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  • O espetáculo Raiz Amarga – Por que esta noite é diferente de todas as outras? encerra temporada
    Raiz Amarga. Foto_Bernardo Jardim/ Divulgação

    O espetáculo Raiz Amarga – Por que esta noite é diferente de todas as outras? encerra temporada

    Arlete Cunha e Letícia Schwartz estão no elenco desta montagem que ocupa a Sala Álvaro Moreyra, no Centro Municipal de Cultura até 29 de outubro

    A montagem que estreou com quatro sessões lotadas no Teatro do Centro Histórico-Cultural Santa Casa, poderá ser conferida até 29 de outubro, sextas e sábados, às 20h e domingos às 19h, na Sala Álvaro Moreyra, no Centro Municipal de Cultura. Na semana que antecedeu a estreia foi lançada uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Apoia.se, com o título “As doze noites de Raiz Amarga”. A iniciativa visou arrecadar fundos para viabilizar os custos operacionais desta temporada independente.

    Com dramaturgia de Clóvis Massa e Letícia Schwartz, a partir de textos de Letícia Schwartz, o projeto nasceu em meados de 2020 quando Letícia, atriz e áudio-descritora, convidou Clóvis Massa, diretor e professor titular do Departamento de Arte Dramática da UFRGS, para desvendar possíveis caminhos dramatúrgicos na construção de delicado material de memórias: os relatos de sua avó, Reli Blau, uma sobrevivente do Holocausto. Como contar essa história? O Sêder de Pessach, a páscoa judaica, surge como resposta: rememorar um trauma através de um ritual de celebração da vida. A partir disso, constroem juntos o roteiro e a encenação da peça Raiz Amarga. A montagem teatral mescla as memórias da atriz com as etapas, histórias e cânticos que envolvem o ritual da primeira noite da páscoa judaica. Ao lado de Letícia, a atriz Arlete Cunha une-se à celebração do Pessach onde o público é convidado a partilhar alimentos, traumas e alegrias da família cuja matriarca foi uma sobrevivente do campo de extermínio de Auschwitz. A direção é de Clóvis Massa.

    Foto_Bernardo Jardim/ Divulgação

    A disposição cenográfica propicia a proximidade das atrizes com os espectadores propondo que cada pessoa seja potencialmente afetada pelos testemunhos verídicos de maneira sensível. No dispositivo cênico da montagem, situado diretamente no palco, o público é convidado a vivenciar a experiência do ritual dentro da caixa cênica, transformada em sala de jantar: o manuseio de mesa, cadeiras, pratos, taças e vinho, além de comidas que resguardam o simbolismo da fuga do povo judeu do Egito, fornecem à atmosfera do espetáculo a dose necessária de intimidade para sua acomodação, com as atrizes contando histórias e tecendo comentários pontuais, olho a olho, sobre os acontecimentos tratados de acordo com as etapas do ritual.

    A temática presente na noite de Pessach, em que se recorda a história do Êxodo e a libertação do povo de Israel, é atravessada pela trajetória da família de Letícia, de sua avó sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz e do impacto do Holocausto nas gerações

    seguintes. Desse modo, os principais momentos da cerimônia da páscoa judaica servem como marcos para abordar o sofrimento dos judeus na Segunda Guerra Mundial, mas também a repressão submetida a outras minorias até os dias de hoje. “Busca-se acolher um público de forte tradição cultural e artística, mas que raramente se encontra representado no teatro gaúcho, ao mesmo tempo em que se pretende, por meio deste universo particular, tratar de temas que atingem diretamente outras comunidades”, afirma a equipe de Raiz Amarga.

    “Narrar o trauma”, pelo diretor Clóvis Massa

    A entrevista de Reli Gizelstein Blau concedida à USC Shoah Foundation, em setembro de 1997, em que fala da experiência como sobrevivente dos campos de concentração de Auschwitz-Birkenau, foi a fonte documental escolhida para o início do processo de criação de Raiz Amarga, ainda nos primeiros meses de 2020. A abordagem, que remete à tradição da literatura produzida após os extermínios ocorridos na Segunda Guerra Mundial, aos poucos foi dando lugar ao testemunho de Letícia Schwartz, sua neta, que lindamente emprestou sua voz para narrar os traumas de muitas pessoas vitimadas – como foram seus ancestrais –, mas também recordar suas lembranças dentro de uma família que, como tantas outras, de diferentes origens e etnias, foram e ainda são atravessadas por questões de identidade, perseguição e reconstrução em suas vidas

    Enquanto processo complexo em que está envolvida a dialética da recordação e do esquecimento, a dramaturgia de testemunho assim constituída passou a considerar o Seder de Pessach como referência estrutural, ele próprio uma narrativa de testemunho coletivo. A noite de celebração da libertação dos judeus do jugo opressor no Egito antigo passou a ordenar a narrativa. Associado aos relatos sobre o genocídio e à exposição dos traumas sofridos pelas gerações posteriores, o Seder oscila entre dois tipos de testemunho presentes na dramaturgia, segundo Jean-Pierre Sarrazac, o da narração de um acontecimento presenciado e o da exposição do próprio sofrimento por alguém que é testemunha de si mesmo. No espetáculo, esses tipos, que podem ser chamados de político e de íntimo, conduzem ao pressuposto fundamental de lembrar de quem se é, a fim de garantir a preservação de uma memória viva e impedir que novos horrores deste tipo ocorram.

    Arlete Cunha e Letícia Schwart. Foto>_Bernardo Jardim/Divulgação

    Após a finalização do texto autoral de Letícia, em forma de monólogo ainda, ele sofreu várias transformações. A primeira delas, ainda no período de isolamento devido à pandemia, num tratamento mais voltado à encenação. Nos primeiros dias de 2022, numa adaptação mais radical em forma de diálogo, quando convidei Arlete Cunha para fazer parte do espetáculo. A extraordinária experiência de Arlete em processos de natureza ritual, atriz que sempre admirei e com quem nunca tinha trabalhado, enriqueceu imensamente nosso trabalho durante os ensaios, e sua interlocução com Letícia equacionou o tom das falas, dando à cena o contraponto que faltava à narrativa, trazendo a alternância entre momentos densos e espirituosos.

    Aproximação das pessoas

    A concepção do dispositivo, inspirada em um trabalho do artista francês Charlie Windelschmidt, colabora para a aproximação com as pessoas convidadas para o Seder, sentadas ao redor da estrutura cenográfica. A ambientação reflete o afastamento da fábula e enfatiza a presentificação, permitindo com que situações relatadas sejam evocadas pontualmente. Em nossa proposta, a ênfase testemunhal, por meio do relato, se coloca como um desafio, numa cerimônia para poucos, de reforço da simples presença, que recusa os excessos tecnológicos para trazer um pouco de luz às sombras que ameaçam nossas memórias.

    RAIZ AMARGA – Por que esta noite é diferente de todas as outras?

    Até 29 de outubro

    Sextas e sábados, às 20h

    Domingos, às 19h

    Ingressos antecipados via Sympla

    Inteira: R$ 50,00 + taxas

    Meia-entrada: R$ 25,00 + taxas (estudantes, idosos, professores, pessoas com deficiência e jovens de baixa renda com cadastro no CadÚnico)

    Link: https://www.sympla.com.br/evento/raiz-amarga/2151634

    Ingressos na hora em dinheiro ou PIX (bilheteria abre uma hora antes do início do espetáculo)

    Inteira: R$ 60,00

    Meia-entrada: R$ 30,00 (estudantes, idosos, professores, pessoas com deficiência e jovens de baixa renda com cadastro no CadÚnico)

    Ficha técnica

    Elenco | Arlete Cunha e Letícia Schwartz

    Direção | Clóvis Massa

    Dramaturgia | Clóvis Massa e Letícia Schwartz a partir de textos de Letícia Schwartz

    Depoimentos | Reli Gizelstein Blau*

    Produção | Naomi Siviero

    Assistência de produção | Carla Cassapo

    Iluminação | Carol Zimmer

    Cenografia e ambientação | Clóvis Massa

    Cenotécnica | Rodrigo Shalako

    Trilha sonora | Daniel Roitman

    Figurinos | O grupo

    Audiodescrição | Mil Palavras Acessibilidade Cultural

    Consultoria de cultura judaica | Marcos Weiss Bliacheris

    Consultoria sobre música judaica | Margot Lohn

    Captação de recursos | Giuliana Neuman Farias

    Fotografias de divulgação | Bernardo Jardim Ribeiro

    Redes sociais | Pedro Bertoldi

    Assessoria de imprensa | Bebê Baumgarten

    Duração: 65 min

    Classificação indicativa: 12 anos

    Capacidade de público por sessão: 33 pessoas

    *As falas de Reli Gizelstein Blau são excertos da entrevista concedida à USC Shoah Foundation

    Redes do espetáculo:

    https://www.instagram.com/espetaculoraizamarga

  • João Carlos Bento mostra 20 anos de pintura, com 40 quadros, na Galeria Bublitz
    obra de João Carlos Bento. AST 50 X 70 SÉRIE FLORAL 2007 –

    João Carlos Bento mostra 20 anos de pintura, com 40 quadros, na Galeria Bublitz

    Galeria Bublitz apresenta mostra retrospectiva do artista e arquiteto, com vernissage no dia 28 de outubro.

