Autor: da Redação

  • Sérgio Faraco é o homenageado do 11° Festival de Inverno de Porto Alegre. Confira toda a programação.

    Sérgio Faraco é o homenageado do 11° Festival de Inverno de Porto Alegre. Confira toda a programação.

    Literatura, música, debates, oficinas estão reunidas na programação do 11º Festival de Inverno de Porto Alegre, entre 20 e 25 de julho, que volta depois de oito anos e tem o escritor Sergio Faraco como seu patrono e grande homenageado.

    A atriz, cantora e escritora argentina Soledad Villamil participará de encontros sobre literatura, música, teatro e cinema. Também na programação palestras e cursos no turno da tarde sobre autores como Edgar Morin, Jorge Luis Borges, Elena Ferrante e Nelson Rodrigues. 

    Também está prevista uma mesa de debates dedicada à obra de Sergio Faraco.

    As oficinas, no turno da manhã, (cinco no total), terão nomes como Ana dos Santos (sobre romance), Cintia Moscovich (sobre conto) e Luis Augusto Fischer (sobre memorialismo).

    Já os cursos, na parte da tarde, versarão sobre figuras proeminentes da literatura contemporânea mundial, como Edgar Morin (ministrado por Juremir Machado da Silva), Jorge Luis Borges (por Martin Kohan), Elena Ferrante e Lampedusa (por Júlia Correa), Nelson Rodrigues (por Luiz Arthur Nunes) e Philip Roth (por Eduardo Wolf).

    As atrações musicais reúnem nomes como Luciano Leães, Sergio Rojas e Andréa Cavalheiro. A grande atração do evento é a artista e escritora Soledad Villamil, atriz do filme argentino vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2009 Lo secreto de tus ojos. Ainda integra a programação de lançamento, o show Luis Coronel, poeta & compositor, no dia 16 de julho, às 19h30min.

    Ingressos – Para os shows musicais serão distribuídas senhas de ingresso 30 minutos antes do início de cada espetáculo. Já para as cinco oficinas será necessária uma inscrição prévia, a ser feita no local, a partir de 30 minutos antes do início de cada uma delas. Para as palestras e cursos não há necessidade de senhas, mas é sugerido que os interessados cheguem 20 minutos antes dos horários do início das atividades.

    Programação:

    Música
    8 de julho – 19h30 – Show “Ritmos da América Latina”, da Banda Municipal de Porto Alegre, com participações especiais de Adriana Defentti, Carlitos Magallanes e Vinícius Brum – Teatro Renascença   
    16 de julho – 19h30 – Show Luís Coronel, poeta & compositor – Teatro Renascença

    Oficinas
    20, 21, 22 julho – segunda, terça e quarta-feira
    9h30 – Literatura Fantástica – Duda Falcão – Biblioteca Josué Guimarães
    9h30 – Memorialismo – Luis Augusto Fischer -Sala Álvaro Moreyra

    23, 24, 25 de julho –quinta, sexta e sábado
    9h30 – Ana dos Santos – Atelier Livre

    9h30 – Romance – Gustavo Czester – Sala Álvaro Moreyra

    11h – Conto – Cintia Moscovich – Sala Álvaro Moreyra

    Cursos (todos na Sala Álvaro Moreyra)
    20, 21, 22 de julho – segunda, terça e quarta-feira
    11h-  Edgar Morin, complexidade e universalismo – Juremir Machado
    14h30-  Literatura negra nas Américas – Luis M. Azevedo e Fernanda Bastos
    16h – Dois clássicos italianos: Lampedusa e Elena Ferrante – Júlia Corrêa
    17h30 – Philip Roth: as ficções supremas da América – Eduardo Wolf
    19h – Três propostas para não se adaptar à vida como ela é – Abrão Slavutski, Renata Lisboa e Gustavo Whickert)

    23, 24, 25 de julho – quinta, sexta e sábado
    14h30 – Nelson Rodrigues e a vida como ela é – Luiz Arthur Nunes
    16h – O universo de Jorge Luis Borges – Martin Kohan

    24 e 25 de julho – sexta e sábado
    17h30 – E, apesar de tudo, o amor – Alexandra Kohan

    Palestraslivros e shows

    20 de julho – Segunda-feira
    19h30 – Mesa sobre Sergio Faraco – Luiz G. Lopes, Léa Masina, Pedro Gonzaga e Altair Martins – Sala Álvaro Moreyra

    21 de julho – Terça-feira
    10h30 –  Soledad Villamil: Música, teatro e cinema – apresentação: Juliana Bublitz – Casa da Memória/Unimed
    19h30 – Soledad Villamil: A literatura em minha vida – apresentação: Sergius Gonzaga – Teatro Renascença

    22 de julho – Quarta-feira
    19h30 – Show: Luciano Leães – De Porto Alegre a New Orleans – Teatro Renascença

