Transporte clandestino de petróleo pode estar na origem da mancha de óleo

Navios que circulam clandestinamente pelo Atlantico para  burlar o embargo comercial imposto pelos Estados Unidos à Venezuela. Um deles teria descartado a mercadoria para não ser flagrado.
Esta é a nova hipótese para as causas do vazamento de óleo crú que atinge a costa de 12 Estados brasileiros.
As manchas começaram a aparecer nas praias há quarenta dias e ainda não foi descoberta a origem óleo.
Análises sobre a mancha de poluição, que atinge 156 localidades de 71 municípios, já indicaram que a substância achada nas praias tem as características do petróleo venezuelano.
Essa hipótese provocou um incidente diplomático entre o Brasil, depois que o ministo do Meio Ambiente, Ricardo Salles, declarou que o petróleo nas praias “provavelmente é Venezuela”.
O governo de Nicolás Maduro reagiu e a PDVSA, estatal petrólifera da Venezuela, emitiu nota oficial considerando irresponsáveis e maliciosas as declarações do ministro.
Agora surge a hipótesdo “navio fantastma”.
Os chamados navios fantasmas do século 21 não são embarcações mal-assombradas, mas aquelas que procuram navegar sem registro oficial.
Para isso, trocam de nome e até desligam o transponder. O aparelho, obrigatório em todas as embarcações, registra a localização em tempo real de cada navio.
“Historicamente, parte do petróleo produzido sempre foi comercializado por canais não oficiais”, explica o economista Edmar Almeida, da Universidade Federal do Rio (UFRJ). “Tanto é que nas estatísticas do petróleo há diferença entre o que é declarado como produção e o que é declarado como consumo”.
Segundo ele, isso pode ocorrer por várias razões, como roubo e tráfico de combustível, guerras e conflitos internacionais ou sanções econômicas.
Coordenador do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo (USP), Alberto Pfeifer diz que as sanções americanas à Venezuela e a países que comercializem com ela “podem estar estimulando a marginalidade”.
Os navios fantasmas costumam usar rotas menos conhecidas. Com isso, ficam mais vulneráveis a contratempos.
Um eventual derramamento de óleo pode ocorrer por acidente ou pelo descarte de mercadoria irregular para evitar flagrantes. “O tráfico de combustível é uma das cinco atividades ilícitas mais lucrativas, atrás de drogas, armas, pessoas e animais”, diz o especialista venezuelano Rafael Villa, do Instituto de Relações Internacionais da USP. “E sabemos que na Venezuela um dos graves problemas é o contrabando de combustível.”
Patrulha
Em nota, a Marinha disse que realiza rotineiramente “patrulhas e inspeções navais”, incluindo ações contra delitos ambientais. E lembra ainda que o Brasil participa de grupos de trabalho internacionais que acompanham o tráfego marítimo. “Os pontos considerados mais sensíveis são as ‘novas ameaças’, como pirataria, terrorismo e acidentes ambientais.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
(Com informações e foto da Agência Brasil)

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