    Uma exposição histórica do artista João Carlos Bento vai ocupar a Galeria Bublitz. É a mostra “20 anos de pintura”, uma retrospectiva do aclamado porto-alegrense que leva obras emblemáticas de sua trajetória para esse espaço tradicional de arte no Estado. O vernissage será realizado no sábado, 28 de outubro, das 10h às 13h, na Galeria Bublitz, localizada na Av. Neusa Goulart Brizola, 143, em Porto Alegre. São 40 obras do artista, que poderão ser conferidas no local até o dia 28 de novembro. Entrada franca.

    “A arte está presente na minha vida desde sempre, no início de forma amadora e a partir de 1978, de forma acadêmica, após a formatura no Instituto de Artes da UFRGS”, relata João Carlos Bento. A expressão de sua arte começou em desenhos e gravuras, em preto e branco, mas em 2003 um fato marcou o início de uma nova fase, que acabaria sendo sua marca-registrada. “Há 20 anos, fui convidado para fazer uma assessoria na escolha de pintores e artistas de uma galeria em Goiânia. Foi aí que conheci Siron Franco e foi ele quem despertou em mim a curiosidade para a pintura”, revela.

    AST 100 X 100 11-2015

    Para a mostra, João Carlos Bento vai destacar seus florais, que tanto encantam gaúchos e o público apreciador de arte no país.  E vai apresentar uma novidade, com três pinturas abstratas, que compõem uma nova fase de sua trajetória. “Com o retiro da pandemia, abri espaço para o abstrato, que tanto adoro, em uma técnica avançada em acrílica sobre tela”, detalha.

    O pintor e arquiteto João Carlos Bento – Foto: Sergio Vergara/ Divulgação

    Com uma trajetória de exposições em diversas galerias no Brasil e no exterior, como uma mostra individual no Centro Cultural de Saverne, na França, em 2016, João Carlos Bento também faz parte da história da Galeria Bublitz, que completa 35 anos em 2023. “É uma honra para nós recebermos uma retrospectiva do artista, que exibiu algumas de suas primeiras pinturas em mostras individuais na galeria em 2004 e em 2006 e esteve presente também em cinco exposições coletivas, a mais recente, quando comemoramos 30 anos de arte, em 2018”, recorda o marchand Nicholas Bublitz.

    Obra de João Carlos Bento/ Divulgação

    João Carlos Bento: 20 anos de pintura
    Local: Bublitz Galeria de Arte
    Endereço: 
    Av. Neusa Goulart Brizola, 143
    Período: 28 de outubro a 28 de novembro
    Vernissage: sábado, 28 de outubro, das 10h às 13h
    Visitação: 
    segundas às sextas, das 10h às 18h, e sábados, das 10h às 13h.

  • Um bar para os apreciadores de sinuca, em ponto icônico de Porto Alegre
    Foto: Robilar Pereira Souza/ Divulgação

    Um bar para os apreciadores de sinuca, em ponto icônico de Porto Alegre

    Pub Snooker Tigre abre empreendimento localizado no Ed. Casas Tigre, esquina das Av. Ipiranga e  Azenha,  que reúne lazer, aulas de sinuca e campeonatos esportivos  

     Edifício Casas Tigre, um dos prédios mais conhecidos de Porto Alegre, fincado na esquina das avenidas Ipiranga e Azenha, recebe, agora, o Pub Snooker Tigre (Av. Ipiranga, 1555, Sala 301).  Inspirado nos pubs de snookers da Inglaterra, o empreendimento não será apenas um lugar de lazer, como também abrigará campeonatos esportivos, aulas de sinuca e, futuramente, projetos de inclusão social. Uma loja vendendo itens de sinuca, como tacos profissionais, cases para taco, giz, luvas e outros itens, funcionará no local. 

    Com 840m², o espaço possui oito mesas profissionais para locação, todas calibradas e reguladas para oferecer a melhor qualidade para praticar e se divertir. Cada mesa possui campo de jogo de 2.84 de largura e 1.42 de comprimento. “Em Porto Alegre existem locais com mesas da mesma medida, porém não com a mesma qualidade e calibragem”, afirma Valdemir Linhares da Silva, proprietário do pub. Com investimento de 680 mil reais do Grupo Turbo Motos, o Snooker Tigre tem como objetivo incentivar a prática do esporte entre adolescentes, mesmo sabendo que atualmente há um número reduzido de jovens que o praticam.

    A nossa proposta é inserir e fortalecer a participação desse público mais jovem. Sabedores que somos que atualmente o público que mais joga é acima de 40 anos, sem idade limite. Assim, nosso objetivo é criar um ambiente acolhedor na Snooker Tigre, onde você possa vir com sua família e desfrutar de momentos de lazer juntos. Queremos que seja comum vermos pais se divertindo com seus filhos ou mães se juntando à diversão”, reforça Linhares.

    O empresário Valdemir Linhares da Silva. Foto: Robilar Pereira Souza/ Divulgação

    Decoração 

    Além das mesas profissionais, outro diferencial é a decoração, inspirada nos pubs de sinuca na Inglaterra.  “Procuramos trazer na decoração, nas fotos aplicadas junto às paredes, fotos estas em preto e branco, trazendo um ambiente mais retrô com pessoas famosas do passado e presente que praticam sinuca”, diz Linhares. Para complementar o ambiente, há quadros com referências ao mundo das duas rodas (motociclismo), já que nos antigos Coffee Racers existiam jovens que jogavam sinuca nos bares e se juntavam para andar de moto. “Assim, acredito que o ambiente de sinuca condiz com o ambiente da motocicleta”, destaca Linhares.

    Gastronomia

    No cardápio, uma variedade de lanches e petiscos, como Choripan, Torradas, Empadas e Pastéis. No entanto, a aposta gastronômica fica por conta dos hamburguers artesanais e das pizzas, todos preparados na casa. “Desde o pão até o mais simples ingrediente, prezamos pela qualidade para proporcionar o melhor”, informa Linhares. Na carta de bebidas, cervejas, vinhos, espumantes e drinks, além das não alcóolicas.  

     

    Foto: Robilar Pereira Souza/ Divulgação

    Aulas particulares, campeonatos e inclusão social

    Além das oito mesas que estão disponíveis no salão, existe uma nova mesa reservada para quem deseja ter aulas particulares. Goiano, o campeão brasileiro de sinuca por várias vezes, irá ministrar as aulas. Um trabalho de inclusão social, voltado para jovens em situação de vulnerabilidade social, será colocado em prática nos próximos meses, além, é claro, de receber competições de sinuca. “As expectativas são as melhores possíveis. Quero proporcionar a melhor experiência de sinuca que Porto Alegre já teve. Estamos preparados para receber etapas dos campeonatos regionais e brasileiros de sinuca, para jogadores masculinos e femininos. O Snooker Tigre veio para virar referência no meio da sinuca e esperamos inspirar as pessoas a jogar esse esporte maravilhoso”, finaliza Linhares.

    SERVIÇO

    O QUE: Pub Snooker Tigre

    ENDEREÇO:  Av. Ipiranga, 1555 – Sala 301

    FUNCIONAMENTO:  De segunda a sábado, das 16h às 00h. 

    INFORMAÇÕES: 51.99119.5764 e 3209.1625

    INSTAGRAM: @Snookertigre

    SITE: https://www.snookertigre.com.br/

  • Tabajara Ruas: o autor e o personagem, oitenta e um invernos depois
    Foto: Divulgação Facebook de Tabajara Ruas

    Tabajara Ruas: o autor e o personagem, oitenta e um invernos depois

    Aos 81 anos, comemorados em agosto, Tabajara Ruas chega à 69a Feira do Livro de Porto Alegre, da qual é patrono, com um lançamento, três reedições,  um roteiro de filme e muitos projetos. Consagrado autor, personifica o escritor cioso do seu ofício.     

    GERALDO HASSE

    O escritor Tabajara Ruas lança neste final de ano, pela Editora AGE, Você Sabe de Onde eu Venho, livro de 300 páginas sobre a conquista brasileira de Monte Castelo, na Segunda Guerra Mundial.