    23 de julho – Quinta-feira
    17h45 – Lançamento de reedições da Editora da Cidade – seis obras que tem como cenário ou como tema nuclear a cidade de Porto Alegre – Sala Álvaro Moreyra
    19h30 – Show de Sergio Rojas – Latinoamericanidad – Teatro Renascença

    24 de julho – Sexta-feira
    19h30 | Show de Andréa Cavalheiro – Otras cositas más – Teatro Renascença

    25 de julho – Sábado
    18h – Show de Teresa Benguela – com as cantoras Cláudia Quadros, Marietti Fialho e Renata Pires – Teatro Túlio Piva
    19h30 | Show de Juliano Barreto – Lupicínio Rodrigues Renascença

  • Graça Craidy participa da Mostra de Artes Visuais do MST em São Paulo

    Graça Craidy participa da Mostra de Artes Visuais do MST em São Paulo

    A artista gaúcha Graça Craidy está presente na Mostra de Artes Visuais promovida pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP).

    A mostra, com curadoria de Daniela Castro, foi aberta na sexta-feira passada, 26/06, e se estende até sábado, dia 4 de julho.

    Graça apresenta a pintura “Terra Adorada”, inspirada em uma foto de Sebastião Salgado. Na imagem, um grande grupo de sem-terra aparece em postura de reivindicação, empunhando instrumentos como foices e enxadas e também com punhos cerrados.

    A obra (acrílica sobre papel, 59 cm x 84 cm) estará exposta junto com trabalhos de artistas visuais que fortalecem a luta, a cultura e a arte. 

    O Coletivo de Cultura do MST convocou artistas do próprio movimento e estendeu o convite a criadores simpatizantes da reforma agrária. “É com imensa alegria que participo” disse a artista visual gaúcha. 

    A intenção da atividade é fortalecer, segundo o MST, o trabalho voltado às artes visuais que já vem sendo realizado a um tempo em territórios e espaços do Movimento, além de aprofundar a compreensão sobre os fundamentos e a concepção de artes visuais na luta de classes.

    O evento faz parte do I Encontro Nacional de Artes Visuais do Movimento e transforma o espaço da escola em uma grande galeria viva.

  • Grupo de pessoas velhas e ativas lança  movimento por direitos, arte e alegria

    Grupo de pessoas velhas e ativas lança movimento por direitos, arte e alegria

    Em Porto Alegre, a capital brasileira mais envelhecida, será lançado o Movimento da Velharada Rebelde (MOVER) dia 18 de junho, às 18 horas, na Casa Alice (Olavo Bilac, 188.).

    A cidade tem o impressionante índice de envelhecimento de 137 idosos para cada 100 crianças até 14 anos de idade (veja quadro abaixo), uma realidade inédita (34,3% têm mais de 50 anos) repleta de consequências e novas demandas.

    A criação do MOVER será apresentada publicamente à cidade no domingo, 21 de junho, às 11 horas, em ato junto ao Monumento do Expedicionário, no Parque da Redenção.

    “Queremos respeito, queremos direitos, queremos arte, queremos alegria. Porque a alegria é revolucionária!”, diz a jornalista Rosina Duarte, da Casa Alice e uma das organizadoras do movimento. “Vem fazer parte!”, convida.

    O lançamento na Casa Alice terá entrada franca.

  • Ecos de 1923: A última guerra dos gaúchos em mostra de três documentários na Cinemateca Paulo Amorim

    Ecos de 1923: A última guerra dos gaúchos em mostra de três documentários na Cinemateca Paulo Amorim

    O cineasta Henrique de Freitas Lima tem criado, ao longo de seus 40 anos de carreira, filmes de ficção ou documentários que contam a história do sul do Brasil, seja ela ambientada nas cidades, no campo, ou com enfoque na vida e obra dos artistas que aqui habitam.

    Em Ecos de 1923 – A Última Guerra dos Gaúchos, Henrique e equipe produziram o mais ambicioso e impressionante material audiovisual sobre a história do Rio Grande do Sul jamais feito, com importância fundamental também para o Brasil.

    Por dois anos, de 2023, ano em que a Revolução Libertadora completou seu centenário, a 2025, quando se completou a entrega da 1ª etapa do projeto Os Caudilhos, o cineasta e sua equipe se debruçaram a produzir em nove municípios gaúchos, e no Uruguai, os três filmes de longa metragem que poderão ser apreciados em uma mostra na Cinemateca Paulo Amorim, de 9 a 11 de junho, acompanhados por um ciclo de debates com especialistas sobre o assunto.

