Sonetos completos de Shakespeare ou “como conhecermos a nós mesmos”

 

A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o 20º e último volume  volume.

A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 20

SONETOS COMPLETOS

p/William Shakespeare

Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

Porto Alegre, Editora Movimento, 2019, 328p.

Editado com o apoio de DUPONT SPILLER advogados.

Na segunda edição dos Sonetos, em 1640, vinte e quatro anos após a morte de Shakespeare, o editor publica um poema que assim termina: Tua fama viverá para sempre e o mundo todo haverá de confirmar que poeta como tu tempo futuro nenhum haverá de criar. Ler os sonetos de Shakespeare é chegar mais perto de conhecermos a nós mesmos, pois são cento e cinquenta e quatro radiografias de nossa alma, reveladas trezentos anos antes de Freud.

Soneto 71:

Quando eu morrer, só faças luto por mim,

enquanto ouvires o triste dobre fúnebre do sino,

avisando ao mundo que eu parti deste vil mundo,

para morar com os mais horrendos vermes.

Mais ainda: se leres estas linhas, não procures te lembrar da mão que as escreveu, pois eu te amo tanto,

que gostaria de ser esquecido em teus doces pensamentos,

se pensar em mim te causasse sofrimento.

Sim, repito, se passares os olhos nestes versos,

quando eu, talvez, já esteja misturado com a terra,

nem mesmo tentes pronunciar meu pobre nome,

mas que teu amor e minha vida se consumam juntos,

para que as pessoas curiosas, ao saber a causa de teus gemidos,

não zombem de ti, ao saber que um do outro éramos queridos.

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