    Trata-se de uma nova narrativa sobre a participação brasileira na luta contra o nazismo. “É uma versão ampliada de um folhetim que escrevi anos atrás para o jornal Zero Hora”, explica o autor nascido em Uruguaiana em agosto de 1942, os mesmos mês e ano da entrada do Brasil na guerra.

    O título do livro vem do primeiro verso do longo poema de Guilherme de Almeida transformado pelo maestro Spartaco Rossi no Hino do Expedicionário, que exalta as paisagens de onde saíram os 25 mil soldados brasileiros enviados à Europa. É quase impossível não arrepiar-se ao ouvir o resultado dessa parceria nacionalista de larga abrangência geográfica. Fala do pampa e dos cafezais, do engenho e dos canaviais. A vitória final ocorreu em 21 de fevereiro de 1945, após três meses de cerco para desalojar os inimigos alemães entrincheirados na montanha coberta de neve, a 60 quilômetros de Bolonha, no norte da Itália. Nos combates morreram 451 “pracinhas” sepultados no cemitério da vizinha cidade de Pistoia.

    A GUERRA COMO TEMA

    Um novo livro sobre ocorrências da última guerra mundial é mais uma prova do apelo que os temas bélicos exercem sobre Tabajara Ruas.

    Ele aprendeu a falar quando ainda se ouviam pela Voz do Brasil as dramáticas notícias sobre os combates na Europa. Fora isso, é bom lembrar que a fronteiriça Uruguaiana sempre esteve nas ordens-dos-dias militares desde que foi invadida e ocupada pelo exército do Paraguai em 1865, quando o imperador Pedro II esteve lá para os devidos fins.

    E nem é preciso falar das revoluções intestinas de 1893, 1923 e 1932 para entender o estado de espírito dos nativos dessa cidade, militarizada (Exército, Marinha e Brigada Militar) para vigiar inimigos estrangeiros e contrabandistas de combustíveis, pneus e outras mercadorias.

    Não se pode cravar que Tabajara Ruas seja o fruto mais original dessa conjuntura armada, mas os fatos estão aí: aos 81 anos, ele se fez reconhecer e consagrar como autor de livros e filmes que focalizam sobretudo atividades guerreiras de figuras históricas como os generais Antonio de Souza Netto, Bento Gonçalves e Davi Canabarro, além dos civis Giuseppe Garibaldi e Gumercindo Saraiva — personagens que descobriu aos poucos, à medida que lia, estudava, discutia e comparava narrativas, que não rejeitam a imaginação para preencher lacunas entre os fatos. Sua conclusão final é que, por conta de manipulações politiqueiras, “a mitologia é mais firme do que a História”, como consta em depoimento seu à segunda edição do livro Lanceiros Negros (JÁ, 2006). Para poder exercitar-se sem hesitações no terreno da ficção, ele sempre leu livros de História a fim de desvendar contradições, manipulações e sofismas em torno dos fatos. “Eu gosto muito de História, mas sou ficcionista”, eis sua profissão de fé no ofício de escritor.

    PATRONO

    Em 2023, Tabajara Ruas é o patrono da  69a Feira do Livro de Porto Alegre, o maior evento cultural da capital.

    Aproveitando a visibilidade, além do lançamento de Você Sabe de Onde eu Venho, estão sendo reeditados: Os Varões Assinalados e O Amor de Pedro por João, dois dos seus livros mais lidos, ambos pela L&PM. Pela JÁ Editora, sai  A Cabeça de Gumercindo Saraiva, em coautoria com Elmar Bones, um ensaio-reportagem sobre o caudilho que apavorou a República na guerra de 1893.

    O tema do primeiro é a Guerra dos Farrapos. Ele conta a gênese da obra: “Eu estava em Portugal quando li um livrinho do Alfredo Varela, o autor da história da “grande guerra” sulina contra o Império do Brasil em meados do século XIX”.

    Ao voltar para o Brasil, em 1981, mergulhou na leitura da coleção completa de Varela (seis volumes, alguns com 800 páginas), ganhando coragem para escrever o romance épico-varonil que, na literatura gaúcha, só encontra paralelo em Érico Verissimo.

    A primeira versão de Os Varões saiu como folhetim no jornal Zero Hora. Os primeiros capítulos saíram no primeiro semestre de 1985, o desfecho foi no 20 de setembro, o dia da proclamação da República Rio-Grandense, em 1836.

    Para Ruas, não há como negar que a controvertida guerra dos farrapos buscava a liberdade – os caudilhos tentando se libertar do jugo imperial e os soldados negros querendo deixar de ser escravos.

    Segundo o romancista Luís Antônio de Assis Brasil, as 550 páginas do romance de Ruas constituem a obra definitiva sobre a revolução farroupilha. Nele, o ficcionista revela-se um exímio montador de diálogos, habilidade fundamental na elaboração de roteiros de cinema. Apesar de sua densidade e envergadura, Os Varões não é o favorito do autor.

    FUGINDO DA DITADURA

    “Meu melhor livro é este!”, afirma, apontando o novo volume recém-impresso de O Amor de Pedro por João. Trata-se de um romance sobre a busca da liberdade sob o sufoco da ditadura militar, motivo de sua saída clandestina do Brasil em 1971.

    Não é obra autobiográfica, embora romanceie episódios vividos ou presenciados por ele na vida estudantil e na luta pela sobrevivência fora do Brasil.

    Em depoimento ao JÁ, Ruas contou como deixou o Brasil. Compartilhava com mais três colegas uma república estudantil, cursava Arquitetura na UFRGS e trabalhava num escritório onde desenhava plantas. Vida espartana com seguidos sobressaltos de origem política: sem ser um militante exaltado, participava da Ação Popular, organização que combatia o governo, mas não aderiu à luta armada contra o regime militar.

    Em pleno período dos “anos de chumbo”, o apartamento no segundo andar de um predinho no bairro Auxiliadora foi denunciado por vizinhos incomodados com o barulho e o entra-e-sai de estranhos que se hospedavam ali por uns dias e logo seguiam viagem para onde ninguém podia saber.

    Um dia, no rastro de uns panfletos políticos, a polícia chegou e prendeu o mais sereno dos moradores, o poeta Nei Duclós, outro nativo de Uruguaiana, militante do jornalismo. Tabajara escapuliu por uma janela e “evadiu-se do local” só com a roupa do corpo, sem carregar nenhum pertence. Por alguns dias abrigou-se na casa de conhecidos no vale do rio dos Sinos, onde se convenceu de que não teria alternativa senão fugir para o Uruguai, mas sem correr o risco de expor-se na estação rodoviária ou dentro de um ônibus para alguma cidade da fronteira. Salvou-o a ajuda emergencial do jornalista santanense Jorge Escosteguy (1946-1997), que lhe arranjou uma carona discreta num carro da reportagem do jornal Zero Hora que cumpriria pauta jornalística em Livramento.

    Depois de uma viagem tranquila, o motorista o deixou numa rua do centro da cidade. Mal desembarcou, caminhou até atravessar a avenida que separa o Brasil do país vizinho. Livre em Rivera, nem pensou em ir para Uruguaiana, pois sabia que a casa paterna estava vigiada. Foi parar em Paissandu, onde – quase arquiteto – trabalhou por cerca de dois meses na construção civil.

    Dali atravessou o rio Uruguai e entrou na Argentina por Concepción, de onde se deslocou para Buenos Aires e, logo depois, para o Chile, onde muitos brasileiros torciam pelo governo de Salvador Allende. Foi morar em Valparaíso, onde obteve um emprego regular numa fábrica de móveis que soube aproveitar muito bem seus conhecimentos de arquitetura.

    Em 11 de setembro de 1973, o dia do bombardeio do palácio presidencial que marcou a morte de Allende e o início da ditadura do general Augusto Pinochet, Tabajara estava casualmente em Santiago. Para não ser preso junto com outros brasileiros, decidiu buscar refúgio numa embaixada. Boca braba. A oportunidade surgiu na frente do casarão da representação diplomática da Argentina. Ele ficou na avenida com um grupo de pessoas que observavam o movimento. De repente, quando o portão se abriu para a passagem de um carro, ele arrancou e entrou correndo no espaço diplomático argentino, ignorando os gritos de protesto dos guardas. Assim conseguiu asilo político. Dali foi levado para Buenos Aires, onde viveu até obter asilo na Dinamarca. Foi a partir daí que se empenhou em realizar o ideal de escrever. Seu primeiro livro, A Região Submersa, foi um policial publicado originalmente na Dinamarca e em Portugal. O personagem principal é o detetive Cid Espigão. Só depois veio O Amor de Pedro por João, cuja história começa dentro de uma embaixada.