    A Ponte do Rio Ibirapuitã, em Alegrete, palco de Batalha em 1923. Reprodução

    Abordando a Revolução de 1923 e focados nos acontecimentos em alguns dos principais palcos do conflito, os municípios de Pedras Altas, Camaquã, Caçapava do Sul, São Gabriel, Rosário do Sul, Alegrete, São Francisco de Assis, Santana do Livramento e Uruguaiana, os filmes aliam depoimentos de especialistas a farto material de arquivo obtido em inúmeros acervos no Brasil e no Uruguai com tratamento moderno e narrativa envolvente. Todos os filmes, fruto da colaboração com produtores locais de cada um dos municípios e realizados com recursos federais da LPG Lei Paulo Gustavo e PNAB Política Nacional Aldir Blanc, estrearam suas versões locais de 30 minutos com grande repercussão em 2024 e 2025 nas cidades que viabilizaram a produção. 

    Na mostra, serão exibidos três programas de 70 minutos de duração: Ecos de 1923 – Parte I, Parte II e Parte III.

    Na impactante abertura, que traz a contextualização da Revolução de 1923, e que leva o espectador ao cerne do conflito, destaca-se na trilha a clássica canção Sabe Moço, de Francisco (Chico) Alves, com novo arranjo de Sérgio Rojas e a interpretação de Vitor Hugo.

    Beraldo Figueiredo, historiador de São Gabriel. Reprodução

    Após as projeções, haverá debates mediados pelo historiador Günter Axt com alguns dos principais nomes que participaram do projeto e participação do público.

    Terça-feira, 9 de junho – Parte I

    A deflagração do conflito: contexto, adesão e consciência política

    – Uruguaiana, São Gabriel e Caçapava do Sul –

    Com os debatedores Miguel do Espírito Santo e João Aloísio Degrazia

    Apresenta o contexto, os personagens históricos e o motivo da guerra, abordando Uruguaiana com a construção do ambiente político, rivalidades, articulações e tensão pré-guerra; São Gabriel com ênfase no aprofundamento humano e simbólico, a cidade como corpo que reage à guerra. Aqui a Revolução deixa de ser apenas estrutura e passa a ser experiência vivida; e Caçapava do Sul, que em tom mais reflexivo e conceitual, funciona como uma espécie de epílogo filosófico do primeiro ato.

     Fazenda da Figueira, em Camaquã. Reprodução

    Quarta-feira, 10 de junho – Parte II

    O corpo da guerra: trauma, violência, cicatriz

    – Camaquã, São Francisco de Assis e Rosário do Sul –

    Com os debatedores Coralio Cabeda e Fernando Azambuja

    Mergulha no núcleo trágico da Revolução. Aqui o espectador não observa mais a história — ele a atravessa. Camaquã abre o segundo dia com impacto direto: bombardeio aéreo, coluna de Zeca Netto, memória oral. Funciona como o “portão do inferno” do segundo ato. São Francisco de Assis aprofunda o trauma psicológico. O próprio título interno – o dia seguinte que nunca acabou – desloca o foco da batalha para a ferida que permanece no tempo. Opera quase como cinema de luto. Rosário do Sul fecha com a maior densidade trágica: degolas, participação das mulheres, resquícios físicos da guerra, pacto, repercussão nacional. É o ponto mais alto de tensão emocional de toda a mostra.

    Quinta feira, 11 de junho – Parte III

    Elaboração simbólica: memória, política, conciliação e legado

    – Alegrete, Livramento e Pedras Altas –

    Com os debatedores Marcos Hernandez e Rodrigo Aguiar

    Transforma trauma em compreensão. Leva o espectador da dor para o significado. Alegrete começa o dia com estrutura mais coral, múltiplas histórias, lembranças, personagens locais. Santana do Livramento traz densidade política novamente, mas agora com mais sofisticação: fronteira, influência uruguaia, assassinatos, ascensão de Flores da Cunha. O conflito retorna, mas agora filtrado pela complexidade histórica. Pedras Altas fecha a mostra com perfeição simbólica. O castelo, o pacto, Assis Brasil, o gesto de conciliação. Dramaturgicamente, é um epílogo natural: onde antes havia guerra, agora há assinatura; onde havia sangue, agora há papel; onde havia ruptura, agora há memória organizada.

    Leonel Gomez, compositor de Santana do Livramento. Reprodução

    ECOS DE 1923 – Mostra de filmes de Henrique de Freitas Lima / Cinematográfica Pampeana

    Dias 9, 10 e 11 de junho, às 19h

    Cinemateca Paulo Amorim – Casa de Cultura Mario Quintana

    Rua dos Andradas, 736

    Entrada franca

     Marcas da Batalha de 1923 na praça de São Francisco de Assis. Reprodução 

  • Débora Falabella transforma Prima Facie em experiência inesquecível

    Débora Falabella transforma Prima Facie em experiência inesquecível

    CRISTIANO GOLDSCHMIDT

    Na noite desta quinta-feira, 4 de junho, no Salão de Atos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, a sensação ao final de Prima Facie não era exatamente a de ter assistido a um espetáculo teatral convencional. O que se experimentava ali era algo mais raro e mais difícil: a impressão de ter sido atravessado por uma obra que obriga o público a reorganizar moralmente as próprias certezas. Poucas peças contemporâneas conseguem alcançar esse efeito com tamanha precisão. Menos ainda quando sustentadas por um monólogo. E raríssimas quando dependem quase integralmente da potência de uma única atriz em cena. Mas é exatamente isso que ocorre na montagem brasileira de Prima Facie, protagonizada por Débora Falabella.

