores, foi publicado em junho de 2020 pela Editora Penalux. Participa ainda das Antologias Coletânea VISÍVEIS – I Anuário Filipa Edições e Antes que eu me esqueça – 50 autoras lésbicas e bissexuais hoje (Quintal Edições, 2021). Em maio de 2021, lançou o livro de ficção No útero não existe gravidade, finalista do 3° Prêmio Mix Literário 2021.
  • Cacá Joanello é Mestre em Escrita Criativa pela PUC/RS; foi produtora de filmes e teatro por boa parte da vida, até entender que literatura era sua vocação. Trabalhou como ghostwriter, principalmente de conteúdo on-line; e como designer editorial. Nos últimos anos, integrou o time da Livraria Bamboletras, um marco cultural e turístico de Porto Alegre. Possui diversos contos publicados em antologias e revistas. É uma das organizadoras da antologia Vigílias, lançada ainda no primeiro semestre de 2021. Foi uma das vencedoras do Edital Arte como Respiro – Literatura – Itaú Cultural.