    ESCRITOR NO EXÍLIO

    “Desde pequeno eu queria ser escritor”, diz ele. Admirou inicialmente Érico Verissimo de O Continente. Depois passou a apreciar americanos como Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald. Por fim se ligou nos narradores latino-americanos Alejo Carpentier, Gabriel Garcia Márquez, Juan Rulfo, Mario Vargas Llosa, Jorge Luis Borges e Julio Cortázar. No meio de tantos gênios, apareceu um divisor de águas: Juan Carlos Onetti, uruguaio que ele só foi conhecer graças ao jornalista Danilo Ucha (1946-2016). Com a autossuficiência típica dos santanenses, Ucha baixou numa mesa de café em Porto Alegre com um livro do ídolo a quem acabara de entrevistar em Montevidéu, no final dos anos 60.

    “Nunca vou esquecer a pose de Danilo Ucha observando nosso silêncio de fim de mundo”, escreveu Ruas, em relato sobre o impacto da descoberta dos fascinantes escritos do ícone da literatura uruguaia. Ruas considera Onetti um especialista na elipse – a arte de contar apenas o necessário, deixando ao leitor o direito de imaginar o restante.

    Por aí sabemos que Tabajara Ruas bebeu em várias fontes para poder se tornar não apenas escritor, mas roteirista e diretor de cinema. Dublê de escritor e cineasta, ele se configurou como um caso único no Rio Grande do Sul. Poderia ter se contentado com o trabalho como arquiteto, redator de releases, jornalista folhetinista, escritor. Foi muito além. Ao abraçar o cinema, colocou-se em condições de fundir duas expressões artísticas, uma milenar, outra secular.

    “Quis fazer cinema para realizar talvez a fantasia da nossa geração”, disse em 2023 em depoimento ao Jornal do Comércio. A geração em tela é aquela que frequentou a universidade nos anos 60 e fez passeatas contra a ditadura militar enquanto curtia filmes brasileiros e estrangeiros discutidos e analisados calorosamente em bares e repúblicas dos arredores do campus da UFRGS. Entre outros, Ruas gostava do baiano Glauber Rocha, do americano John Ford e do inglês David Lean, que dirigiu o épico “Lawrence da Arábia”. Sempre prestou atenção no modo como eram feitos os filmes de faroeste, de guerra e de mistério. Com orçamentos apertados e recursos escassos, chegou a fazer filmes com centenas de figurantes armados e montados a cavalo, contando com a ajuda de unidades da Brigada Militar e o apoio entusiástico de Centros de Tradições Gaúchas. Proezas de um esquerdista sem preconceitos ideológicos.

    Se tudo correr bem, essa carreira integrada livros-filmes seguirá adiante com a filmagem de “O Fascínio”, novela de sua autoria que narra a história de um advogado que, disposto a receber uma herança, viaja de camioneta de Porto Alegre para a fronteira com a Argentina. Desnecessário dizer que é ficção sem viés autobiográfico. O roteiro está pronto. Falta arranjar os recursos financeiros, mas está definido que o codiretor será seu filho Tomás Walper Ruas, 21 anos, estudante de cinema na UFSC que desde criança acompanha a carreira cinematográfica dos pais. Este ano, Tomás estreou oficialmente como codiretor de “Edifício Bonfim”, longa rodado em Florianópolis sob o comando de Ligia Walper, sua mãe. Além de “Edifício Bonfim”, a Walper Ruas Produções está montando “Perseguição e Morte de Juvêncio Gutierrez”, baseado no livro de Tabajara ambientado em Uruguaiana. Os dois filmes serão lançados em 2024.

    Há outros projetos de longo prazo cuja realização depende da obtenção de recursos. Tabajara espera baixar a poeira da Feira do Livro para se dedicar a novos textos. Confessa sentir-se “travado” desde que contraiu o vírus da Covid em 2021, quando trabalhava na pré-produção de Juvêncio Gutierrez em Uruguaiana. Natural na idade, mas ele não se conforma com os lapsos de memória que interrompem suas conversas. Fora disso, sua saúde não o preocupa. Ainda assim, não disfarça certa a ansiedade às vésperas de protagonizar um dos momentos de maior ‘glamour’ a que pode chegar um militante das letras do Rio Grande do Sul.

    Após meio século de escrita, ostenta um cartel de uma dezena livros, meia dúzia de filmes e a disposição de aprofundar-se nas duas atividades principais de uma carreira profissional sem paralelo no Sul do Brasil. Ainda que seus leitores e espectadores não conheçam detalhes de sua vida, ele explica sem rodeios sua origem. Foi o segundo de uma penca de cinco irmãos, todos batizados com nomes compostos. “Meu nome completo é Marcelino Tabajara Gutierrez Ruas. Meu pai usou a mesma nomenclatura dupla para seus cinco filhos. Pela ordem: Ubirajara, Tabajara, Tapejara, Potiguara e Paraguaçu. Além de mim, o único vivo é o caçula, que se chama Francisco Paraguaçu, mas é conhecido por Chico. Mora em Porto Alegre”.

    Enquanto o pai, Napoleão, morreu com mais de 70 anos, a mãe, Irma Gutierrez, viveu até os 98 anos. O sobrenome materno levou muita gente a supor que a história narrada no livro e no filme Perseguição e Cerco a Juvêncio Gutierrez seria autobiográfica. Negativo. Tabajara esclarece que havia sim em sua família um tio chamado Juvêncio Gutierrez que nada tinha a ver com as atividades correntes em Uruguaiana. Ele era ferroviário em Alegrete. Seu nome evoca a primitiva genealogia sulina, com sua sonora mescla de ascendências luso-espanholas.

    Embora ambientada em Uruguaiana, Juvêncio sintetiza uma história típica da fronteira, onde é forte a tradição do contrabando, pano de fundo dessa ficção. O autor-diretor explica: “Eu fiz questão de recriar o contexto da minha infância/adolescência na cidade onde vivi até os 17 anos. Eu morava perto do rio Uruguai, a poucos metros do Colégio Santana. O narrador da história é um menino de 13 anos que estava abrindo os olhos para as coisas da vida. Tanto embaralhei histórias de amigos e colegas que dois deles vieram me perguntar quem era quem no livro”. Claro que o autor aproveitou para deixá-los mais em dúvida ao brincar sobre as habilidades de ambos no futebol.

    Eis aí um aspecto revelador da personalidade desse ficcionista que, de tanto escrever e fazer filmes, acabou por alcançar a dimensão de um personagem. Cabe lembrar aqui que o inefável Taba é multimídia capaz de atender a demandas extraordinárias. Em 2012, por exemplo, deu um curso sobre preparação de roteiros para vinte candidatos a escritor em Curitiba. Em 2009 foi convidado a participar de um seminário sobre “Os Anos de Onetti na Espanha”, organizado pelo Núcleo de Estudos sobre Onetti mantido na Universidade Federal de Santa Catarina. Eram 15 acadêmicos cujas conferências foram reunidas em livro editado pela editora Letras Contemporâneas. O único estranho no ninho de acadêmicos era Tabajara Ruas. Coube a ele ler uma crônica singela sobre como se encantou com a leitura de livros de Onetti no final dos anos 1960 em Porto Alegre e, depois, em Paissandu, onde acabou por concluir que seu fervor literário era maior do que o ardor revolucionário. É o texto mais fluente da coletânea, na qual consta também um belo ensaio do escritor uruguaio Carlos Liscano (então diretor da Biblioteca Pública de Montevideo) sobre o sonho de quem escreve.

    “Todo escritor é um personagem inventado pelo indivíduo que quer ser escritor. (…) O processo de invenção, no melhor dos casos e com sorte, ocorre ao redor dos trinta anos”. Segundo Liscano, Onetti lutou por isso desde a juventude. E chegou lá.

    Sua engenhosa teoria pode aplicar-se a outras personagens. No Uruguai, também chegaram ao patamar mais elevado escritores como Eduardo Galeano e Mario Benedetti. No Rio Grande do Sul, alcançaram esse status alguns como Érico Verissimo, Mário Quintana, LF Veríssimo, LA Assis Brasil e Sergio Faraco. Nessa constelação de estrelas da literatura pode se encaixar o mais profícuo escritor da margem oriental do rio Uruguai. Mesmo tendo atravessado 81 invernos, ele mantém o afã. E conserva o visual da juventude. Embora a barba esteja quase toda branca, como acontece com a maioria dos velhos, não perdeu a cobertura capilar. O cabelo grisalho continua caído para o lado direito. Nem boné usa. Chapéu também não. Capa, de vez em quando, como se viu durante as filmagens de “Senhores da Guerra”, o livro de José Antônio Severo (1941-2021) sobre os irmãos Bozzano, que se colocaram em lados opostos em conflitos armados em 1924. Não falta nada para Tabajara Ruas virar lenda.