    O texto da dramaturga australiana Suzie Miller já nasce impregnado de densidade ética e sofisticação estrutural. Não se trata apenas de uma narrativa sobre violência sexual ou sobre os limites do sistema jurídico. A peça vai além do discurso temático para investigar a própria linguagem institucional do direito, os mecanismos de validação da verdade e o modo como as estruturas de poder produzem silêncios socialmente legitimados. Prima Facie é uma obra sobre o abismo entre aquilo que aconteceu e aquilo que pode ser provado. E é justamente nesse intervalo que o espetáculo finca sua força devastadora.

    A tradução brasileira de Alexandre Tenório preserva a inteligência afiada do original sem sacrificar fluidez ou oralidade. Há um rigor técnico admirável na construção verbal do texto, sobretudo porque ele alterna velocidades emocionais muito distintas: em certos momentos, a narrativa opera como uma aula brilhante de retórica jurídica; em outros, desce abruptamente às zonas mais íntimas do trauma, da humilhação e da vulnerabilidade. Essa oscilação poderia facilmente comprometer a unidade da peça, mas aqui ela se transforma em virtude dramatúrgica. O texto respira com organicidade. Não há pedagogia panfletária. Há arte. E há pensamento.

    A direção de Yara de Novaes compreende perfeitamente essa natureza híbrida da obra. Em vez de sobrecarregar o palco com soluções ilustrativas ou excessos emocionais, aposta numa depuração cênica inteligente, permitindo que a palavra e o corpo ocupem o centro gravitacional do espetáculo. O resultado é uma encenação de rara maturidade estética. Cada escolha parece submetida a um princípio de necessidade. Nada sobra. Nada distrai. Nada concorre com o essencial.

    É nesse território que o trabalho de Débora Falabella alcança algo próximo do extraordinário. Sua atuação não se limita a interpretar uma personagem; ela constrói uma arquitetura emocional inteira diante do público. A atriz domina ritmo, pausa, respiração, inflexão e presença com uma precisão impressionante. Sua performance possui musculatura intelectual e combustão afetiva simultaneamente. Em muitos momentos, o espectador percebe que ela pensa em cena — e não apenas representa emoções previamente determinadas. Isso confere à personagem uma densidade rara.

    A construção inicial da protagonista é particularmente brilhante. Débora apresenta uma advogada criminalista segura, veloz, sedutora e profundamente adaptada às engrenagens competitivas do sistema judicial. Há ironia, humor e até certo cinismo elegante em sua maneira de ocupar o espaço. O público ri diversas vezes nos primeiros movimentos da peça, e esse riso é importante porque estabelece uma relação de proximidade antes do colapso dramático. Quando a narrativa muda de eixo, a atriz altera completamente sua frequência corporal. O que antes era domínio torna-se hesitação; o que era fluidez converte-se em fragmentação. E tudo isso sem recorrer a soluções fáceis ou melodramáticas.

    O mais impressionante talvez seja justamente sua recusa ao excesso. Débora Falabella compreende que o trauma profundo muitas vezes não explode: ele corrói. Sua atuação evita sentimentalismos previsíveis e aposta em pequenas fissuras emocionais, em silêncios abruptos, em olhares interrompidos, em frases que parecem perder o ar antes de terminarem. É uma interpretação construída menos pelo espetáculo da dor e mais pela erosão progressiva da linguagem. Poucas atrizes brasileiras contemporâneas possuem tamanho domínio de nuances.

    O cenário concebido por André Cortez merece reconhecimento especial pela inteligência com que compreende a natureza psicológica de Prima Facie. Em vez de optar por uma reprodução naturalista de ambientes jurídicos ou por soluções cenográficas excessivamente simbólicas, Cortez cria um espaço cênico de aparência funcional e quase austera, mas carregado de tensão invisível. A arquitetura do palco sugere simultaneamente tribunal, memória e confinamento emocional. Há uma geometria fria na disposição dos elementos, como se o espaço estivesse permanentemente organizado segundo a lógica impessoal das instituições. E justamente por isso a presença humana da personagem ganha ainda mais vulnerabilidade. O cenário não busca ilustrar a narrativa: ele amplifica silenciosamente sua sensação de exposição e isolamento. Trata-se de uma cenografia que entende algo fundamental sobre o grande teatro contemporâneo — às vezes, a verdadeira sofisticação está naquilo que permite ao drama respirar sem jamais disputar protagonismo com ele.