  • Feira do Livro vai debater antirracismo, diversidade e sustentabilidade

    A 69ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre, que começa no dia 27 de outubro, promete ser um evento cultural amplo e inclusivo. Com uma abordagem voltada para questões contemporâneas e sociais, a Feira deste ano terá programações específicas voltadas ao antirracismo, a temas da comunidade LGBTQIAPN+ e sustentabilidade. Com isso, busca promover diálogos, reflexões e a valorização de diferentes grupos e perspectivas.

    A programação com a temática antirracista começará no dia 28 de outubro, com uma mesa redonda sobre literatura negra: tradição e influência, com Luiz Maurício Azevedo e Fernanda Bastos, no auditório do Memorial do Rio Grande do Sul, a partir das 18h. A jornalista e escritora Luciana Barreto fará o lançamento do seu livro Discurso de ódio contra negros nas redes sociais no dia 4 de novembro, no Auditório Barbosa Lessa – Espaço Força e Luz – (Rua dos Andradas, 1223), a partir das 17h30.

    Na parte da diversidade, o público terá acesso a oficinas, palestras e saraus entre os dias 28 de outubro e 14 de novembro. Um dos destaques ocorrerá no auditório do Memorial do RS, onde será lançada a coletânea de artigos Novas fronteiras das histórias LGBTI+ no Brasil, de Augusta da Silveira de Oliveira, Lauri Miranda Silva e Paulo Souto Maior, a partir das 17h do dia 5 de novembro.

    Sustentabilidade

    Um aspecto relevante da Feira deste ano será a discussão sobre sustentabilidade e meio ambiente por meio de seminários. Um deles ocorrerá no dia 8 de novembro, a partir das 15h, no Auditório Barbosa Lessa, com o tema “A diversidade sustenta o futuro — Homenagem a Paulo Kageyama. Biodiversidade enquanto complexidade viva: enfrentando assimetrias no decênio decisivo”, com Luiz Marques, Raquel Kubeo, Leonardo Melgarejo e José Renato Barcelos. Na ocasião, será anunciado o lançamento do livro: Agrotóxicos – impactos sobre a saúde e o equilíbrio ecossistêmico, organizado por Cíntia Teresinha Burhalde Mua e Leonardo Melgarejo, com prefácio de Ingo Wolfgang Sarlet.

    Autores internacionais

    A Praça da Alfândega também receberá escritores vindos de oito países diferentes. Nina Brochmann e Ellen Stokken Dahl, médicas norueguesas, desembarcarão na Capital para o bate-papo “Você pensou que conhecia seu corpo? Pense de novo!”, em 29 de outubro; Eckhart Nickel, escritor alemão, trará o debate “quando a literatura e as artes visuais se encontram em um triângulo amoroso”, em 9 de novembro; Giovanna Rivero, escritora boliviana, trará mais detalhes sobre o seu livro Terra fresca da sua tumba, evento em parceria com o Instituto Cervantes de Porto Alegre no dia 1º de novembro.

    Nicolás Ferraro, argentino, participará de um bate-papo sobre o atual momento da literatura policial Latino Americana em 4 de novembro; Tereza Cárdenas, cubana, participará de um encontro no dia 4 de novembro; Luis Santos, uruguaio, fará o bate-papo “diálogos entre Brasil e Uruguai”, em 4 de novembro; Joana Bértolo, portuguesa, tratará sobre cartografias literárias no dia 8 de novembro; e Faisal Al Suwaidi, dos Emirados Árabes Unidos, que apresentará sua obra Sob as asas dos anjos em 14 de novembro.

    A Feira do Livro de Porto Alegre será realizada ocorre até 15 de novembro. Neste ano, o patrono é o escritor e cineasta Tabajara Ruas.

  • Artistas visuais homenageiam escritores gaúchos na segunda edição da mostra “Autorias”
    A artista visual Graça Craidy, curadora e participante da mostra; Foto; Arquivo pessoal/ Divulgação

    Artistas visuais homenageiam escritores gaúchos na segunda edição da mostra “Autorias”

    Mostra Autorias, no Correios, reúne pinturas, desenhos, bordados, colagens, escultura e história em quadrinhos

     A segunda edição de Autorias, mostra em que artistas visuais do Rio Grande do Sul retratam escritores gaúchos, será aberta no sábado (28/10), às 11h, no Espaço Cultural Correios, como parte da programação da 69ª Feira do Livro de Porto Alegre. A visitação às obras, assinadas por nomes consagrados e por novos talentos das artes no Estado, prosseguirá até 2 de dezembro.

    No total, 43 artistas homenageiam 51 escritores. Desse universo, é inédita a presença de 25 artistas e de 25 autores. Entre os artistas que participam pela primeira vez de Autorias estão, por exemplo, Maria Tomaselli, Clara Pechansky, Edgar Vasques, Leandro Machado, Lucas Strey, Paulo Chimendes, Marcos Porto e Pablito Aguiar; e entre novos escritores homenageados com seus retratos aparecem Jeferson Tenório, José Falero, Carpinejar, Alcy Cheuiche, Taiasmin Ohnmacht, Armindo Trevisan, Lila Ripoll e o patrono da feira, Tabajara Ruas, além de outros. (Veja a relação completa dos participantes no final do texto.)

    A primeira edição da mostra Autorias foi realizada na Galeria Escadaria, no Viaduto Otávio Rocha em 2021/  Divulgação

    A primeira edição de Autorias foi realizada na Escadaria da Borges de Medeiros, simultaneamente à Feira do Livro de 2021. As obras dos 18 artistas de então, entre eles Erico Santos, Beatriz Balen Susin, Gilmar Fraga, Liana Timm e Ubiratan Fernandes, também estarão nos Correios na forma de retratos de Erico Verissimo, Mario Quintana, Simões Lopes Neto, Caio Fernando Abreu, Luiz Antonio de Assis Brasil, Moacyr Scliar, Lya Luft e de outros escritores.

    A exposição na Escadaria foi a primeira a exibir telas no espaço a céu aberto. O único dano não foi causado por intempérie: vândalos picharam e rasgaram por três vezes o retrato de Luis Fernando Verissimo, mas a obra foi restaurada e mantida até o encerramento da mostra. Depois, houve, ainda, um ato de desagravo a LFV.

     Ampliada e inclusiva

    Autorias – II chega agora ao Correios ampliada, inclusiva e plena de diversidade. Há um equilíbrio na participação de homens (48) e mulheres (46). Entre os homens, 23 são artistas e 25, escritores; entre as mulheres, 20 são artistas e 26, escritoras; 11 escritores e nove artistas são negros. A escritora indígena Vãngri Kaingáng é retratada pelo artista negro Alisson Affonso. A artista trans Marcela Meirelles é autora do retrato da feminista Clara Averbuck.

    As obras contemplam não apenas a pintura e o desenho, mas outras manifestações da arte do retrato, como bordado, colagem, escultura em papelão e história em quadrinhos.

    A artista Graça Craidy, que também é curadora e organizadora da mostra, diz que o objetivo é democratizar o acesso à arte e à literatura. “Queremos contribuir para que o público conheça os tradutores da cultura, nas letras e nas tintas, se veja nas suas narrativas e tenha orgulho da sua história colhida no cotidiano e transformada em arte”, declara ela.

     

    No texto de apresentação de Autorias, Graça reflete: “O que seria de um povo se, entre sua gente, não surgissem amoráveis prosadores dos seus enredos, mapeadores delicados dos seus anseios, tradutores generosos dos seus delírios, derrotas, renascimentos, paixões? A história de um povo é, também, além dos fatos, a história da sua imaginação, do quanto acalenta quereres, em que infernos se incandesce, com que valores constrói a tessitura dos seus sonhos”.

    SERVIÇO

     Exposição Autorias – II

     Local: Espaço Cultural Correios, no andar térreo do prédio do Memorial do RS, na Praça da Alfândega. Acesso pela lateral, na Av. Sepúlveda

     Abertura: 28 de outubro (sábado), às 11h

     Visitação: até 2 de dezembro

     Horário: No período da Feira do Livro, das 10h às 20h

    Entrada gratuita

     Os artistas e os respectivos autores retratados

     

    Adroaldo Selistre – Armindo Trevisan

    Alfeu Viçosa – Carpinejar

    Alisson Affonso – Vãngri Kaingáng

    Maria Carpi
    Assis Brasil

    Beatriz Balen Susin – Maria Carpi e Luiz Antonio de Assis Brasil

    Bernardete Conte – Simões Lopes Neto

    Carla Magalhães – Juremir Machado da Silva

    Clara Pechansky – Lila Ripoll

    Deja Rosa – Lilian Rocha

    Edgar Vasques – Rafael Guimaraens

    Emanuele de Quadros – Luisa Geisler

    Erico Santos – Lya Luft e Moacyr Scliar

    Fernando Lima – Tania Faillace

    Gilmar Fraga – Erico Verissimo e Carol Bensimon

    Giovana Hemb – Christina Dias

    Graça Craidy – Marô Barbieri e Dyonélio Machado

    Gustavo Burkhart – Luis Fernando Verissimo

    Gustavot Diaz e Ise Feijó – Caio Fernando Abreu

    Gustavo Schossler – Fernanda Bastos

    Helena Stainer – Cintia Moscovich e Cyro Martins

    Leandro Machado – Jorge Fróes

    Leandro Selister – Tabajara Ruas

    Liana d’Abreu – Lélia Almeida

    Liana Timm – Eliane Brum e Mario Quintana

    Lucas Strey – Ivo Bender

    Marcela Meirelles – Clara Averbuck

    Márcia Baroni – Maria Dinorah

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    Marcos Porto – Jeferson Tenório

     

    Maria Tomaselli – Marcia Tiburi

    Mario Schuster – Alcy Cheuiche

    Mariza Carpes – Leticia Wierzchowski

    Mitti Mendonça – Taiasmin Ohnmacht

    Nara Fogaça – Martha Medeiros e Josué Guimarães

    Ondina Pozoco – Ana Dos Santos

    Pablito Aguiar – José Falero

    Paulo Chimendes – Eliane Marques

    Paulo Correa – Maria Helena Vargas

    Pena Cabreira – João Gilberto Noll e Claudia Tajes

    Sandra Lages – Natalia Polesso

    Thiago Quadros – Sergio Faraco

    Ubiratan Fernandes – Jane Tutikian e Oliveira Silveira

    Wagner Mello – Ronald Augusto

    Zupo Opuz – Tau Golin

  • O “Algum Lugar” de Monica Tomasi , com amor e esperança, em show no Espaço 373
    Monica Tomasi. Foto: Ray Albuquerque/ Divulgação

    O “Algum Lugar” de Monica Tomasi , com amor e esperança, em show no Espaço 373

     

    A cantora e compositora Monica Tomasi faz show de lançamento de seu sexto álbum “Algum Lugar” no Espaço 373 na próxima sexta-feira, dia 20. As oito canções, que nasceram durante os últimos cinco anos, desde sua mudança para a Europa, abordam temas como transformação, dúvidas, resiliência, privação e cura. Mas, acima de tudo, é um álbum sobre amor e esperança, sentimentos que permeiam cada nota e letra presente nesse trabalho. Todas as músicas são autoria de Monica, exceto “Repara”, em parceria com Necka Ayala, e “Refluxo”, com Claudia de Bem.

    Monica Tomasi , oito novas canções. Foto: Ray Albuquerque/ Divulgação

    “Uma das características marcantes deste álbum é a exploração de diferentes ritmos e influências. Em cada faixa, um convite a cruzar fronteiras sonoras, dançando ao som do xote em ‘Tobogã’, sentindo a energia do candombe uruguaio em ‘Essencial’, apreciando a melodia da viola pantaneira em ‘Repara’ e deixando-se levar pela influência afro-brasileira em ‘Capoeira’, tudo embalado pelo ritmo envolvente do pop brasileiro”, diz a artista.

    Monica Tomasi faz ponte entre Brasil e Alemanha; Foto: Ray Albuquerque/ Divulgação

    Algum Lugar é uma colaboração entre o Brasil e a Alemanha que reuniu amigos e parceiros musicais, como Mario Carvalho, com quem divide a produção musical. O disco conta com Angelo Primon, que trouxe toda a química estética, com a percussionista Cris Gavazzoni – radicada na Alemanha – e a participação especial de Fernando Peters na faixa “Lente de Contato”.

    Monica Tomasi. Foto: Ray Albuquerque/Divulgação

    SERVIÇO
    Monica Tomasi – Lançamento do álbum Algum Lugar
    Quando: 20 de outubro | Sexta-feira | 21h
    Ingressos: R$35 a R$100
    Ingressos antecipados: https://www.sympla.com.br/evento/monica-tomasi-algum-lugar/2186802?referrer=linktr.ee

    Onde: Espaço 373 (Rua Comendador Coruja, 373 – Bairro Floresta)

  • Zoravia Bettiol mostra seus Ícones em companhia de obras da sua coleção
    Ada Byron King, Condessa de Lovelace, na série de Zoravia Bettiol

    Zoravia Bettiol mostra seus Ícones em companhia de obras da sua coleção

    A mostra Ícones foi apresentada virtualmente no auge da pandemia, em dezembro de 2020. A partir deste sábado, 7/10, a mostra está na galeria Zoravia Bettiol, juntamente com obras de outros artistas.

    Das 56 obras exibidas, 15 são pinturas da série Ícones e 41 são desenhos, gravuras e pinturas de artistas brasileiros e estrangeiros. Zoravia coleciona arte há mais de 60 anos, com critério e sensibilidade.

    A exposição homenageia personalidades relacionadas às artes, como Mario Quintana, Mercedes Sosa, Tamara Toumanova; e às ciências, como a Condessa de Lovelace, matemática e escritora inglesa do século 19, pioneira nas pesquisas para criação do algoritmo.

    Há também figuras mitológicas gregas como Penélope, Ulysses, Medusa e Ícaro; figuras ficcionais como Pinóquio, A Bela Adormecida, Alice de Lewis Carroll e o personagem circense Mágico Chinês. E também o triângulo amoroso Colombina, Pierrô e Arlequim da comédia Del Arte.

    Na concepção dessa série, Zoravia pintou em acrílico sobre madeira, sendo alguns suportes retangulares e outros trapezoidais. Na parte superior, representou o busto de cada personagem e, abaixo, em suspenção, alguns elementos relacionados à vida ou a obra de cada um dos homenageados.

    Entre os artistas da sua coleção, há obras dos brasileiros Vasco Prado, Regina Silveira, Saint-Clair Cemin, João Câmara, Didonet Thomaz, Glênio Bianchetti, Mario Cravo Júnior, e dos estrangeiros Jorge Paez Vilaró, Antônio Potero, Adolf Frohner, Carlos Fossati, Luis A. Solari, Héctor Capurro, Marta Peluffo e outros…..

    Todos os trabalhos estão à venda e a galeria parcela os pagamentos.

    Ada Byron King, Condessa de Lovelace, na série de Zoravia Bettiol

    SERVIÇO:

    Título: Ícones, Pinturas e Acervo de Artistas Brasileiros e Estrangeiros de Zoravia Bettiol

    Data: de 07 de outubro, sábado, a 30 de novembro de 2023.

    Local: Galeria Zoravia Bettiol, Rua Paradiso Biacchi, 109 (Ipanema) – Porto Alegre, RS

    Horário de visitação: das 10h às 18h (de segunda a sexta-feira). No dia da abertura, a partir das 15h.

    Entrada Franca.

    Contato:

    (51) 3354-2456

    galeria@zoraviabettiol.com.br

  • Espetáculo “Fé, uma sinfonia diferente” leva crianças e jovens com Autismo ao palco
    A dupla do 50 Tons de Pretas, Grazi Pires e Dejeane; Arruée; Foto: Ricardo Lage/ Divulgação

    Espetáculo “Fé, uma sinfonia diferente” leva crianças e jovens com Autismo ao palco

     

    Em sua 5ª edição e reunindo o maior número de participantes, Uma Sinfonia Diferente RS traz o tema FÉ para celebrar o encerramento do projeto no ano de 2023. Após um processo de nove meses de atendimento de musicoterapia em grupo para mais de 60 crianças e jovens com autismo, o Sinfonia realiza um espetáculo Musical Fé no dia 15 de outubro, às 19h, no Teatro Feevale (Universidade Feevale, RS-239, 2755 – Campus II, Novo Hamburgo). Os ingressos custam R$ 20,00 e podem ser adquiridos pelo site https://teatrofeevale.com.br/programacao/sinfonia.

    No espetáculo, o público típico e atípico, poderá apreciar um roteiro idealizado especialmente para as características desta 5ª edição. “A proposta do tema do Musical é valorizar a força de vontade em buscar alternativas por mais qualidade de vida. A esperança, o amor. A Fé de cada um, este sentimento, que une as famílias do Sinfonia, seja qual for a sua crença, pois tratamos a fé como uma ferramenta pessoal para vencer as adversidades, buscar sabedoria e principalmente aprender a apreciar o processo e não somente o ponto final de chegada”, destaca Grazi Pires, Musicoterapeuta e Coordenadora do Projeto.