    O desenho de iluminação de Wagner Antônio merece destaque especial. Em um espetáculo sustentado quase integralmente pela palavra, a luz assume papel dramatúrgico decisivo. Aqui, ela não funciona apenas como recurso estético, mas como extensão psicológica da personagem. Os cortes luminosos criam atmosferas de isolamento, exposição e vulnerabilidade com enorme inteligência visual. Há momentos em que a luz parece reproduzir o funcionamento de um tribunal: fria, objetiva, quase clínica. Em outros, torna-se uma espécie de campo mental fragmentado, acompanhando a desorganização subjetiva da protagonista. A sofisticação está justamente na discrição.

    O figurino de Fabio Namatame também opera com grande eficiência simbólica. A escolha de um visual sóbrio, elegante e funcional ajuda a revelar a identidade profissional da personagem sem transformá-la em caricatura corporativa. À medida que o espetáculo avança, a roupa parece adquirir outro peso, como se aquilo que antes representava autoridade passasse lentamente a significar armadura. É um trabalho de figurino que compreende a dramaturgia sem precisar chamar atenção para si.

    A trilha sonora e o desenho de som de Morris seguem caminho semelhante. Em vez de manipular emocionalmente o público com grandiloquência, trabalham por tensão subterrânea. Os sons surgem como pulsações internas, ecos emocionais ou atmosferas de desconforto. Em certos momentos, o silêncio é utilizado com inteligência brutal. E talvez seja justamente nesse silêncio que Prima Facie alcança sua dimensão mais perturbadora: a percepção de quantas experiências humanas permanecem sem linguagem adequada dentro das instituições.

    Há também algo profundamente relevante na recepção coletiva da plateia. Assistir a essa peça em um grande auditório universitário produz uma camada adicional de sentido. O espetáculo dialoga diretamente com temas urgentes da contemporaneidade: gênero, poder, violência, credibilidade e justiça. Mas o faz sem simplificações ideológicas. Sua inteligência reside precisamente em demonstrar que sistemas jurídicos podem ser simultaneamente necessários e insuficientes. A peça não propõe respostas fáceis. Propõe desconforto crítico. E talvez seja essa uma das funções mais nobres do teatro.

    Em tempos de produções frequentemente ansiosas por impacto instantâneo, Prima Facie impressiona por confiar radicalmente na força da interpretação, da escrita e da presença humana em cena. Não há efeitos espetaculares. Não há pirotecnia emocional. O que existe é teatro em estado de alta concentração artística. Teatro que exige escuta. Teatro que convoca pensamento. Teatro que permanece reverberando horas depois do aplauso final.

    E o aplauso, nesta noite de 4 de junho, possuía algo além do entusiasmo habitual. Havia ali um reconhecimento quase físico de que o público acabara de testemunhar uma obra importante. Não apenas importante por seu tema, mas importante por sua excelência artística. Porque grandes espetáculos não são aqueles que apenas emocionam ou informam. São aqueles que transformam nossa percepção do mundo. Prima Facie realiza isso com rara potência.

    Quem ainda não assistiu ao espetáculo tem uma oportunidade preciosa. A temporada no Salão de Atos da PUC-RS continua nesta sexta e sábado, 5 e 6 de junho, e trata-se de uma experiência teatral que merece ser vivida. Ver Débora Falabella em estado de tamanha entrega artística, sustentando um texto dessa complexidade com inteligência, humanidade e precisão técnica, é testemunhar uma das interpretações mais impactantes do teatro brasileiro recente. Prima Facie não é apenas uma peça necessária. É grande teatro.

  • Tina Felice: 40 anos de arte

    Tina Felice: 40 anos de arte

    A arte de Tina Felice faz parte do imaginário, das memórias, das ruas e da história da capital gaúcha. Suas “Meninas” são uma marca-registrada. Ao completar 40 anos de arte, Tina mostra um pouco do tudo que já produziu, com esculturas impressionantes, as tradicionais “Meninas” e suas criações em arte abstrata, inéditas para o público gaúcho. A exposição “Tina Felice: 40 anos de arte” tem vernissage no sábado, 30 de maio, das 11 às 13 horas, na Galeria Bublitz. A mostra fica no local até o dia 30 de junho, com entrada franca.

    “Essa exposição não é só uma homenagem a uma grande artista gaúcha, mas também uma oportunidade de o público conhecer outras faces de Tina Felice e admirar sua produção”, destaca o marchand Nicholas Bublitz. “Também vamos fazer uma homenagem ao Carlos Alberto Pippi da Motta, que faleceu recentemente. Ele foi o padrinho que nos aproximou e tornou essa exposição possível”, revela.