    Grazi Pires e Dejeane Arruée_com participantes do espetáculo. Foto: Ricardo Lage/ Divulgação

    Traremos ao público performances coletivas e individuais dos participantes do projeto que vem acompanhado de uma super banda de músicos profissionais que são voluntários do Projeto. Além disto, teremos convidados super especiais como a cantora e compositora Tati Portella e do artista autista e amigo do Sinfonia,  Ângelo Bandel Foreste”, afirma Dejeane Arruée que assina direção musical do Projeto. A atriz e diretora de teatro Deborah Finocchiaro, apoiadora do projeto desde 2019, integra a equipe do espetáculo assinando a orientação cênica, além de contribuir com o roteiro e ensaios dos voluntários para a grande noite e ser a mestra-de-cerimônia do Musical.

    Convidados e voluntários

    Sobem ao palco com performances mais de 50 crianças e jovens com Autismo, acompanhados por mais de 40 voluntários, 10 terapeutas e uma banda. A banda é formada por artistas voluntários e convidados que, anualmente, se dedicam a realizar o musical do projeto, que é uma realização socio cultural,  uma grande produção artistas e terapêutica. Uma sessão de musicoterapia aberta ao público, reunindo todas as familais participantes desta edição!

    A Banda Sinfonia Diferente é formada por Dejeane Arruée (Direção Musical e Voz), Grazi Pires ( Direção Artística e Voz), Andreia Steinmentz (Vocais), Xandy Santos (Baixo), Lucky Alves (Bateria e Vocais), William Borba ( Guitarra e Vocais), Vicente Lenz (Saxofone) e Luis Dallastra ( Acordeon).  Serão apresentadas canções autorais, fruto de improvisos e composições das sessões de musicoterapia. A maioria destas canções são compostas pela musicoterapeuta e compositora Graziela Pires e os arranjos ficam por conta de Dejeane Arruée da dupla 50 Tons de Pretas e fundadoras da Pretas Produções, responsável pela realização da edição gaúcha do projeto.

    O projeto do RS tem um formato diferenciado, pois atende ao Grupo de Pais com a coordenação da Psicóloga Mara Ritter. “O objetivo do grupo é acolher e dar suporte aos tutores e cuidadores,  desde a 1ª edição”, diz Mara Ritter – psicóloga e nutricionista. Outro diferencial é a constante pesquisa científica em torno dos benefícios da musicoterapia para as pessoas com autismo, projeto que é coordenado pela Doutora Psicóloga e Musicoterapeuta Marileya Vargas.

    O Sinfonia Diferente RS 2023 está totalmente independente, sem verbas de editais de cultura, como já ocorreu em anos anteriores. O que garante a estrutura básica do projeto é o apoio dos voluntários (equipe e co-terapeutas) e dos parceiros com estrutura e serviços.

    Todo o trabalho do projeto tem a musicoterapia como fio condutor e equipe técnica multidisciplinar.  As sessões de musicoterapia são focadas no desenvolvimento do grupo, sem deixar de considerar as características individuais de cada participante.

    Uma sinfonia diferente

    O projeto Uma Sinfonia Diferente trata-se de uma metodologia inovadora para trabalhar e desenvolver a linguagem e interação social das pessoas com Autismo. Foi criado em 2015 pela Musicoterapeuta Ana Carolina Steinkpopf, em Brasília e consiste em uma equipe técnica multidisciplinar liderada por um(a) Musicoterapeuta, com auxílio de voluntários que acompanham as crianças e jovens durante todas as sessões.

    Equipe Técnica – Na equipe multidisciplinar, formada por profissionais voluntários, das áreas de Musicoterapia, Psicologia, Fonoaudiologia entre outras, se dedicam ao acompanhamento e execução das sessões. O grupo é responsável por pensar e discutir os objetivos terapêuticos do processo, além de assessorar os voluntários, atender as crianças e familiares.

    FICHA TÉCNICA

    Equipe Técnica Multidisciplinar – Uma Sinfonia Diferente RS

    Graziela Pires – musicoterapeuta, especilaitsa em TEA

    Dejeane Arruée – Licenciada em Música e multi instrumentista

    Jaqueline Zuccari – Fonoaudióloga especialista em TEA

    Mara Ritter – Mestre em psicologia e nutricionista

    Marylea Vargas – Profa. Dra. psicóloga e musicoterapeuta

    Marliese Christine Simador Godoflite – fonoaudióloga, psicopedagoga e diretora APAE Ivoti

    Patrícia Scossi – Jornalista, gestora cultural e pós-graduanda em Musicoterapia

    Selenir Kronbauer – Profa. mestre em teologia

    Ana Carolina de Campos – Pedagoga, Mestrando em Educação. Integrante da equipe da AMAV – Associação dos Pais e Amigos dos Autistas de Viamão (RS)

    Equipe de voluntárias

    Alexsandra Amaral dos santos, Ana Carolina de Campos, Ana Júlia Hermes Schepp, Andrisa de Souza, Bianca Goulart dos Santos, Cesar Augusto Foss,Clarissa Helena Oliveira de Oliveira, Daiana de Souza Carravetta, Deise Bortolozo Pivoto, Elen Borghezan, Élen Schappo, Éliston Roger da Silva Federici, Fabiane Magalhaes Pereira, Fernanda da Silva Thumé, Giácomo de Carli da Silva, Iara Virgínia da Silva, Josaina Teresinha de Souza, Letícia Jorge dos Santos, Luana Rollof, Magali Gomes de Souza, Moema Reichert, Patricia Scossi

    Banda dos Músicos Voluntários do Sinfonia

    Andréia Steinmetz – voluntária da banda e das sessões de musicoterapia. Pós-graduanda de musicoterapia.

    Vicente Raul Lenz – bacharel em música e saxofonista.

    William Borba – licenciado em música e  guitarrista nas bandas @banda_cartel e @grantezuma e integrante da dupla lais e william @laisewilliamduo

    Xande Santos – Músico profissional há mais de 30 anos. Guitarrista, tecladista, violonista, baixista, produtor musical, arranjador, professor de música.

    Luiz Dalastra – acordeonista que acompanha diferentes bandas da região

    Lucky Alves – Psicólogo, cantor e baterista da banda The Dogs

    50 tons de Pretas

    Graziela Pires é Musicoterapeuta, cantora, compositora, regente de corais, tradutora e intérprete de língua inglesa e professora.

    Dejeane Arruée é Trombonitsa, cantora, percussionista e regente de bandas marciais e arte educadora.

    Apoio Institucional ( cedência do local para atividades ao longo do projeto)

    Faculdade IENH, Clínica Neurodiverso e Ibis Hotéis NH

    Apoio (serviços e  divulgação)

    Apoio Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho

    AMA -NH -Associação de Pais Amigos Do Autista de Novo Hamburgo, Q 10 Saúde Clínica Integrada, Clínica Zuccari, Clínica IN, Clínica Consonar, Companhia de Solos e Bem Acompanhados, Fiel Produtora de Vídeo,Lual Eventos infantis, Guarita Pizzas, Pitutti Festas, Tempo e Som.

    Realização: Pretas Produções  / 50 Tons de Pretas

    Supervisão: Instituto Steinkopf

    Participação especial

    Cantora Tati Portella

    Atriz Deborah Finocchiaro

    Cantor Angelo Bandel Foreste

    SERVIÇO

     

    O QUE:  Sinfonia Diferente RS   – Novo Hamburgo

    DATA:  15 de outubro

    HORÁRIO:  19h

    LOCAL: Teatro Feevale (Universidade Feevale, RS-239, 2755 – Campus II, Novo Hamburgo).

     

    INGRESSOS: R$ 20,00 e podem ser adquiridos pelo site https://teatrofeevale.com.br/programacao/sinfonia.

  • Projeto Miniarte completa 20 anos exibindo em Porto Alegre “Futura”, sua 46ª exposição

    Projeto Miniarte completa 20 anos exibindo em Porto Alegre “Futura”, sua 46ª exposição

     

    O Projeto Internacional Miniarte, criado em 2003 pela artista visual gaúcha Clara Pechansky, chega ao vigésimo ano de existência e monta, em Porto Alegre, sua 46ª edição. A abertura será na quinta-feira (5/10), das 18h às 20h, na Gravura Galeria.