    A seleção de obras em exposição na galeria é formada por trabalhos escolhidos pela própria artista e que fazem parte do seu acervo. Formada em Direito, Tina fez da arte sua profissão. Aprendeu com os grandes mestres da arte do Rio Grande do Sul, como Vasco Prado e Xico Stockinger, além de Cláudio Martins Costa, seu professor no Atelier Livre. Sua trajetória artística começou em 1986 e foi marcada pela superação, em função da talidomida, e pelas adaptações que fez ao longo da carreira. Em vez de pincéis, o rolo de pintura e o cabo de vassoura viraram suas ferramentas de trabalho. Mas a deficiência não a limitou. Ao contrário. Tina é conhecida por esculturas gigantescas que ocupam espaços públicos, como a obra “Túnel do Túnel”, localizada junto ao Túnel da Conceção, e o “Monumento aos 100 anos da Escola de Engenharia da UFRGS”.

    Na foto, Diana da Motta, Carlos Alberto Pippi da Motta, Tina Felice e Nicholas Bublitz. Divulgação

    As famosas “Meninas” nasceram há 25 anos e marcam o ingresso de Tina na pintura, quando resolveu enfrentar uma tela em branco pela primeira vez. Os rostos alongados, com olhos expressivos e boca pequena reproduzem características físicas da própria artista. “Mas não são um autorretrato”, avisa Tina. Tais como Monalisa, as “Meninas” de Tina Felice conversam com quem as vê e suscitam múltiplas interpretações. “Tem gente que acha que elas são tristes, mas são pensativas, às vezes até debochadas e seguem se transformando”, conta a arista.

    A artista Tina Felice. Divulgação

    Além das pinturas mais marcantes e das esculturas, Tina apresenta suas criações em arte abstrata ainda inéditas no Brasil. São obras que carregam também a identidade da artista com formas orgânicas e diferentes cores e que foram exibidas apenas em uma mostra em Londres, até o momento.

    Exposição: “Tina Felice: 40 anos de arte”
    Local:
    Bublitz Galeria de Arte
    Endereço: Av. Neusa Goulart Brizola, 143
    Vernissage: sábado, 30 de maio, das 11h às 13h.
    Visitação da exposição: segundas às sextas, das 10h às 18h, e sábados, das 10h às 13h
    Período da exposição: até 30 de junho.
    Entrada Franca

  • Mostra com vários artistas inclui nova experiência na organização das obras

    Mostra com vários artistas inclui nova experiência na organização das obras

    Numa exposição que reúne nomes reconhecidos como Britto Velho, Cláudia Sperb, Leandro Selister, Paulo Favalli, Leonardo Loureiro e o uruguaio Gustavo Tabares, entre outros, no Espaço Físico, em Porto Alegre, a curadora Ana Zavadil dispõe as obras, de diferentes linguagens, de maneira inovadora: “Menos pela tentativa de unificação conceitual e mais pela construção de uma experiência espacial compartilhada”, explica ela.

    Idealizadora do Espaço Físico (Rua Felipe Camarão, 700, sala 101), a curadora da mostra “Entre passagem e permanência” usa o local expositivo não como suporte neutro, mas como proposição ativa. “Em vez de organizar as obras a partir de um conceito temático único, a curadoria assume a própria arquitetura como eixo articulador: o espaço determina a forma de encontro, o ritmo do olhar e a experiência do corpo diante das obras”, esclarece Ana.

    Obra de Paulo Favalli. Foto Divulgação

    Assim, o percurso da exposição começa no corredor, que funciona como um dispositivo curatorial: um espaço que cria tensão, expectativa e sequência, fazendo com que o olhar seja constantemente ativado e reposicionado.

    O ambiente a seguir rompe a linearidade e introduz outra presença. “Se o corredor sugere passagem, esse espaço final sugere permanência. Nesse ponto, a exposição se expande: o percurso não se encerra, mas se reorganiza”, diz Ana, que foi curadora-chefe do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), curadora-chefe do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS) e curadora assistente da 10ª Bienal do Mercosul, em 2015.

    Obra de Brito Velho. Foto Divulgação

    Essa é a terceira exposição no Espaço Físico, dirigido por Ana, que o inaugurou em janeiro deste ano. “A diversidade de obras da mostra não é ruído: é matéria de relação. As obras coexistem em um mesmo território, porque o espaço, ao conduzir e redistribuir a atenção, cria um campo comum de leitura”, afirma a curadora.

    Obra de Simone Barros. Foto Divulgação

    Artistas participantes

    São as(os) seguintes artistas que participam da exposição: Alexandra Eckert, Britto Velho, Cátia Usevicius, Cláudia Sperb, Cleci Altermann Serpa, Fernanda Martins Costa, Gustavo Tabares, Heloísa Biasuz, Jane Maria, Juliana Desconsi, Jussara Moreira, Leandro Selister, Leonardo Loureiro, Márcia Marostega, Mylène d’Huyer, Paulo Favalli, Rita da Rosa, Sílvia Brum, Simone Barros e Wischral.

    Obra de Leandro Selister. Foto Divulgação

    SERVIÇO:

    Exposição “Entre passagem e permanência”

    Curadoria: Ana Zavadil

    Abertura: 30/05 (sábado), das 10h30 às 12h30

    Visitação: de 1º de junho a 1º de julho, de segunda a sexta, das 14h às 19h

    Local: Espaço Físico

    Endereço: Rua Felipe Camarão, 700 – sala 101 – Bom Fim, Porto Alegre/RS

    Agendamento pelo whatsapp: (51) 999145819

    Entrada gratuita

  • Teatro Bruno Kiefer reabre após reforma de R$ 3,6 milhões

    Teatro Bruno Kiefer reabre após reforma de R$ 3,6 milhões

    Inteiramente reformado, ao custo de R$ 3,6 milhões, reabriu na quarta-feira (27/5), o Teatro Bruno Kiefer, no 6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), em Porto Alegre.

    O governador Eduardo Leite, do secretário da Cultura, André Kryszczun, e da diretora da CCMQ, Adriana Sperandir participaram da reinauguração.

    A obra contemplou restauração integral da plateia, adequações às normas de acessibilidade e substituição de poltronas, carpetes e forros. As melhorias também alcançaram o foyer, o telhado, as portas de segurança e as instalações elétricas. No palco, foram realizadas intervenções que incluíram a renovação da iluminação, a instalação de um novo rack de comando e a recuperação do assoalho – o que modernizou a estrutura e qualificou as condições para artistas e público.

    “Não basta defender a cultura no discurso, é preciso transformá-la em prioridade nas políticas públicas e no orçamento”, disse o governador .

    Os convidados puderam conferir também o teaser de um vídeo institucional sobre o Projeto de Restauração do Teatro, que será lançado na versão completa em breve. O material, produzido pela produtora Ocorre Lab, conta com imagens da obra captadas no último ano, depoimentos de integrantes da classe artística e registros de atividades educativas realizadas em 2025, vinculadas ao projeto de restauro.

    Restauração

    O Teatro Bruno Kiefer é um dos principais espaços culturais do Rio Grande do Sul e grande referência para a cena artística e teatral. Ao longo de décadas, consolidou-se como local de encontros, trocas e produção para artistas, técnicos e público, contribuindo para a formação de espectadores e para o desenvolvimento das artes em Porto Alegre.

    A reforma começou em fevereiro de 2025, com projeto assinado pelos arquitetos Flávio Kiefer e Joel Gorski. Ambos são autores também do plano que transformou o antigo Hotel Majestic na CCMQ, nos anos 1990.

    Programação do segundo semestre

    Nos próximos meses, o teatro recebe diversos espetáculos de música, artes cênicas, drag e dança. Dentre eles, projetos selecionados no Edital de Ocupação dos Teatros da CCMQ; espetáculos de curadoria, organizados pelo Núcleo de Administração dos Teatros da CCMQ; festivais de artes cênicas; e uma programação alusiva aos 120 anos de nascimento de Mario Quintana.

  • Programação especial para marcar centenário do Espaço Força e Luz

    Programação especial para marcar centenário do Espaço Força e Luz

    Uma programação especial, a partir desta sexta-feira, 29, vai marcar o centenário de um dos pontos mais tradicionais do centro histórico de Porto Alegre, o Espaço Força e Luz, na rua da Praia.

    Projeto do arquiteto Adolfo Stern, o prédio começou a ser construído em 1926 e foi concluído dois anos depois.

    Foi projetado originalmente para a ampliação do famoso “Clube dos Caçadores”, um cabaré-cassino, que se tornou famoso ponto de encontro de intelectuais e políticos da época.

    Por sua condição de casa de jogos, ficou popularmente conhecido como o “Palácio das Lágrimas”.

    Em 1929, o edifício foi alugado pela Foreign Light and Power, empresa americana, concessionária de energia em Porto Alegre.

    Quando a Light foi encampada pelo então governador  Leonel Brizola, nos anos 1960, tornou-se a sede da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), o que deu origem ao nome atual.

    De estilo eclético, tem forte influência da arquitetura francesa do início do século XX, com adornos e  cabeças de leão na fachada. Foi tombado como patrimônio histórico  em 1994.

    Em 2002, passou por uma completa reciclagem, em projeto assinado pelo arquiteto Flávio Kiefer, reabrindo suas portas como centro cultural. Atualmente, é conhecido como Espaço Força e Luz e abriga de forma permanente o Museu da Eletricidade do Rio Grande do Sul e o Memorial Erico Verissimo..

    Ao completar 100 anos, o Espaço Força e Luz promove uma exposição comemorativa que convida a população a revisitar experiências ligadas ao edifício e ao próprio desenvolvimento da cidade.

    A programação inicia às 10h30 e foi pensada para aproximar o público da trajetória do prédio por meio de experiências acessíveis e atividades de participação coletiva.