    Obra de autoria de Edilberto Sierra, da Colômbia/ Divulgação

    No sábado (7), às 11h, Clara fará visita guiada aberta ao público. A visitação à mostra prossegue até 28/10. Essa edição, denominada de Miniarte Futura, celebrará os 20 anos ininterruptos de realizações, incluindo homenagens aos ex-coordenadores internacionais, aos pioneiros e a artistas já falecidos cujas obras constam do acervo do projeto, que reúne cerca de 3 mil imagens.

    Clara Pechansky.Foto de Flávio Wild/ Divulgação

    “Estou muito contente por poder resgatar artistas que participaram dessa história e prestar homenagem aos que já se foram”, diz Clara, de 86 anos de idade e 67 de uma reconhecida carreira como pintora, desenhista, capista da lendária Editora Globo, gravadora e gestora cultural, com obras em importantes acervos de museus e galerias no país e no exterior.

     

    Obra de autoria de Zoravia Bettiol, de Porto Alegre/
    Divulgação

    A Miniarte, montada em painéis pela restauradora Eliete Corrêa, apresentará obras de autoria de 163 artistas, originários dos seguintes 12 países: Argentina, Colômbia, Costa Rica, Equador, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Índia, Irlanda do Norte, México, Portugal e Brasil. Afora esses, já estiveram representados em edições anteriores, entre outros, países como Inglaterra, Austrália, Canadá, Chile, Cuba, França, Nova Zelândia e Venezuela.

    Clara idealizou o Projeto Miniarte Internacional, centrado em obras de pequeno formato, para promover o intercâmbio artístico entre criadores de diferentes países e regiões geográficas. Nas primeiras edições os artistas enviavam as obras pelo Correio. Com o passar do tempo e as dificuldades impostas pelas aduanas internacionais, a Miniarte passou a reproduzir as obras em fotos. As facilidades proporcionadas pela internet ajudaram a consolidar o novo formato. Com a pandemia a participação virtual dos artistas aumentou, bem como o caráter internacional da Miniarte.

     

    .Obra El Payaso, do mexicano Jorge Luis Hurtado Reyes/ Divulgação

    Ao longo dos anos, foram realizadas Miniarte que tiveram como título – e sugestão de tema para os artistas – Magia, Vida, Ilusão, Enigma, Verdade, Fantasia. As coleções de obras das são expostas em locais como galerias, museus, bibliotecas, fundações e institutos culturais. A primeira edição foi na Usina do Gasômetro e a 10ª na Casa de Cultura Mario Quintana, por exemplo.

    Obra de autoria de Márcia Marostega, de Santa Cruz do Sul/ Divulgação

    Outra edição da Miniarte Futura já tem data e local para ocorrer em 2024: 4 de maio do ano que vem, no Centro Municipal de Cultura de Gramado.

    Obra de autoria de Josefina Suarez, da Costa Rica/Divulgação

    SERVIÇO

    Miniarte Futura

    Abertura: quinta-feira (5/10)

    Horário: das 18h às 20h

    Visita guiada: sábado (7), às 11h

    Visitação: até 28/10

    Local: Gravura Galeria

    Endereço: Rua Corte Real, 647, bairro Petrópolis

    Horário: segunda à sexta das 9h30 às 18h30; sábado das 9h30 às 13h30

    Fone: 51 3333-1946

    Obra de autoria de Els Van Asten, da Holanda/ Divulgação

    A exposição no olhar da artista

    Clara: “De mãos dadas pela arte”

    Pergunta: Quando o projeto nasceu imaginava que teria tal amplitude e duração?

    Resposta: Clara Pechansky – A Miniarte, nestes 20 anos, criou uma grande teia de comunicação entre artistas. Tenho orgulho de ter sido a geradora dessa rede que até hoje se mantém viva, porque artistas de 38 países ainda se comunicam comigo e entre si, seja em inglês, em espanhol ou em português. Eles se movimentam em seus países de origem, criando novos desafios e convidando colegas para participar de exposições ou outros eventos. Com a pandemia muita coisa mudou, mas a arte seguiu viva e se impulsionou de novas maneiras. A Miniarte é o elo que reúne todos, desde os pioneiros aos recém-chegados.

    .Obra de autoria de Radi  Pereira dos Santos, de Porto Alegre/ Divulgação

    Seguimos juntos, sob minha liderança e de outros colegas, parceiros antigos e novos da Miniarte, fazendo a teia crescer democraticamente, sem exigir currículo de ninguém, mas sempre de mãos dadas pela arte. É o grande abraço universal. Com a evolução dessa teia, foi necessário trabalhar de forma mais específica com países da América Latina. Em 2018, criei o Projeto Fiesta de Paz Brasil, que agrega literatura às àrtes visuais. Poetas e escritores são chamados para escrever sobre nossas obras, ampliando a teia de comunicação.

    P: De que forma a pandemia impactou o projeto em termos de adesão de artistas inscritos e do conteúdo apresentado pelos participantes?

    .Obra de autoria de Graça Craidy, de Porto Alegre/ Divulgação

    R: Clara – Houve uma total reviravolta no projeto. Até então, as obras chegavam de forma física, pelo Correio ou pessoalmente. Eu já havia reduzido o formato das obras de 20 x 20 cm para 18×18 cm, para permitir que mais obras coubessem nos painéis, já que cada edição sempre recebia no mínimo duas centenas de artistas. Decidi então criar a Miniarte Verdade, para a qual os artistas enviaram fotografias que foram impressas, e as obras, portanto eram só virtuais. Outra modificação ocorreu devido à dificuldade de circulação de dinheiro, então eu tornei a Miniarte gratuita e totalmente virtual. Dessa maneira, chegamos à participação de cerca de 400 artistas. A Miniarte então se tornou cada vez mais virtual, e passamos a publicar catálogos somente na internet, e nossas coleções completas estão no Flickr:  http://www.flickr.com/photos/miniart2010/sets/ e também no website da Miniarte (www.miniartex.org).

    Obra de autoria de Danu Dunne, da Irlanda do Norte/Divulgação

    P:Olhando o acervo formado pelas coleções ao longo do tempo que análise artística faz?

    R: Clara – A pandemia foi um turning point na organização das edições da Miniarte, gerando novas ideias e novas maneiras de mostrar as obras. Temos até agora uma história de quase 50 edições, cada uma em um local diferente, sempre coordenadas por artistas, entre galerias particulares e públicas, museus, centros de cultura e academias.

    Quanto à análise artística, é evidente que houve um aperfeiçoamento na obra de cada artista, seja na técnica, seja porque a qualidade da resolução das fotos melhorou, permitindo a impressão de cada obra com suas cores e detalhes originais. Artistas que vêm há anos participando da Miniarte sem dúvida tiveram um crescimento técnico indiscutível, e isso é muito gratificante. Posso também acompanhar a trajetória de artistas que lancei há tempos, quando eram emergentes, e que, devido ao caráter democrático da Miniarte, tiveram sua primeira oportunidade de expor em exposições internacionais ao lado de artistas conhecidos, já que a Miniarte é exposta em ordem alfabética.

    Obra de autoria de Erm¡nia Marasca Soccol, de Porto Alegre/Divulgação

    P: Produzir arte em pequeno formato facilita a vida do artista?

    R: Clara – Pelo contrário, trabalhar em pequeno formato é muito mais difícil do que criar algo em formato grande. Quando um iniciante começa a pintar ou desenhar, ele tem medo e sempre sugere: ‘vou começar com uma telinha pequena’. Grande erro. Ao tentar pintar uma obra pequena, o candidato a artista está empilhando todos os problemas e eles ficam sobrepostos, como se numa corrida de obstáculos todos os saltos tivessem que ser dados ao mesmo tempo. Fica bem mais fácil espalhar os obstáculos por uma superfície grande, onde será possível identificar todos os saltos a serem trabalhados. Falo como supervisora e orientadora de arte, como alguém que nunca permitiu o uso de borracha em seu atelier, porque é necessário acompanhar o pensamento daquele que está começando, e para isso as marcas do seu traço, deixadas visíveis, ajudam a acompanhar e entender o caminho percorrido.

    Obra de autoria de Ana Lovatto, de Porto Alegre/ Divulgação

    P: Requer quais virtudes, principalmente?

    R: Clara – Requer reflexão, técnica e, sobretudo, paciência. A Miniarte espraiou esse desafio: criar uma obra pequena é distribuir todos os problemas de composição, equilíbrio, luz e sombra e demais fundamentos do desenho e da pintura num espaço reduzido. Desde o início exigiu-se dos artistas obras em pequeno formato, era 20 x 20 cm e ultimamente passou a ser 18 x 18 cm.

    Obra de autoria de Cristovão Coutinho, de Manaus/Divulgação

    *Com Assessoria de Comunicação- Jornalista Carlos Souza(texto)

    FOTOS: Divulgação Miniarte / Clara Pechansky