    A fachada está em reforma para as comemorações do centenário;

    Entre as atrações previstas estão a instalação de uma fachada comemorativa alusiva ao centenário, gravações especiais com participação do público, distribuição de brindes e ações interativas ao longo da manhã do dia 29/05.

    Pela tarde, será realizada uma apresentação sobre a história do edifício, contextualizando sua importância para Porto Alegre e sua relação com a memória energética, cultural e social da capital.

    Como parte da programação educativa, o evento contará ainda com uma oficina em celebração ao Dia Mundial da Energia, promovendo reflexões sobre sustentabilidade, conscientização e o papel da energia na vida cotidiana.

    A comemoração terá momentos voltados ao caráter afetivo da data, com uma atração surpresa às 11h, distribuição de mimos ao público e sorteios de brindes e kits comemorativos. 

    A programação é gratuita e aberta ao público.

  • Furtado e Falero abrem o Casa da Palavra, no Multipalco Eva Sopher

    Furtado e Falero abrem o Casa da Palavra, no Multipalco Eva Sopher

    Geraldo Hasse

    Com o Teatro Simões Lopes Neto lotado, estreou ontem o Casa da Palavra, projeto do Multipalco Eva Sopher que prevê rodas de conversa mensais entre personalidades de diferentes áreas sobre temas relacionados às artes e questões sociais.

    Começou com o bate-papo Quem conta o país? O Brasil em cena e em prosa, com o cineasta Jorge Furtado e o escritor José Falero, que aproveitaram para revelar um suposto segredo: estão trabalhando juntos no roteiro de um filme baseado no livro Os Supridores.

    Furtado e Falero têm diferença de uma geração. Furtado era fã de Mário Quintana. Fez em 1984 seu primeiro filme, Temporal. Depois, O Dia em que Dorival Enfrentou a Guarda e Ilha das Flores, que o levou a escrever para a TV Globo. O trabalho de maior audiência foi Memorial de Maria Moura. Trabalhou muito com Luis Fernando Verissimo em séries, como Os Normais.

    Falero contou que sentiu vontade de escrever a partir de assistir na TV seriados de ficção. Prefere escrever seguindo a intuição. Já tentou pesquisar pra se aprofundar nos temas mas concluiu que “investigar acaba atrapalhando”.

    Furtado escreve todos os dias e testa as falas em voz alta porque escreve pra filmar. Fez a plateia rir com a frase: “O prazo é a nossa musa”.

    Falero contou que se esforçou muito para publicar seus escritos, quando trabalhava como porteiro ou supridor. Só conseguia escrever depois que ganhava o suficiente para sobreviver. Agora a situação se inverteu: é a escrita que o está sustentando. Então, nas horas vagas, ele vai jogar sinuca ou vai pro samba.

    Pra encerrar, a mediadora da conversa, jornalista Bruna Paulin, perguntou o que cada um gostaria de eliminar do discurso das pessoas. Furtado: o racismo; Falero: a meritocracia.
    E o que cada um de vocês gostaria que mudasse no país?
    “Gostaria que a política não fosse vista como uma coisa suja”, disse Furtado. A seguir ele comentou: “Parece que não se roubam mais quantias como 100 mil; agora são milhões” (risos).
    Respondendo ao desafio final, Falero disse que gostaria de ver ampliar-se a diversidade ou, seja, deseja que haja uma melhor distribuição de recursos ou menos desigualdade. E deu um exemplo que parece uma parábola: “Vamos pegar um saco de feijão e escolher o maior dos grãos… Como se faz? Ora, você não vai catar grão por grão até achar o maior. Você pega um punhado (uma amostra) e logo acha o maior. É uma escolha arbitrária e nós estamos acostumados e conformados com isso, mesmo sabendo que no saco de feijão provavelmente tem um grão maior que o escolhido”.

    O público riu quando Falero confessou que detesta o livro Os Supridores, que lhe deu fama nacional. Acha que tem defeitos que está tentando corrigir no roteiro, enquanto Furtado, baseado em sua experiência como adaptador de 40 histórias literárias, insiste em respeitar o conteúdo do livro. Ambos divergem mas estão se entendendo. Não se falou em prazo ou datas de filmagem ou orçamento.

    O ingresso para o Casa da Palavra é a doação de um livro, em boas condições, na entrada do teatro, a serem distribuídos a bibliotecas.

    A iniciativa, com patrocínio da Casa da Memória Unimed/RS e apoio do Sescoop/RS, seguirá reunindo, nos próximos meses, profissionais de múltiplas vertentes, entre literatura, dança, teatro, dramaturgia, jornalismo e outras expressões artísticas e intelectuais. Com o projeto, o Multipalco Eva Sopher pretende reafirmar sua identidade como centro pulsante de produção cultural e pensamento contemporâneo. O objetivo é ampliar o papel do teatro como território de reflexão cultural.